sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

The Independent interrompe versão impressa e será somente digital

Vendas da publicação caíram nos últimos anos | Correio do Povo

Jornal impresso irá circular até março deste ano | Foto: ADRIAN DENNIS / AFP / CP

O jornal britânico The Independent, cujas vendas caíram nos últimos anos, interrompe sua edição em papel e passará a ser 100% digital a partir do dia 24 março, anunciou seu proprietário nesta sexta-feira. "A indústria de jornais está mudando e essa mudança é conduzida pelos leitores. Eles nos mostram que o futuro é digital", afirmou Evgeny Lebedev, dono do jornal, em um comunicado.

Com cerca de 60 mil vendas por dia, The Independent, nascido em 1986, é o jornal nacional atualmente menos distribuído no Reino Unido, atrás dos tabloides como Sun ou Daily Mail e títulos como The Times, The Guardian ou Daily Telegraph. "A decisão permite salvar a marca The Independent e permite-nos continuar a investir em conteúdos editoriais de alta qualidade que atrai mais e mais leitores nas nossas plataformas on-line", acrescentou Lebedev, à frente do grupo de mídia Engenharia, Soluções e Inovação (ESI) que também é proprietário do jornal gratuito The Evening Standard.

O grupo também confirmou a venda, sujeita a aprovação dos acionistas, do jornal "i", versão mais leve do jornal, ao grupo Johnston Press, que também deverá absorver "um número significativo de funcionários" do The Independent. A venda deverá gerar cerca de 25 milhões de libras (o equivalente a 32 milhões de euros), segundo a imprensa britânica. "Haverá algumas demissões da equipe editorial", acrescentou ESI Media.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O tesouro da memória da CIA


Agência americana publicou cerca de 2.500 documentos que foram entregues a presidentes americanos

Elio Gaspari | O Globo

Em setembro do ano passado, a Central Intelligence Agency colocou na rede um tesouro com cerca de 2.500 documentos com as sinopses diárias que eram entregues de manhã ao presidente dos Estados Unidos entre 1961 e 1969. Coisa que só a democracia americana é capaz de fazer, pois a brasileira até hoje escamoteia análises que eram mandadas semanalmente pelo Serviço Nacional de Informações aos generais-presidentes.

As sinopses da CIA enviadas ao presidente John Kennedy entre 1961 e 1963 têm um máximo de cinco páginas, com 20 tópicos. Com a posse de Lyndon Johnson, que não gostava de lê-las, elas encolheram e às vezes cabiam numa só folha. No material liberado ainda há trechos embargados, escondendo uns 10% do conjunto.

Lendo esses papéis, vai-se à alma do governo americano durante a Guerra Fria, sobretudo com o Vietnã. As sinopses não refletem tudo o que a CIA informava, mas apenas o que dizia ao presidente naquela hora. Em relação ao Brasil, tomando-se como amostra apenas essas sinopses, a CIA forçava a barra e, num caso, mentiu.

Em 1961, diante da inesperada renúncia do presidente Jânio Quadros, ela deu de barato que o vice-presidente João Goulart, “fortemente esquerdista”, deveria ser o sucessor de Jânio. Três dias depois da renúncia, com o país correndo o risco de ter uma guerra civil, ela informou a Kennedy que os dispositivos da Constituição eram “complicados”. Não podiam ser mais claros: assumiria o vice. Na primeira hora a CIA parecia torcer para que o veto dos ministros militares a Jango prevalecesse.

Os tópicos são secos, com pouquíssimos momentos de humor. Um deles, do dia 2 de março de 1967, conta em 15 linhas o encontro do general Vernon Walters, adido militar no Brasil, com o presidente Castello Branco, que deixaria o governo duas semanas depois. Castello elogiou o marechal Arthur da Costa e Silva, seu sucessor, e Walters contou-lhe algumas piadas que rondavam a figura de “seu” Arthur. O cabeça-chata Castello riu de uma delas, segundo a qual, depois de ter sido presidido por três anos por um presidente sem pescoço, o Brasil seria governado por outro, sem cabeça. A CIA sempre temeu que Costa e Silva levasse a vaca para o brejo (outra piada dizia que o marechal mobilizara o Exército para descobrir quem roubara sua biblioteca, pois não acabara de colorir o segundo volume).

Às vezes a CIA errava no curto prazo, mas era profética. Em fevereiro de 1966, numa rara análise alentada, listou três dirigentes chineses com possibilidades de vir a governar a China depois de Mao Zedong. O primeiro era o presidente Liu Shao Shi. Depois vinha o primeiro-ministro Zhou Enlai. Estourou a Revolução Cultural, Liu foi para a cadeia e morreu em circunstâncias lastimáveis, Zhou foi escanteado, e o terceiro viu-se transformado em operário numa pequena cidade. Seu filho, jogado de uma janela, ficou paralítico.

Chamava-se Deng Xiao Ping, deu a volta por cima e, depois da morte de Mao, em 1976, construiu a nova China.

• Serviço: “The Collection of Presidential Briefing Products from 1961 to 1969” está na rede.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Parceria Museu Afro Brasil e Google Cultural Institute torna digital acervo de obras importantes


Solange Calvo | BitMagazine

Agora, é possível visitar o acervo do Museu Afro Brasil sem sair de casa. Mais de cem obras da coleção da instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo poderão ser vistas por milhões de pessoas em todo o mundo graças à parceria firmada entre o Museu Afro Brasil e o Google Cultural Institute, que possibilitou a digitalização do acervo de obras importantes da instituição.

Esteja onde estiver, qualquer pessoa poderá visitar o Museu Afro Brasil por meio do Street View, podendo movimentar-se virtualmente dentro do museu e em suas exposições, será possível selecionar alguma obra do seu interesse, que esteja disponível e com apenas um clique descobrir muito mais.

O equipamento “trolley” especialmente desenvolvido para o Street View capturou imagens em 360 graus de coleções pré-selecionadas, um trabalho conjunto entre as duas instituições. A navegação pode ser bastante simples em aproximadamente 10 mil metros quadrados de área expositiva. Especialmente as dedicadas às exposições temporárias e à exposição de longa duração, que ocupam os três pisos do Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, do arquiteto Oscar Niemeyer, dentro do Parque Ibirapuera, em São Paulo.

Algumas exposições temporárias que já estiveram em exibição passaram por uma curadoria especial para continuar disponíveis virtualmente, podendo ser vistas a qualquer hora, como é o caso de “Espírito da África – Os reis africanos”, que exibe fotografias de Alfred Weidinger, o conhecido fotógrafo austríaco especializado em África, que buscou os remanescentes das monarquias dos maiores reinados africanos.

“É grande a importância para o Museu Afro Brasil, a ampliação do acesso a essas coleções que essa tecnologia permite. É incrível poder levar a qualquer pessoa, onde quer que ela esteja, a qualquer hora, com apenas alguns cliques, usando a internet, obras e coleções de tamanha relevância para a cultura brasileira”, comenta Natalia Moriyama, coordenadora de Desenvolvimento Institucional do Museu Afro Brasil.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Biblioteca de Nova York disponibiliza fotos inéditas do Brasil imperial

Acervo contém fotos e ilustrações que mostram cenas do cotidiano e personagens comuns do país entre os séculos 19 e 20

Ana Freitas | Nexo

FOTO: REPRODUÇÃO/DOMÍNIO PÚBLICO
  FOTO DE D. PEDRO II, IMPERADOR DO BRASIL, NO SÉCULO 19.

A Biblioteca Pública de Nova York digitalizou cerca de 180 mil imagens de seu acervo e disponibilizou fotos e ilustrações - algumas inéditas em plataforma digital - do Brasil na era imperial.

São imagens de livros antigos que mostram escravos, índios, soldados, fauna e flora, nobreza e algumas cenas do cotidiano das metrópoles do país nos séculos 19 e 20. Entre o material digitalizado estão fotos inéditas como essa de Dom Pedro II.

O arquivo conta com livros como The Negro in The World, publicado em 1910 pelo explorador inglês Sir Harry Johnston, e o Livro de Figurinos do Exército Imperial Brasileiro de 1866, compilado por um médico holandês e doado à biblioteca em 1911.

Outro livro digitalizado é o “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, de Jean-Baptiste Debret, que chegou ao país com a Missão Francesa em 1816. Depois de uma estadia de 15 anos, o pintor e desenhista produziu uma das fontes mais relevantes de imagens sobre a fauna e a flora e a sociedade brasileira da época.

Para ver tudo o que está disponibilizado sobre o país, basta buscar pela palavra-chave “Brazil” no site do acervo digital da Biblioteca Pública de Nova York.

Veja algumas das imagens disponíveis:

FOTOS: REPRODUÇÃO/DOMÍNIO PÚBLICO
 Gravura de uma venda no Recife do século 19, pelo artista Johann Moritz Rugendas.

Retrato da Imperatriz Teresa Cristina de Bourbon Duas-Sicílias, esposa do Imperador D. Pedro II, feito no século 19.

Trabalhadores negros em uma mina de diamantes em Lençóis, na Bahia. Foto de 1910.

Ilustração publicada entre 1834 e 1839 da família do cacique de uma tribo camacã se preparando para uma festa. 


Gravura de um Vale na Serra do Mar, em São Paulo, de Jean Baptiste Debret, publicado entre 1834 e 1839.

Ilustração do cacique de uma tribo de índios botocudos, publicada entre 1823 e 1838.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Colonial Film: Imagens do Império Britânico em Movimento


O site Colonial Film: Moving Images of the British Empire contém informações detalhadas de mais de 6 mil filmes que mostram imagens da vida nas colônias britânicas. Mais de 150 filmes estão disponíveis para visualização online. Você pode pesquisar ou procurar filmes por país, data, assunto ou palavra-chave. Os filmes mais importantes do catálogo são apresentados com notas críticas extensas escritas pela equipe de pesquisa acadêmica.

O Colonial Film é um projeto das universidades (Birkbeck e University College London) e das instituições (British Film Institute, Imperial War Museum e do Império Britânico e do Museu Commonwealth).


Mapa Racial do Brasil



Com dados do IBGE de 2010, estudantes criaram um visualização racial do Brasil que permite ver por quadras, em algumas cidades, onde moram e como se distribuem brancos, pardos, pretos, amarelos e indígenas, na terminologia do instituto de pesquisa. Inspirados num mapa como esse que havia sido criado nos Estados Unidos, usaram dados públicos e código aberto para criar algo que nenhuma redação brasileira havia feito ainda. O mapa tem mais de dez níveis de zoom e considerou cada pessoa como um ponto colorido na imagem. Como é a divisão racial onde você mora?





via Le Monde Diplomatique Brasil

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Fundação Arquivo e Memória lança portal que conta história de Santos


Como um presente à cidade pelos seus 470 anos, a Fundação Arquivo e Memória de Santos (Fams) lança, nesta terça-feira (26), o portal Memória de Santos: www.memoriadesantos.com.br . No novo endereço eletrônico, será possível ter acesso a uma gama enorme de artigos, reportagens, mapas, plantas arquitetônicas, imagens e uma linha do tempo interativa que contempla os principais fatos destes quase cinco séculos de história.

"O portal nasce com potencial de crescimento ilimitado, uma vez que será abastecido daqui pra frente com toda sorte de informações e imagens inéditas. A ideia é que ele se torne, em pouco tempo, o maior referencial sobre a história de Santos na internet", comentou a diretora presidente da Fams, professora Vera Raphaelli.

O destaque do site é a Linha do Tempo, que exibe, nesta fase de lançamento, mais de 200 itens sobre os maiores fatos históricos da Cidade. O usuário pode, por meio do sistema, escolher o período que quer conhecer, delimitando um ano inicial e outro final para sua pesquisa, e ainda pode filtrar a busca por segmento.

O projeto gráfico e a programação do site foram desenvolvidos pela KBrtec, com recursos captados junto às empresas Bunge, Comgás, Libra, MSC, Porto Seguro, Praticagem e Sabesp.

via Prefeitura de Santos

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Biblioteca virtual disponibiliza mais de 2500 jogos do MS-DOS de graça

Where in the World is Carmen Sandiego faz parte do catálogo

De Street Fighter a Pac-Man

Isabela Moreira | Galileu

O Internet Archive, uma biblioteca virtual de recursos multimídia, disponibilizou mais de 2500 games do MS-DOS para internautas jogarem online.

Para jogar, basta escolher um dos títulos do catálogo (veja a lista completa aqui) e esperar ele rodar no navegador. Não é preciso instalar nenhum tipo de plugin – os jogos funcionam a partir do Java Script e do emulador DOSBOX.

A lista possui títulos como Where in the World is Carmen Sandiego, Street Fighter, Mario Brothers VGA e Pac-Man. Divirta-se!

Homenagens e eventos pelo Brasil lembrarão obra de Euclides da Cunha



Municípios do sertão da Bahia e do interior paulista terão atividades; crise reduz festa fluminense

Luciana Garbin, José Maria Tomazela, Marcio Dolzan | O Estado de S. Paulo

Os 150 anos de nascimento de Euclides da Cunha vão merecer comemorações País afora. No sertão da Bahia, a cidade que ganhou o nome do escritor em 1938 descerrará placa neste dia 20 de janeiro de 2016 diante do Educandário Oliveira Brito. Euclides da Cunha também prevê várias homenagens e atividades culturais ao longo do ano. Uma delas será o lançamento do curta-metragem Canudos: História de Meninos, de Antenor Júnior, que recupera a história da guerra e tem participação de adolescentes de escolas públicas da região.

Em São José do Rio Pardo, cidade paulista que adotou o escritor como filho, será um ano todo de eventos. Segundo a diretora de Cultura, Lúcia Helena Vito, o plano é resgatar a poesia de Euclides e seu lado humanista. “No dia 20 de cada mês, haverá evento especial, incluindo leituras, concertos e teatro.” A abertura das comemorações juntará o Conselho Euclidiano e pessoas que se interessam pela obra do escritor ou simplesmente gostam de poesia. “Vamos ler poemas que ele escreveu muito jovem e poucos conhecem, falar sobre Euclides e lançar a programação da Semana Euclidiana, de 9 a 15 de agosto.”

O evento seria realizado no Recanto Euclidiano, ao lado da ponte sobre o Rio Pardo construída pelo escritor enquanto escrevia Os Sertões. Como é época de chuvas e o rio está cheio, a festa foi transferida para a Casa da Cultura Euclides da Cunha, casarão onde ele morou com a família de 1898 a 1901 e guarda preciosidades como o banquinho e a mesa de madeira rústica que lhe serviram de escrivaninha. A cidade ainda lembrará o escritor na Maratona Euclidiana, certame cultural de escolas locais.

A crise no Rio de Janeiro impediu Cantagalo de preparar uma grande programação, mas a cidade natal de Euclides fará ao menos um sarau nesta quarta-feira (20/01) à noite na Praça João XXIII. “Vamos trabalhar o aniversário nas escolas ao longo de todo o ano”, conta a secretária municipal de Cultura, Cristiane Portal. “Euclides é muito importante para nós.”

Internet. No site Correio IMS , o Instituto Moreira Salles publicou duas cartas de Euclides. Na quinta-feira (21/01), post no Blog do IMS falará sobre os “euclidianos” Olímpio de Souza Andrade e Roberto Ventura. A Academia Brasileira de Letras informou que só deve definir eventos após início do ano acadêmico, em março.


domingo, 17 de janeiro de 2016

E o vento levou...

Nesta segunda-feira, a 2001 Vídeo sai de cartaz. Um fast-foward de streaming, on demand, Youtube, nuvens, imóveis caros e a nossa mudança de hábito mataram a locadora favorita dos cinéfilos de SP

Gilberto Amendola | O Estado de S. Paulo




Neste domingo, quando a última loja da 2001 Vídeo baixar as portas e os créditos finais começarem a subir, por gentileza, rebobine a fita. Aperte o rewind do seu videocassete (de 4 cabeças) e volte à primeira cena, àquela em que a jovem Sônia Abreu aparece trabalhando no departamento de RH de um banco – acomodada em uma carreira segura e tediosa.
  



Mas estamos no comecinho dos anos 80, a década das ombreiras pesadas, da gola rolê, do Simple Minds e do aparecimento das videolocadoras. Convidada por uma amiga, Sônia sai do serviço e vai matar sua curiosidade cinéfila na recém-inaugurada Omni Vídeo, uma das primeiras videolocadoras de São Paulo. Pause. Reprodução quadro a quadro. Eis aqui o detalhe, a revelação, a epifania, o chamado que não pode ser ignorado. Aperte o play outra vez. Fita que segue.

Sônia pede demissão do banco e com o dinheiro da rescisão investe em um imóvel pequeno, não mais que 50 metros quadrados, bem em frente ao Masp, na Avenida Paulista. Assim, em outubro de 1982, nasce a 2001 Vídeo. No começo, são apenas 200 filmes, quase todos sem legenda, indecifráveis para a maioria. Apesar da especificidade do negócio, fitas como 2001 – Uma Odisseia no Espaço (que serviu de inspiração para o nome da loja) e Yes, Giorgio (comédia musical estrelada por Luciano Pavarotti) ajudam a formar um séquito de clientes fiéis e apaixonados.



Com foco no cinema de arte a 2001 não demora para se consolidar em um mercado que, naquela ocasião, parecia invencível, excitante, a maior e mais certeira aposta no futuro. Afinal, o que mais estaríamos fazendo quando o século virasse? Ué, usando teletransporte, carros voadores, ouvindo o mais novo hit da Madonna e, óbvio, assistindo a filmes em casa, no conforto do lar.

Como referência na área, a locadora transforma-se em uma espécie de patrimônio não oficial da cidade – sendo a loja da Paulista só o primeiro passo. Depois dela, vêm outras seis (Pinheiros, Moema, Sumaré, Cidade Jardim, Washington Luís e Jardins). No auge, estima-se que o mailing da 2001 contava com aproximadamente 150 mil cadastrados. Ou seja, um invejável tesouro.

Estudantes de cinema ou simples aficionados começaram a considerar a 2001 como um uma oportunidade de aprimoramento profissional – em que outro lugar seria possível respirar cinema de forma tão intensa? Afinal, se funcionou com Quentin Tarantino... (ex-funcionário de uma locadora de vídeos nos EUA que se transformou em, bem, Quentin Tarantino).
“Meu desejo de trabalhar na 2001 era tão grande que eu enviei uma carta datilografada para o escritório deles. Eu me dediquei em datilografar a melhor carta de apresentação possível, mostrando o quanto eu entendia de cinema”, diz Luiz Hashim Chaer, gerente da loja de Pinheiros.


Hashim é contratado, primeiro, como “extra” (aquele que trabalha aos finais de semana para cobrir a folga dos funcionários regulares). Com seu bom desempenho, passa para “indicador”, aquele tipo de funcionário responsável por indicar filmes aos clientes indecisos, que com pouca conversa e muito feeling é capaz de saber se você é mais Pedro Almodóvar ou Ingmar Bergman; mais Jean-Luc Godard ou George Lucas.

A partir desse ponto, fast-foward na trajetória da 2001. Janeiro de 2016, loja da Avenida Pedroso de Morais, a última. Trinta e três anos depois. As prateleiras estão quase vazias e o barulho do ar-condicionado é o que mais a chama a atenção. Os filmes estão lá para serem vendidos. As prateleiras, bancos e a televisão também. Funcionários tentam se ocupar de tarefas mínimas, quase inexistentes. Vez ou outra, pinga um cliente incrédulo: “É verdade que vai fechar?” Verdade. Domingo. Hoje. Sem volta. “Não pode ser! Jura? Por quê? O que é que eu vou fazer agora?”

As perguntas parecem retóricas. E são. O fim da 2001 já vem sendo urdido desde 2013, com o fechamento da loja da Sumaré (que funcionou por 19 anos). Desde então, o chamado efeito dominó foi derrubando as outras unidades. Por isso, quase que diariamente, o telefone toca no escritório da rede. Do outro lado, ansiosos jornalistas disparam: “Quando vai fechar?” 
Notas sobre o fim definitivo já frequentam o noticiário há mais de um mês.

Os motivos também são velhos conhecidos do mercado. Nos ombros da 2001 já pesaram a pirataria, os serviços de streaming (Netflix), on demand (Net Now), o intervalo mínimo entre a estreia no cinema e o lançamento na TV e os alugueis exorbitantes dos imóveis (acima de R$ 35 mil mensais, em média). Além de tudo isso, o consumidor não parece mais disposto a sair de casa, pegar o carro, procurar estacionamento, caçar títulos entre as prateleiras e se comprometer em, no dia seguinte, fazer o mesmo trajeto para devolver o filme à locadora (mesmo que agora, com o DVD e Blu-Ray, o fator ‘rebobinar’ já não seja mais problema).

Sônia sabe disso tudo. Está triste, de luto, quase não quis falar sobre o assunto. Diz até que decidiu sair de São Paulo e se mudar para Santos. Prefere não ficar remoendo esse fim – e não ficar passando em frente aos seus antigos pontos. No fundo, tinha esperança de garantir a sobrevivência de ao menos uma loja. “Minha ideia era transformá-la em um espaço cultural. Fui atrás dos órgãos competentes, das secretarias de Educação e Cultura, procurei formas de mantê-la em pé. Não deu. O sistema não favorece a cultura”, reclama. Agora, aposta tudo no site – que será um canal para revenda de filmes. “Não quero passar uma imagem de derrota. A 2001 tem uma história muito bonita. Vamos continuá-la na internet.”
Sônia não tira os óculos escuros durante toda a conversa. Ela quer ficar apenas com o carinho que tem recebido dos clientes mais antigos, dos e-mails emocionados e das lembranças mais prosaicas – como a do casal que queria tirar as fotos de casamento dentro de uma videolocadora.

Sim, essa é a história de Edgard & Angélica. Dois cinéfilos. Ela, do time Harry Potter; ele, Star Wars. Com 12 ou 13 anos, ela se esgueirava por entre as prateleiras de uma locadora do bairro do Limão só para ficar observando Edgard escolher um filme. “Eu passava horas na locadora. Nunca tinha me dado conta de que tinha uma menina me espionando. Foi meu pai quem me avisou”, lembra Edgard. “Depois, a gente foi se aproximando. Um dia, um amigo em comum nos convidou para assistir um filme de terror na casa dele. Começamos a namorar vendo uma fita de terror”, diz Angélica.

Quando se casaram, decidiram eternizar essa história com um álbum de fotografias totalmente ambientado dentro de uma locadora de filmes. A pequena loja em que se conheceram já não existia mais, portanto a opção mais imediata foi a 2001. Como personagens de uma comédia romântica de Sessão da Tarde, os recém-casados passaram um dia inteiro na unidade de Moema, submetendo-se a uma divertida sessão de fotos. “Os funcionários da loja adoraram a ideia e nos ajudaram a realizar esse sonho”, fala Angélica.
Muitos clientes assíduos ficam emotivos quando o assunto é a 2001. O diretor do documentário Cinemagia – A História das Videolocadoras de São Paulo (ainda sem data de estreia), Alan Oliveira, conta que ir à loja da Paulista representou um dos primeiros passos de sua adolescência. “Tinha uns 12, 13 anos e comecei a pegar ônibus sozinho só para ir à locadora.” Oliveira destaca a experiência tátil, o cheiro, a caça ao tesouro que era procurar e encontrar um filme. “Era uma missão. Lamento que a próxima geração vá perder essa aventura.”

Na última semana da derradeira loja, a ficha caiu para os clientes mais antigos. Era um desânimo palpável, possível de captar na poeira dos móveis, no papo desanimado sobre o último desenho da Disney e no relógio de parede que corria devagar, transformando aquele epílogo em um longa-metragem arrastado e chato. Um filme de arte, diriam. A diretora de escola Sandra Bittencourt, 49 anos, confessou que está vivendo uma certa nostalgia de algo que está indo embora. “A morte do David Bowie e o fim da 2001 fazem parte do mesmo pacote. A gente nem teve tempo de envelhecer direito e as coisas já estão morrendo.” Para o aposentado José Antônio Ghirardello, 78 anos, esvai-se um pouco da própria história. “Cerca de 30% do que eu sei aprendi assistindo filmes, conversando sobre eles, comprando e alugando fitas.”

O atendente Lauro Moreira parece o mais abatido. Diz que nunca vai conseguir mostrar para o filho um filme como Ladrões de Bicicleta. Como um personagem dramático, repete: “Sim, eu sei, está tudo na nuvem, nas nuvens!”. Só que estar nas nuvens, no YouTube ou no espaço sideral é pura imaterialidade, significa que o filho do Lauro nunca vai pegar uma caixinha de DVD da prateleira, não vai cheirá-la ou brincar com ela. Ou seja, não vai existir de fato. Vai ser fruto da imaginação/memória de um pai saudosista e ultrapassado. Lauro também parece inconformado com a decisão de encerrar definitivamente as atividades das lojas físicas. “O auge, o moderno, é ser antigo. Olha o que está acontecendo com os discos de vinil... O grande lance seria chegar aos 50 anos. Não parar aqui, aos 33.”

No mercado de videolocadoras, o fechamento da 2001 está sendo considerado o último ato do seguimento. Roberto Soares de Andrade, proprietário da Cinemagia, que deve fechar suas portas até o final de fevereiro, chegou a acreditar que a 2001 seria uma das últimas representantes do setor a abandonar o barco. “Mas a realidade mudou, mudou o jeito de consumir entretenimento. Difícil pensar em um futuro sustentável para o setor”, fala. “Na minha loja, vi bebês que viraram adolescentes e que depois viraram pais. Os filhos desses clientes que eu atendi quando ainda eram crianças nem sequer vão saber o que era esse mercado.”

Apertamos o pause de novo. Sônia termina nossa conversa refletindo sobre a solidão. “Hoje, estamos muito sós. Alugar uma fita era uma atitude gregária, tinha a ver com compartilhar experiências, reunir os amigos, tomar um vinho, pedir uma pizza. Infelizmente, os tempos mudaram. O futuro é um pouco diferente do que a gente imaginou... Mas quem sabe daqui pra frente, com outra plataforma, outro modelo, a 2001 não possa renascer ainda mais forte...” Sônia vai embora da sua última loja, não pretende voltar para as despedidas deste domingo. Antes que ela se vá, uma última pergunta. Close nela. O inconsciente mostra suas garras. Sônia, qual é o seu filme favorito? “Melancolia, de Lars Von Trier”.

Stop. Eject no disco, na fita, no sonho. A odisseia acabou.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Pesquisadores criam tablet para cegos que gera letras em braile


Braile é um sistema de leitura que permite a deficientes visuais "ler com as mãos", identificando cada letra ou símbolo por meio do tato. Livros e outros produtos em braile geralmente imprimem seu conteúdo em alto relevo, para que pessoas cegas possam tocar e compreender. No entanto, isso não é possível com as telas touchscreen de smartphones e tablets. Por enquanto.

Pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, desenvolveram um tablet (ou, em termos mais exatos, um leitor eletrônico como o Kindle, da Amazon) que gera letras em braile sobre a tela. Um sistema de ar comprimido empurra pequenos pinos para a superfície, gerando o alto relevo.

A cada virada de página, as letras se realinham e mudam o conteúdo sobre a tela. Não é a primeira vez que essa tecnologia é usada, porém, visto que em 2013 pesquisadores da Índia criaram um celular cujo display também ganhava relevo com o toque. No caso do "Kindle em braile", o protótipo deve ficar pronto em setembro deste ano.

Olhar Digital
Via Daily Mail

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Biblioteca Brasiliana abre livros de receitas antigos para download gratuito

Aqui vai um prato cheio para os interessados em comida e história: a Biblioteca Brasiliana Guita e José Midlin abriu para download gratuito livros de receitas publicados a partir do século XVIII. Há títulos publicados em Portugal e no Brasil, com receitas e mais receitas de todos os gêneros, europeias e brasileiras, doces e salgadas, e dicas variadas sobre como escolher miúdos, manter a cozinha limpa com o auxilio de areia de beira-rio e como conservar banha, entre outros.

Redação Paladar | Estadão

Veja abaixo alguns dos títulos e trechos do resumos extraídos do site da Biblioteca (para fazer o download, basta clicar no título de cada livro).


O Cozinheiro dos Cozinheiros
Autor desconhecido (Lisboa, 1905)
Reúne receitas de escritores e famosos de Portugal no início do século XX e inclui quitutes preparados por Alexandre Dumas, pai e filho, Saint Simon e o Visconde de Belacanfor. As receitas são uma mistura de ingredientes e pratos de diversas regiões europeias com a culinária típica portuguesa. Dentre as receitas francesas, destacam-se clássicos do século XIX como o pombo com ervilhas, o court-buillon de frutos de mar, a enguia grelhada, e omeletes de vários tipos. Do lado português, caldeiradas, ensopados, sopas e rabanadas, chamadas pelo seu nome francês, pain perdu, ou português, pães perdidos.

A sciencia no lar moderno
Eulália Vaz (São Paulo, 1912)
O livro ensina como preservar latas de banha, escolher bem os miolos e lavar e esfregar bem a cozinha com areia fina de beira de rio. Foi um sucesso editorial e teve mais de cinco edições. Traz a receita de Electricos, uma espécie de pé-de-moleque de amêndoas, açúcar e ovos cortado em formato oblíquo.


O livro das noivas de receitas e conselhos domésticos
Júlia Lopes de Almeida (São Paulo, 1929)
Traz receitas apetitosas e modernas para a época, como a do club sandwich e o pudding dos recém-casados.

Arte de cozinha: primeira parte. Trata do modo de cozinhar varios manjares, e diversas iguarias de todo o genero de carnes, tortas, empadas, e pasteis
Domingos Rodrigues, 1637-1719, (Lisboa, sem data)
O mais conhecido e considerado o primeiro tratado de cozinha publicado em Portugal. Domingos Rodrigues dizia ter 29 anos de fogão e uma infinidade de banquetes devorados pelos convivas da mesa real portuguesa quando publicou um pequeno volume dedicado às artes da cozinha. Em seu tempo – isto é, no final do século XVII –, percebemos que a utilização do açafrão, do açúcar e das mais variadas especiarias e pimentas é um dos elementos que demonstra o poderio econômico do império português, que podia mandar vir dos lugares mais distantes do globo alimentos que custavam fortunas. Desta maneira, o livro nos dá uma pista tanto do que significava a cozinha do rei, como do que se comia nos jantares reais portugueses. A obra é, portanto, ao mesmo tempo, um reflexo da vida cotidiana e um lugar de encontro dos costumes através dos séculos.


Arte de cozinha dividida em quatro partes
Domingos Rodrigues, 1637-1719, (Rio de Janeiro, 1838)
Traz receitas de guisados, conservas, tortas, empadas e pastéis, peixes, mariscos, frutas, ervas, ovos, laticínios, doces, conservas do mesmo gênero. Versa sobre como preparar mesas em todo tempo do ano para hospedar príncipes e estrangeiros. E abrange também pudins e massas.

A arte culinária na Bahia
Manuel Querino, 1851-1923, (Salvador, 1957)
Defensor da cultura africana como formadora de uma identidade baiana e brasileira, Manoel Querino publicou postumamente sua A arte culinária na Bahia. No livro, destaca-se a contribuição indígena para a culinária brasileira. Entre os quitutes africanos, o arroz de aussá, o efó, o caruru e o xim-xim.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Redação da Ufrgs debate futuro do livro na era digital


A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) aplicou, nesta segunda-feira (11), as provas de Língua Portuguesa e Redação do vestibular 2016. Os alunos foram chamados a escrever a respeito do tema O livro na era da digitalização do escrito e da adoção de novas ferramentas de leitura. 

Para contextualizar o assunto, a prova trouxe uma charge de Marco Aurelio com referência à Feira do Livro de Porto Alegre, em que os visitantes não tiram os olhos de seus tablets e smartphones. Além disso, foi apresentada uma coluna do autor Nilson Souza em que se faz menção à inauguração da primeira loja física da livraria online Amazon.

A redação da Ufrgs é um texto dissertativo de extensão mínima de 30 linhas, fora o título, e máxima de 50 linhas. O aluno, assim, deveria discutir o futuro do livro no mundo contemporâneo, defendendo um ponto de vista específico e apresentando argumentos que fundamentassem sua posição.

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Fonte: Jornal do Comércio
Imagem: Internet

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Iplanfor lança Acervo Digital com mais de 4 mil documentos sobre Fortaleza


Objetivo é a viabilização de documentos públicos para a geração de conhecimento sobre o Município

O Instituto de Planejamento de Fortaleza (Iplanfor) lançou o Acervo Digital, uma página na internet que reúne mais de 4 mil documentos referentes à cidade. Os arquivos estão disponibilizados nas seguintes categorias: Cartografia, Dados Institucionais, Estudos e Pesquisas, Leis e Normas, Planos Diretores, Planos Setoriais e Projetos.

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O trabalho foi realizado pela Diretoria do Sistema de Informações (Disin), com colaboração de Joseline Veras, que está à frente da Gerência do Acervo. Segundo a titular da Disin, Ana Cláudia Teixeira, um dos objetivos da criação do Acervo Digital é a viabilização de documentos públicos para a geração de conhecimento sobre o Município de Fortaleza.

Os arquivos disponíveis no Acervo Digital estão listados segundo os temas: acessibilidade, aerofotogrametria, cadastro urbano, demografia, desenvolvimento humano, distribuição de gás natural, distribuição de petróleo, distribuição de água, drenagem urbana, esgotamento sanitário, habitação social, história e cultura, imóveis públicos, indústria, legislação urbanística, meio ambiente, mercado imobiliário, patrimônio histórico, planejamento regional, planejamento urbano, requalificação urbana, resíduos sólidos, saneamento básico, setores censitários, sistema viário, socioeconomia, telecomunicações, transporte e trânsito e turismo.

No site do Acervo está acessível um canal de comunicação chamado “Fale conosco”, em que a população pode entrar em contato com a coordenação do Acervo Digital, solicitando informações, sugerindo, fazendo reclamações ou elogiando. Além disso, há uma ferramenta que permite a busca por arquivos de acordo com o nome do documento, a categoria, o tema, o ano do documento, o tipo de documento, a fonte ou a localização.

Mais arquivos serão disponibilizados em breve para consulta da população, já que a página do Acervo está sendo continuamente atualizada, com a inserção de novos documentos.

via Prefeitura de Fortaleza