sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A vida secreta dos artigos equivocados e fraudulentos

Artigos científicos equivocados ou fraudulentos costumam ser removidos exemplarmente dos arquivos das revistas científicas que os publicaram. Mas não é incomum que cópias sobrevivam em bibliotecas e repositórios de universidades e continuem a circular, sendo citadas por pesquisadores desavisados. O pesquisador norte-americano Philip Davis encontrou rastros do que ele chamou de “vida secreta de artigos retratados” ao analisar o destino de 1.779 papers desqualificados pelas revistas que os divulgaram entre 1973 e 2010.

Ele chegou a esse conjunto de artigos proscritos ao pesquisar a base de dados Medline, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos. O passo seguinte foi procurar registros desses papers em outros portais ou repositórios da internet. Davis conseguiu localizar versões de 321 desses artigos – um em cada cinco da amostra – perdidos em bibliotecas virtuais ou nos arquivos de universidades e departamentos. Em nenhum deles havia qualquer aviso de que o artigo tinha sido desqualificado.

© Daniel Bueno

Na quase totalidade dos casos, 95%, a versão encontrada era a da revista científica. Em apenas 4% tratava-se de versões feitas pelo autor antes de submeter o artigo à publicação. O local que abrigava mais artigos retratados era a base de dados PubMed Central, com 43% do total (138 artigos). Noventa e quatro (ou 29%) foram encontrados em domínios acadêmicos, como websites de laboratórios e departamentos, e apenas 10 (3%) estavam em repositórios de instituições. Também foram encontrados 24 artigos (4%) em sites comerciais – o curioso é que os artigos eram usados para promover suplementos alimentares ou técnicas cirúrgicas. Registros desses artigos foram encontrados na rede social acadêmica Mendeley e eram compartilhados, em média, por 3,4 usuários.

Davis sugere que as revistas científicas deveriam disseminar alertas sobre o status desses artigos em serviços de busca e recuperação, e que as bases de dados acoplem avisos de retratação às referências bibliográficas dos papers. Outra medida seria informar bibliotecas virtuais e ferramentas on-line de organização de bibliografia sobre a punição. Por fim, as publicações científicas deveriam passar a fazer varreduras nas referências bibliográficas de todos os seus artigos, antes que sejam publicados, para evitar que papers retirados voltem a ser citados, diz Davis. O estudo foi divulgado pelo Journal of the Medical Library Association, dos Estados Unidos.

Fonte: Pesquisa Fapesp

Um comentário:

  1. Prof. André Pessoa14 de setembro de 2012 19:14

    Fico imaginado se estudo semelhante fosse realizado em terras tupiniquins...

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