quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Número Especial da Revista Ciência da Informação é lançado em comemoração aos 20 anos do Latindex


O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) acaba de lançar o Número Especial da Revista Ciência da Informação em comemoração aos 20 anos do Latindex (Sistema Regional de Informação Online para Revistas Científicas da América Latina, Caribe, Espanha e Portugal). A publicação conta com artigos escritos pelos especialistas que gerenciam o sistema em diferentes países, bem como de seus fundadores.

O Ibict é o Centro Brasileiro do Latindex, sistema de informação dedicado ao registro e difusão de revistas acadêmicas editadas nos países ibero-americanos. Atualmente, integram a sua rede de cooperação: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, Espanha, Guatemala, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Portugal, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.

A Rede Latindex reúne e dissemina informações bibliográficas sobre as publicações técnico-científicas da Região e, por meio de recursos compartilhados, produz e dissemina padrões editoriais com vistas a elevar a qualidade dessas publicações.

Para visualizar a publicação acesse: http://revista.ibict.br/ciinf/issue/view/145

via Ibict

terça-feira, 23 de agosto de 2016

'A resposta está nos nativos digitais', diz o historiador Roger Chartier


Roger Chartier é professor de Collège de France, diretor na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales e professor visitante na University of Pennsylvania

Cinthya Oliveira | Hoje em Dia

Um dos mais prestigiados historiadores do mundo, o francês Roger Chartier nos mostrou que é possível conhecermos mais sobre a humanidade a partir das pesquisas sobre as relações entre os homens e os textos. O pesquisador é o convidado do projeto “Literaturas: questões do nosso tempo”, que será realizado nesta terça, no Sesc Palladium, dentro da programação comemorativa de cinco anos do centro cultural. 

Ao lado do historiador Robert Darnton (diretor da biblioteca da Universidade de Harvard), Chartier vai falar sobre os marcos e as transformações da prática literária desde a invenção do codex – manuscrito que substituiu o pergaminho. 

Por ter a história da leitura como foco principal de suas pesquisas, Chartier passou a ser muito estudado não somente por estudantes de História, mas também nos cursos de Educação e Letras. Com o Hoje em Dia, ele conversou sobre contemporaneidade e o impacto das novas tecnologias sobre a história da leitura. Confira.

Houve muitos fatos históricos que contribuíram para a popularização da prática de leitura ao longo do mundo moderno e contemporâneo, como a invenção da imprensa e a universalização do ensino. Com a tecnologia e a internet, vivenciamos novas mudanças. Quais contribuições e questões a revolução digital tem trazido à prática de leitura na contemporaneidade?

Para responder à sua pergunta, me parece que devemos pensar que a descontinuidade existe inclusive nas aparentes continuidades. A leitura diante da tela é uma leitura descontínua, segmentada, ligada mais ao fragmento que à totalidade. Não seria talvez, por esse motivo, a herdeira direta das práticas permitidas e suscitadas pelo codex? Esse último convida a folhear os textos, apoiando-se em seus índices ou mesmo a “saltos e cabriolas” – à “sauts et gambades” como dizia (o jurista Michel de) Montaigne. É o codex, e não o computador, que convidou a comparar diferentes passagens, como queria a leitura tipológica da Bíblia que encontrava no Antigo Testamento prefigurações do Novo, ou a extrair e copiar citações e frases, sentenças e verdades universais, assim como exigia a técnica humanista dos lugares comuns. Contudo, a similitude morfológica não deve levar ao engano. A descontinuidade e a fragmentação da leitura não têm o mesmo sentido quando estão acompanhadas da percepção da totalidade textual contida no objeto escrito, tal como propõe o codex, e quando a superfície luminosa da tela, onde aparecem os fragmentos textuais, sem nos deixar ver imediatamente os limites e a coerência do corpus (livro, número de revista ou de periódico) de onde foram extraídos. A descontextualização dos fragmentos e a continuidade textual, que não diferencia mais os diversos discursos a partir de sua materialidade própria, parecem contraditórias com os procedimentos tradicionais do aprender lendo, que supõe tanto a compreensão imediata como a percepção das obras como obras, em sua identidade, totalidade e coerência.

Conforme o tempo passa, mais leitores o mundo ganha. O Brasil, por exemplo, viu seu mercado editorial crescer muito nos últimos anos. Mas além da quantidade, a qualidade da leitura vem se transformando ao longo do tempo? 

A noção de “qualidade”  da leitura pode ser muito subjetiva. A questão mais essencial para mim é: como preservar maneiras de ler que construam a significação a partir da coexistência de texto em um mesmo objeto (um livro, uma revista, um periódico), enquanto o novo modo de conservação e transmissão dos escritos impõe à leitura uma lógica analítica e enciclopédica, onde cada texto não tem outro contexto além do proveniente de seu pertencimento a uma mesma temática? Estas perguntas têm relevância particular para as gerações mais jovens que, ao menos nos meios sociais com recursos e nos países mais desenvolvidos, têm se iniciado na cultura escrita através da tela do computador. Nesse caso, uma prática da leitura muito imediata e naturalmente habituada à fragmentação dos textos de qualquer tipo se opõe diretamente às categorias forjadas no século 18 para definir as obras escritas a partir da individualização de sua escrita, a originalidade da criação e a propriedade intelectual de seu autor. A aposta não é sem importância, pois pode levar tanto à introdução na textualidade eletrônica de alguns dispositivos capazes de perpetuar os critérios clássicos de identificação de obras como tal, em sua coerência e identidade, quanto ao abandono desses critérios para estabelecer uma nova maneira de compor e perceber a escrita como uma continuidade textual sem autor ou copyright, no qual o leitor corta e reconstrói fragmentos móveis e maleáveis.

A transformação digital também permitiu que todos se tornassem não apenas leitores, mas também produtores de textos, mesmo que isso aconteça apenas em redes sociais. Qual é o impacto disso em uma sociedade?

Me parece que devemos distinguir três modalidades da revolução digital. Primeiramente, a transformação dos textos que existem ou poderiam existir na forma impressa e o processo que construiu coleção digitais ou que geralmente fundamenta a edição digital. Em segundo, a criação de obras digitais irredutíveis na forma impressa, tanto obras de ficção multimídia quanto “livros” de saber que aproveitam as possibilidades hipertextuais e a coexistência entre textos, imagens e materiais sonoros. Em terceiro, a digitalização das experiências e conceitos mais fundamentais da existência humana. Com as redes sociais, são as noções de identidade, intimidade, amizade ou espaço público que se encontram profundamente redefinidas. Nunca devemos esquecer que as discussões sobre o livro, a edição ou a leitura (no sentido clássico) representam uma parte muito marginal da conversão digital de nosso tempo.

A história da leitura é estudada por meio dos vestígios deixados por leitores nos livros, como marcações nas margens, sublinhados e assinaturas. É possível imaginar como será o estudo dos historiadores no futuro, quando o foco do estudo estiver ligado ao século 21?

Também deixa vestígios a leitura digital (por exemplo as anotações compartilhadas, as discussões dos blogs ou dos “youtubers”, ou o que se escreve sobre as leituras nas redes sociais), mas é verdade que estes vestígios também são ameaçados pelo apagamento. E o mesmo com a escrita digital que deixa vestígios no computador, mas vestígios que não se podem comparar com os documentos utilizados pela crítica genética. Talvez para ajudar aos historiadores do século 21 seria útil multiplicar hoje pesquisas sociológicas, dados estatísticos e observações etnológicas sobre os leitores de hoje. 

Há dez anos, o senhor esteve no Fórum das Letras, em Ouro Preto, para realizar a conferência “A morte do livro”, em que tratava das possibilidades do futuro do livro como obra e do livro como material. O que mudou nestes dez anos sobre a sua percepção sobre o assunto?

Terminei esta palestra com uma incerteza. Hoje me parece ainda mais justificada. Por um lado, resiste o livro impresso no mercado do livro. Salvo nos Estados Unidos e no Reino Unido, a porcentagem dos livros digitais nas vendas de livros nunca supera 5%. Por outro lado, todas as “instituições” da cultura impressa se encontram num estado de crise. Na Europa livrarias desaparecem a cada dia, frente à concorrência dos supermercados ou da Amazon. No mundo todo, os jornais têm grandes dificuldades econômicas. E as bibliotecas conhecem a tentação de privilegiar as coleções digitais e afastar os leitores dos objetos impressos. Dentro da longa duração da cultura escrita, toda mudança (o aparecimento do codex, a invenção da imprensa, as várias revoluções da leitura) produziu uma coexistência original de objetos do passado com técnicas novas. Pode-se supor que, como no passado, os escritos serão redistribuídos entre os diferentes suportes (manuscritos, impressos, digitais) que permitem sua inscrição, sua publicação e sua transmissão. Resta, porém, o fato da dissociação de categorias que constituíram uma ordem do discurso fundamentada sobre o nome do autor, a identidade das obras e a propriedade intelectual e, de outro lado, o radical desafio a essas noções no mundo digital. Podemos pensar e esperar como Umberto Eco e Jean-Claude Carrière por um futuro no qual existiria uma coexistência das varias culturas escritas. Mas acho que a verdadeira resposta não está nos hábitos e desejos dos leitores que entraram no mundo digital a partir de suas experiências como leitores de livros impressos. A resposta pertence aos “digital natives” (nativos digitais) que identificam espontaneamente cultura escrita e textualidade eletrônica. São suas práticas da leitura e da escrita, mais do que nossos discursos, que vão decidir a sobrevivência ou a morte do livro, o apagamento do passado ou sua presencia perpetuada.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Zoopion


O Zoopion é um sistema de informações sobre livros. O site comporta um banco de dados com informações relevantes para leitores, editores, livreiros - para todos os apaixonados por livros.

É possível conhecer:

Livros: As edições que uma mesma obra já ganhou, junto de seus dados técnicos.

Pessoas: Autores, editores, tradutores, revisores, diagramadores, capistas e os demais envolvidos na produção editorial.

Empresas: Editoras, livrarias, gráficas e outras empresas que prestam serviços digitais.





terça-feira, 16 de agosto de 2016

OIE lança portal ‘One Health’ na internet

Introduzido no começo do milênio, o conceito ‘One Health’ expressa em poucas palavras o reconhecimento de que a saúde humana e a saúde animal são interdependentes e relacionadas aos ecossistemas em que eles coexistem, de acordo com um anúncio feito pela Organização Mundial para Saúde Animal (OIE).

Doenças de origem animal que podem ser transmitidas aos humanos, como influenza aviária, raiva, febre Rift Valley e brucelose, representam uma ameaça global à saúde pública. Outras doenças que são principalmente transmitidas de pessoa a pessoa também circula, em animais ou têm um reservatório animal conhecido e são susceptíveis a causar sérias crises de saúde, como a recente epidemia do vírus Ebola demonstrou. Esses riscos aumentam com a globalização, com a mudança climática e com as mudanças no comportamento humano, todos fornecendo oportunidades para os patógenos colonizarem nossas áreas e evoluírem para novas formas, disse a OIE.

A OIE disse que esse conceito requer uma abordagem global colaborativa para lidar com riscos para a saúde humana, animal e ambiental como um todo, e todas ações de acordo com isso. Isso é baseado em padrões intergovernamentais e informações mundiais sobre saúde animal que são reunidas, bem como em sua rede de especialistas internacionais e programas para fortalecimento das capacidades dos serviços veterinários nacionais. Além disso, a OIE trabalha em colaboração com mais de 70 outras organizações internacionais, em particular aquelas que têm um papel chave na interface humano/animal/ambiental.


A OIE lançou um novo portal da internet que reúne ferramentas que a OIE desenvolveu para controlar os riscos de saúde animal no mundo todo mais efetivamente, apresentando ações tomadas com suas organizações parceiras – em particular, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), dentro de um sistema de Aliança Tripartite -, bem como ferramentas usadas por membros do setor para dar suporte ao trabalho conjunto de serviços de saúde humana e animal.

O portal na internet é dedicada às ferramentas de comunicação da OIE, que são voltadas a diversas audiências e incluem planilhas, ferramentas explanatórias, vídeos e notícias, bem como informações sobre vários eventos relacionados ao tema One Health.



O portal pode ser acessado no endereço www.oie.int/onehealth.

via BeefPoint

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Conhecer o hábito de leitura vai levar à estabilização do mercado


ENTREVISTA

ROBERT DARNTON, historiador

Em 2009, o americano Robert Darnton, então diretor da Biblioteca de Harvard, lançou A Questão do Livro, uma coletânea de ensaios sobre passado, presente e futuro deste que é um de seus principais objetos de estudo. À época, o e-book ganhava força nos Estados Unidos e já chamava a atenção de editores de outros países. Aposentado há um ano, ele segue interessado no tema – tanto que entrega, na próxima semana, o original de A Literary Tour de France, sobre o livro e seu mercado no século 18, e será o principal nome do 6.º Congresso do Livro Digital, dia 25.

Nesta entrevista ao Caderno 2, do jornal O Estado de S. Paulo, ele atualiza algumas questões de sua obra e reafirma que o futuro será mesmo digital.

Há tempos o senhor pesquisa a história do livro. O que, deste momento que estamos vivendo, deve entrar para a história?

A mudança mais óbvia é a tecnológica. A internet transformou o modo como os livros são produzidos, vendidos e lidos. As mudanças que começaram em 1991, com o desenvolvimento da internet, são tão grandiosas quanto às da Era Gutenberg. E elas continuam. Não é exagero dizer que o mundo do livro está passando por sua maior transformação em 500 anos. É excitante e ameaçador para profissionais do livro, mas, para mim, é um tempo de grandes oportunidades.

Quando o senhor lançou A Questão do Livro, discutia-se o futuro do livro diante do crescimento do e-book – e os mais catastróficos falavam no seu fim. Lá se vão 7 anos e há quem fale, agora, na morte do livro digital. Como o senhor avalia esses últimos anos no que diz respeito às ameaças do digital ao físico e às ameaças da conjuntura ao digital?

As pessoas amam fazer declarações dramáticas como essas e sobre a obsolescência das bibliotecas, e isso entra na imaginação de outras pessoas. Mas são afirmações imprecisas. No geral, penso que a situação dos livros, impressos e digitais, é melhor hoje que há 10 anos. E também as bibliotecas, pelo menos nos EUA, estão num ótimo momento e se tornando mais importantes do que nunca. Sobre a morte do e-book, e eu só posso dizer isso por informações dos EUA, sabemos que a venda do digital diminuiu cerca de 10%. A estatística é acompanhada de outra informação interessante. Houve um aumento do número de livrarias independentes – e elas só vendem obras impressas. Podemos dizer que houve um revival do livro impresso, mas isso não sinaliza uma transformação para o mercado de e-books. Depois de um período de fascinação com o e-book, tudo está se estabilizando agora, o que quer dizer que a demanda é estável. Além disso, é provável que seja verdade que diferentes tipos de leitura requeiram diferentes tipos de livros. As pessoas estão lendo mais literatura light em e-readers e o impresso tende a atrair e estimular leituras mais profundas. Admito que o pensamento é simples. O que acontece é que se está tentando conhecer os hábitos de leitura. Como resultado, podemos ter uma espécie de estabilização do mercado no lugar do desaparecimento do e-book, que continua indo bem.

Então ainda não é o momento de desanimar?

Pelo contrário. Há informações de que a venda de um e-book pode favorecer a venda de sua versão impressa e isso é fascinante. Um dos problemas que todos os editores enfrentam é como fazer com que a informação sobre seu livro chegue ao leitor no cenário em que há menos revistas e jornais publicando resenhas e em que as livrarias podem exibir um número limitado de livros. Então ocorre um processo que chamo de degustação. As pessoas podem ler um pouco do livro online para decidir se vão comprar ou não. As editoras estão descobrindo que podem ganhar dinheiro oferecendo gratuitamente um livro na internet e depois vendendo o exemplar em livrarias. Não deve ser verdade sempre e nem em todos os lugares, mas é um exemplo de como podemos ser otimistas sobre o futuro do livro em geral.

Muito se discute, também, se a informação é assimilada de forma mais superficial.

Minha intuição é que as pessoas usam aparelhos eletrônicos para literatura de entretenimento, mas não é verdade que elas nunca os usam para ler literatura séria. O problema é que é muito difícil anotar em livros digitais. Além disso, o antiquado codex é uma das maiores invenções de todos os tempos e já provou o quão eficiente ele ainda é. Outra coisa interessante: descobrimos que, nos EUA, a venda de livros impressos aumentou e que algo como 310 mil novos títulos foram lançados no ano passado nos EUA; de e-books, foram cerca de 700 mil, e muitos deles eram gratuitos. Isso quer dizer que as pessoas estão publicando mais porque é mais fácil. Temos uma democratização do mundo dos autores e dos leitores. As coisas estão mudando de um jeito muito interessante.

O fato de os e-books serem mais baratos ou gratuitos desvaloriza o produto ou ajuda a promover o acesso à leitura?

Há alguma verdade nisso de as pessoas não valorizarem o que podem ter gratuitamente. Mas o que acontece é que um público mais amplo está tendo acesso a livros graças a plataformas de acesso livre e às novas tecnologias. Um bom exemplo é o projeto SimplyE, parceria entre a Biblioteca Pública de Nova York e a Biblioteca Pública Digital da América. Ele torna livre o acesso a livros por crianças e jovens ao redor do país. Pessoas de áreas mais pobres podem, agora, ter livros gratuitamente e ler. Editores querem seus títulos no projeto porque ele vai espalhar o hábito da leitura. E mais: as editoras não estão perdendo dinheiro porque essas pessoas não compravam livros. O público leitor está sendo ampliado graças ao livro digital.

Como o senhor vê o mercado editorial hoje?

Não há muita diferença entre os livros que estão sendo publicados hoje e os do passado. A leitura está se tornando mais superficial com a disseminação do e-book? Bem, talvez sim, talvez não. Alguns dos argumentos não me convencem, sobretudo o que finge ser baseado em artigos científicos sobre como o cérebro funciona. Dizem que ler coisas online e nos tablets nos deixa mais burros. Honestamente, não acho que já sabemos como o cérebro funciona para termos uma certeza assim.

É preferível ler qualquer coisa a não ler nada?

Uma vida sem leitura é triste. E não lendo nada seríamos cortados de boa parte de nossa cultura. A importância de democratizar o acesso por meio da internet me parece central.

Como fazer isso?

Deveria haver mais apoio público às bibliotecas e elas deveriam se tornar centros eletrônicos de difusão da literatura. Fácil de dizer, difícil de executar. O potencial está lá. Alguém deve assumir a liderança e convencer governos a dedicar mais atenção a isso. Não se trata de uma ideia ingênua. Estamos descobrindo que podem haver consequências econômicas se tivermos maior e melhor acesso a livros e artigos.

IstoÉ
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Para especialistas, reproduzir obras antigas na web não fere direitos do autor

Por Marcelo Galli | Conjur

O Brasil precisa discutir a criação de uma nova legislação que permita a reprodução de revistas, jornais e livros antigos, que são em papel, em acervos digitais na internet, como hemerotecas, sem violar o direito autoral dos colaboradores das publicações e seus editores. Essa é a opinião de especialistas que participaram de um evento na terça-feira (9/8) que discutiu a liberdade de expressão na web, promovido pelo Google e pela editora Abril, na sede do Instituto Brasiliense de Direito, em Brasília.   


Ministro Villas Bôas Cueva, do Superior Tribunal de Justiça, defende a reprodução de obras antigas na internet.

Para o ministro Villas Bôas Cueva, do Superior Tribunal de Justiça, deve ser cogitada a possibilidade desse uso novo das publicações em digitalizações na web. Ele comentou decisão recente do STJ no sentido de que essa divulgação não era permitida porque o contrato garantia o direito do autor da obra. Na ocasião, a 3ª Turma do tribunal reconheceu que houve violação dos direitos autorais do escritor, jornalista e chargista Millôr Fernandes, morto em 2012, pela publicação de seus textos em acervo digital da revista Veja.

O ministro conta que naquele julgamento lembrou do projeto do Google de fazer uma biblioteca digital universal, mas que a empresa desistiu da empreitada por impossibilidade desse tipo de republicação na maior parte dos ordenamentos jurídicos. Segundo ele, houve discussões sobre o projeto na Europa e nos Estados Unidos que apontavam para a tese de que a disponibilização em um acervo digital violava alguns direitos de autor, “apesar de o usuário da internet, de um bibliófilo, por exemplo, se ver cerceado do seu direito de acessar aquele conteúdo em forma digital”.   

Na opinião do advogado Eduardo Mendonça, o assunto deve ser rediscutido “em um futuro próximo” pelo fato da aproximação de finalidade entre esses acervos digitais e as bibliotecas convencionais como repositórios de conhecimento. Ele conta que assistiu ao julgamento do caso envolvendo a obra do Millôr Fernandes e relembra do que foi dito pelo relator, ministro João Otávio de Noronha, dizendo que não gostava da solução, mas se via a entender daquele jeito porque a lei assim determinava. “É uma posição que nos deixa desconfortáveis porque poda o potencial da internet de ser um repositório amplo e acessível de conteúdo que a humanidade produziu. Acho que esse tema ainda vai dar bastante ‘pano pra manga’”, disse o advogado, durante o evento.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

GEN lança portal científico na área da saúde



O ‘GEN Medicina’ reúne entrevistas, eventos, atualidades médicas, artigos, casos clínicos e vídeos

Conhecido na área da Saúde, pelos selos Guanabara Koogan, Roca e Santos, o Grupo Editorial Nacional (GEN) está lançando o portal científico GEN Medicina. A página oferece conteúdo exclusivo, elaborado pelo grupo, com a colaboração de médicos e outros profissionais da saúde. Os leitores têm acesso a entrevistas, eventos e atualidades até artigos, casos clínicos e vídeos.

via Publishnews

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

I Congresso Brasileiro de Wikipédia recebe propostas de trabalhos até 20 de agosto


Nos dias 13 e 14 de outubro, acontecerá na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) o I Congresso Científico Brasileiro da Wikipédia (I CCBWIKI), com o tema "Wikipédia na disseminação do conhecimento científico". O objetivo do evento é reunir alunos de graduação e de pós-graduação, pesquisadores e profissionais das áreas interdisciplinares para debater o estudo da produção colaborativa e discursiva do conhecimento livre.

Os interessados em apresentar trabalhos podem submeter propostas até o dia 20 de agosto. Serão aceitos resultados de pesquisas na forma de pôsteres, artigos curtos e artigos completos. Confira os detalhes da chamada para submissões. A programação incluirá conferência de abertura, com convidados estrangeiros, apresentações orais de trabalhos, mesas-redondas, lançamento de livros e exposição de banners de pesquisas de alunos de graduação. Mais informações: http://www.wikimedia.org.br/ccbwiki.

Assessoria de Comunicação FAPERJ 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Acervo de Recursos Educacionais em Saúde

O Acervo de Recursos Educacionais em Saúde - ARES disponibiliza recursos educacionais desenvolvidos para o ensino-aprendizagem de trabalhadores da saúde. Aqui você encontra vídeos, textos, imagens, entre outros conteúdos, para atender às necessidades de formação e capacitação desses trabalhadores.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Kiddle: O sistema de busca da Google para crianças



Kiddle: O sistema de busca da Google para crianças

Redação Adnews

Muitos pais se preocupam com o conteúdo assistido pelos filhos na internet. O histórico do navegador de quem tem filhos pequenos atesta o porque dessa precaução. Com algo tão aberto como a internet muitas crianças acabam vendo conteúdos que ainda não são direcionados para elas. Pensando nisso, a Google lançou seu buscador para o público infantil: o Kiddle.

A novidade é muito semelhante ao conhecido Google, porém suas opções são adaptadas. No lugar do tradicional fundo branco é exibido uma colorida imagem de um robô. Ao buscar, os três primeiros resultados são voltados aos mais jovens. Os outros, que também são filtrados já atingem um público mais velho. Palavrões e expressões chulas são bloqueados.

Caso a criança busque informações ou a biografia de seu artista preferido o Kiddle age de forma similar. Por exemplo, se for procurado notícias sobre o Axl Rose, artista que já foi flagrado diversas vezes sob o efeito de substâncias psicoativas, o buscador filtrará e só irá apresentar textos e resultados comportados do cantor.



Atualmente, as pessoas crescem de maneira simbiótica com aparelhos virtuais. Ações como essa facilitam para um crescimento ordenado. Passando maior segurança aos pais com o que seus filhos acompanham no mundo digital. Tranquilizando-os e possibilitando que pesquisas escolares, curiosidades e buscas sejam sanadas de maneira adequada, sem dor de cabeça.

Portal reúne informações sobre o novo Código Florestal


Site desenvolvido pela Embrapa pretende ajudar agricultor a entender e se adequar às novas regras

por Portal Brasil

Ministério acredita que site pode ajudar na recuperação de 12 milhões de hectares de áreas degradadas, uma das metas brasileiras no Acordo de Paris.

A partir desta semana, o agricultor brasileiro tem acesso a um site que permite entender melhor a Lei de Proteção da Vegetação Nativa, também conhecida como o Novo Código Florestal, homologado em 2012.

Além de esclarecer as mudanças no código florestal anterior, a plataforma apresenta estratégias de recuperação de áreas desmatadas, sementes para plantio para cada região e soluções tecnológicas já existentes para melhorar a manutenção ou expansão de áreas florestais recuperadas.

Lançada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e o Serviço Florestal Brasileiro, a plataforma reúne também informações sobre boas práticas agrícolas.

Orientações

Segundo a secretária interina de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Juliana Simões, o principal objetivo da plataforma é a divulgação de informações para que os produtores rurais possam se adequar ao novo Código Florestal. “Lá, eles encontrarão orientações sobre quais as melhores espécies, mais adequadas e adaptadas a cada região, a época para plantar, além de contatos de viveiros de mudas”, ilustra Juliana.

Simões espera que o site ajude na formação de “técnicos extensionistas rurais, técnicos dos Estados e prefeituras e demais profissionais que prestam apoio aos produtores rurais, além dos próprios produtores rurais”, completou a secretária interina.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Buscador do Google terá notificações em tempo real sobre os Jogos Olímpicos

Redação Adnews


O Google está trabalhando para trazer um conteúdo diferenciado durante os jogos olímpicos. A gigante da internet fez parcerias com emissoras de mais de 60 países, tais como BBC e NHK do Japão.

O resultado já pode ser visto no buscador. Ao pesquisar conteúdos com as palavras Rio 2016 um amplo panorama é exibido no smartphone, com opções de quadro de medalhas, agenda de disputas e os últimos vídeos relacionados.

A funcionalidade pode ser uma forma fácil e rápida de se informar sobre alguma modalidade ou evento dos jogos. Ao pesquisar “vôlei rio 2016”, por exemplo, o usuário terá acesso a todas as chaves e agenda dos jogos da disputa por medalhas na modalidade.

   

Além de fornecer tais informações, o aplicativo de busca móvel do Google poderá notificá-lo em tempo real sobre eventos importantes, como a conquista de uma medalha. Embora este tipo de integração não seja algo completamente novo, continua sendo um formato útil para quem quer estar informado sobre os Jogos Olímpicos sem precisar assistir a TV ou acessar sites.

Para historiador Roger Chartier, e-book jamais substiuirá livro físico

Francês vem ao Brasil para o 6º Congresso do Livro Digital em agosto

por Leonardo Cazes | O Globo

‘O mundo digital não é um mundo de livros, não é nem sequer um mundo de jornais ou revistas’, diz Chartier - Divulgação

No dia 25 de agosto, o francês Roger Chartier, professor do Collège de France e pesquisador da história do livro e da leitura, vai abrir o 6º Congresso do Livro Digital, organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), em São Paulo, ao lado do americano Robert Darnton. Em entrevista ao GLOBO, por telefone, o historiador afirma que primeiro é preciso definir o que se entende por livro digital para depois compreender os seus impactos. Chartier explica que há dois tipos de publicação: aquela que é a pura reprodução da forma impressa e a que não poderia existir em outro formato, ao unir texto, imagem, áudio e vídeo. Feita a definição, o professor aponta os desafios impostos pela revolução tecnológica às categorias da economia do livro, surgidas no século XVIII, e concorda que nunca se escreveu e leu tanto como agora. Contudo, ele diz não acreditar que os livros digitais, independentemente de que tipo forem, sejam capazes de tomar o lugar dos impressos.

— Quando discutimos o livro digital, em geral discutimos a forma digital de algo que já existe. Esse me parece o tipo mais relevante para o mercado editorial — diz Chartier. — Do segundo tipo ainda não temos muitos exemplos concretos. Seja no campo da ficção ou das ciências humanas, é algo muito marginal. De qualquer forma, não vejo nenhum dos dois em posição de tirar a hegemonia do livro impresso.

O senhor já disse que o futuro dos livros passa pela oposição entre comunicação eletrônica e publicação eletrônica. Por quê?

É preciso matizar essa oposição. A comunicação eletrônica é todo texto enviado pela via eletrônica, seja uma opinião, uma poesia ou um romance. Quando essa tecnologia foi desenvolvida, dizia-se que cada um poderia ser seu próprio editor. A morte do editor era prometida pela possibilidade de fazer circular e tornar público qualquer texto na forma digital. O conceito de edição, tal como definiu Robert Darnton, incluía a formação de um catálogo, a política editorial, a preparação dos manuscritos, que permitiam a construção de uma obra melhor, uma publicação.

Os e-books ainda respondem por uma parcela pequena do mercado. Isso tende a mudar?

É preciso relativizar a baixa participação dos e-books no total de vendas de livros. Se ela se mantém em uma porcentagem marginal num país como a França, de 3%, é porque há novas formas de edições digitais, comercializadas por subscrição ou que não possuem um número de ISBN (International Standard Book Number), e assim não estão visíveis nas estatísticas. Então, hoje o que há é uma forma intermediária entre a comunicação, que é a forma de fazer circularem textos em meio digital, e a publicação tradicional, que consiste numa série de intervenções sobre o texto.

Os entusiastas da revolução tecnológica defendem que nunca escrevemos e lemos tanto como agora, na era da internet e das redes sociais. O senhor, como historiador, concorda?

Sim, mas o ponto fundamental ao discutirmos o livro eletrônico é entender que ele é algo muito marginal no mundo digital. O mundo digital não é um mundo de livros, não é nem sequer um mundo de jornais ou revistas. É um mundo da digitalização das relações entre os indivíduos e da digitalização da relação dos indivíduos com as instituições. Quando você me diz que nunca se escreveu tanto como agora, é porque muitas formas de comunicação, como a telefônica, se transformaram em práticas digitais escritas. Já a digitalização das relações humanas muda noções muito antigas como a amizade, a intimidade e a individualidade. E nós também vivemos num mundo econômico, com as suas técnicas burocráticas, os formulários, a multiplicação das formas de relacionamento com as instituições. Por isso é muito importante discutir a cultura escrita, seja científica ou ficcional, no campo digital, mas nunca podemos nos esquecer de que ela é muito marginal. A gente, que lê, escreve e publica livros, tem a tentação de esquecer isso.

O texto digital traz uma flexibilidade. Quais as consequências disso para a organização do conhecimento?

Essa flexibilidade é uma maravilha e um perigo. É uma maravilha porque permite uma comunicação em que o texto é aberto às intervenções do leitor, em um processo contínuo de criação textual que cria não autores tradicionais, mas comunidades digitais de autores e editores. O perigo, por outro lado, é que esse tipo de texto aberto, maleável, vai contra as categorias definidas desde o século XVIII na economia dos textos: o autor, o reconhecimento da originalidade da obra, que é a condição do copyright, a propriedade literária. Esses três impérios — do autor, da originalidade e da propriedade — são transformados ou apagados no mundo digital flexível que descrevemos. Aí uma questão se coloca: é possível introduzir no mundo digital esses conceitos? Vemos toda a resistência das comunidades digitais à propriedade intelectual.

Grandes empresas dominam o mundo digital, como o Google e a Amazon. O senhor vê algum risco aí?

Hoje há o problema da compra digital de um livro em papel. Apesar da participação pequena de livros eletrônicos nas vendas, as “instituições” da cultura impressa estão em dificuldades. As livrarias, por exemplo, enfrentam a concorrência da Amazon. É uma contradição. Já em relação ao Google, há dez anos havia um embate entre os autores e a empresa, que tinha um projeto de construir uma biblioteca digital universal e não se preocupava muito com direitos autorais. O Google mais ou menos abandonou esse projeto, mas suas iniciativas recentes vão no sentido da digitalização dos textos, das práticas e das relações. Isso ilustra a relação entre a digitalização da cultura escrita e o mundo social.


sexta-feira, 22 de julho de 2016

Portal agrupa notícias e monitora Olimpíada nas redes


Depois do evento, a página vai servir como memória digital dos Jogos

Projeto ObservatóRio2016 cria gráficos interativos que permitem comparar temas e esportes mais citados
  
por Portal Brasil

O portal ObservatóRio2016, lançado pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), permite aos internautas monitorar assuntos, imagens e notícias dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

A partir dos dados coletados em redes sociais como o Instagram e, principalmente, o Twitter, o projeto cria gráficos interativos em que é possível visualizar e comparar os temas, esportes e hashtags mais populares.

Os comentários e notícias sobre os eventos foram agrupados de diferentes formas. Por meio do portal, é possível acessar o volume de menções às modalidades olímpicas; os países mais associados a determinados esportes; os tópicos mais citados diariamente desde 1º de maio; comparar as alusões positivas e negativas ao evento; e acompanhar o tour da tocha olímpica por meio de imagens publicadas nas redes sociais.

Segundo o coordenador do ObservatóRio2016, Luiz Velho, o projeto faz parte de uma pesquisa que envolve várias disciplinas como matemática, inteligência artificial, design e mídias. Ao final dos Jogos, o portal continuará no ar, servindo como uma memória digital do evento, que pode ser usada para consulta e, até mesmo, novas pesquisas.

"O portal vai ser como uma superbiblioteca do futuro. Essa pesquisa é uma maneira de contribuir com a sociedade para que ela veja a Olimpíada de uma forma diferente. Ao mesmo tempo, esse banco de dados vai ficar como um legado para o Brasil, o Rio de Janeiro e a Olimpíada em geral", afirma.

O projeto foi feito pelo laboratório Visgraf, que faz parte do Impa e promove pesquisas nas áreas de visão, computação gráfica e multimídia.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Um portal para entender o Rio


por Marina Gonçalves | O Globo

Serão 16 áreas principais e mais de 400 subdivisões que tentam explicar o Rio, em 70 idiomas. Mas o portal I Love Rio, que entrou no ar hoje, quer ir muito além do turismo: a ideia é mostrar ao mundo os pontos que o Rio tem de melhor, uma espécie de guia cultural da cidade.

-  Queremos mostrar cada um dos aspectos que tornam o Rio um destino turístico único - explica Riccardo Giovanni, criador e responsável do site.

Entre os temas, estão turismo e cultura, além de gastronomia, estilo de vida, música, moda, esportes, história e negócios. Outros pontos interessantes  são os “chamados tópicos para não mexer”, temas delicados para se comentar com os moradores da cidade, um guia dos grafites, além de indicações de filmes e produtos e um banco com dezenas de dissertações produzidas em universidades cariocas. 

- Nós temos coisas sensacionais como a cobertura fotográfica dos grandes eventos da cidade como Réveillon visto por vários ângulos, inclusive do mar, Jornada Mundial da Juventude, Copa do Mundo e os desfiles de Carnaval. E o que é inédito, do ponto de vista das pessoas que participaram -  adianta Riccardo.  

Também será possível conhecer todos os bairros do Rio em detalhes, além das favelas cariocas -  todos com seu contexto histórico. Já as praias são classificadas a partir do perfil dos frequentadores - família, natureza, noite e VIP.  E os restaurantes estão listados a partir da culinária que oferecem, com a história de como e quando aquela cozinha específica chegou ao Rio.