quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Crítica | Eis os Delírios do Mundo Conectado


Se verificarmos com cuidado a carreira de Werner Herzog em retrospecto, perceberemos que o cineasta alemão, apesar de ter se notabilizado com obras de ficção como Aguirre, a Cólera dos Deuses, O Enigma de Kaspar Hauser, Stroszek e Fitzcarraldo, é, fundamentalmente, um documentarista. Desde 1970, ele vem legando ao mundo suas fantásticas visões sobre os mais diversos assuntos que comentam a Humanidade de uma forma ou de outra, desde corajosos médicos que levam tratamento para regiões inóspitas da África, passando pela trágica biografia de um homem que passou sua vida em meio a ursos selvagens até um olhar sobre os primórdios do Homem a partir das pinturas rupestres na caverna de Chauvet.

Eis os Delírios do Mundo Conectado é sua visão lírica, mas preocupada sobre o quanto somos dependentes da tecnologia, mais especificamente da internet. Como o título original e o em português tentam dar a entender, o que vemos no documentário são quase que devaneios sobre o passado, presente e futuro da tecnologia, em uma visão que não condena, mas também não aplaude os vários acontecimentos desde o fatídico dia em que, em 1969, a primeira mensagem foi enviada de um computador a outro separados por 400 milhas de distância. Que mensagem foi essa? “Lo”, pois a intenção era escrever LOG, mas a “rede” caiu e “LO” virou um termo profético, já que é costumeiramente usado na inglesa na expressão lo and behold, que significa “e eis” (em um contexto de surpresa e estupefação) e que  dá nome ao documentário.

Herzog, que também faz as vezes de narrador e entrevistador, dividiu seu longa em dez curtos capítulos, um sobre um assunto diferente dentro da proposta. Com isso, ele manipula aquilo que a Internet e a facilidade de acesso à informação acabou criando no inconsciente coletivo: nossa incapacidade em geral em lidar com narrativas longas. Ao quebrar sua história em 10 segmentos de poucos minutos, Herzog garante – ou espera fortemente – que nossa atenção não se perderá e sua mensagem será passada.

Por outro lado, os poucos minutos impedem que as questões ganhem qualquer tipo de desenvolvimento e profundidade. Novamente uma característica do tipo de informação que as pessoas normalmente procuram, bastando notar como é comum lermos apenas as manchetes de uma notícia (ou as estrelas em uma crítica como esta), mas creio que, aqui, Herzog tenha perdido a oportunidade de mergulhar em questões controversas como a cultura hacker, a circulação de imagens sem autorização do fotografado, os possíveis efeitos de um mundo repentinamente sem internet, o desenvolvimento da inteligência artificial dentre outras.

O que ele faz – e claramente foi de propósito – é jogar as questões. Ele se recusa a dar soluções ou a dar sua própria impressão sobre as matérias que seu documentário lida. É como aquele professor de faculdade que levanta a boa para seus alunos, então, discutirem entre si durante toda a aula. Sem dúvida é uma forma de se abordar matérias importantes e sem dúvida seu longa leva à discussões potencialmente interessantes, mas é como se Herzog tivesse feito um esforço sobre-humano para trazer os assuntos da maneira mais básica possível, quase que como um “assuntos quentes da Internet for dummies“.

Considerando o calibre do diretor, algo que é visto em suas magníficas composições nas entrevistas estáticas ao longo do filme, com especial destaque para o quadro surrealista que “pinta” com uma família que perdera uma das filhas em acidente automobilístico, ele talvez pudesse ter trazido algo mais detalhado para seu público. Quando ele começa cronologicamente com a origem da Internet, parece que ele fará algo de teor mais histórico, mas logo no capítulo seguinte ele pula para questões polêmicas (uma delas particularmente ininteligível sobre a arquitetura da internet na visão de um de seus pioneiros) e não para mais, em uma sucessão de assuntos conectados unicamente pela questão macro de seu documentário.

Não esperava, de forma alguma, um mergulho técnico em cada matéria, mas algo fosse um meio termo, um compromisso entre a matéria do Fantástico e a análise dedicada de uma série do Discovery Channel. Herzog tinha capacidade para isso, sem dúvida, mas decidiu trilhar um caminho que, se não chega a desapontar, pelo menos leva o espectador com senso crítico a coçar a cabeça em dúvida.

E de forma alguma, com isso, eu quero dizer que Eis os Delírios… é comparável a uma matéria do Fantástico, mas apenas que o diretor mirou baixo demais e acabou gerando uma obra de pouco valor intrínseco. Bastaria, por exemplo, que ele tratasse de metade dos assuntos no dobro do tempo para cada um. Ou se ele usasse algum tipo de linearidade no desenvolvimento histórico da internet, sem pulos quase que aleatórios. Ou mesmo se ele tornasse os comentários dos entrevistados menos utópicos e mais diretos, como é o caso da fascinante – mas curta – entrevista com a celebridade hacker Kevin Mitnick.

Eis os Delírios do Mundo Conectado é bem menos do que poderia ter sido, mas não deixa de ser entretenimento bem acabado e que pode levar a conversas interessantes se o espectador não tiver sua atenção desviada por tuíte de um amigo ou a mais nova atualização de status no Facebook de alguém que segue. Mas sobre o que mesmo estava falando?

Eis os Delírios do Mundo Conectado (Lo and Behold, Reveries of the Connected World, EUA – 2016)
Direção: Werner Herzog
Roteiro: Werner Herzog
Com: Lawrence Krauss, Kevin Mitnick,  Elon Musk, Sebastian Thrun, Lucianne Walkowicz, Robert Kahn, Ted Nelson, Hilarie Cash, Christina Catsouras, Sam Curry, Leonard Kleinrock, Tom Mitchell
Duração: 98 min.

via Plano Crítico

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A geração de leitores digitais em uma Cuba 'off-line'



Gerações de cubanos estão criando redes de intercâmbio de textos, compartilhando arquivos através de pen drives ou HDs externos

Cubanos usam um aplicativo para compartilhar textos pelo celular sem necessitar de uma conexão de internet

Yamil Lage | AFP
Ne10

Ainda sem livrarias atualizadas e com acesso restrito à internet, os jovens cubanos estão lendo o que querem, e talvez mais do que o Estado pensa - mas não em papel. Como foi possível entrar no mundo da leitura digital em um país praticamente "off-line"?
Como gerações passadas de cubanos, eles estão criando redes de intercâmbio de textos, vídeos e notícias, com uma característica: agora os armazenam e os fazem circular em HDs ou pen drives.

O Estado socialista controla a impressão e a internet, que além de limitada (só um terço da população, de 11,2 milhões de habitantes, tem acesso ao serviço) é cara (1,5 dólar por hora).
Apesar das restrições, Javier Peña lê a literatura anglo-saxã do seu gosto. Este tradutor "freelance" de 27 anos fala com orgulho dos seus milhares de títulos digitalizados e da biblioteca física de centenas de volumes que montou.

"Sempre que alguém chega à minha casa com um disco duro me diz: 'o que você tem aí para copiar para mim?' E eu pergunto a mesma coisa", diz Peña à AFP.

Peña, que em troca de literatura ou artigos em inglês oferece sua coleção digital de "comics americanos", afirma que em Cuba se impôs a "teoria anarquista da informação". "O importante é que alguém a tenha", mesmo que não pague por ela.

As redes não são novas. Até alguns anos atrás, quando um artista era censurado em Cuba, por homossexualismo ou "desvio ideológico", um só exemplar da sua obra circulava de mão em mão entre centenas de pessoas.

Bibliotecas em desuso
Neus Pechero, uma estudante de letras de 20 anos, fã de literatura americana, recorre à troca digital, embora prefira os impressos.

"Todos nós temos celulares capazes de intercambiar informações através do 'zapya'", aponta. Esta ferramenta sem conexão à internet permite a transferência sem fio de arquivos entre usuários a curta distância.

Taimí López, de 12 anos, utiliza o mesmo sistema. Até 30 crianças da sua escola, calcula, podem compartilhar um conteúdo nos intervalos entre as aulas.

Assim, de telefone em telefone, circula hoje boa parte da leitura em Cuba, um país que na década de 1960 alcançou altos níveis de escolaridade.

Estudos oficiais estimam que a metade dos cubanos lê revistas e jornais, e 20%, dois livros por ano. Segundo um documento divulgado no Parlamento, 60% dos universitários leem em formato digital, e mais da metade já não frequenta bibliotecas.

O vice-presidente do Instituto Cubano do Livro, Edel Morales, estima que no final desta década 90% dos jovens estarão lendo em telas.

Mas o país, afetado desde 1962 pelo embargo americano, ainda aposta no impresso.
Pagar pelo gratuito?

Na maior fortaleza colonial das Américas, San Carlos de La Cabaña, se celebra a Feira Internacional do Livro de Havana. Uma legião de cubanos compram livros ao custo médio de 50 centavos de dólar cada.

Para esta edição foram impressos quatro milhões de exemplares de 700 títulos, enquanto os livros digitais não chegam a 200 por ano, afirma Morales.

Em declarações à AFP, Morales se mostra empenhado em que o Estado acompanhe "o crescimento do hábito de leitura" digital.

Em um pequeno estande, Mariana Saker, filóloga de 57 anos, oferece livros digitais, além de filmes e músicas em CDs. Há 15 anos a Citmatel, a empresa estatal em que trabalha, ingressou neste mundo.

Um cliente seleciona o título que quer em um computador "off-line", e baixa o arquivo em seu suporte digital por quase o mesmo preço que um impresso. O catálogo inclui 900 produtos, incluindo livros, em sua maioria de escritores cubanos.

Quem vai pagar pelo que pode conseguir grátis? "É um desafio que sem dúvida alguma vai ser vencido" aos poucos, aponta Saker.

"Tivemos alguns exemplos" de pessoas que começaram a "desfrutar" pagar pelos arquivos que baixam.

Ao mesmo tempo em que tenta alcançar a nova geração de leitores, Cuba enfrenta os desafios de ampliar o acesso à internet, destinar recursos para o pagamento de direitos autorais e oferecer suportes digitais de leitura.

Na ilha, é quase impossível conseguir dispositivos deste tipo, e leitores como Javier e Neus não gostam de ler textos longos no celular.

Microfilme: como as primitivas fichinhas podem salvar o mundo


Mil livros no espaço de um caderno. Desde quando isso é possível? Se pensou nos e-books, errou por meros 159 anos. O segredo está naquela maquininha que talvez você tenha notado numa bibliotecam, parecendo um computador realmente velho. É uma peça totalmente analógica, mas que ainda pode salvar o futuro da ignorância. 

Em 1839, o pioneiro da fotografia John Benjamin Dancer criou um método que permitia imprimir imagens 160 vezes menores que o tamanho original, para serem lidas com lentes de aumento. Dancer viu a coisa só como um brinquedo, e nem patenteou. O francês René Dagron notou a brecha e registrou o invento em 1859.

Onze anos depois, na Guerra Franco-Prussiana, o processo encontraria uma de suas vocações, ao criar mensagens que podiam ser levadas por pombo-correio.

O outro grande trabalho do microfilme, e a razão por que você deveria se importar com ele, só começou na década de 1920. Em 1925, George McCarthy conseguiu a patente para uma máquina de microfilmagem em massa. Bibliotecas passaram a registrar seus acervos em microfilme. 

Em 1939, a Biblioteca do Congresso dos EUA já tinha armazenado 3 milhões de documentos assim. 

Nas últimas décadas, essas coleções passaram a ser armazenadas em computador. Mas isso não quer dizer que os microfilmes perderam seu valor. Porque eles são uma aposta muito mais sólida no futuro: informações guardadas de forma digital sofrem de um problema chamado bit rot ("apodrecimento dos bits"). Parte disso é porque as formas de armazenamento físicas têm data de validade: pelas estimativas da empresa de preservação de dados StorageCraft, um CD ou DVD gravados geralmente se tornam ilegíveis em cinco anos. Um disco rígido de computador tem expectativa de vida similar. Os velhos disquetes magnéticos duram até 20 - o quer dizer que quase todos os dados neles já são ilegíveis. E há também o formato do arquivo: uma coisa gravada há 20 anos pode ser impossível de ser aberto por qualquer aplicativo atual. 

Microfilmes não têm nada disso. Só precisam de uma lente de aumento para serem lidos. Se a humanidade passar por um desastre ao estilo Mad Max, arqueólogos terão acesso a nosso conhecimento não por computadores há muito comidos pela ferrugem, mas pelas humildes folhinhas, que duram 500 anos.

Fonte: Almanaque Retrotech - Aventuras na História - Edição Março/2017

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Biblioteca Virtual do Pensamento Social - BVPS


A Biblioteca Virtual do Pensamento Social (BVPS) é uma iniciativa de cooperação entre pesquisadores e instituições acadêmicas com o objetivo de fortalecer e divulgar esta área de pesquisa. A partir da BVPS, procura-se cartografar, organizar e disponibilizar a produção intelectual sobre o pensamento social, isto é, as pesquisas dedicadas ao estudo das interpretações do Brasil em suas diferentes linguagens – intelectual, científica, artística -, e através de diferentes disciplinas – ciências sociais, história, literatura e artes -, envolvendo ainda comparações com outras sociedades.

É possível encontrar teses, dissertações e artigos provenientes dessas diferentes áreas, sobre temas e autores centrais para o pensamento social brasileiro, entre eles:

Alberto Torres
André Rebouças
Antonio Candido
Caio Prado Jr.
Carlos Chagas
Celso Furtado
Euclides da Cunha
Florestan Fernandes
Gilberto Freyre
Guerreiro Ramos
Joaquim Nabuco
Mário de Andrade
Monteiro Lobato
Oliveira Vianna
Raymundo Faoro
Sérgio Buarque de Holanda
Sílvio Romero



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

"The Met" libera milhares de imagens


A partir de agora todas as imagens de obras de domínio público da coleção do Met (The Metropolitan Museum of Art/New York) estão disponíveis sob licença Creative Commons Zero (CC0), ou seja, se você é artista, designer, educador,  estudante, profissional ou apenas por hobby, agora tem mais de 375 MIL imagens de obras de arte da coleção para usar, compartilhar e remixar - sem restrições. Esta mudança de política de Open Access é um importante marco na evolução digital do Met.

Visite: www.metmuseum.org/art/collection


Pintura: "A Crucificação", Pietro Lorenzetti (1340), Tempera e folhas de ouro em madeira.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Estadão.com.br lança novo portal de Educação

Blogs produzidos por especialistas da área e por mais de 50 escolas ganham destaque; leitores terão mais facilidade para encontrar matérias de serviço

Estadão

O estadão.com.br acaba de colocar no ar seu novo portal de Educação. O objetivo é apresentar para o leitor o conteúdo de forma mais organizada e dinâmica.

Cobertura do estadão.com.br abrange educação infantil, ensinos fundamental e médio e superior

O portal .Edu destaca no topo as notícias mais importante e o projeto Blog dos Colégios, que reúne conteúdo feito por mais de 50 instituições, entre elas os colégios Bandeirantes, Oswald de Andrade, Equipe, Palmares, Elvira Brandão, Ítaca, Liceu de Artes e Ofício de São Paulo e Escola da Vila. Também ganharam destaque os blogs de Educação, como os produzidos por Ana Maria Diniz, presidente do Instituto Península, que mantém o Instituto Singularidades; pelo Movimento Todos Pela Educação; e pelas consultoras Andrea Tissenbaum, que auxilia quem sonha em estudar no exterior, e Paula Braga, que trabalha com foco em MBA, entre outros.

Há ainda um espaço fixo para as matérias de serviço, como as que apresentam datas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e do Programa Universidade Para Todos (ProUni), além de cursos e vestibulares.

Outra novidade é a parceria do estadão.com.br com o Jornal da USP, produzido pela Universidade de São Paulo (USP). 

As reportagens do suplemento impresso Estadão.Edu, que traz reportagens sobre ensino superior, também terão um espaço fixo a partir de agora.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Coleções digitais do Museu do Holocausto


“Nunca me esquecerei daquela noite, a primeira noite de campo, que fez minha vida uma noite longa e sete vezes aferrolhada. Nunca me esquecerei daquela fumaça.

Nunca me esquecerei dos rostos das crianças cujos corpos eu vi se transformarem em volutas sob um céu azul e mudo.

Nunca me esquecerei daquelas chamas que consumiram minha fé para sempre. Nunca me esquecerei daquele silêncio noturno que me privou por toda eternidade do desejo de viver.

Nunca me esquecerei daqueles momentos que assassinaram meu Deus, minha alma e meus sonhos, que se tornaram deserto.

Nunca me esquecerei daquilo, mesmo que eu seja condenado a viver tanto tempo quanto o próprio Deus. Nunca.”


Eli Wiesel, em "A Noite"


Conheça um pouco mais deste passado tenebroso da humanidade, visitando as coleções digitais do Yad Vashem - Museu do Holocausto. O projeto de preservação da memória do Holocausto começou em 1953, com objetivo de perpetuar a memória das vítimas do holocausto e documentar a história do povo judeu durante o holocausto, de forma que seja lembrada por gerações futuras. 


Coleções digitais:

- Banco de dados central dos nomes das vítimas do Shoah
- Arquivo de fotos online
- Base de dados dos "justos"
- Arquivo de documentos
- Biblioteca Yad Vashem 
- Base de dados de filmes do Centro Visual
- Base de dados de listas relacionadas ao Shoah 
- Shoah (Holocausto) Dados de deportação


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

História do Brasil é contada em documentos, imagens e mapas

Versão digital da Biblioteca Nacional é ampliada para se tornar um ‘Google da memória nacional’

Roberta Pennafort | O Estado de S.Paulo

Enquanto tenta atacar os problemas de seu prédio centenário, que está em obras para a recuperação da fachada e segue com ar condicionado claudicante, a Biblioteca Nacional investe em sua vertente na internet. Criada há dez anos, a BN Digital (https://bndigital.bn.gov.br) reúne hoje 15 milhões de documentos, entre fotografias, mapas, documentos oficiais e edições de jornais e revistas. A coleção inclui as obras raras do acervo, cujo núcleo original foi trazido em 1808 por d. João VI ao Rio, e hoje é acessado online por pesquisadores de todo o mundo.

Obras na Biblioteca Nacional no centro do Rio

Voltada à preservação da memória documental brasileira, a maior biblioteca digital do País tem coleções que começaram a ser escaneadas em 2001, no próprio prédio da Cinelândia, e que hoje estão em domínio público (em sua maioria). O usuário, que no passado só tinha contato com o acervo presencialmente, pode baixar os arquivos em alta resolução, para usá-lo em pesquisas acadêmicas, trabalhos escolares ou outros fins. Até em telas de celulares é possível ter boa visualização. 

O material é preparado para ir para a internet por digitalizadores, bibliotecários, historiadores e arquivistas da BN. A relevância e vastidão do conjunto é tamanha que ele integra o Programa Memória do Mundo, da Unesco. O projeto identifica documentos importantes para a preservação da história da humanidade. Este ano, a capacidade de armazenamento, de 320 terabytes, será dobrada.

“Queremos que a BN Digital seja um Google da memória brasileira, reunindo todos os acervos memoriais do Brasil”, diz a presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Helena Severo. Ela cita instituições parceiras que participam da coleção Brasiliana Iconográfica, a ser disponibilizada no segundo semestre (Instituto Moreira Salles, Pinacoteca de São Paulo, Itaú Cultural e Museus Castro Maya). 

A navegação na BN Digital é simples, e o zoom permite a observação de detalhes de documentos. “Na foto da missa campal que comemorou a Abolição da escravidão, em 1888, a ampliação permite que sejam vistos os rostos da Princesa Isabel, do Conde D’Eu e de Machado de Assis”, exemplifica a coordenadora da BN Digital, Angela Bettencourt, que trabalha com a modernização do acesso ao acervo desde 1983. “Não há acervo que conte a história do Brasil através de documentos, manuscritos e fotos como este.” As pesquisas chegam a 500 mil por mês.

Um exemplar da Bíblia de Mogúncia, impressa em 1462 por Gutenberg na Alemanha, está lá, como a carta de abertura dos portos brasileiros às nações amigas, assinada por d. João VI em 1808, e o maior conjunto de periódicos do Brasil, a Hemeroteca Digital Brasileira, que tem desde o primeiro exemplar do primeiro jornal impresso no território brasileiro, a Gazeta do Rio de Janeiro, de 10 de setembro de 1808. São cerca de 14 milhões de páginas de 5 mil veículos. 

Como a BN faz registro de direitos autorais de obras intelectuais desde 1898, seu acervo tem preciosidades, como a partitura original do “tango carnavalesco” Pelo Telefone, de Donga e Mauro Almeida, de 1916, considerado o primeiro samba registrado no Brasil, e manuscritos de compositores como Carlos Gomes e Ernesto Nazareth, entre muitos outros. Outro tesouro é a Coleção Thereza Christina, de 21.742 fotografias, formada por d. Pedro II no século 19. A coleção constitui um painel das primeiras décadas da história da fotografia, técnica da qual o imperador era entusiasta.

Parte desse acervo hoje está exposta ao calor que faz no prédio da BN, cuja sede não conta com refrigeração em todos os seus cinco andares. Para amenizar as altas temperaturas, que tornam os dias de verão desagradáveis para funcionários e usuários desde que o sistema de ar condicionado começou a falhar, há seis anos, a presidente, no cargo há cinco meses, determinou o conserto emergencial de 45 aparelhos portáteis. 

O sistema de ar da BN tem cerca de 30 anos de uso e a manutenção não é eficiente. Em dias de sensação térmica de mais de 40 graus nas ruas, não dá conta. Servidores classificam o cenário como “limite”. 

“A situação não é ideal, mas também não é catastrófica. Há áreas razoavelmente frescas e outras que estavam como uma estufa, e estamos tentando amenizar. Não quero criar falsas expectativas”, pondera a presidente. Ela acredita que só em 2019 o edifício, datado de 1910 e tombado, estará todo adequadamente refrigerado.

A fachada, que chegou a sofrer perda de reboco anos atrás, está em obras. O interior do prédio vai sofrer intervenção na parte elétrica, para que o sistema do ar seja redimensionado – a licitação deve estar pronta no mês que vem. Além dessas reformas e dos investimentos da BN Digital, estão no horizonte a adequação do galpão que a BN tem na zona portuária, para onde a hemeroteca deve ser transferida, um incremento da participação da BN em feiras literárias internacionais e a organização de cinco grandes exposições em sua sede, que deem visibilidade ao acervo. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Bíblia de Gutenberg é disponibilizada on-line

O livro é o primeiro impresso no Ocidente e joia do patrimônio universal (foto: JOHANNA LEGUERRE)

O livro é conservado na Biblioteca Nacional da França e agora está disponível gratuitamente para consulta no Gallica, biblioteca digital da instituição

por AFP | uai

Primeiro livro impresso no Ocidente e joia do patrimônio universal, a Bíblia de Gutenberg conservada na Biblioteca Nacional da França (BnF) está agora disponível gratuitamente para consulta no Gallica, a biblioteca digital da instituição. 

"Os dois exemplares conservados na BnF podem ser consultados a partir de agora no Gallica", afirmou a instituição nesta segunda-feira em um comunicado. 

"Foi adicionado um sumário para facilitar a navegação no texto bíblico e satisfazer as necessidades dos pesquisadores e dos curiosos", acrescentou. 

Digitalizados em alta definição, os dois raros exemplares da Bíblia de Gutenberg (só restam cerca de 50 no mundo) foram impressos na primeira prensa de tipos móveis de Gutenberg, em Mogúncia, em torno de 1455.

O primeiro (em quatro volumes) é um dos muito raros e prestigiosos exemplares completos impressos em pergaminho, magnificamente ilustrado na época da produção do livro.

O segundo (em dois volumes), impresso em papel, é de grande importância histórica, apesar da sua aparência mais modesta (as primeiras páginas estão faltando). Apresenta uma nota manuscrita datada de 1456, que certifica a data em que a impressão da Bíblia foi concluída, uma das poucas informações cronológicas conhecidas sobre o trabalho de Gutenberg.

Cada página, enriquecida com iluminuras delicadas, contém duas colunas de 40 linhas, no início, e de 42 depois. A tipografia reproduz as letras góticas dos copistas de Mainz do século XV. Trata-se da versão da Bíblia mais comum da época, a edição da Vulgata, traduzida para o latim por São Jerônimo e moldada pela Universidade de Paris no século XIII.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Livre para todos: Biblioteca Pública de Nova York disponibiliza 180 mil arquivos para uso indiscriminado


A coleção inclui uma enorme quantidade de imagens digitalizadas em alta definição de domínio público, textos de poesia épica do século XI e manuscritos de mestres literários como Walt Whitman, Henry David Thoreau e Nathaniel Hawthorne, documentos e correspondências dos Pais Fundadores como Alexander Hamilton, Thomas Jefferson e James Madison e manuscritos com iluminuras medievais e renascentistas da Europa Ocidental.




CIA disponibiliza online 12 milhões de documentos que já foram secretos


Se é fã de História ou quer colocar algumas teorias de conspiração à prova, pesquise a base de dados disponibilizada pela CIA e consulte documentos que entre as décadas de 1940 e 1990 foram considerados secretos.

Paulo Matos |Exame informática (Portugal) 

Temas como crimes de guerra do nazismo, OVNIs ou telepatia despertam-lhe interesse? Então visite este site da CIA. É que a agência norte-americana colocou online 12 milhões de documentos que foram considerados secretos entre as décadas de 1940 e 1990.

A ideia inicial para este projeto partiu de Bill Clinton, que, em 1995, ordenou que todos os documentos com mais de 25 anos com valor histórico deveriam perder a classificação de “secretos”. A CIA cumpriu a diretiva, mas não facilitou a divulgação pública, já que obrigava os interessados a pesquisarem e a lerem a documentação em Washington, revela o Engadget.

Em 2000, a agência disponibilizou uma base de dados eletrônica intitulada CREST, que ajudava no processo de pesquisa, mas a consulta ainda tinha de ser feita pessoalmente na capital. Uma organização jornalística sem fins lucrativos, chamada MuckRock, chegou a avançar com um processo contra a CIA em 2014 para pressionar a divulgação online dos documentos, mas a entidade argumentou que precisaria de seis anos para digitalizar tudo.

No ano passado, a CIA concordou finalmente em colocar a informação online e agora cumpriu a promessa. Não espere encontrar revelações bombásticas, mas pode consultar informações sobre a fuga de criminosos de guerra da Alemanha nazista, o túnel de Berlim que serviu para espiar os russos ou a crise dos mísseis de Cuba, por exemplo.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A biblioteca de meio bilhão de dólares que cuidará do legado de Obama

Arquitetos planejam espaço com tecnologia de ponta para entreter visitantes

Mariana Santos
De Chicago (EUA) para a BBC Brasil

Documentos e objetos referentes aos oito anos de mandato do democrata estão sendo transportados há meses para um depósito, mas a construção da biblioteca que levará o nome do primeiro presidente negro americano e que abrigará esses arquivos só ganhará impulso a partir de sua saída da Casa Branca.

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Distante da Presidência, o habilidoso levantador de fundos Obama deve concentrar esforços em conseguir recursos para a obra, que, além da biblioteca, contará com museu e área para eventos.

E o primeiro ano após deixar o cargo, dizem especialistas, será crucial para esta empreitada.

Tecnologia de ponta

Previsto para ser um espaço com tecnologia de ponta para entreter os visitantes, o prédio será erguido na região sul de Chicago a um custo estimado pela imprensa americana em pelo menos US$ 500 milhões (R$ 1,6 bilhão), com alguns falando em até US$ 1 bilhão (R$ 3,2 bilhões).

Mas Obama não vai começar a campanha de arrecadação do zero. Discreta, a articulação para tocar o projeto da biblioteca presidencial começou ainda no início de seu segundo mandato.

Em janeiro de 2014 o presidente criou a Fundação Barack Obama, que passou a arrecadar fundos em seguida.

Mas em seus dois primeiros anos de existência, a fundação conseguiu levantar tímidos US$ 7,5 milhões - os valores doados em 2016 ainda não foram revelados. A expectativa é, no entanto, que essa quantia dispare no momento em que ele deixar a Presidência.
Martin Nesbitt, diretor da fundação e amigo de Obama, explicou em julho passado que, enquanto o democrata estivesse no cargo, as doações teriam valores limitados e ficariam reduzidas a um "pequeno grupo de amigos e apoiadores de longa data do presidente".
A partir de agora, a fundação poderá aceitar doações de empresas e pessoas físicas e jurídicas estrageiras. Entre os principais doadores da biblioteca devem estar os mesmos entusiastas das duas campanhas de vitoriosas de Obama.


Fundo para manutenção
Para Anthony Clark, pesquisador e autor de The Last Campaign (A Última Campanha; 2015), sobre bibliotecas presidenciais nos Estados Unidos, ex-presidentes americanos também usam os centros que levam seus nomes como uma "plataforma para o período pós-presidência".

Para Clark, o atual conceito das bibliotecas desvirtua a ideia inicial de Roosevelt: ter um espaço para preservar documentos durante um período de guerra.

De fato, ao longo dos anos, as bibliotecas foram se tornando mais monumentais, complexas e onerosas. O Obama Presidential Center contará, por exemplo, com uma biblioteca digital, instalações modernas e equipamentos de ponta.

Já na Biblioteca e Museu Ronald Reagan, uma das atrações é exposição do Air Force One, o avião usado pelo ex-presidente durante seu mandato.

Outro problema apontado por Clark é o custo de manutenção dos centros. Atualmente, o governo americano gasta cerca de US$ 70 milhões por ano com as bibliotecas presidenciais, que, após construídas, precisam ser doadas ao governo.

A fim de garantir recursos para manter esses centros no futuro, a lei prevê que as fundações devem repassar 60% - eram 20% até George W. Bush - de todas as doações para um fundo de reserva. Mas, segundo o especialista, há maneiras de driblar a legislação e entregar valores bastante inferiores ao estipulado no papel.

Ele explica que, embora as bibliotecas também arrecadem recursos por meio de bilhetes de entrada e promoção de atividades, em algumas, especialmente as de ex-presidentes mais antigos ou pouco populares, o número de visitantes cai ano a ano.

Site disponibiliza gratuitamente a maior biblioteca de partituras do mundo

No acervo é possível encontrar obras de compositores renomados, como Johann Sebastian Bach

O Projeto Biblioteca Internacional de Partituras Musicais (International Music Score Library Project - IMSLP) foi desenvolvido com o objetivo de criar um acervo digital e virtual de partituras de domínio público, mas também está aberto às obras de compositores contemporâneos que pretendam compartilhar as suas criações musicais de forma livre e gratuita.

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O IMSLP está no ar desde 2006, e reúne mais de 42 mil partituras de 19 mil obras, e mais de 2500 compositores. Com isso, recebe o título de maior coleção de música de domínio público da internet.

Algo que chama bastante a atenção na biblioteca virtual é o fato de ter a obra completa de Johann Sebastian Bach em seus arquivos, bem como todos os trabalhos de Frédéric Chopin, Johannes Brahms, Georg Friedrich Händel e grande parte das composições de Franz Liszt, entre outros músicos de renome.

Além das partituras em si, o IMSLP oferece a enciclopédia musicológica, já que possui inúmeras edições históricas de uma mesma composição, com análises e comentários que acompanham as partituras.

Enfim o IMLSP, é oficialmente recomendado pelo Instituto de Tecnologia De Massachusetts (MIT), já que o mesmo utiliza de forma ampla em alguns dos seus cursos o conteúdo bibliográfico apresentado no seu acervo.

Para acessar o site do IMSLP, clique aqui.

via Secretaria da Educação SP

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

ABL disponibiliza acesso aos manuscritos originais de Machado de Assis


Pesquisadores, estudantes e o público em geral, no Brasil e no mundo, podem, a partir de agora, acessar, por intermédio da internet, os manuscritos originais de dois romances e de um poema de seu fundador e primeiro Presidente, Machado de Assis.

O Arquivo Múcio Leão, da Academia Brasileira de Letras (ABL), dirigido pelo Acadêmico e historiador José Murilo de Carvalho, disponibilizou, on line, no site da Instituição, os documentos que, antes, somente podiam ser consultados nos terminais de computadores instalados em sua sede.

Os documentos mostram o processo criativo do autor, inclusive as correções nos textos, assim como mudanças dos nomes de determinados personagens. Isso, agora, pode ser constatado pelos interessados, de suas casas ou trabalho, em seus próprios equipamentos, sem a necessidade de comparecer ao Arquivo da Academia.


Veja o passo a passo para acessar os Manuscritos:

1. Acervos ABL/Acervo Arquivístico: Selecionar a opção ARQUIVO: Arquivo Machado de Assis/Clicar no item ACAD Textual;

2. Memória da ABL/Arquivo/Consulta ao Acervo Arquivístico: Selecionar a opção ARQUIVO: Arquivo Machado de Assis/Clicar no item ACAD Textual.

Brasil e Portugal compartilham acervos históricos raros


A documentação abrange um período grande, tornando-se uma fonte preciosa para pesquisadores. Cerca de 300 mil documentos relativos à administração do Brasil Colônia foram digitalizados e estão disponíveis na Biblioteca Digital Luso-Brasileira.

Mundo Lusíada 

Unidos pela História, Brasil e Portugal também estão juntos no mundo virtual, acompanhando os novos tempos. A Biblioteca Digital Luso-Brasileira reúne acervos relevantes sobre a história comum dos dois países, provenientes das bibliotecas nacionais do Brasil e de Portugal. Criado em 2014, o portal conta com mais de 60 mil títulos, correspondendo a cerca de 13 milhões de imagens de materiais bibliográficos em domínio público, de todas as épocas e gêneros.

De acordo com Vinicius Pontes Martins, coordenador da Rede da Memória Virtual Brasileira, da Biblioteca Nacional, ao longo do tempo, os acervos acabaram ficaram fragmentados e a tecnologia permitiu que eles fossem reintegrados, em uma nova organização.

“O portal reúne acervos que estão dispersos pela própria natureza de expansão das nações. Tanto a biblioteca do Brasil quanto a de Portugal são cabeças de rede, ou seja, agregam acervos digitais de outras instituições. Quando a Biblioteca Digital Luso-Brasileira surgiu, já tinha acervo de mais de 50 instituições brasileiras e portuguesas. A documentação abrange um período muito grande, tornando-se uma fonte preciosa de informações para pesquisadores. Temos mais de 100 mil acessos por mês ao portal”, conta o coordenador.

Entre os destaques do portal estão várias versões de Os Lusíadas, de Luís de Camões, obra máxima da literatura portuguesa. Outro acervo importante é o do Projeto Resgate, uma iniciativa dos ministérios brasileiros da Cultura e das Relações Exteriores por ocasião dos 500 anos da chegada de Pedro Álvares Cabral.

De acordo com Martins, pesquisadores foram ao Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa, e reproduziram em microfilme toda a documentação relativa ao Brasil que estava guardada na instituição. Cerca de 300 mil documentos relativos à administração do Brasil Colônia foram digitalizados e estão disponíveis na Biblioteca Digital Luso-Brasileira.

Helena Simões Patrício, diretora de Serviços de Coleções Especiais da Biblioteca Nacional de Portugal, ressalta que a iniciativa permite dar maior visibilidade aos conteúdos disponibilizados por entidades portuguesas, que correspondem a mais de 130 mil documentos e já que ultrapassam dois milhões de imagens digitais.

“Com efeito, a disponibilização dos conteúdos digitais produzidos pela Biblioteca Nacional de Portugal e pelos membros do Registo Nacional de Objetos Digitais (RNOD) em serviços coletivos de acesso, como é a Biblioteca Digital Luso-Brasileira, aumenta a sua visibilidade na Internet, pois ficam disponíveis num maior número de sistemas, propiciando novos serviços para a descoberta, relacionamento e utilização desses recursos”, afirma Helena.

“Por outro lado, a possibilidade de pesquisar e aceder em simultâneo aos conteúdos das mais de 30 entidades que participam do portal permite o relacionamento e uma contextualização mais rica desses recursos. Esta iniciativa visa, ainda, a coordenação de iniciativas, sobretudo com a Biblioteca Nacional do Brasil, para evitar a dupla digitalização dos mesmos conteúdos, sobretudo no que concerne à digitalização em massa de mais de 15 milhões de imagens de jornais”, completa.

Um dos objetivos no momento, conta Martins, é expandir o acervo do portal, agregando conteúdo de outros países de Língua Portuguesa. “Nossa meta é conseguir a adesão de outros países, mas, para isso, eles têm que avançar nos padrões de digitalização. Brasil e Portugal estão na frente nesse processo. Moçambique e Angola estão interessados em participar. Nós tentamos ajudar prestando assessoria técnica. Esperamos que, ao longo deste ano ou do próximo, a gente consiga ter mais adesões. A Biblioteca Digital Luso-Brasileira é um agregador de conteúdos digitais relevantes para a lusofonia”, completa o coordenador.