quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

O 'Pirate Bay da ciência' continua a ser atacado pelo mundo


O Sci-Hub enfrenta mais uma onda de ataques — agora na Rússia.

Karl Bode | Vice

O Sci-Hub, um depósito de pesquisas pensado para dar acesso livre a dados científicos, teve seus domínios bloqueados na Rússia depois que um tribunal do país declarou que o site violava o direitos autorais de editores. Esse é o novo capítulo de uma guerra global.

Criado em 2011, o Sci-Hub é em grande parte ideia de uma mulher: a pesquisadora científica e hacker Alexandra Elbakyan. Apelidado de “Pirate Bay da ciência”, o repositório de pesquisas de Elbakyan é a solução dela para o problema desenfreado de paywalls e restrições de copyright que mantém pesquisas valiosas fora do domínio público. (Se você já tentou ler um estudo científico inteiro na internet, sabe do que estamos falando. É quase impossível achar um sem pagar.)

Quase como um tipo de rede de pesca online, o Sci-Hub atua com um script que baixa páginas em HTML e PDF da internet – incluindo dados bloqueados por paywall. Dar acesso grátis a mais de 48 milhões de artigos acadêmicos obviamente não agrada os editores tradicionais, que lucram mantendo acesso restrito ao seu conteúdo.

Em 2015, a editora holandesa Elsevier abriu um processo nos EUA contra Elbakyan por “ilegalmente acessar e distribuir documentos protegidos por direitos autorais”, resultando numa indenização de US$ 15 milhões. Editores também tiveram sucessos legais similar na Alemanha e Suécia, onde um provedor de internet sueco bloqueou o site da Elsevier, em protesto depois que tribunais ordenaram a censura de 20 domínios associados ao Sci-Hub.

Editores também tiveram sucesso na Rússia, onde tribunais recentemente ficaram do lado da editora acadêmica do Reino Unido Springer Nature Limited, que afirma que o Sci-Hub ter compartilhado três de seus trabalhos focados em saúde do coração e cérebro infringia leis de copyright.

Como resultado, o regulador russo Roskomnadzor ordenou que provedores de internet do país bloqueassem o acesso dos usuários a vários domínios do Sci-Hub e Library Genesis. Mas os usuários ainda podem achar alguns desvios e continuar acessando o material proibido, segundo especialistas em direitos autorais.

“O Sci-Hub sempre se mostrou melhor no jogo de gato e rato que os gigantes do monopólio editorial de ciência que ele mina”, disse o ativista e autor Cory Doctorow por e-mail para a Motherboard.

“Dito isso, a menos que sua ciência seja pública, isso não é ciência, é alquimia”, acrescentou Doctorow. “Com os grandes financiadores de ciência do mundo declarando guerra a editoras como a Springer, é bizarro que eles se foquem no Sci-Hub em vez de abordar o fato que o resto da comunidade científica acha que eles são parasitas inúteis e gananciosos.”

Enquanto Elbakyan diz que pode fazer domínios alternativos para contornar os bloqueios (até que os tribunais notem esses também), esses domínios também serão alvos para editores e tribunais.

“O domínio sci-hub.se funciona, mas por quanto tempo não tenho como saber. Portanto, para acessar o Sci-Hub, use ferramentas para contornar a censura da internet – que você pode procurar no Google ou usando o bot do Telegram: @scihubot”, Elbakyan disse nas redes sociais VK e Telegram.

Elbakyan argumenta que apenas oferece aos pesquisadores e ao público atalhos mais eficientes para ter acesso livre às pesquisas.

“O sistema precisa mudar para que sites como o Sci-Hub possam trabalhar sem problemas. O Sci-Hub tem um objetivo, mudar o sistema é um dos métodos para alcançá-lo”, Elbakyan escreveu num blog ano passado.

O problema dos ataques legais de editoras ao Sci-Hub é que eles só chamam mais atenção para a necessidade de acesso livre a esses dados (ou seja, o Efeito Streisand). Como resultado, vários conselhos de pesquisa europeus anunciaram recentemente uma esforço de publicação de acesso aberto visando abordar mais seriamente o problema.


Internet Archive, o sonho de criar uma biblioteca de Alexandria digital


A biblioteca de Alexandria foi um projeto enorme de 2.200 anos atrás proposto para concentrar todo o conhecimento da antiguidade, algo que agora no século XXI trata de replicar digitalmente a organização sem fins lucrativos Internet Archive fundada por um dos "pioneiros" da rede.

O Presidente e fundador do Archive, Brewster Kahle, que mergulhou no mundo virtual nos anos 80 e parte da Internet Hall of Fame, explicou que o compromisso que ele adquiriu nos primeiros anos desta tecnologia foi para construir uma biblioteca digital, na qual ele gerencia cerca de 150 pessoas entre funcionários e voluntários.

Em sua missão de ser um recipiente integral de conhecimento, o Archive é estruturado em seis seções diferentes: livros e textos digitais; gravações de áudio e música; vídeos; imagens; programas de software e páginas web. Para esta última seção, a organização desenvolveu uma tecnologia chamada "Wayback Machine" que periodicamente captura o conteúdo (aparência e interface) de páginas da Web em todo o mundo, armazena, organiza e as disponibiliza para todos. 

Atualmente, esta hemeroteca digital possui 330.000 milhões de sites armazenados em dezenas de servidores gigantescos. No Internet Archive, você também pode consultar ou até emprestar (como em uma biblioteca convencional, mas em formato digital) 20 milhões de livros e textos, muitos dos quais foram digitalizados pelos trabalhadores da organização. "Direitos autorais significam que muitos dos livros escritos durante o século 20 não são digitalizados ou estão disponíveis on-line", diz Brewster Kahle.

via Atlántico (Espanha)
Tradução livre

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Google cria aplicativo com todos os Vermeers do mundo

Tela 'Menina com brinco de pérola', de Vermeer Foto: MAURITSHUIS / NYT

As 36 obras conhecidas do pintor holandês estão disponíveis em realidade aumentada no celular

Nina Siegal / The New York Times
O Globo

Johannes Vermeer, artista que capturou a beleza tranquila da vida doméstica holandesa, não era um pintor prolífico: apenas 36 telas são reconhecidas como suas. Ainda assim, qualquer um que quisesse ver essas obras precisava fazer uma longa viagem passando por Nova York, Londres, Paris e além. Mas isso mudou.

O museu Mauritshuis, em Haia, que detém a obra mais conhecida de Vermeer, "Menina com brinco de pérola", fez uma parceria com o Google Arts & Culture para criar uma galeria virtual com todas as obras do artista.

Na abertura, aplicativo mostra museu virtual visto de cima Foto: MAURITSHUIS / NYT

Para o aplicativo, o Metropolitan Museum of Art contribuiu com imagens de todas as suas cinco obras-primas de Vermeer, enquanto a National Gallery of Art, em Washington, e o Rijksmuseum, em Amsterdã, oferceram quatro cada. Mais dois vieram do Louvre e três da Coleção Frick.

O Isabella Stewart Gardner Museum, em Boston, ofereceu uma imagem de "O Concerto", o Vermeer que havia desaparecido após ser roubado em 1990. Agora a tela poderá ser vista no Meet Vermeer, o museu digital. O aplicativo gratuito pode ser acessado por qualquer smartphone equipado com câmera.

— É um daqueles momentos em que a tecnologia faz algo impossível no mundo real, pois essas telas nunca poderiam ser reunidos — diz Emilie Gordenker, diretora do Mauritshuis.


Fotógrafo faz imagem de alta resolução de um quadro de Vermeer Foto: DRESDEN STATE ART MUSEUM / NYT

Ela explica que algumas das pinturas do século XVII eram muito frágeis para viajar, enquanto outras estavam em coleções particulares. E mesmo sob circunstâncias diferentes, seria improvável que todos os proprietários estivessem dispostos a compartilhar seus premiados Vermeers ao mesmo tempo.

As 18 coleções particulares e de museus que possuem as pinturas da Vermeer, no entanto, se mostraram dispostas a fornecer arquivos de imagem digital de alta resolução das telas para o projeto.

Vermeer, uma figura um tanto misteriosa que viveu e trabalhou em Delft, na Holanda, teria criado cerca de 45 pinturas durante uma carreira de quase duas décadas. Algumas teriam desaparecido.

Além das 36 obras que a maioria dos acadêmicos consideram autênticas, outras pinturas lhe foram atribuídas. Como o mundo da arte continua a debater a sua autoria, Gordenker disse que o museu virtual não as incluiria.

Quadro de Vermeer no Google Arts & Culture Foto: MAURITSHUIS / NYT

Embora muitas dessas imagens já estejam nos sites dos museus, Gordenker queria dar ao público a sensação do tamanho das pintutas entre si — algo difícil de transmitir em uma imagem plana na tela.

No aplicativo, a primeira sala é dedicada aos primeiros trabalhos de Vermeer. O resto do museu é organizado tematicamente. Laurent Gaveau, diretor do Laboratório de Artes e Cultura do Google, uma organização sem fins lucrativos desenvolvido para experimentar novas maneiras de fazer arte e cultura acessível ao público, diz que esse foi o primeiro museu virtual criador pela empresa, mas ele certamente imagina que outros virão.

— Podemos pensar vários tipos de museus que nunca existiram — disse em entrevista por telefone, deixando claro que não há nenhum outro projeto em andamento — Queremos ver como as pessoas vão reagir a esse e saber, do ponto de vista tecnológico e do ponto de vista do usuário, o que deu certo e o que pode ser melhorado.

As pinturas da Vermeer são reproduzidas em todos os tipos de formatos, desde cartazes até bolsas e guarda-chuvas. Mas conforme a tecnologia melhora e as pessoas passam a ter a possiblidade de uma experiência virtual de qualidade, Gordenker não se preocupa que os turistas se sintam menos motivados a buscar a experiência real? Não, ela responde.

— Quanto mais informações compartilhamos, incluindo imagens, mais as pessoas querem ter a experiência autêntica de ver a obra como uma presença física real. — opina. — Um dos motivos pelos quais os museus vem se tornado cada vez mais relevantes, com o público cada vez maior, são as tecnologias digitais. Elas quebram barreiras e tornam tudo muito mais acessível.

domingo, 9 de dezembro de 2018

China quer todas as suas pesquisas científicas publicadas em acesso aberto


Agências chinesas de fomento divulgaram intenção de apoiar o Plano S, principal iniciativa europeia contra o paywall em revistas científicas.

Fábio Castro | Direito da Ciência

O movimento mundial pelo acesso aberto às publicações científicas acaba de ganhar um aliado de peso. Representantes de agências de fomento à pesquisa da China anunciaram que pretendem exigir que todos os artigos produzidos a partir de estudos financiados com recursos públicos fiquem imediatamente disponíveis para leitura gratuita.

O anúncio, divulgado em reportagem da revista Nature, foi feito pelas organizações chinesas na Alemanha, no início desta semana, durante a 14ª Conferência de Acesso Aberto de Berlim, convocada pela Sociedade Max Planck. A penúltima edição da conferência, em 2015, marcou o lançamento da Iniciativa Open Access 2020 (OA 2020), que reúne atualmente os líderes do movimento global pelo acesso aberto.

Segundo a revista, os chineses prometeram apoiar a OA 2020 e a iniciativa europeia do Plano S, que tem o objetivo de acabar com o “paywall” de publicações científicas até 2020.

Iniciativa europeia

No início de setembro, agências de financiamento à pesquisa de 11 países da Europa lançaram uma força-tarefa para garantir a implementação do Plano S, que exigirá o modelo Open Access – no qual não há cobrança elo acesso aos conteúdos de periódicos acadêmicos – para todas as publicações financiadas por recursos públicos.

O mentor do Plano S, Robert-Jan Smits, disse à Nature que o posicionamento dos chineses é um “sonoro endosso” à iniciativa europeia, embora não tenha ficado claro se as organizações da China vão começar a implementar suas próprias novas políticas de publicação, ou se querem adotar integralmente o Plano S.

“Esse é um passo à frente crucial para o movimento global pelo acesso aberto. Nós sabíamos que a China estava pensando em se juntar a nós, mas o fato do país ter aderido tão cedo e de forma tão inequívoca é uma enorme surpresa”, disse Smits.

Cartas de intenção

Durante o evento em Berlim, três cartas de intenções foram divulgadas, segundo a Nature, pela Biblioteca Nacional de Ciência da China, pela Biblioteca Nacional de Ciência e Tecnologia e pela Fundação de Ciência Natural da China – uma das principais financiadoras chinesas de pesquisas.

“Apoiamos o pedido da Iniciativa OA 2020 e do Plano S para transformar, o quanto antes, os artigos científicos provenientes de projetos financiados publicamente em modelo de acesso aberto imediatamente após a publicação e apoiamos uma ampla gama de medidas flexíveis e inclusivas para cumprir esse objetivo”, dizem as cartas.

O presidente do Comitê Estratégico de Planejamento da Biblioteca Nacional de Ciência e Tecnologia, Xiaolin Zhang, disse à Nature que o governo chinês agora irá estimular os financiadores, instituições de pesquisa e bibliotecas acadêmicas do país a deixar os resultados de pesquisa com financiamento público livre para consulta e compartilhamento o quanto antes.

‘Politicamente errado’

Segundo Zhang, qualquer noção de que o modelo de acesso aberto tem pouco apelo na China é equivocada. Segundo ele, os financiadores e instituições de pesquisa da China estão desde 2014 incentivando e fornecendo recursos para que cientistas publiquem seus artigos em formatos de acesso aberto e para que arquivem seus manuscritos abertamente na internet.

Zhang afirma, porém, que a maior parte dos resultados científicos da China ainda está bloqueada por “paywalls”. “A Fundação de Ciência Natural da China financia cerca de 70% da pesquisa chinesa publicada em revistas internacionais, mas a China tem de comprar de volta esses artigos com preços cheios e altos. Isso é simplesmente errado – economicamente e politicamente”, disse Zhang.

Smits, que é emissário de Acesso Aberto da Comissão Europeia em Bruxelas, na Bélgica, disse à Nature que, depois da China, dois outros países não-europeus deverão aderir ao Plano S nas próximas semanas. Ele também busca apoio entre órgãos públicos financiadores de ciência nos Estados Unidos, onde atualmente a única organização de fomento à pesquisa a aderir ao Plano S é privada: a Fundação Bill e Melinda Gates.

Mais de 120 instituições de pesquisa e agências de financiamento de diversos países assinaram uma manifestação de interesse na implementação de larga escala do acesso aberto em revistas acadêmicas, inclusive a brasileira Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

dica do Reynaldo Porfírio Horne

Robôs auxiliam funcionários em nova biblioteca na Finlândia


Espaço abriga literatura, música e cinema | Foto: Reprodução / YouTube / CP Memória

No centenário de sua independência, a Finlândia estreia uma biblioteca que parece saída de um filme de ficção científica. O espaço abriga a literatura mas também a música e o cinema, e robôs ajudam os funcionários na organização dos livros.



Correio do Povo
via Info21

sábado, 8 de dezembro de 2018

Pasquim na íntegra na internet



Nos 50 anos d’, completados em 2019, todas as edições do semanário poderão ser lidas na internet.

A Biblioteca Nacional está prestes a terminar a digitalização dos 1.072 números do tabloide que atravessou a ditadura no deboche.

O acervo ficará em uma página que terá, ainda, uma coleção de memórias dos colaboradores do jornal.

O portal será lançado com uma exposição sobre o Pasquim, a ser montada no Rio de Janeiro e em São Paulo.

via O Globo


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A volta do "Pasquim"

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Um manifesto que vai fazer você pensar duas vezes antes de postar nas redes sociais


Na obra, Jaron Lanier, uma das maiores referências do Vale do Silício, explica como o modelo de negócio das empresas do mundo digital pode modificar comportamentos e minar a verdade

Publishnews

Hoje as redes sociais são praticamente um segundo documento de identidade: não participar de determinada plataforma muitas vezes é sinônimo de total isolamento. Mas você já pensou como seria se deletasse os seus perfis na rede e levasse uma vida diferente? Jaron Lanier, considerado o pai da realidade virtual e uma das maiores referências (e críticos) do Vale do Silício, não tem conta em nenhuma rede social e deixa bem claro por quê: “Evito as redes sociais pela mesma razão que evito as drogas”. Em Dez argumentos para você deletar suas redes sociais agora (Intrínseca, 192 pp, R$ 34,90 – Trad.: Bruno Casotti), ele fala em detalhes sobre a intrincada engrenagem de algoritmos usada para alterar o comportamento dos internautas, transformando-os em alvos mais suscetíveis não só aos diversos tipos de propaganda, como também a ideias e ideologias obscuras. Ao longo do livro, ele lembra aos leitores que a prática da modificação de comportamentos está na base do modelo de negócios das redes sociais.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Portal de Revistas da USP traz 185 revistas científicas com acesso aberto

Biblioteca digital completa dez anos com quase 15 milhões de downloads e 30 milhões de acessos

Jornal da USP

Referência internacional, o Portal de Revistas da USP abriga atualmente 185 publicações – Foto: Divulgação / Sibi

Neste mês de novembro, o Portal de Revistas da USP completa dez anos de existência e acesso aberto às revistas científicas publicadas pela USP. Abrigando, atualmente, 185 publicações, o portal é uma biblioteca digital das revistas publicadas por unidades de ensino e pesquisa, programas de pós-graduação e núcleos de pesquisas de professores e alunos da Universidade. Ele é referência internacional não só por sua qualidade como também por sua grandiosidade, com quase 15 milhões de downloads e 30 milhões de acessos.

O Sistema Integrado de Bibliotecas (Sibi) da USP realizou um levantamento e análise sobre o acesso ao portal ao longo destes anos e também resgatou sua trajetória de criação e desenvolvimento, que o Jornal da USP reproduz a seguir.

O gráfico abaixo apresenta a evolução do total de títulos registrados no portal, no período de 2008 a 2018.



A constante evolução e os números positivos exemplificam bem essa realidade: até o dia 27 de novembro de 2018 foram 6.488 fascículos publicados, 92.760 artigos, 14.059.783 downloads, 29.723.062 acessos. O gráfico abaixo exibe a evolução do número de downloads de artigos do portal de 2014 a novembro de 2018.



Entre os fatores que contribuíram para o crescimento dos downloads e da visibilidade nestes dez anos foi o fato de reunir, em um único portal, as revistas editadas por unidades, institutos e museus da Universidade, facilitando o acesso por leitores, pesquisadores e público em geral. A criação do portal ocorreu no Departamento Técnico do Sibi, proposto para ser um apoio e um canal alternativo aos editores que não tinham suas revistas indexadas no Portal SciELO (Scientific Eletronic Library On-line).

Amparadas pelo Programa de Apoio às Publicações Científicas Periódicas da USP (regulamentado pela Portaria 2403 de 18 de novembro de 1988), as revistas da USP e seus editores passaram a contar com uma comissão de credenciamento, com o objetivo de definir uma política editorial e propor critérios para o credenciamento de periódicos científicos.

Em 2006, o regimento da comissão foi alterado pela Portaria GR Nº 3726 para ajustar as novas demandas ao contexto de internacionalização e às exigências de modernização dos veículos de divulgação científica da USP, apoiar sua gestão e fornecer recursos financeiros especialmente destinados para as atividades de diagramação, editoração e serviços correlatos.

No final de 2010 e início de 2011, foi realizado um diagnóstico da situação das 62 revistas credenciadas da USP. A partir desse levantamento, foi constatado que muitas delas estavam dispersas em vários sites, sem adoção de padrões e protocolos internacionais, impactando negativamente na visibilidade das publicações. Além disso, havia baixa adesão por parte dos editores e equipes editoriais a sistemas de gestão editorial em ambiente eletrônico.

A partir desse diagnóstico, em 2012, o portal foi reestruturado e integrou-se à rede de portais de revistas científicas que utilizam o Open Journal Systems (OJS), software de código fonte aberto, mantido pelo Public Knowledge Project (PKP), para a construção e gerenciamento de revistas eletrônicas. O OJS possibilita a automação do processo editorial e facilita a gestão tanto pelos próprios editores, quanto pelo administrador do Portal. As revistas da USP utilizam a versão 3 do OJS desde agosto de 2018.

Em outubro de 2017, foi publicada a Resolução 7418 que disciplina o Programa de Apoio às Publicações Científicas Periódicas da USP no Sistema Integrado de Bibliotecas e dá outras providências. A comissão de credenciamento foi substituída por um comitê científico, que aguarda nomeação pelo reitor da USP.

A manutenção dos recursos orçamentários veio ao encontro das demandas dos editores e facilitou a oferta de serviços de infraestrutura de informática, treinamentos, apoio à participação em eventos, além do contrato com a CrossRef, associação que gerencia o identificador digital de documentos – registro DOI (Digital Object Identifier) para os artigos científicos. O gráfico abaixo apresenta uma evolução de atribuição do DOI aos artigos das revistas da USP de 2013 a 2017.



A atual política editorial do Programa de Apoio às Publicações Científicas Periódicas da USP ampara-se na busca da melhoria da qualidade visando à internacionalização dos periódicos científicos, editados oficialmente na USP para aumentar a visibilidade e o impacto; na profissionalização dos processos editoriais; no acesso aberto sem embargo aos periódicos científicos da USP, ou seja, eles deverão estar integralmente acessíveis ao público imediatamente após sua publicação; na promoção de ações que favoreçam maior interação entre os diversos atores envolvidos na produção dos periódicos científicos, com níveis diferenciados de responsabilidade e metas comuns a serem cumpridas; e na proteção e preservação do patrimônio científico materializado na forma de periódicos editados pela USP.

Além disso, o programa também apoia revistas que se filiam ao Committee on Publication Ethics – COPE, subsidiando as taxas administrativas de afiliação, visando à adoção de práticas éticas de publicação. O foco está em promover uma política declarada de ética em publicação e “plagiarismo” em cada revista, que pode estar fundamentada em Best Practice Guidelines for Journal Editors do Committee on Publication Ethics – Cope ou em outro documento de referência para a área da revista.

Para o cumprimento da política, todos os anos é publicado um edital de apoio às revistas da USP ao qual elas submetem propostas de projetos. Após análise do comitê científico, os recursos aprovados são destinados de acordo com uma escala de apoio, que vai desde (1) reconhecimento institucional (nível básico), (2) atendimento aos critérios USP de qualidade, (3) presença no SciELO ou indexador internacional de referência para a área ou Qualis A, até (4) presença na Web of Science e/ou Scopus. O gráfico a seguir apresenta a evolução dos projetos apoiados de 2011 a 2018.



Além dos recursos financeiros, também foram realizados, entre 2017 e 2018, diversos treinamentos para uso do Open Journal Systems, bem como reuniões individuais com equipes editoriais, além de reuniões anuais com todos os editores, e apoio para a participação em eventos da área de editoração. Também foram promovidos eventos temáticos sobre direitos autorais e licenças de uso, licitações e contratos de serviços para revistas da USP, critérios de seleção para indexação nas bases Web of Science, Scopus e EBSCO.

O gráfico a seguir exibe dados referentes à presença das revistas USP nas principais bases indexadoras de revistas científicas internacionais.



Os editores de revistas USP credenciadas contam também com o SimilarityCheck, um serviço fornecido pela Turnitin, empresa que comercializa o software iThenticate, com a CrossRef, organização internacional que gerencia o Sistema DOI e outros serviços. O SimilarityCheck é orientado para uso profissional por editoras de conteúdo acadêmico e científico. Este serviço permite identificar o índice de similaridade de textos submetidos para publicação em relação ao banco de dados formado pelos catálogos dos editores filiados à CrossRef e participantes deste serviço. O SimilarityCheck está disponível para as revistas credenciadas no Programa de Apoio às Publicações Científicas Periódicas da USP desde que cumpram com requisitos determinados. Atualmente, 20 revistas usufruem desse serviço.

Além da grande visibilidade que o Portal de Revistas da USP possui, a divulgação dos artigos publicados é potencializada pelas parcerias com a Agência Universitária de Notícias (AUN) e o Jornal da USP. Os press-releases e notícias sobre artigos das revistas são publicados em diferentes veículos e também compartilhados em mídias sociais como Twitter e Facebook.

Para 2019, estão previstas novas oportunidades de capacitação para editores e assessores no uso da Plataforma OJS 3, além de outras iniciativas que se encontram em planejamento. As políticas de acesso aberto serão mantidas e estratégias de aprimoramento dos serviços serão discutidas com os editores e a comunidade uspiana.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Editus disponibiliza novos livros para download


Editus Digital possui mais de 170 obras em seu catálogo digital

ABEU

Estão disponíveis mais dois títulos para download gratuito no Editus Digital. "Notas teórico-metodológicas de pesquisas em educação: concepções e trajetórias", organizado pelas professoras Leila Pio Mororó (DFCH- UESB), Maria Elizabete Souza Couto (DCIE - UESC) e Raimunda Alves Moreira de Assis (DCIE - UESC), e "Série movimentos sociais e educação Vol. 3: Educação e sua diversidade", organizado pelas professoras Arlete Ramos dos Santos (DCIE - UESC), Julia Maria da Silva Oliveira (DCIE - UESC) e Lívia Andrade Coelho (DCIE - UESC). O catálogo digital da Editus é um dos mais amplos das editoras universitárias, contendo 170 obras disponíveis para baixar.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Leonardo Padura analisa relação da literatura com as novas gerações

Leonardo Padura analisa relação das novas gerações com a literatura no Singulares

TV Brasil

Na estreia do Singulares, o cubano Leonardo Padura fala sobre o papel do escritor nos dias de hoje e o espaço da literatura na vida das novas gerações. Padura também conta como foi o processo de pesquisa para o romance O Homem que Amava os Cachorros, sucesso de vendas no Brasil, e fala das críticas que recebe por manter um olhar realista sobre a revolução comunista em Cuba.



quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Esses livros de sci-fi imaginaram, há muitos anos, tecnologias que hoje existem

A ficção científica prevê o futuro ou apenas inspira descobertas futuras?

Por Patrícia Gnipper | CanalTech

Muito se debate quanto à possibilidade de a ficção científica realmente ser capaz de prever o futuro, ou se o gênero apenas inspira o surgimento de soluções que ainda serão desenvolvidas com a evolução da tecnologia. De qualquer maneira, é um fato que muitas tecnologias disponíveis nos dias de hoje foram imaginadas em livros do passado, saindo da mente de autores célebres e se tornando realidade muitos anos depois.

Coisas como hackers de computador, membros biônicos para o corpo humano e até mesmo os tablets foram vislumbrados antes que tais possibilidades existissem e, na lista abaixo, você confere obras de ficção científica que imaginaram coisas que, hoje em dia, usamos como se elas existissem desde sempre.


Hackers
Quem leu Neuromancer, de William Gibson, em 1984, ficou "viajando" na ideia de existir uma sociedade em um ciberespaço com hackers de computador. Naquela época, computadores pessoais já existiam, claro, ainda que hoje sejam considerados jurássicos. Mas a internet ainda não era uma realidade para as massas, então podemos incluir o autor na lista de escritores que estavam à frente de seu tempo, vislumbrando tecnologias e cenários que, hoje, fazem parte da nossa rotina.


TVs de tela plana e fones de ouvido
Fones de ouvido são itens que fazem tanto parte do nosso cotidiano, que até dá a impressão de que eles sempre estiveram por aqui. Mas, em 1953, quando Ray Bradbury lançou Fahrenheit 451, eles não existiam. Ainda assim, o autor, visionário, imaginou TVs de tela plana e dispositivos de áudio portáteis que não são muito diferentes dos fones de ouvido que temos hoje — com e sem fios.


Tablets
Em 2001: Uma Odisséia no Espaço, lançado em 1968 por Arthur C. Clarke, vemos questões pesadas como guerra nuclear, evolução da humanidade e os perigos da inteligência artificial (representada pelo supercomputador HAL 9000).

Mas, aqui, a previsão mais palpável foram os tablets, que, no livro, aparecem como jornais eletrônicos que as pessoas leem digitalmente.


Apps de tradução em tempo real
Quando O Guia do Mochileiro das Galáxias foi lançado em 1979 por Douglas Adams, podíamos contar apenas com dicionários físicos para traduzir palavras e frases entre idiomas. Mas, em suas páginas, vemos uma aventura pelo espaço em que traduções de áudio em tempo real são uma realidade com tradutores universais. E, somente nos anos mais recentes, ganhamos recursos com esse conceito na vida real.


Cartões de crédito
No livro Looking Backward, de Edward Bellamy, o autor imaginou a existência de cartões de crédito 63 anos antes de serem inventados — o livro foi lançado em 1888. Na história, o personagem principal adormece por 113 anos e, quando acorda (no ano 2000), descobre que todo mundo usa cartões de crédito por aí para comprar o que quiser.


TV via satélite, impressora a laser e carros elétricos
Aqui, o autor John Brunner previu, em 1968, uma sociedade que, no ano de 2010, conta em seu dia a dia com TV via satélite, vídeos sob demanda, impressoras a laser e carros elétricos. No livro Stand on Zanzibar, o escritor imagina também que em 2010 a maconha já estaria descriminalizada — o que é realidade em algumas poucas regiões do mundo, por enquanto.


Transplantes de membros e órgãos
Lançado em 1818, Frankenstein, de Mary Shelley, previu de certa forma os transplantes modernos. Naquela época, a ciência ainda estava engatinhando na exploração da reanimação de tecidos mortos por meio da eletricidade e, embora tais métodos hoje sejam considerados grosseiros, eles pavimentaram o caminho para as inovações futuras na medicina, como transplantes de órgãos e de membros.


Submarino elétrico
Um dos autores mais visionários do século XIX foi Júlio Verne, que, em seus livros, previu coisas como módulos lunares e velas solares mais de 100 anos antes de serem inventadas. Mas em Vinte Mil Léguas Submarinas, de 1870, o autor vislumbrou submarinos elétricos — que só foram inventados 90 anos depois.


Energia solar
O romance Ralph 124C 41+, escrito em 1911 por Hugo Gernsback, tem uma história que se passa no ano de 2660. O autor imaginou que, depois de tantos séculos, a energia solar seria "arroz com feijão" para alimentar equipamentos para lá de modernos.


Bomba atômica
O célebre escritor H. G. Wells lançou The World Set Free em 1914. Nesta obra, o autor não apenas previu a existência de armas nucleares, como, possivelmente, serviu como inspiração para o trabalho do Dr. Leo Szilard — o homem que dividiu o átomo e permitiu a criação da bomba atômica.

Ainda que no universo fictício de Wells a bomba fosse criada a partir de urânio, a ciência por trás desse conceito, na mente de Wells, estava mais ou menos três décadas à frente de seu tempo.


Vigilância em massa
Outra previsão que se mostra cada vez mais acertada é a da criação de sistemas de vigilância em massa, que apareceu nas páginas de 1984, livro lançado em 1949 por George Orwell. Na obra, vemos conceitos como o Big Brother e a Polícia do Pensamento, com a história se passando em um mundo distópico 40 anos depois da Segunda Guerra Mundial.


Membros biônicos
Lançado em 1972, o livro Cyborg de Martin Caidin previu a existência de membros biônicos. Na história, um ex-astronauta cai durante um voo, perdendo seus membros e também ficando cego de um olho depois da queda. Então, cientistas conseguem criar novas pernas para ele, além de um olho removível equipado com uma câmera e um braço biônico — fazendo dele um autêntico ciborgue. Dessa maneira, o livro profetizou o primeiro transplante de uma perna biônica, 41 anos antes do caso real.


Com informações de Business Insider

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Malfadada tecnologia

Nada virá para nos dar mais tempo livre; avanços só aumentam carga de trabalho

Drauzio Varella

...

Lembro bem do dia em que uma paciente me trouxe um presente de Natal, embrulhado numa caixa com um laço de fita. Pelo tamanho, achei tratar-se de um par de sapatos. Era um telefone celular.

...

Não se iluda com a tecnologia, prezado leitor, graças a ela nós nos tornamos mais competitivos e eficientes no trabalho. Nada virá para nos dar mais tempo livre, ao contrário, tudo o que surgir será para aumentar nossa produtividade. Vai ficar pior. Para regozijo do Coisa-Ruim.

Leia o artigo completo na Folha de S. Paulo.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Biblioteca do Congresso dos EUA libera arquivo de filmes


Cerca de 300 vídeos já estão disponíveis online, e novos conteúdos serão adicionados mensalmente ao website
         
Sara Aridi, The New York Times | O Estado de S. Paulo
Imagem: Internet

A Biblioteca do Congresso dos EUA mostrou sua nova National Screening Room, uma coleção digitalizada de filmes históricos, cinejornais, peças de propaganda, documentários antigos e outros clipes, tudo com acesso grátis. Segundo a biblioteca, a maioria dos filmes já é de domínio público e está disponível para download. Outros, apenas para stream.   

O National Screening Room é uma espécie de cápsula do tempo. Os vídeos cobrem o período de 1890 a 1999, mostrando um amplo panorama da vida americana. Entre os destaques estão filmes domésticos feitospelos compositores George e Ira Gershwin; números do All-American News, um cinejornal voltado para o público negro de meados do século 20; uma seleção de filmes educativos sobre saúde mental dos anos1950.  

Os nova-iorquinos, especialmente, poderão apreciar um curto filme mudo rodado em 1905 mostrando o metrô avançando da 14th Sreet para a 42th Street, meses após a linha de ser inaugurada. E, antes de as rebeliões de Stonewall chocarem Manhattan, manifestantes em Filadélfia foram filmados durante o Reminder Day Picket, uma das primeiras manifestações do orgulho gay. 

O projeto destina-se a "enriquecer a educação e o aprendizado", disse Mike Mashon, curador da seção de cinematografia da biblioteca.

A biblioteca informa que esse é o maior arquivo de vídeos do mundo, reunindo mais de 1,6 milhão de itens. Cerca de 300 vídeos já estão disponíveis online, e novos conteúdos serão adicionados mensalmente ao website.


quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Bibliotecas apostam em Instagram, YouTube e exposição

Junção de arte, história e tecnologia estimula várias perguntas (Foto: Thinkstock)

Ferramentas digitais trazem novas oportunidades para a divulgação do acervo

Época Negócios

“Sempre imaginei o paraíso como um tipo de biblioteca”, disse o escritor argentino Jorge Luís Borges em um de seus poemas. Quem, como Borges, ama esse tipo de ambiente deve estar ansioso para a abertura da exposição “A Biblioteca À Noite”, que chega a São Paulo no dia 3 de outubro, após passar por Canadá, França e Rússia.

A instalação tira seu nome de um livro homônimo, escrito pelo argentino Alberto Maguel, bibliófilo e discípulo de Borges. A obra traz 15 ensaios, nos quais se configura um passeio por bibliotecas antigas e modernas. Inspirado nesses textos, o dramaturgo canadense Robert Lepage desenvolveu essa exposição, em que os visitantes percorrem, por meio da realidade virtual, um roteiro com dez bibliotecas reais ou imaginárias. A instalação será exibida no Sesc Avenida Paulista até 10 de fevereiro.

Essa junção de arte, história e tecnologia estimula várias perguntas. Entre elas: como as bibliotecas estão ocupando o ambiente digital hoje, aproveitando as novas ferramentas para atrair e encantar leitores de todo o mundo? Confira a seguir três iniciativas nesse sentido, desenvolvidas pela New York Public Library, pela Biblioteca Nacional de España e pela British Library.

Clássicos no Instagram
A New York Public Library divulgou, em agosto, seu Instanovel – um projeto que disponibiliza obras clássicas por meio do Stories, na conta da biblioteca no Instagram (@nypl). O famoso romance “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, foi a primeira obra a ser divulgada no novo formato, acompanhado por ilustrações e animações do artista Magoz (@magoz). Em seguida, serão disponibilizados o conto “O Papel de Parede Amarelo”, de Charlotte Perkins Gilman, e o romance “A Metamorfose”, de Franz Kafka.  A meta é transformar a conta da biblioteca, no Instagram, numa prateleira virtual.

“O Papel de Parede Amarelo” foi um dos precursores da literatura feminista nos Estados Unidos. A história gira em torno de uma mulher que é confinada pelo marido. Médico, ele a diagnosticou como deprimida e histérica, e a mantém presa e isolada, com a justificativa de que assim ela pode se recuperar. Publicado em 1891, o conto foi redescoberto na década de 1970 por teóricas feministas. Na versão para o Instagram, contará com ilustrações de Buck (@buck_design). Já “A Metamorfose”, de Kafka, dispensa maiores apresentações – mesmo quem não leu a obra provavelmente já ouviu falar do drama do caixeiro viajante Gregor Samsa, que um belo dia acorda metamorfoseado em inseto.  A ilustração do livro ficou a cargo de César Pelizer (@cezarpelizer).

O Instanovel se soma a uma série de outras estratégias adotadas pela New York Public Library para ampliar o alcance de seu acervo. A biblioteca já oferece, por exemplo, um catálogo de obras em braile, assim como audiolivros para download.

Receitas históricas no YouTube
Chefs, historiadores, arqueólogos, filólogos e outros pesquisadores se uniram para apresentar, em vídeos, receitas antiquíssimas da culinária espanhola, usando como base documentos históricos. O ChefBNE é uma série documental composta por 12 episódios, feita pela Biblioteca Nacional Espanhola, que disponibilizou o material em seu canal do YouTube.

Narrados em espanhol, com legendas em inglês, os vídeos contam como foi a chegada do chocolate à Espanha, assim como surgimento dos sorvetes e a influência da cultura árabe e judaica...

As histórias são ricas em detalhes saborosos. Por exemplo: sabia que, quando entraram em contato com o tomate (proveniente da América), os espanhóis não sabiam que se tratava de uma planta comestível? Os tomates eram cultivados com fins decorativos! Só no meio do século 18 aparecem as primeiras receitas com o ingrediente – curiosamente, a de molho de tomate aparece em um livro sobre confeitaria.

Exposição digital sobre Harry Potter
E, por falar em exposição, a British Library inaugurou no ano passado uma exposição para celebrar os 20 anos do primeiro romance da série Harry Potter – escritos por J. K. Howling, esses livros fizeram tanto sucesso que chegaram a mudar o status de obras com foco no público infanto-juvenil no mercado editorial. E essa mostra foi acompanhada por uma versão digital, desenvolvida em parceria com o Google.

A exposição ficou em cartaz em Londres até março deste ano, quando foi transferida para Nova York. Mas sua versão online continua ao alcance de qualquer um de nós, à distância de um clique, ajudando a divulgar não apenas informações sobre Harry Potter, mas também sobre outras peças que compõem o acervo da instituição.

Ao apresentar manuscritos, entrevistas e vídeos sobre os personagens da série, os curadores também chamam a atenção para vários documentos e objetos históricos relacionados a magia e seres míticos. Com mais de 200 milhões de itens, a coleção da British Library conta até com varinha de forma de serpente e bola de cristal. Entre os livros selecionados pelos curadores para a mostra, está um do século 17, chamado “A Chave do Conhecimento”, que trazia instruções para quem quisesse se tornar invisível. Outro, o “Old Egyptian Fortune-Teller’s Last Legacy”, publicado em Londres em 1775, ensinava estratégias para prever o futuro, por meio da leitura das linhas da mão e até levando em conta a localização de verrugas pelo corpo. Para entrar no clima, que tal tentar prever como será a biblioteca do futuro?

Diferença entre termos e objetos similares


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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Fechamento de jornais cria 'desertos de notícias' locais nos EUA, diz estudo


Mais de 1.800 jornais americanos fecharam desde 2004, expandindo os "desertos de notícias" locais, com pouca ou nenhuma informação sobre assuntos públicos, disseram pesquisadores em um estudo publicado nesta segunda-feira (15).

O estudo, realizado pela Escola de Mídias e Jornalismo da Universidade da Carolina do Norte (UNC), que atualiza outro realizado em 2016, concluiu que mais de um quinto dos jornais ou semanários locais fecharam em 15 anos.

Como resultado, "milhares das nossas comunidades estão em risco de se tornarem novos desertos" de informação, aponta o relatório.

Metade dos 3.143 condados dos Estados Unidos agora têm apenas um jornal, em geral um pequeno semanário, e quase 200 não têm nenhum.

"As pessoas com o menor acesso às notícias locais costumam ser as mais vulneráveis: as mais pobres, as menos educadas e as mais isoladas", aponta.

Este é o mais recente estudo que destaca o estado sombrio da outrora próspera indústria jornalística americana. Um relatório do Pew Research Center deste ano mostrou que o número de vagas de emprego em redações caíram 23% desde 2008, principalmente nos jornais.

Pesquisadores da UNC disseram que a perda de tantos jornais locais, como resultado da transformação digital na indústria, torna mais difícil manter os cidadãos informados e fazer os funcionários públicos prestarem contas.

Embora os Estados Unidos ainda tenham 7.100 jornais, muitos são "fantasmas" de si mesmos, com equipe reduzida e menos recursos.

Apesar da abundância de notícias mundiais e nacionais online, a fundamental cobertura de problemas locais está diminuindo, indicou a pesquisa.

"Não há soluções fáceis", explica. "Precisamos garantir que tudo que substitua a versão do século 20 dos jornais locais cumpra as mesmas funções de construção comunitária".

Como parte da turbulência, mais da metade dos jornais mudaram de proprietário na última década, e hoje as 25 maiores emissoras têm um terço do total do mercado.

"Não é surpreendente que o número de proprietários independentes tenha diminuído significativamente nos últimos anos, já que os jornais familiares jogaram a toalha e se venderam para os grandes", apontam os estudiosos.

Jornal do Brasil
Imagem: Internet

terça-feira, 16 de outubro de 2018

O acervo digital com as notas de engenharia de Leonardo da Vinci

Ao digitalizar as obras, o museu afirma que pretende fazer com que haja menos necessidade de manuseá-las, facilitando sua conservação

André Cabette Fábio | Nexo

FOTO: REPRODUÇÃO PÁGINAS DE ANOTAÇÃO USADAS POR LEONARDO DA VINCI

Nascido em 1452 no que hoje é território italiano, Leonardo da Vinci foi um importante intelectual e criador renascentista. Entre suas áreas de atuação no campo das artes estão pintura, música, escultura e literatura. Algumas de suas obras mais famosas são a pintura da Mona Lisa, o Homem Vitruviano e a Última Ceia. 

Em novembro de 2017, uma obra atribuída ao artista, Salvator Mundi, foi vendida por US$ 450,3 milhões na casa de leilões Christie’s, em Nova York, estabelecendo um recorde mundial. Ele também foi um grande explorador das ciências naturais e exatas. Da Vinci manteve cadernos nos quais anotava ideias, fazia cálculos e esboçava projetos de invenções - frequentemente ininteligíveis para observadores externos. 

Como as centenas de milhões pagas pelo Salvator Mundi indicam, a obra de Da Vinci é extremamente valorizada. Suas anotações não foram mantidas em um único acervo, mas pulverizadas em coleções privadas e instituições ao redor do mundo. 

Em agosto de 2018, uma dessas instituições, o Victoria and Albert Museum, de Londres, publicou online o conteúdo de dois dos cadernos de Leonardo da Vinci. Eles estão dispostos em uma galeria de fotos em alta resolução, que permite aproximar a imagem e observar detalhes. 

Anteriormente, o Acervo Real do Palácio de Buckingham havia feito um esforço similar, digitalizando anotações de da Vinci sobre anatomia. 

PÁGINAS DE ANOTAÇÃO DO CADERNO DE LEONARDO DA VINCI   

O material digitalizado pelo Victoria and Albert Museum faz parte do acervo da biblioteca do colecionador John Forster, doada ao museu em 1876. Os dois cadernos disponibilizados compõem, por sua vez um volume chamado de Codex Forster Primeiro, em referência ao seu antigo proprietário. 

O Codex Forster Primeiro foi elaborado por da Vinci no final do século 15, quando ele trabalhou como engenheiro hidráulico para a corte de Milão. Ele possui desenhos de instrumentos pensados para serem usados na escavação de canais e na mudança do curso de água. Há também tratados sobre geometria e sobre a mensuração de materiais sólidos. 

Em entrevista ao site focado em obras de arte The Art Newspaper, a curadora de coleções especiais, Catherine Yvard, afirma que os cadernos lembram o talento de da Vinci como engenheiro. 

“Os cadernos nos lembram que Leonardo era tanto engenheiro quanto artista. Quando ele escreveu no início dos anos 1480 a Ludovico Sforza, então senhor de Milão, para oferecer seus serviços, ele se apresentou como um engenheiro militar, mencionando suas habilidades artísticas brevemente, no final da lista.” 

Há outros três cadernos que compõem dois volumes, chamados de Codex Forster Segundo e Codex Forster Terceiro, produzidos entre 1487 e 1505. Segundo informações da curadoria do museu, publicadas pelo The Art Newspaper, o objetivo é que todo o material seja disponibilizado online até o ano de 2019, que marca 600 anos da morte de da Vinci. 

Ao digitalizar as obras, o museu afirma que pretende fazer com que haja menos necessidade de manuseá-las, facilitando sua conservação.