quarta-feira, 24 de abril de 2019

A fabulosa biblioteca virtual de manuscritos da Abadia do Monte Saint-Michel



A digitalização de 199 manuscritos da Abadia do Mont-Saint-Michel foi concluída. Essas obras preciosas, escritas entre os séculos VIII e XVII, estão agora disponíveis on-line na biblioteca virtual do Mont Saint Michel, hospedada no site da Universidade de Caen.


Informação versus fake news


O jornalismo precisa recuperar a vibração da vida, o cara a cara, o coração e a alma

Carlos Alberto Di Franco | O Estado de S.Paulo
Imagem: Internet

Proliferam notícias falsas nas redes sociais. Todos os dias. São compartilhadas acriticamente com a compulsão de um clique. Fazem muito estrago. Confundem. Enganam. Desinformam. A mentira, por óbvio, precisa ser enfrentada. O antídoto não é o Estado. É a poderosa força persuasiva do conteúdo qualificado. O valor da informação e o futuro do jornalismo estão intimamente relacionados. É preciso apostar na qualidade da informação.

As rápidas e crescentes mudanças no setor da comunicação puseram em xeque os antigos modelos de negócios. A dificuldade de encontrar um caminho seguro para a monetização dos conteúdos multimídia e as novas rotinas criadas a partir das plataformas digitais produzem um complexo cenário de incertezas. Vivemos um grande desafio e, ao mesmo tempo, uma baita oportunidade.

É preciso pensar, refletir duramente sobre a mudança de paradigmas, uma vez que a criatividade e a capacidade de inovação –rápida e de baixo custo – serão fundamentais para a sobrevivência das organizações tradicionais e para o sucesso financeiro das nativas digitais.

Mas é preciso, previamente, fazer uma autocrítica corajosa sobre o modo como nós, jornalistas e formadores de opinião, vemos o mundo e a maneira como dialogamos com ele. 

Antes da era digital, em quase todas as famílias existia um álbum de fotos. Lembram disso? Lá estavam as nossas lembranças, os nossos registros afetivos, a nossa saudade. Muitas vezes abríamos o álbum e a imaginação voava. Era bem legal.

Agora fotografamos tudo e arquivamos compulsivamente. Nosso antigo álbum foi substituído pelas galerias de fotos de nossos dispositivos móveis. Temos overdose de fotos, mas falta o mais importante: a memória afetiva, a curtição daqueles momentos. Fica para depois. E continuamos fotografando e arquivando. Pensamos, equivocadamente, que o registro do momento reforça sua lembrança, mas não é assim. Milhares de fotos são incapazes de superar a vivência de um instante. É importante guardar imagens.

Mas é muito mais importante viver cada momento com intensidade. As relações afetivas estão sucumbindo à coletiva solidão digital.

Algo análogo, muito parecido mesmo, se dá com o consumo da informação. Navegamos freneticamente no espaço virtual. Uma enxurrada de estímulos dispersa a inteligência. Ficamos reféns da superficialidade. Perdemos contexto e sensibilidade crítica. A fragmentação dos conteúdos pode transmitir certa sensação de liberdade. Não dependemos, aparentemente, de ninguém. Somos os editores do nosso diário personalizado. 

Será? Não creio, sinceramente. Penso que há uma crescente nostalgia de conteúdos editados com rigor, critério e qualidade técnica e ética. Há uma demanda reprimida de reportagem. É preciso reinventar o jornalismo e recuperar, num contexto muito mais transparente e interativo, as competências e a magia do jornalismo de sempre. 

Jornalismo sem alma e sem rigor é o diagnóstico de uma perigosa doença que contamina redações, afasta consumidores e escancara as portas para os traficantes da mentira. O leitor não sente o pulsar da vida. As reportagens não têm cheiro do asfalto. Sobra jornalismo declaratório e falta apuração objetiva dos fatos.

É preciso contar boas histórias. Com transparência e sem filtros ideológicos. O bom jornalista ilumina a cena, o repórter manipulador constrói a história. Na verdade, a batalha da isenção enfrenta a sabotagem da manipulação deliberada, da preguiça profissional e da incompetência arrogante. Todos os manuais de redação consagram a necessidade de ouvir os dois lados de um mesmo assunto. Mas alguns procedimentos, próprios de opções ideológicas invencíveis, transformam um princípio irretocável num jogo de aparência.

A apuração de mentira representa uma das mais graves agressões à ética e à qualidade informativa. Matérias previamente decididas em guetos sectários buscam a cumplicidade da imparcialidade aparente. A decisão de ouvir o outro lado não é honesta, não se apoia na busca da verdade, mas num artifício que transmite um simulacro de isenção, uma ficção de imparcialidade. O assalto à verdade culmina com uma estratégia exemplar: repercussão seletiva. O pluralismo de fachada, hermético e dogmático, convoca pretensos especialistas para declararem o que o repórter quer ouvir. Mata-se a notícia. Cria-se a versão.

Sucumbe-se, frequentemente, ao politicamente correto. Certas matérias, algemadas por chavões inconsistentes que há muito deveriam ter sido banidos das redações, mostram o flagrante descompasso entre essas interpretações e a força eloquente dos números e dos fatos. Resultado: a credibilidade, verdadeiro capital de um veículo, se esvai pelo ralo dos preconceitos.

Politização da informação, distanciamento da realidade e falta de reportagem. Eis o tripé que corrói a credibilidade dos veículos. A informação não pode ser processada em um laboratório sem vida. Falta olhar nos olhos das pessoas, captar suas demandas legítimas. Gostemos ou não delas. A velha e boa reportagem não pode ser substituída por torcida. 

A crise do jornalismo – e a proliferação de fake news – está intimamente relacionada com a pobreza e o vazio das nossas pautas, com a perda de qualidade do conteúdo, com o perigoso abandono da nossa vocação pública e com a equivocada transformação de jornais em produto mais próprio para consumo privado. É preciso recuperar o entusiasmo do “velho ofício”. É urgente investir fortemente na formação e qualificação dos profissionais. O jornalismo não é máquina, embora a tecnologia ofereça um suporte importantíssimo. O valor dele se chama informação de alta qualidade, talento, critério, ética.

O jornalismo precisa recuperar a vibração da vida, o cara a cara, o coração e a alma. O consumidor precisa sentir que o jornal é um parceiro relevante na sua aventura cotidiana. Fake news se combatem com informação.

terça-feira, 23 de abril de 2019

A boa leitura de forma gratuita na Internet


Neste 23 de abril, Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, o RBJ traz dicas de sites onde você pode baixar diversas obras, de forma gratuita e legal.

via RBJ

Há um bom tempo, a Internet é conhecida como um importante instrumento tanto nas relações humanas, através das redes sociais, como no mundo dos negócios, nas transações comerciais, na divulgação de notícias, e muitas e muitas outras funcionalidades, com as quais convivemos diariamente.

A difusão de conhecimento e cultura também ganha um espaço considerável na Web. Seja através de filmes, música, obras de arte, cursos, vídeo-aulas, é possível conhecer praticamente a produção artística, cultural e científica de todo o mundo em apenas um “click”.

Os amantes da literatura, podem usufruir de uma ampla variedade de opções, seja para adquirir livros com preços mais baixos, ou até mesmo obter exemplares de forma gratuita, através dos livros digitais, ou e-books, que têm ganho muitos adeptos, uma vez que apresentam algumas vantagens comparado ao bom e velho modelo de papel – menor peso, portabilidade, entre outras.

Entretanto, ao buscar livros na Internet é importante que o leitor tome cuidado para não infringir os direitos autorais. Por isso, o RBJ traz abaixo alguns sites para baixar livros de forma gratuita e legal:

Portal Domínio Público – É uma biblioteca digital mantida pelo Ministério da Educação. O acervo é constituído por obras de domínio público ou devidamente cedidas pelos titulares dos direitos autorais. Lançado em 2004, o portal oferece acesso gratuito a obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação autorizada. Destaque para a obra completa de Machado de Assis e a Divina Comédia traduzida.

Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin – Criada em janeiro de 2005 para abrigar e integrar a coleção brasiliana reunida ao longo de mais de oitenta anos pelo bibliófilo José Mindlin e sua esposa Guita. Atualmente, cerca de 3.000 títulos estão disponíveis para livre acesso. São diferentes tipos de materiais que abordam temas variados da história do Brasil.

Biblioteca Digital de Obras Raras – Mantida pela USP (Universidade de São Paulo), traz centenas de livros raros de várias partes do mundo, além de uma série de jornais de diferentes épocas.

Biblioteca Digital Unesp – Criada pela Universidade Estadual Paulista em parceria com a Biblioteca Nacional, com o Arquivo Público do Estado de São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade, pretende dar acesso irrestrito a matérias de referentes à História de São Paulo, livros, mapas do Estado de São Paulo e Música.

Biblioteca Digital Unicamp –  Tem como objetivo principal disponibilizar a produção científica gerada na Universidade de Campinas, com foco principal em teses e dissertações.

Biblioteca Digital Paulo Freire – Disponibiliza livros (de Paulo Freire e outros autores), artigos, resumos, fotos, vídeos, áudios e textos, como forma de difundir “pressupostos filosóficos, sociológicos e pedagógicos do pensamento freireano, para suportar ações educativas coletivas facilitadoras da inclusão dos sujeitos educacionais na sociedade da informação”.

Cultura Acadêmica – É um selo da Editora Unesp, pertencente à Universidade Estadual Paulista. O catálogo do site é composto por livros acadêmicos de várias áreas do conhecimento, muitos deles disponíveis para download gratuito em PDF.

Universia Livros – É promovido pela Universia, rede de cooperação universitária da América Latina. Atualmente, tem vários livros de domínio público disponíveis, incorporando também livros de autores que desejem distribui-los gratuitamente.

Livraria do Senado Federal – Editora pública, que oferece livros, principalmente nas áreas de Legislação, História e Meio Ambiente, à preço de custo industrial, mas também disponibiliza quase 200 obras para download gratuito.

Livraria da Câmara Federal – Atua da mesma forma que a Livraria do Senado, com diversas opções gratuitas.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Editora lança primeiro livro escrito por inteligência artificial



A iniciativa foi realizada com a ajuda de pesquisadoras da Universidade de Frankfurt, que utilizaram um algoritmo batizado como Beta Writer

Isabella Carvalho | StartSe

A editora inglesa Springer Nature lançou o primeiro livro do mundo escrito por inteligência artificial. Intitulado Lithium-Ion Batteries: um resumo da pesquisa atual, o livro fornece uma visão geral das pesquisas mais recentes sobre baterias de íons de lítio. A iniciativa foi realizada com ajuda de pesquisadores da Universidade de Frankfurt e um algoritmo chamado Beta Writer.

Com base nos artigos e pesquisas já publicadas, o Beta Writer organiza os documentos, cria resumos de cada um deles e conecta todo o conteúdo. O livro, que está disponível digitalmente, possui índice e referências criadas automaticamente pelo Beta. Cada citação é referenciada com um hiperlink para que os leitores explorem o documento original.

“Olhando para uma longa tradição e expertise na publicação de livros acadêmicos, a Springer Nature tem como objetivo moldar o futuro da publicação e leitura de livros. Novas tecnologias em torno de Processamento de Linguagem Natural e Inteligência Artificial oferecem oportunidades promissoras para explorarmos conteúdos científicos”, disse Niels Peter Thomas, diretor executivo da Springer Nature, em um comunicado.

Segundo Henning Schoenenberger, diretor de dados da editora, mais de 53 mil trabalhos de pesquisas sobre as baterias já foram publicados nos últimos três anos. Assim, o livro tem o potencial de iniciar uma nova era na publicação científica. “Esse método permite que os leitores acelerem o processo de digestão da literatura de um determinado campo de pesquisa, em vez de ler centenas de artigos publicados”, escreveu o executivo na introdução do livro.

Com download gratuito, o ebook possui 247 páginas separadas por capítulos. A editora afirma que planeja expandir esse projeto, aprimorando a tecnologia e desenvolvendo livros para outras áreas. Os interessados em ler o ebook podem acessar esse link.  

segunda-feira, 8 de abril de 2019

90 mil mapas antigos em alta resolução para download


Os amantes de história e geografia ficarão impressionados com os incríveis mapas históricos do banco de dados David Rumsey Map Collection. A página conta com mais de 90 mil mapas e imagens que abrangem um período que vai do século XVI ao XXI e ilustram a América, Europa, Ásia, África, o Pacífico, o globo como um todo e também os corpos celestes.

O conteúdo do banco de dados pode servir de base para estudos nos campos da história, arte e cartografia e pode ser procurado por data, local, tema, autor e outras categorias. A resolução dos mapas e imagens da coleção é altíssima, oferecendo a quem acessa detalhes que são raramente encontrados nesse tipo de cartografia.





Explore a coleção de mapas e viagem no tempo com as cartografias antigas da David Rumsey Map Collection.



quarta-feira, 3 de abril de 2019

Loja de ebooks da Microsoft vai fechar e livros comprados serão deletados


Leonardo Muller / Tecmundo

A Microsoft Store anunciou por meio de uma postagem em suas páginas de suporte que a seção de ebooks da loja será encerrada. Com isso, todos os livros comprados pelos clientes serão deletados e não estarão mais disponíveis para leitura a partir de junho deste ano. Por enquanto, não há uma data mais precisa. Títulos alugados ficarão disponíveis para leitura até o fim do período de aluguel.

Depois que todos os títulos forem deletados, a Microsoft pretende reembolsar os compradores diretamente em seus métodos de pagamento originais. No caso de livros com marcações e anotações, a empresa pretende dar um bônus extra de US$ 25 em crédito para compra de outros produtos na Microsoft Store. Esse benefício, contudo, só valerá para títulos marcados até hoje (02).

Comprado não é "comprado"
A finalização desse serviço digital mais uma vez ressalta as diferenças entre a aquisição de uma licença digital e a compra de um produto físico. No digital, você não tem posse real sobre o produto de forma indeterminada. As provedoras do conteúdo podem, a qualquer momento, encerrar os serviços que fornecem esse material e excluir a biblioteca dos usuários.

A Apple já fez isso com alguns filmes que saíram do catálogo do iTunes, tendo reembolsado os usuários afetados com a possibilidade de aluguel de outros títulos. A Microsoft, por outro lado, vai devolver integralmente o dinheiro gasto pelos usuários.

A empresa de Bill Gates não revelou qual seria o impacto financeiro de toda a devolução em suas contas, mas considerando que pouca gente sequer sabia que a Microsoft Store vendia livros, o baque não deve ser tão grande.

terça-feira, 2 de abril de 2019

Imprima-se!

Com a Internet, passamos a ter acesso a tudo e saímos da posição de passivos leitores

Por Demi Getschko - O Estado de S.Paulo


A prensa de Gutemberg abriu uma era de difusão de informações e conhecimento como o mundo não experimentara até então. Os raros manuscritos, guardados em conventos e igrejas, podiam ser imprimidos em quantidade e distribuídos a um número muito maior de leitores. 

Como também ocorre hoje, essa inovação trouxe a possibilidade de negócio, de se venderem muitas cópias, e a correspondente pressão para que os recursos fossem direcionais ao que mais interessaria ao público. Não demorou muito para que textos eventualmente “não canônicos” passassem a circular livremente. 

Menos de 100 anos depois, já havia resultados inesperados da popularização de textos. Lutero, por exemplo, certamente valeu-se da imprensa para difundir sua tradução alemã da bíblia, antes disponível em latim e grego e, portanto, apenas acessível aos que soubessem essas línguas.

À Igreja Católica não passaram despercebidos os riscos nascentes. Foi instituído um “crivo” para que uma obra obtivesse licença de impressão. Um bispo ou seu auxiliar deveria ler o texto, julgar se lá havia alguma falsidade ou impropriedade, e emitir um juízo: “nada obsta” (nihil obstat, em latim). Assim, finalmente, a obra obtinha o imprimatur – “imprima-se”.

Mais alguns séculos se passaram até que o princípio de livre acesso a todo o conhecimento e livre divulgação de ideias ganhasse momento. Enciclopedistas propunham coligir de forma racional o que se sabia para colocar à disposição. Podemos dizer que o pêndulo social oscilava em direção às liberdades individuais.

A Internet trouxe uma nova instabilidade no pêndulo. Potencializando imensamente o que houve há 600 anos, todos passamos a ter acesso a tudo e, mais ainda, saímos da posição de passivos leitores para a de ativos e ardentes defensores de pontos de vista, mesmo nos temas que nem dominamos tanto assim... Afinal, há um microfone amplificado disponível!

De novo, entretanto, surge reação. Pelos mais variados motivos, desde proteção contra falsidades ou defesa de direitos genéricos, passando por ideais moralizantes, reaparecem defensores de um “crivo”. 

Acaba de ser aprovada uma lei europeia que, entre outros pontos, arroga-se a proteger “direitos de autor” – note-se que esse direito inexistia à época de Gutemberg. Não é à toa que ela cria um incômodo em parcelas importantes do público: pode gerar consequências bem diversas das pretendidas. 

A par de ser totalmente lícito e correto punir os que transgridem as leis vigentes, causa-me arrepios que a ação proposta o seja de forma apriorística, ante factum. E, pior ainda, que seja uma tarefa encomendada ao segmento que conta com quem já tem bastante poder. Arriscamos a tornar inviáveis os que não dispuserem de ferramental para o crivo, e os que já gozam dele, terão ainda mais poder! O fosso aumentará.

Um grego, há 2500 anos, postulou que “leis são como teias de aranha: apanham insetos pequenos, mas os pássaros as rompem e fogem”...

O pêndulo está oscilando novamente, agora em direção a controle e tutela crescentes. 

Lembrou-me os primeiros versos da Carmina Burana: “Ó Destino, cresces e mínguas qual a lua mutante; a detestável vida escureces e depois clareias, brincando com nossa mente; dissolves como gelo a miséria e o poder”... Nihil obstat!

Imagem: Internet

domingo, 31 de março de 2019

Print out


Luis Fernando Verissimo, O Estado de S. Paulo
Imagem: Internet

Desconfio que o que vai salvar o livro não será o que o tornará supérfluo, mas o que nele perdurará. Não terá nada a ver com conteúdo ou conveniência. Até que lancem computadores com cheiro de papel e tinta nas suas duas categorias inimitáveis, livro novo e livro velho, nenhuma coleção de gravações ornamentará uma sala com o calor e a dignidade de uma estante de livros. A tudo que falta ao admirável mundo da informática, da cibernética, do virtual e do instantâneo acrescente-se isso: falta lombada. No fim, o livro deverá sua sobrevida à decoração de interiores.

sábado, 30 de março de 2019

A biblioteca que trocou os bibliotecários por um robô

A BIBLIOTECA NÃO TROCOU BIBLIOTECÁRIOS POR ROBÔS. ESSE TIPO DE TÍTULO IMPRECISO DE MATÉRIA É UM EXEMPLO SIMPLES DOS TIPOS DE FAKE NEWS PRODUZIDOS PELOS QUE DIZEM COMBATER TAL PRÁTICA. APESAR DISSO NÃO DEIXA DE SER UMA IMPORTANTE INFORMAÇÃO.

Sistema automatizado instalado em universidade americana leva livros a usuários em questão de minutos

Camilo Rocha | Nexo Jornal


CADA VÃO ENTRE AS PRATELEIRAS É OCUPADO POR UM ROBÔ QUE BUSCA OU DEVOLVE LIVROS   

Em questão de minutos, um livro pode ser escolhido no catálogo online da biblioteca James B. Hunt Jr., nos Estados Unidos, e entregue nas mãos do solicitante. É o que garante o site da instituição, ligada à Universidade da Carolina do Norte, em Raleigh. O segredo é que as mãos que buscam o livro no acervo não são humanas. 

O bookBot, ou robô de livro, em tradução livre, é um sistema automatizado de gerenciamento e armazenamento de livros. Construído especialmente para a biblioteca, ele tem capacidade de guardar até dois milhões de títulos em um ambiente climatizado. 

As obras são guardadas de modo otimizado e compacto, em cinco andares de gavetões metálicos, divididos por inúmeros vãos. Cada vão é ocupado por um robô que busca os livros por meio de dados fornecidos. O equipamento vai no lugar correto a partir das informações. Depois, o livro segue para um dos vários pontos onde os usuários podem solicitar os títulos. 

O sistema foi adaptado de estruturas equivalentes usadas nos setores automotivo e têxtil. Ele ocupa um nono do espaço que seria necessário em uma biblioteca convencional 

A economia de espaço possibilitada teve impacto no projeto do prédio da biblioteca, concluído em 2013. Realizado por uma empresa norueguesa de arquitetura, o projeto conta com materiais sustentáveis e incorporação da tecnologia em vários aspectos. O custo do prédio foi de US$ 150 milhões. 

O edifício de cinco andares tem mais de 21 mil metros quadrados e capacidade para atender até 1.700 estudantes. Segundo a instituição, o projeto teve de ser readequado financeiramente depois de um corte de orçamento de US$ 11 milhões, consequência da crise financeira de 2008. O obstáculo motivou a administração a perseguir eficiência no uso de materiais e uma área construída menor. 

A biblioteca mantém uma equipe de profissionais humanos, mas que não precisam mais procurar livros em estantes e podem se dedicar a tarefas como auxiliar estudantes em seus projetos de pesquisa e estudos. 

Robôs em bibliotecas 

Outras bibliotecas nos Estados Unidos já contam com sistemas robóticos para buscar e repor livros de suas coleções. Entre elas, está a biblioteca Mansueto, da Universidade de Chicago, e a biblioteca da Universidade de Santa Clara, na Califórnia. 

Em Cingapura, pesquisadores da agência científica estatal desenvolveram um robô que pode passear pelas prateleiras de uma biblioteca à noite e identificar livros que estejam fora do lugar certo. Quando encontra uma obra na posição errada, ela avisa o bibliotecário humano para que este a devolva para o local correto. Cada livro do acervo deve ter afixado um chip para que o robô possa identificá-lo.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Aplicativo resume livros e promete leitura em 15 minutos


Aplicativo resume livros e promete leitura em 15 minutos

Maria Fernanda Rodrigues |  O Estado de S. Paulo

Com investimento suíço, um novo aplicativo que apresenta livros de não ficção em resumos chega ao País. O Esens tem, segundo a empresa, 100 ‘livros’ em catálogo – entre eles, Homo Deus – Uma Breve História do Amanhã, de Yuval Noah Harari, que pode ser ouvido em 26 minutos (o livro tem 448 páginas). A média de tempo é 15 minutos e os resumos, garante a russo-suíça Elizaveta Uvarova, CEO e idealizadora, são artesanais e não ultrapassam 10% da obra, afastando problemas com direitos autorais. A monetização é com assinatura e com comissão de venda – quem quiser ler o livro todo é direcionado para a Amazon. “Provocamos a vontade de ler mais e funcionamos como uma pré-venda para os autores”, diz Elizaveta. “Mas o que queremos é que as pessoas leiam um livro por dia, que aprendam uma coisa nova por dia”, completa.

domingo, 24 de março de 2019

A ciência precisa de liberdade para o conhecimento

Em tempos de internet, era de se esperar que o conhecimento circulasse com uma liberdade e velocidade espantosas, fomentando e inspirando avanços na ciência

Cesar Baima | Época


Trancadas atrás dos paywalls das publicações científicas de maior prestígio do mundo, descobertas permanecem inacessíveis. Foto: John M Lund Photography Inc / Getty Images


“Se eu vi mais longe, foi por estar de pé nos ombros de gigantes”. A frase, escrita por Isaac Newton, um dos maiores gênios da História, em carta endereçada ao rival Robert Hooke em 1675, e baseada em dístico do filósofo francês do século XII Bernard de Chartres, é uma bela metáfora de como o avanço da ciência é mais resultado da construção do conhecimento pela Humanidade ao longo do tempo do que de descobertas isoladas ou inspirações pessoais.

Para isso, no entanto, o conhecimento deve circular. E novamente Newton pode servir de exemplo. Apesar da famosa lenda da maçã caindo enquanto descansava sob uma árvore — sem comprovação histórica — que lhe teria servido de inspiração, a verdade é que não fosse a disseminação da teoria heliocêntrica de Copérnico e das leis da dinâmica orbital de Kepler, entre outros achados anteriores, o gênio inglês dificilmente teria desenvolvido sua Teoria da Gravitação Universal, no que foi a primeira formalização matemática de uma das quatro forças fundamentais da natureza (que incluem ainda o eletromagnetismo e as nucleares forte e fraca).

Disseminação esta que foi propiciada principalmente pela invenção da prensa móvel por Gutemberg, cerca de 200 anos antes. Seu advento acabou com as limitações impostas pela necessidade de se copiar a mão cada exemplar de um livro, dando uma dinâmica até então impensável à circulação do conhecimento que se traduziu em novas ideias e visões do mundo.

Assim, nestes tempos de internet, em que um universo de informações está à distância de um clique, seria de se esperar que o conhecimento circulasse com uma liberdade e velocidade espantosas, fomentando e inspirando avanços na ciência a um ritmo inimaginável em outras épocas.

Mas não é esta a realidade. Trancadas atrás dos paywalls de algumas das publicações científicas de maior prestígio do mundo, muitas descobertas e novas ideias permanecem inacessíveis a boa parte dos pesquisadores ao redor do planeta e têm sua disseminação contida, num sistema especialmente prejudicial aos pesquisadores de países pobres e em desenvolvimento, que muitas vezes não conseguem acessar os próprios estudos nas ocasiões em que conseguem “emplacá-los” nestes incensados periódicos.

O problema começa com o preço das assinaturas. Em alguns casos, o valor pode chegar a milhares de dólares anuais, que multiplicados pelas às vezes dezenas de periódicos dedicados a uma área, outros tantos ainda mais especializados e alguns mais “genéricos”, acabam por torná-los inviáveis, mesmo para instituições “ricas” de países desenvolvidos. É o caso, por exemplo, do sistema Universidade da Califórnia, nos EUA.

No fim de fevereiro, a instituição, que tem dez campi espalhados pelo estado americano, anunciou o cancelamento de todas suas assinaturas de periódicos científicos editados pela Elsevier, uma das gigantes do setor. A decisão foi reação ao fracasso das negociações em que a Universidade da Califórnia procurava garantir livre acesso global aos estudos publicados nos periódicos da Elsevier pelos seus pesquisadores, que respondem por cerca de 10% de toda produção de conhecimento dos EUA, ao mesmo tempo que reduzir os custos das assinaturas para o sistema, de “muitos milhões de dólares” anuais.

"Não se enganem: os preços dos periódicos científicos hoje são tão altos que nenhuma universidade dos EUA, nem a Universidade da Califórnia, nem Harvard, nenhuma instituição, pode arcar com assinar todos" resumiu Jeffrey MacKie-Mason, bibliotecário e professor de economia da Universidade da Califórnia em Berkeley e copresidente da equipe de negociação da instituição com a Elsevier. "Publicar nossa produção de conhecimento atrás de um paywall impede as pessoas de acessar e se beneficiar de pesquisas financiadas com dinheiro público. Isto é terrível para a sociedade."

Segundo a Universidade da Califórnia, a Elsevier não concordou com um contrato “razoável” que integrava as assinaturas e as taxas cobradas pela editora para que os estudos fossem de livre acesso, o que permitiria que a facilidade se tornasse padrão nas publicações pelos pesquisadores da instituição e daria estabilidade aos custos dos periódicos para o grupo universitário.

Mas a busca da Universidade da Califórnia para que o conhecimento produzido pelos seus pesquisadores seja de livre acesso a cientistas, e público, de todo mundo, em especial o resultante de pesquisas financiadas com dinheiro dos contribuintes, é apenas um dos mais recentes movimentos neste sentido no planeta.

A campanha pelo livre acesso a pesquisas ganhou ímpeto a partir de 2012, quando o Instituto Médico Howard Hughes, a Sociedade Max Planck e o Wellcome Trust, três das maiores fundações privadas de fomento da ciência do mundo, anunciaram a criação do eLife, periódico científico online de acesso aberto que concentraria a publicação de estudos financiados por elas. Capitaneado até recentemente por Randy Schekman, laureado com o Prêmio Nobel de Medicina de 2013, o eLife cresceu e estabeleceu um novo padrão para publicações para além do “fator de impacto” tão cobiçado por muitos cientistas que buscam ver suas pesquisas nos periódicos fechados mais prestigiados, com diversos outros ganhadores do Nobel se comprometendo a só publicar suas pesquisas lá ou em outras iniciativas do tipo.

E é com a mudança de mentalidade na própria comunidade científica sobre a importância dada a estes fatores de impacto dos periódicos proporcionada pelo eLife que o movimento pelo livre acesso continua a crescer. Assim, em setembro do ano passado, 11 agências de fomento europeias que investem cerca de US$ 9 bilhões anuais em pesquisas lançaram o “Plano S”, segundo o qual até o ano que vem todos estudos feitos com seus recursos devem ter acesso aberto assim que publicados. A iniciativa prontamente ganhou adesão do Conselho Europeu de Pesquisas, o braço de fomento da União Europeia que investe outros cerca de US$ 5 bilhões anuais em ciência.

Já aqui no Brasil, o destaque na área é a plataforma Scielo. Fruto de pareceria da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme), a biblioteca eletrônica lançada em 1998 acumula hoje quase 600 mil artigos de mais de 1,2 mil periódicos com livre acesso, estando presente em 14 países. E o movimento continua, com a própria Fapesp, maior fundação estadual de fomento da ciência do país, anunciando recentemente nova política em que todos os trabalhos resultantes, total ou parcialmente, de projetos e bolsas financiados por ela devem ser divulgados em periódicos que permitam o arquivamento de uma cópia em um repositório público como o Scielo.

Mas ainda há um longo caminho a percorrer para que a produção científica mundial se torne de livre acesso total. De acordo com levantamento da base de dados científicos Scopus feito por um grupo de universidades britânicas, em 2016 37,7% dos periódicos científicos editados no mundo ainda eram de acesso completamente fechado, apenas para assinantes, com 2,2% proporcionando livre acesso aos artigos após um período de “quarentena”, 45% adotando um modelo “híbrido”, com acesso restrito nos seus sites, mas permitindo aos autores manter cópias de livre acesso, e só 15,2% de livre acesso. Avanço frente aos respectivamente 49,2%, 2,1%, 36,2% e 12,4% observados em 2012, mas pouco para que todos os cientistas do mundo tenham a oportunidade de subir nos ombros de qualquer gigante.

"O caminho para o acesso aberto nas universidades, e no mundo, está sendo construído há algum tempo", destacou Ivy Anderson, vice-diretora-executiva da Biblioteca Digital do grupo Universidade da Califórnia e a outra copresidente da equipe de negociação com a Elsevier. - Muitas instituições e países concordam que o sistema atual é tanto insustentável quanto mal adaptado às atuais necessidades dos esforços globais de pesquisa. O livre acesso vai fomentar o avanço mais rápido e melhores pesquisas, além de uma maior igualdade no acesso a novos conhecimentos.

sexta-feira, 22 de março de 2019

Como estou contribuindo para o fim dos livros e das livrarias


Adriano Silva | TAB

Eu sou um escritor. No fundo, é o que eu sempre fiz. E o que eu sempre quis fazer. 

Acabo de lançar meu nono livro, A República dos Editores – As histórias de uma década vertiginosa na Editora Abril, um depoimento, cheio de confissões e de passagens de bastidores, que remonta os anos em que fui revisteiro e que oferece uma cronologia inédita dos últimos 20 anos da Editora Abril.

Como você sabe, a Livraria Cultura e a Livraria Saraiva, as maiores do país, estão em situação pré-falimentar. Há muito tempo que elas estão inadimplentes, por exemplo, com grande parte das editoras que lhes fornecem os produtos que elas costumavam por na prateleira. 

Trata-se de mais um tapa na cara trazido pelos ciclos curtos da Nova Economia, em que os modelos de negócios não têm mais condição de seguir, incólumes, por décadas a fio. A velocidade das transformações tecnológicas e das mudanças no hábito dos consumidores não permite que nenhum de nós siga fazendo as coisas como sempre fizemos.

"Eu adoro livro. Gosto do cheiro, de manusear o objeto físico. Acho que capa de livro é uma forma de arte, que a combinação do tipo de papel, com a família e o corpo da letra, com a mancha e o entrelinhamento certos, empresta ao livro uma crocância que é, a meu ver, uma experiência estética que não existe noutro lugar."

No entanto, eu que escrevo, que vendo livros, que compro livros, que gosto muito de ler, há muito tempo visito as livrarias físicas sem comprar nada, como se fossem um show-room, uma loja-conceito. Confiro os lançamentos, os destaques, a curadoria livreira que me é oferecida ali, e depois compro tudo pela internet. Muitas vezes chegava a fotografar o livro na loja, com uma pitada de remorso, para depois comprá-lo online. 

Costumava finalizar a compra na própria loja digital da livraria, dando uma leve conferida nos preços em outras megastores. Talvez para tentar manter um mínimo de lealdade. Mas já havia morrido ali um hábito. Eu passara a comprar livros físicos em lojas online. Um comportamento que, ao ser adotado em conjunto pelos demais clientes, torna as livrarias físicas inviáveis financeiramente.

Desde que comprei um reader, morreu em mim um segundo hábito: comprar o livro físico, de modo digital ou não. Agora só compro livro digital, numa operação totalmente virtual. Continuo visitando livrarias. Mas não sou definitivamente mais cliente daquelas ofertas, naqueles formatos. Não compro daqueles livreiros nem em suas lojas físicas, nem em suas lojas online. Compro arquivos digitais num ambiente digital que me oferece uma experiência digital completa – da consulta à leitura, passando pelo recebimento de sugestões, pelo download de amostras e pela compra. (Em cinco segundos, sem sair do sofá ou da cama, o livro está disponível na minha tela.)

Claro que me sinto um bocado culpado por isso. Ao mesmo tempo, nunca li tanto, tão rápido, com tanto gosto. Regulo o tipo e o corpo da letra do jeito que eu quiser, não preciso mais de uma lâmpada ligada para ler à noite, carrego 500 livros num gadget que pesa 100 gramas, e tenho dicionários à disposição de um toque na tela – bem como a chance de fazer marcações e de escrever notas. Adoro papel. Mas a experiência toda do Kindle, o reader que comprei, é fantástica.

O ponto é que com a bancarrota provável das livrarias, dado que elas estão perdendo rapidamente a sua relevância para o consumidor final, as próprias editoras terão que se reinventar. Ou vão falir junto com o antigo varejo do livro. Toda a cadeia do livro, que já era frágil aqui no Brasil (diz-se que o Brasil não tem mais do que 2 milhões de pessoas que cultivam efetivamente o hábito de ler e de comprar livros), está com uma enorme luz amarela acesa sobre sua cabeça.

Se do ponto de vista do leitor, a transformação digital dessa indústria traz uma oferta irrecusável, do ponto de vista do autor a situação não é muito diferente. No modelo tradicional, você pode receber tão pouco quanto 8% do preço de capa de um livro que lhe tomou dois anos de trabalho duro para escrever, em relatórios de venda que demoram inacreditáveis seis meses para ficarem prontos. O que uma boa editora fazia por você era divulgar seu livro na imprensa (ambiente que também encolhe, inclusive em poder de influenciar) e colocar o seu livro bem exposto nas prateleiras das… opa, onde mesmo?

No modelo digital, para o autor, no modelo de autopublicação, você fica com 70% do preço de capa, e começa a receber na semana seguinte à publicação da sua obra, diretamente em sua conta bancária. E tem acesso a relatórios de venda em tempo real. Em ambos os cenários, no fim do dia, quem tem que trabalhar para divulgar e para vender o livro é o próprio autor. Ou seja…

Torço pelas livrarias. E torço pelas editoras. Torço para que reinventem a sua relevância – e o seu lugar na cadeia de valor do livro. Torço pelo livro. Inclusive em papel. Mas não torço contra os novos tempos, não. Que aproximam os produtores dos consumidores. Que questionam a função dos intermediários, de qualquer natureza, em qualquer ramo. 

O mundo segue girando. Em geral, para frente. E o resultado disso, de modo geral, é bom.

Imagem: Internet

terça-feira, 19 de março de 2019

Elejandria : livros de domínio público



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segunda-feira, 18 de março de 2019

Busca na internet: orientação adequada ao paciente


Carlos Aita | Folha de Londrina

Recentemente o Google divulgou um levantamento sobre como os brasileiros pesquisam e consomem conteúdo de saúde. Dentre vários dados apresentados, foi apontado que 26% dos brasileiros recorrem à plataforma de busca ao constatar problemas de saúde. 

Isso só é possível através do advento da internet e pode servir tanto para bem, quanto para mal. Em milésimos de segundos, é possível encontrar na internet milhares de resultados e causas para quaisquer sintomas. Há uma infinidade de sites, canais e relatos de pessoas sobre suas experiências pessoais em relação a determinadas patologias que podem gerar um misto de reações como identificação, preocupação, ansiedade ou alívio. 

Os resultados apresentados pelo "Dr. Google" são, em sua maioria, muito generalistas e da mesma forma que podem dar um direcionamento sobre qual especialista buscar e como tratar um problema de saúde, podem colocar em risco a segurança do paciente incentivando, por exemplo, a automedicação. 

Também não é incomum que os pacientes busquem atendimento de maneira desesperada para descartar ou comprovar o "diagnóstico" apresentado na tela do computador ou celular. Essa atitude em nada contribui para a eficiência do diagnóstico. Pelo contrário, pode muitas vezes induzir ao erro do sistema de assistência à saúde. 

É importante lembrar que, apesar de as doenças apresentarem um padrão de comportamento, devem ser consideradas e respeitadas as peculiaridades de cada organismo e condição de saúde de cada indivíduo. 

Na era digital, o paciente ideal é aquele que realiza a busca na internet, mas que consegue identificar e fazer uma curadoria dos conteúdos que acessa, considerando, principalmente, a credibilidade das fontes acessadas. Ele busca atendimento numa unidade de saúde em casos emergenciais ou em consultas com especialistas. 

Munido de informações de qualidade consegue contribuir para o diagnóstico e sabe discernir o bom e o mau atendimento médico. Sobretudo, permite que o profissional de saúde tenha a liberdade de conduzir a investigação médica sem impor condições e padrões generalistas identificados na internet e sem exigir a realização de exames não solicitados pelos especialistas. 

Já o profissional de saúde ideal é aquele que utiliza o advento da internet para ampliar a sua gama de conhecimento, com a possibilidade de acessar conteúdos anteriormente inacessíveis, de forma a construir uma linha de investigação colaborativa, se utilizando dos melhores recursos. E também a possibilidade de produzir e compartilhar conteúdos de qualidade que sejam apontados como resultados nas buscas de incontáveis dúvidas digitadas na barra de busca do Google diariamente. 

Nesse sentido, a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial tem feito sua lição de casa, pois considera que os consumidores de serviços de saúde querem entender mais sobre o que lhes é oferecido e participar ativamente deste processo. A SBPC/ML disponibiliza na internet o portal Lab Tests Online, através de uma parceria de tradução e revisão do original em inglês produzido pela American Association for Clinical Chemistry (AACC) e da geração de novos conteúdos de interesse local. 

Um site que apresenta informações sobre uma grande quantidade de exames de análises clínicas de sangue, urina e outros materiais biológicos. Nele, o paciente encontra informações sobre como são feitos, para que servem e quais as recomendações dos exames. Para o médico, o portal é uma referência que pode ser encontrada de forma rápida e uma fonte de atualizações constantes sobre a medicina laboratorial. 

A possibilidade da pesquisa é uma realidade imutável. Cabe aos pacientes e aos profissionais do sistema de saúde agirem de forma a utilizar essa ferramenta de maneira sensata, contribuindo para o êxito de todo o sistema de assistência à saúde.   

Carlos Aita, patologista clínico e diretor da SBPC/ML

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Cuba adota as redes sociais

Regime cubano está tuitando, o que não o torna mais democrático ou tolerante com a dissidência

The Economist, O Estado de S.Paulo

Um dia antes de Miguel Díaz-Canel se tornar presidente de Cuba, em abril, um âncora da TV estatal pediu aos cubanos que se unissem num “tuitaço”. As hashtags que ele propôs foram #PorCuba e #SomosContinuidad. O próprio Díaz-Canel criou uma conta no Twitter em agosto.


Pacote de dados está fazendo cubanos migrarem para o Twitter   Foto: AP Photo/Ramon Espinosa

Nas primeiras semanas, ele seguiu apenas Nicolás Maduro, o problemático déspota da Venezuela, e Evo Morales, primeiro presidente de esquerda da Bolívia. Em dezembro, na tentativa de tornar mais explicável para o povo a ditadura de Cuba, ele determinou aos departamentos do governo que se tornassem mais visíveis na rede social. Hoje, 24 dos 26 ministérios estão no Twitter, assim como a maioria dos ministros que os chefiam.

Um número cada vez maior dos 11 milhões de cidadãos cubanos pode tuitar de volta. Em dezembro, pela primeira vez, as redes de celulares 3G ficaram acessíveis a qualquer um na ilha comunista. Anteriormente, o principal acesso dos cubanos à internet eram os pontos públicos de wi-fi, que cobravam por hora. Apenas 37 mil residências tinham conexões com a web. 

O acesso ao 3G, cobrado por megabites, está encorajando os cubanos a migrar de plataformas famintas de dados, como Facebook e Instagram, para o Twitter, menos voraz. Até o fim de janeiro, os 5,3 milhões de usuários de celular do país haviam adquirido 1,4 milhão de pacotes de 3G. 

O Twitter de duas vias parece estar reduzindo a distância entre governantes e governados. Depois que um tornado se abateu sobre Havana, em janeiro, a ministra do Comércio Interior, Betsy Díaz Velásquez, tuitou uma lista de alimentos com desconto disponíveis à população da área afetada. 

Conversa raivosa
Quando pessoas criticaram o governo, pelo Twitter, por não cuidar daqueles que haviam perdido suas casas, a ministra ofereceu a elas comida grátis. “Um ano atrás, eu não saberia dizer o nome de um único ministro cubano”, disse em dezembro o empresário Camilo Condis. “Agora, sei os apelidos de todos eles, reconheço seus rostos e tenho até a chance de interagir com alguns.”

Ultimamente, porém, a conversação vem se tornando mais raivosa. O mal-estar vem da tentativa do governo de modificar a Constituição por meio de um referendo marcado para hoje. Haveria mudanças modestas, como a legalização da propriedade privada (sujeita a regulamentação pelo Estado) e o limite de dois mandatos de 5 anos para o presidente. 

Os ânimos se exaltaram depois que a Assembleia Nacional anunciou, em dezembro (via Twitter), a derrubada da emenda que permitia o casamento no mesmo sexo. Em seu lugar surgiu um remendo reconhecendo o casamento como uma “instituição social e legal”, a ser definida posteriormente. 

Cuba desmente ‘calúnia’ dos EUA
Cubanos defensores dos direitos dos gays manifestaram sua fúria usando a hashtag #YoVotoNo. A hashtag foi ampliada para incluir outras queixas, como a não permissão para os cubanos elegerem diretamente seus líderes. Poucos esperam que o referendo seja uma votação justa. A hashtag ficou tão popular que o governo se viu obrigado a contra-atacar com um #YoVotoSi.

Essa nova hashtag está colada em ônibus, mercearias estatais e quiosques de sorvete. No desfile de 28 janeiro, em honra de José Martí, herói da independência, o governo distribuiu camisetas – um luxo em Cuba – ostentando a hashtag pró-Constituição. Pessoas que discordavam mais ativamente das mudanças foram detidas e hostilizadas pela polícia. Os dirigentes de Cuba podem ter aprendido a tuitar, mas não esqueceram como se cala a população.

Apenas se conecte


via Ana Abdulmassih

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Este site reúne imagens de papéis timbrados antigos

Usados por empresas, instituições e até pessoas físicas, os timbres eram parte importante da identidade visual, da identificação e promoção de seus donos

Juliana Domingos de Lima | Nexo

Desde 2009, o site Letterheady (nome derivado da palavra “letterhead”, que designa o cabeçalho ou timbre de um papel) mantém um arquivo de papéis timbrados de diferentes épocas, estilos e empresas. 

Muito necessário no cotidiano pré-digital dos escritórios, do século 19 ao 20, o papel timbrado costumava ser parte importante da identidade visual, da identificação e promoção de uma empresa, instituição, associação e de profissionais liberais, como artistas. 

O timbre consiste no design que ocupa, normalmente, o topo da página ou suas margens. Foi um elemento essencial de documentos importantes emitidos por uma empresa ou órgão institucional. 

O Nexo reproduz abaixo algumas das imagens de papéis timbrados presentes no site:

FOTO: REPRODUÇÃO
TIMBRE USADO PELA MADEMOISELLE PAULA, 'A FAMOSA CONQUISTADORA DE RÉPTEIS', EM 1899

FOTO: REPRODUÇÃO
PAPEL TIMBRADO USADO PELA ESCRITORA VIRGINIA WOOLF EM 1923. AOS 41 ANOS, WOOLF VIVIA COM O MARIDO EM HOGARTH HOUSE, ONDE TAMBÉM SE INSTALAVA A EDITORA DO CASAL, HOGARTH PRESS 

FOTO: REPRODUÇÃO
PAPEL TIMBRADO DE 1994 DA CANTORA MADONNA   

FOTO: REPRODUÇÃO
PAPEL TIMBRADO DO QUADRINISTA STAN LEE, MARVEL COMICS GROUP, 1964   

FOTO: REPRODUÇÃO
PAPEL TIMBRADO USADO POR ADOLF HITLER ENTRE 1934 E 1945 

FOTO: REPRODUÇÃO
PAPEL TIMBRADO USADO POR VOLTA DE 1980 PELA GRAVADORA BRITÂNICA FACTORY RECORDS, QUE TRAZIA EM SEU CATÁLOGO BANDAS COMO JOY DIVISION E HAPPY MONDAYS   


“Para as empresas, [os papéis timbrados] funcionam como documentos oficiais, quando não legalmente vinculantes, conferindo autenticidade ao que foi escrito ou digitado abaixo [do timbre]. Para os indivíduos, eles também podem ser um vislumbre do gosto de uma pessoa, uma vez que os timbres frequentemente refletem a estética de seus donos” 

Texto do site Collectors Weekly Coleções


Coleções 

Atualmente, com a preponderância dos e-mails e arquivos digitais sobre documentos impressos, os papéis timbrados mais antigos se tornaram artigos de colecionador. 

Em um ensaio publicado no site Design Observer em fevereiro de 2019, o historiador do design e colecionador de papéis timbrados Steven Heller afirma que mesmo com o advento do e-mail – ou justamente por conta dele – o interesse em preservar esses itens tem crescido, despertando a curiosidade não só de colecionadores de materiais impressos variados como de estudiosos de história cultural e social. 

Ele também explica que muitos colecionadores de papel timbrado se especializam em temas ou períodos determinados, formando coleções de timbres do século 19, de partidos políticos ou empresas automobilísticas. A coleção de Heller é focada em timbres vintage, com estilos que ecoam a arte moderna ou o art déco. 

Para ele, o interessante dos timbres é que revelam algo sobre o estilo gráfico de uma época, sobre a imagem orgulhosa que empresas projetavam de si por meio da identidade visual, além de serem “tesouros gráficos e tipográficos”.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

O enterro oficial do Google+ será no dia 2 de abril


O enterro já tem data marcada: o Google+ será encerrado no dia 2 de abril, logo depois do dia da mentira. A rede social, que muita gente nem sabe que existe, já andava mal das pernas e com a notícias de um vazamento de dados dos usuários, o Google decidiu por fim nessa história.

Foram dois vazamentos em um curto período de tempo, o que fez com que a companhia decidisse encerrar o serviço em abril – antes do previsto inicialmente. Agora, temos uma data concreta.

A página de suporte do Google detalha como será o desligamento do serviço e, olha, a coisa vai ser meio brutal. O site será retirado do ar e absolutamente tudo será apagado. “No dia 2 de abril, sua conta do Google+ e quaisquer páginas que você tenha criado serão encerradas e começaremos a deletar o conteúdo das contas de consumidores”, diz o texto.

Comentários feitos por meio do Google+ em páginas do Blogger e em sites de terceiros também serão apagados. Os usuários terão até abril para baixar os seus dados e salvá-los. Para isso, acesse esta página.

Na tentativa de frear o Facebook, a rede social foi integrada a muitos outros serviços do Google. O Google Fotos, por exemplo, nasceu lá. No passado, era preciso ter uma conta no G+ para comentar no YouTube, para você ter uma ideia. Ou seja, esse processo de eutanásia vai ser duro e a própria empresa reconhece.


A página de suporte diz que a remoção do conteúdo irá demorar alguns meses. “Por exemplo, alguns usuários podem ver partes de sua conta do Google+ pelo registro de atividades e alguns conteúdos do Google+ para consumidores continuarão visíveis para usuários do G Suite”, avisa.

Então, se você tem alguma coisa importante na rede social moribunda, é melhor ir salvando seus conteúdos. A partir de 4 de fevereiro não será mais possível criar perfis na rede e o botão “Login com Google+” em sites de terceiros não irão funcionar – essas páginas devem adotar o botão de login com Google. A caixa de comentários do G+ será removida do Blogger no dia 4 de fevereiro e de sites de terceiros no dia 7 de março.

Como salvar os seus dados do Google+

• Vá até a página de dados do Google para fazer o download;• Os dados disponíveis da rede social já estarão pré-selecionados;
• Clique em “Próxima”;
• Escolha um tipo de arquivo e o tamanho máximo para cada um deles;
• Escolha como você quer baixar seus dados (envio por e-mail, Google Drive ou outro)
• Clique em “Criar arquivo”.


Contas já deletadas da rede ainda possuem um arquivo de fotos e vídeos disponível. Acesse este link para recuperá-los.

via Gizmodo