domingo, 16 de dezembro de 2018

'Redes sociais deixam sociedade mais vulnerável'

Em livro, cientista diz que propagandas alimentam a intolerância e a falta de informação e recomenda deletar redes

Por Bruno Romani  - O Estado de S.Paulo


Jaron Lanier escreveu livro sugerindo abandono de redes sociais

Para algumas pessoas, a promessa de ano-novo não é perder peso ou parar de fumar, mas sim largar as redes sociais. O cientista da computação, escritor e filósofo da tecnologia Jaron Lanier pode dar uma ajuda com isso. Com a autoridade de quem na década de 1980 cunhou o termo “realidade virtual” e acabou contribuindo para que pessoas se conectem em mundos virtuais, ele oferece argumentos para deixar de vez o Facebook e afins. 

Em Dez Argumentos para Você Deletar Agora as Suas Redes Sociais (Editora Intrínseca, R$ 34,90), lançado em maio nos Estados Unidos e em novembro no Brasil, Lanier estrutura seu argumento contra as redes sociais no modelo de negócios baseado em anúncios publicitários. Segundo ele, as propagandas são usadas para manipular as pessoas, o que resulta na perda de empatia, no aumento da intolerância e na falta de informação – além do impacto negativo na felicidade e na capacidade econômica da sociedade.

O Estado conversou com ele para saber se as redes sociais, ou os usuários dela, têm salvação. A seguir, trechos da entrevista. 

Estadão: A sociedade está doente por conta das redes sociais?

Jaron Lanier: Sim. A sociedade sempre esteve doente. As sociedades sempre foram violentas e escolheram políticos ruins. Frequentemente, as sociedades entram em guerra civil. Todas essas coisas sempre existiram. As mídias sociais não estão inventando esses problemas, mas estão deixando a sociedade mais vulnerável. Na rua, existe todo tipo de vírus, bactéria e agentes de doenças. Se tem uma coisinha errada com você, como não ter dormido direito ou estar muito estressado, você pode ficar doente. É o que acontece com as redes sociais. A maneira como as sociedades ficam doentes é tradicional. Em todo o mundo, quando há uma tendência de redução de violência e de tensões civis, ela é revertida assim que propriedades do Facebook surgem, como o WhatsApp. As mídias sociais deixam a sociedade vulnerável a problemas que poderia evitar. 

É possível tornar as redes sociais melhores?

Sim. Tem de mudar o modelo de negócios. Eles precisam determinar um prazo, tipo: em três anos não aceitaremos dinheiro de anunciantes e isso nunca acontecerá de novo. Vamos mudar para um modelo de assinatura ou de pagamento conforme você usa, ou de micropagamentos. E assim o usuário não seria o produto. Se não mudar o modelo de negócios, não há esperança.

As redes deveriam ser pagas e livres de propagandas?

Acredito que as pessoas deveriam pagar pelo serviço e também receber por suas contribuições quando alguma delas se populariza. Isso poderia fazer a economia crescer e beneficiar muita gente. As redes sociais deveriam ser livres de propagandas e pagas por aqueles que podem pagar. Deveria existir também uma maneira de acomodar aqueles que não podem pagar. Acredito que isso pode ser feito facilmente. Veja a Netflix. As pessoas pagam, mas elas podem encontrar versões piratas e gratuitas dos filmes a qualquer hora. Só que a experiência é melhor quando é paga. Isso significa que até agora, a Netflix não tem sido tão ruim quanto o YouTube, que espalha propagandas. É um modelo que funciona e serve como exemplo. 

O WhatsApp não opera com algoritmos. O sr. o considera uma rede social?

O WhatsApp tem mudado gradualmente e se assemelhando mais com uma propriedade do Facebook. Os fundadores saíram de lá em protesto. Quando o WhatsApp começou, as pessoas estavam lá compartilhando mensagens. Porém, ele mudou para ter uma estrutura mais voltada à personalização de comunicação e preparada para planos de negócios que usam os dados das pessoas. Assim que a arquitetura passou a suportar isso, abriu as portas para agentes nocivos e sofisticados.

Existe alguma rede social que o sr. recomenda?

Não tenho nenhuma conta, porque não acho que há redes sociais boas o suficiente. Uma maneira de medir se uma rede social é boa ou não é se ela está sendo usada pelos agentes de Vladimir Putin para manipular eleições ou sociedades. Se você utilizar esse teste, você diria que todas as propriedades do Facebook são terríveis, que o Twitter é terrível, você diria que o Reddit é terrível, você diria que o YouTube é terrível (risos). Porém, há uma série de outras que os agentes parecem não ter encontrado uso. Isso significa que ou os agentes não ligam ou essas redes não se tornaram terríveis. O Snapchat talvez não seja terrível. O LinkedIn não parece ser tão ruim, embora tenha sido criticado de outras maneiras. Mas não existe nenhuma da qual eu gostaria de fazer parte.

Deixar as redes, segundo Lanier

1. Manipulação. As redes sociais são usadas para alterar e manipular o comportamento das pessoas, que, assim, perdem o livre-arbítrio sem perceber. Um exemplo é como os algoritmos por trás desses serviços percebem que o usuário gosta de determinado produto ou assunto e, a partir disso, começam a bombardeá-lo com propagandas que sutilmente tentam convencê-lo a consumir, mesmo que isso não seja uma prioridade

2. Vício. As redes são viciantes, especialmente por conta de como as pessoas sentem prazer por meio de curtidas e seguidores. Com isso, elas mudam seu comportamento para continuar recebendo atenção. 

3. Agressividade. Tornam as pessoas mais agressivas, trazendo para a superfície o que seria seu lado mais “babaca” – e nem pessoas aparentemente gentis estariam livres do problema.

4. Empatia menor. As redes reduzem a empatia que as pessoas sentem umas pelas outras, pelo fato de oferecerem conteúdo personalizado e impedirem de saber o que o outro usuário está vendo

5. Debates inúteis. A falta de um conteúdo comum torna qualquer debate uma conversa sem sentido, pois um usuário não consegue enxergar o contexto de onde parte o ponto de vista de outro. Tudo isso somado explicaria como qualquer assunto em rede social tem potencial para acabar em bate-boca.

6. Notícias falsas. As redes são uma ferramenta poderosa para a disseminação de notícias falsas, com muitas contas falsas e pessoas que não existem, alterando a percepção da realidade – com robôs agindo nas redes sociais em volume gigantesco, a realidade passaria a ser moldada por agentes que não têm uma percepção legítima do mundo. 

7. Política impossível. Sem debates e com chuva de notícias falsas, torna-se impossível fazer política. Lanier cita como exemplo as eleições presidenciais nos EUA, onde as redes tiveram papel fundamental na eleição de Donald Trump

8. Discriminação. As redes permitem que grupos racistas, xenófobos, machistas, etc, se organizem e ataquem iniciativas legítimas para combater esses males

9. Efeito econômico. Redes têm um impacto negativo na economia, já que apenas alguns influenciadores, além das próprias redes, vão faturar com as participações e contribuições de todos os usuários. Enquanto isso, pessoas como artistas e tradutores, entre outros, terão uma vida cada vez mais difícil, conforme os algoritmos das redes se tornam cada vez mais sofisticados

10. Metafísica. De acordo com Lanier, as redes odeiam a sua alma

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Último jornal crítico ao chavismo deixa de ser impresso na Venezuela


O diário "El Nacional", que enfrentava falta de papel, fuga de anunciantes e pressões do governo venezuelano terá apenas uma versão online;empresa já não tinha condições de fazer reajustes salariais e todos os funcionários recebiam um salário mínimo.

O diário venezuelano El Nacional levou nesta sexta-feira, 14, às bancas sua última edição impressa. Último grande jornal crítico ao chavismo se dedicará apenas à sua versão online por não ter mais acesso a papel-jornal, insumo que tem a venda controlada pelo governo da Venezuela, e por ter os recursos severamente restritos pela crise econômica e pela perseguição estatal. 

A redação do Nacional está cheia de cadeiras e mesas vazias. Os jornalistas que restaram sofrem com a falta de internet, ocasionalmente cortada pelo governo, e com a incapacidade da empresa de repor as perdas salariais causadas pela inflação. 

Um dos últimos reajustes do salário mínimo anunciado pelo governo, em setembro, previa um aumento de 3.600%, subsidiado em parte pelo chavismo. O Nacional não aceitou por temer que o benefício fosse vinculado a uma mudança na linha editorial do jornal. Com isso, todos os salários da empresa foram reduzidos. "Do repórter ao diretor, todos ganham a mesma coisa", diz o vice-diretor de redação Argenis Martínez. "Todo mundo aqui ganha o salário mínimo. É bem comunista", ironiza. Na Venezuela de Maduro, o salário mínimo compra apenas 8% da cesta básica mensal.

Ao diário espanhol ABC, o diretor do Nacional, Miguel Henrique Otero, disse que o diário conseguiu uma sobrevida graças à "solidariedade" de outras publicações, que repassavam papel-jornal à empresa. Nos últimos anos, com a crise econômica, a situação se tornou insustentável. 

No último mês, o jornal já tinha deixado de circular aos sábados e às segundas-feiras, não encontrava mais anunciantes e já não conseguia pagar salários. "Fomos perseguidos por 15 anos", disse Otero. "Conseguiram silenciar rádios, TVs e fizeram desaparecer os jornais impressos independentes."

Ainda de acordo com ele, além de vetar o papel-jornal, o chavismo usou outros meios para intimidar a publicação e seus jornalistas, incluindo a ação de milícias armadas, que diversas vezes agrediram funcionários do Nacional. 

Otero lista também como intimidação multas impostas pela Justiça e a pressão do chavismo sobre anunciantes privados, que tinha o objetivo de asfixiar financeiramente a empresa. Com isso, a receita com publicidade caiu. Neste ano, o jornal, que completou 75 anos, tinha uma tiragem que não superava 10 mil exemplares em uma edição que caiu de 72 páginas para apenas 16.

Otero trocou a Venezuela pela Espanha em 2015, pouco depois de ser acusado de difamar o governo. Diosdado Cabello, um dos líderes do chavismo, ameaçou tomar o jornal caso ele não pagasse as multas por "dano moral", no valor de 10 mil euros.

Desde que Nicolás Maduro assumiu, em 2013, o chavismo ampliou sua estratégia de hegemonia nas comunicações, iniciada no governo Hugo Chávez. Nos primeiros 14 anos, o foco foi ampliar os veículos públicos alinhados ao governo e o cancelar concessões de canais críticos - como a RCTV, em 2007. 

Agora, sob o atual presidente, empresários aliados do governo compraram veículos com cobertura independente. Foi o caso do canal Globovisión, comprado por Raúl Gorrín, hoje investigado pela Justiça americana por lavagem de dinheiro, e o tradicional diário El Universal. 

A ONG Espaço Público, que trabalha pela liberdade de imprensa, estima que, desde que Maduro assumiu o poder, mais de 50% dos jornais fecharam. Nos últimos dois anos, 52 estações de rádio saíram do ar e canais estrangeiros e correspondentes internacionais foram expulsos do país. 
A saída encontrada por muitos jornalistas foi fundar novos veículos online focados em investigação. O site Armando.info foi premiado internacionalmente por denunciar esquemas de corrupção. Seus fundadores, no entanto, tiveram de fugir da Venezuela.

via O Estado de S. Paulo

Revista Impressa e a Confiabilidade


Patrícia Buche | 100 Fronteiras

O ano de 2018 foi marcado por muitas fake news (notícias falsas) e, infelizmente, por conta da internet, a disseminação dessas notícias foi muito mais rápida. Um exemplo disso foram as inúmeras informações relacionadas às eleições presidenciais que comprovaram as consequências de produzir e também repassar conteúdos falsos.

No início deste ano, a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) havia adotado uma campanha da MPA (Association of Magazine Media), com sede em Nova York, que tem como objetivo valorizar a mídia revista e sua capacidade de produzir, em diversas plataformas, conteúdo profissional, confiável e seguro – e alertar as pessoas sobre conteúdos falsos. Essa campanha é uma forma de ressaltar a importância das revistas impressas e a credibilidade que elas detêm na divulgação de informações.

E essa mesma associação – MPA – desenvolveu em 2015 uma pesquisa mostrando como a propaganda em revista impressa funciona. O estudo foi elaborado utilizando-se da neurociência, e foi concluído que nosso cérebro processa informações baseadas em papel de forma diferente da informação transmitida nas telas.

Uma varredura foi realizada em pesquisas publicadas nos últimos dez anos nas principais revistas, baseando-se nas ciências cognitivas – que compreendem a psicologia cognitiva, aprendizagem e desenvolvimento, linguística e antropologia, bem como o campo mais novo da neurociência – cujo foco no funcionamento interno do cérebro produziu insights importantes sobre o comportamento humano. Os resultados desta revisão de 150 artigos, livros e relatórios experimentais sugerem que:

- A leitura no papel é mais lenta e profunda (associada à análise, inferência e reflexão), enquanto a leitura na tela é mais rápida e dispersa.
- A leitura em papel se beneficia de uma atenção mais concentrada, menos distração e menos ansiedade relacionada à interrupção, multitarefa e carga cognitiva.
- A leitura em papel é amplamente associada a uma melhor transferência para a memória de longo prazo e compreensão mais clara.
- A memória e a compreensão da leitura em papel provavelmente são enriquecidas pela experiência multissensorial de segurar e manipular papel e o senso de posição efetuada pela fisicalidade da impressão.
- No caso de publicidade, a publicidade impressa ativa a atividade neural associada ao desejo e recompensa.
- Já com relação aos anúncios em revistas, a publicitária, empresária e professora Neve Góis destaca que eles criam um elo direto com um consumidor extremamente segmentado. - “Quando uma pessoa lê uma revista, sua atenção está totalmente focada, e hoje em dia atenção é o bem precioso de todos. A revista é um eco físico de espaço e tempo com o mundo e as pessoas, e por isso tem um valor físico e histórico, o que aumenta a credibilidade da empresa anunciante. Como é um veículo que mexe com a visão, com o olfato e o tato, o recall (memória) também é maior”, explica.

Uma pesquisa de 2015 da empresa de consultoria InfoTrends, especializada em mídia, mostra que as campanhas publicitárias que usam mídia impressa são as que dão melhores retornos:

- Somente aplicativos para dispositivos móveis – 6,6%

- Somente mídias sociais – 7,2%

- Somente impresso – 7,4%

- Aplicações impressas e móveis – 7,9%

- Somente e-mail – 7,9%

- Impresso e mídias sociais – 8,3%

- Impresso e e-mail – 8,8%

- Impresso, e-mail, mídias sociais e aplicações móveis – 9,5%


Mas não somente os anúncios, como também as reportagens e fotografias na revista impressa prendem a atenção dos leitores que se distraem enquanto buscam ficar bem informados. “Revistas são um deleite para os olhos, em suas páginas encontramos excelentes fotografias, soberbas ilustrações, tipografia sofisticada e uma criatividade gráfica sem nunca comprometer a eficácia da leitura, muito pelo contrário. As revistas são essencialmente visuais, a começar pela sua capa, geralmente um primor no domínio do design gráfico”, destaca a diretora-executiva da ANER, Maria Celia Furtado.

A força do impresso na era digital 

Apesar dos avanços na tecnologia e de muitas sondagens sobre o desaparecimento do impresso, estudos importantes ainda revelam a preferência pelo papel em vez da tela digital.

Segundo um relatório de 2017 da Wan-Iffra (Associação Mundial de Jornais), o tempo médio de leitura de jornais no meio digital é de 30 segundos, e o tempo de leitura na forma impressa é de 40 minutos.  Essa preferência, segundo o mesmo relatório, repete-se também entre os jovens que já nasceram na era digital, mas que ainda assim gastam 65% do seu tempo no impresso e apenas 35% no digital.

“Pesquisas recentes mostram que a mídia tradicional pode ser mais engajadora e que leitores tendem a registrar melhor a informação veiculada em revistas e jornais impressos do que a partir de conteúdo on-line e móvel. Essa declaração é de Martin Sorrell [fundador da WPP plc, o maior grupo de propaganda do mundo] e está sendo vista como uma guinada nos atuais rumos do mercado de mídia em todo o mundo, num momento em que a plataforma digital foi eleita como aposta para investimentos, projetos e publicidade. É muito importante que um dos maiores nomes da propaganda mundial faça esse reconhecimento da força da mídia impressa”, finaliza Maria Celia.

Mercado de revistas no mundo

Estados Unidos: o Magazine Media Factbook 2018-2019 da MPA relata que as 25 principais revistas impressas alcançam mais adultos e adolescentes do que os 25 principais programas de horário nobre. E, apesar das diferenças geracionais, o consumo de revistas é forte.

Reino Unido: a Publishers Audience Measurement Company (PAMCo), que foi lançada no início deste ano, mede 146 audiências da marca de mídia de revistas em todas as plataformas. Em 2017, 24,6 milhões de adultos liam diariamente notícias e 36 milhões liam mensalmente revistas.


Espanha:  entre junho de 2017 e junho de 2018, a audiência dos membros da mídia da revista ARI aumentou 19,8% em mídia impressa, digital, web, vídeo e social de acordo com o relatório ARI 360, de junho de 2018. Segundo o Relatório de Audiência de Marca da Revista de Mídia da MPA, o público total de todas as revistas aumentou 1,4% em relação ao ano passado, para 1,7 bilhão, provando que há uma enorme demanda dos consumidores por conteúdo de mídia.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Base de dados de projetos de jornalismo colaborativo está disponível em português e espanhol

Alessandra Monnerat | Knight Center

Jornalistas em países de língua espanhola e portuguesa agora podem acessar uma base de dados de jornalismo colaborativo em seus idiomas locais. O Center for Cooperative Media, da Montclair State University nos Estados Unidos, traduziu a plataforma que lista projetos de cooperação entre redações para que mais profissionais da América Latina possam se inspirar em seus exemplos.

A diretora do Center for Cooperative Media, Stefanie Murray, explica que, desde que a iniciativa foi criada, há dois anos, jornalistas de diversos países entraram em contato para pedir ajuda com seus próprios projetos de colaboração. A tradução é uma tentativa de oferecer recursos de apoio a pessoas fora dos Estados Unidos.

“A colaboração está se tornando comum fora dos EUA e, por isso, foi um passo natural traduzirmos nosso banco de dados para outros idiomas para ajudá-lo a crescer e se tornar útil para outros jornalistas”, disse Murray ao Centro Knight. “Dado o grande número de jornalistas de língua espanhola nos EUA e em todo o mundo, queríamos traduzir o banco de dados para o espanhol para começar”.

A base de dados reúne informações detalhadas sobre 176 projetos de jornalismo colaborativo. É possível ver exemplos das ferramentas e do financiamento utilizado em cada ocasião, além de entender o impacto gerado pelos trabalhos e conhecer os prêmios recebidos pelas colaborações.

A ideia é que o número de entradas aumente com a colaboração do público. Os formulários para adicionar novos projetos à base também foram traduzidos para o espanhol e para o português.

“Estamos confiantes de que ter esse recurso disponível em vários idiomas realmente nos ajudará a ampliar o banco de dados e fornecer suporte a projetos em todo o mundo”, disse Murray.

O trabalho de tradução ficou a cargo de Guilherme Amado, vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e repórter investigativo do jornal O Globo. Ele passou um ano pesquisando sobre colaborações como JSK Fellow, na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Lá, Amado percebeu que uma das principais barreiras para a cooperação entre redações é a cultural.


A base de dados de jornalismo colaborativo reúne informações sobre projetos entre redações, incluindo informação sobre financiamento e prêmios. (Screenshot) 

“Iniciativas como a da base de dados são essenciais, pois elas disseminam a cultura de colaboração no jornalismo com exemplos de colaborações bem sucedidas em diferentes escalas”, disse ele ao Centro Knight. “(Na América Latina) existe uma questão linguística. Existe um ‘Tratado de Tordesilhas’ que faz com que a colaboração (de países de língua espanhola) com o jornalismo brasileiro seja menos frequente”, acrescentou, em referência ao acordo que separava as Américas entre Espanha e Portugal.

Felizmente, o espírito colaborativo tem se tornado mais forte nas Américas, segundo Amado. Ele cita como exemplo as coalizões para combater desinformação, como o Projeto Comprova, do Brasil, e o Verificado2018, do México, além do mais recente trabalho transnacional do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), o Implant Files.

Para ele, esse movimento de maior colaboração foi incentivado por organizações como o Instituto Imprensa e Sociedade (IPYS, na sigla em espanhol). Amado acredita, no entanto, que a cooperação entre redações latino-americanas pode ir ainda mais longe, em escala local, nacional ou até continental. As vantagens, segundo o jornalista, são muitas: aumento na diversidade de vozes, melhora na qualidade e precisão da informação e redução de custos.

Há muitos temas na América Latina que podem ser base de colaborações transnacionais, como a Amazônia e até a música latina, diz Amado. “Essas histórias estão esperando jornalistas para contar”, disse. “Mas com a redução de verba dos grandes veículos, a chance de mandarem jornalistas brasileiros é muito menor. Mas a colaboração pode ser a resposta para contarmos bem as histórias que precisam de um ponto de vista internacional”.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

O 'Pirate Bay da ciência' continua a ser atacado pelo mundo


O Sci-Hub enfrenta mais uma onda de ataques — agora na Rússia.

Karl Bode | Vice

O Sci-Hub, um depósito de pesquisas pensado para dar acesso livre a dados científicos, teve seus domínios bloqueados na Rússia depois que um tribunal do país declarou que o site violava o direitos autorais de editores. Esse é o novo capítulo de uma guerra global.

Criado em 2011, o Sci-Hub é em grande parte ideia de uma mulher: a pesquisadora científica e hacker Alexandra Elbakyan. Apelidado de “Pirate Bay da ciência”, o repositório de pesquisas de Elbakyan é a solução dela para o problema desenfreado de paywalls e restrições de copyright que mantém pesquisas valiosas fora do domínio público. (Se você já tentou ler um estudo científico inteiro na internet, sabe do que estamos falando. É quase impossível achar um sem pagar.)

Quase como um tipo de rede de pesca online, o Sci-Hub atua com um script que baixa páginas em HTML e PDF da internet – incluindo dados bloqueados por paywall. Dar acesso grátis a mais de 48 milhões de artigos acadêmicos obviamente não agrada os editores tradicionais, que lucram mantendo acesso restrito ao seu conteúdo.

Em 2015, a editora holandesa Elsevier abriu um processo nos EUA contra Elbakyan por “ilegalmente acessar e distribuir documentos protegidos por direitos autorais”, resultando numa indenização de US$ 15 milhões. Editores também tiveram sucessos legais similar na Alemanha e Suécia, onde um provedor de internet sueco bloqueou o site da Elsevier, em protesto depois que tribunais ordenaram a censura de 20 domínios associados ao Sci-Hub.

Editores também tiveram sucesso na Rússia, onde tribunais recentemente ficaram do lado da editora acadêmica do Reino Unido Springer Nature Limited, que afirma que o Sci-Hub ter compartilhado três de seus trabalhos focados em saúde do coração e cérebro infringia leis de copyright.

Como resultado, o regulador russo Roskomnadzor ordenou que provedores de internet do país bloqueassem o acesso dos usuários a vários domínios do Sci-Hub e Library Genesis. Mas os usuários ainda podem achar alguns desvios e continuar acessando o material proibido, segundo especialistas em direitos autorais.

“O Sci-Hub sempre se mostrou melhor no jogo de gato e rato que os gigantes do monopólio editorial de ciência que ele mina”, disse o ativista e autor Cory Doctorow por e-mail para a Motherboard.

“Dito isso, a menos que sua ciência seja pública, isso não é ciência, é alquimia”, acrescentou Doctorow. “Com os grandes financiadores de ciência do mundo declarando guerra a editoras como a Springer, é bizarro que eles se foquem no Sci-Hub em vez de abordar o fato que o resto da comunidade científica acha que eles são parasitas inúteis e gananciosos.”

Enquanto Elbakyan diz que pode fazer domínios alternativos para contornar os bloqueios (até que os tribunais notem esses também), esses domínios também serão alvos para editores e tribunais.

“O domínio sci-hub.se funciona, mas por quanto tempo não tenho como saber. Portanto, para acessar o Sci-Hub, use ferramentas para contornar a censura da internet – que você pode procurar no Google ou usando o bot do Telegram: @scihubot”, Elbakyan disse nas redes sociais VK e Telegram.

Elbakyan argumenta que apenas oferece aos pesquisadores e ao público atalhos mais eficientes para ter acesso livre às pesquisas.

“O sistema precisa mudar para que sites como o Sci-Hub possam trabalhar sem problemas. O Sci-Hub tem um objetivo, mudar o sistema é um dos métodos para alcançá-lo”, Elbakyan escreveu num blog ano passado.

O problema dos ataques legais de editoras ao Sci-Hub é que eles só chamam mais atenção para a necessidade de acesso livre a esses dados (ou seja, o Efeito Streisand). Como resultado, vários conselhos de pesquisa europeus anunciaram recentemente uma esforço de publicação de acesso aberto visando abordar mais seriamente o problema.


Internet Archive, o sonho de criar uma biblioteca de Alexandria digital


A biblioteca de Alexandria foi um projeto enorme de 2.200 anos atrás proposto para concentrar todo o conhecimento da antiguidade, algo que agora no século XXI trata de replicar digitalmente a organização sem fins lucrativos Internet Archive fundada por um dos "pioneiros" da rede.

O Presidente e fundador do Archive, Brewster Kahle, que mergulhou no mundo virtual nos anos 80 e parte da Internet Hall of Fame, explicou que o compromisso que ele adquiriu nos primeiros anos desta tecnologia foi para construir uma biblioteca digital, na qual ele gerencia cerca de 150 pessoas entre funcionários e voluntários.

Em sua missão de ser um recipiente integral de conhecimento, o Archive é estruturado em seis seções diferentes: livros e textos digitais; gravações de áudio e música; vídeos; imagens; programas de software e páginas web. Para esta última seção, a organização desenvolveu uma tecnologia chamada "Wayback Machine" que periodicamente captura o conteúdo (aparência e interface) de páginas da Web em todo o mundo, armazena, organiza e as disponibiliza para todos. 

Atualmente, esta hemeroteca digital possui 330.000 milhões de sites armazenados em dezenas de servidores gigantescos. No Internet Archive, você também pode consultar ou até emprestar (como em uma biblioteca convencional, mas em formato digital) 20 milhões de livros e textos, muitos dos quais foram digitalizados pelos trabalhadores da organização. "Direitos autorais significam que muitos dos livros escritos durante o século 20 não são digitalizados ou estão disponíveis on-line", diz Brewster Kahle.

via Atlántico (Espanha)
Tradução livre

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Google cria aplicativo com todos os Vermeers do mundo

Tela 'Menina com brinco de pérola', de Vermeer Foto: MAURITSHUIS / NYT

As 36 obras conhecidas do pintor holandês estão disponíveis em realidade aumentada no celular

Nina Siegal / The New York Times
O Globo

Johannes Vermeer, artista que capturou a beleza tranquila da vida doméstica holandesa, não era um pintor prolífico: apenas 36 telas são reconhecidas como suas. Ainda assim, qualquer um que quisesse ver essas obras precisava fazer uma longa viagem passando por Nova York, Londres, Paris e além. Mas isso mudou.

O museu Mauritshuis, em Haia, que detém a obra mais conhecida de Vermeer, "Menina com brinco de pérola", fez uma parceria com o Google Arts & Culture para criar uma galeria virtual com todas as obras do artista.

Na abertura, aplicativo mostra museu virtual visto de cima Foto: MAURITSHUIS / NYT

Para o aplicativo, o Metropolitan Museum of Art contribuiu com imagens de todas as suas cinco obras-primas de Vermeer, enquanto a National Gallery of Art, em Washington, e o Rijksmuseum, em Amsterdã, oferceram quatro cada. Mais dois vieram do Louvre e três da Coleção Frick.

O Isabella Stewart Gardner Museum, em Boston, ofereceu uma imagem de "O Concerto", o Vermeer que havia desaparecido após ser roubado em 1990. Agora a tela poderá ser vista no Meet Vermeer, o museu digital. O aplicativo gratuito pode ser acessado por qualquer smartphone equipado com câmera.

— É um daqueles momentos em que a tecnologia faz algo impossível no mundo real, pois essas telas nunca poderiam ser reunidos — diz Emilie Gordenker, diretora do Mauritshuis.


Fotógrafo faz imagem de alta resolução de um quadro de Vermeer Foto: DRESDEN STATE ART MUSEUM / NYT

Ela explica que algumas das pinturas do século XVII eram muito frágeis para viajar, enquanto outras estavam em coleções particulares. E mesmo sob circunstâncias diferentes, seria improvável que todos os proprietários estivessem dispostos a compartilhar seus premiados Vermeers ao mesmo tempo.

As 18 coleções particulares e de museus que possuem as pinturas da Vermeer, no entanto, se mostraram dispostas a fornecer arquivos de imagem digital de alta resolução das telas para o projeto.

Vermeer, uma figura um tanto misteriosa que viveu e trabalhou em Delft, na Holanda, teria criado cerca de 45 pinturas durante uma carreira de quase duas décadas. Algumas teriam desaparecido.

Além das 36 obras que a maioria dos acadêmicos consideram autênticas, outras pinturas lhe foram atribuídas. Como o mundo da arte continua a debater a sua autoria, Gordenker disse que o museu virtual não as incluiria.

Quadro de Vermeer no Google Arts & Culture Foto: MAURITSHUIS / NYT

Embora muitas dessas imagens já estejam nos sites dos museus, Gordenker queria dar ao público a sensação do tamanho das pintutas entre si — algo difícil de transmitir em uma imagem plana na tela.

No aplicativo, a primeira sala é dedicada aos primeiros trabalhos de Vermeer. O resto do museu é organizado tematicamente. Laurent Gaveau, diretor do Laboratório de Artes e Cultura do Google, uma organização sem fins lucrativos desenvolvido para experimentar novas maneiras de fazer arte e cultura acessível ao público, diz que esse foi o primeiro museu virtual criador pela empresa, mas ele certamente imagina que outros virão.

— Podemos pensar vários tipos de museus que nunca existiram — disse em entrevista por telefone, deixando claro que não há nenhum outro projeto em andamento — Queremos ver como as pessoas vão reagir a esse e saber, do ponto de vista tecnológico e do ponto de vista do usuário, o que deu certo e o que pode ser melhorado.

As pinturas da Vermeer são reproduzidas em todos os tipos de formatos, desde cartazes até bolsas e guarda-chuvas. Mas conforme a tecnologia melhora e as pessoas passam a ter a possiblidade de uma experiência virtual de qualidade, Gordenker não se preocupa que os turistas se sintam menos motivados a buscar a experiência real? Não, ela responde.

— Quanto mais informações compartilhamos, incluindo imagens, mais as pessoas querem ter a experiência autêntica de ver a obra como uma presença física real. — opina. — Um dos motivos pelos quais os museus vem se tornado cada vez mais relevantes, com o público cada vez maior, são as tecnologias digitais. Elas quebram barreiras e tornam tudo muito mais acessível.

domingo, 9 de dezembro de 2018

China quer todas as suas pesquisas científicas publicadas em acesso aberto


Agências chinesas de fomento divulgaram intenção de apoiar o Plano S, principal iniciativa europeia contra o paywall em revistas científicas.

Fábio Castro | Direito da Ciência

O movimento mundial pelo acesso aberto às publicações científicas acaba de ganhar um aliado de peso. Representantes de agências de fomento à pesquisa da China anunciaram que pretendem exigir que todos os artigos produzidos a partir de estudos financiados com recursos públicos fiquem imediatamente disponíveis para leitura gratuita.

O anúncio, divulgado em reportagem da revista Nature, foi feito pelas organizações chinesas na Alemanha, no início desta semana, durante a 14ª Conferência de Acesso Aberto de Berlim, convocada pela Sociedade Max Planck. A penúltima edição da conferência, em 2015, marcou o lançamento da Iniciativa Open Access 2020 (OA 2020), que reúne atualmente os líderes do movimento global pelo acesso aberto.

Segundo a revista, os chineses prometeram apoiar a OA 2020 e a iniciativa europeia do Plano S, que tem o objetivo de acabar com o “paywall” de publicações científicas até 2020.

Iniciativa europeia

No início de setembro, agências de financiamento à pesquisa de 11 países da Europa lançaram uma força-tarefa para garantir a implementação do Plano S, que exigirá o modelo Open Access – no qual não há cobrança elo acesso aos conteúdos de periódicos acadêmicos – para todas as publicações financiadas por recursos públicos.

O mentor do Plano S, Robert-Jan Smits, disse à Nature que o posicionamento dos chineses é um “sonoro endosso” à iniciativa europeia, embora não tenha ficado claro se as organizações da China vão começar a implementar suas próprias novas políticas de publicação, ou se querem adotar integralmente o Plano S.

“Esse é um passo à frente crucial para o movimento global pelo acesso aberto. Nós sabíamos que a China estava pensando em se juntar a nós, mas o fato do país ter aderido tão cedo e de forma tão inequívoca é uma enorme surpresa”, disse Smits.

Cartas de intenção

Durante o evento em Berlim, três cartas de intenções foram divulgadas, segundo a Nature, pela Biblioteca Nacional de Ciência da China, pela Biblioteca Nacional de Ciência e Tecnologia e pela Fundação de Ciência Natural da China – uma das principais financiadoras chinesas de pesquisas.

“Apoiamos o pedido da Iniciativa OA 2020 e do Plano S para transformar, o quanto antes, os artigos científicos provenientes de projetos financiados publicamente em modelo de acesso aberto imediatamente após a publicação e apoiamos uma ampla gama de medidas flexíveis e inclusivas para cumprir esse objetivo”, dizem as cartas.

O presidente do Comitê Estratégico de Planejamento da Biblioteca Nacional de Ciência e Tecnologia, Xiaolin Zhang, disse à Nature que o governo chinês agora irá estimular os financiadores, instituições de pesquisa e bibliotecas acadêmicas do país a deixar os resultados de pesquisa com financiamento público livre para consulta e compartilhamento o quanto antes.

‘Politicamente errado’

Segundo Zhang, qualquer noção de que o modelo de acesso aberto tem pouco apelo na China é equivocada. Segundo ele, os financiadores e instituições de pesquisa da China estão desde 2014 incentivando e fornecendo recursos para que cientistas publiquem seus artigos em formatos de acesso aberto e para que arquivem seus manuscritos abertamente na internet.

Zhang afirma, porém, que a maior parte dos resultados científicos da China ainda está bloqueada por “paywalls”. “A Fundação de Ciência Natural da China financia cerca de 70% da pesquisa chinesa publicada em revistas internacionais, mas a China tem de comprar de volta esses artigos com preços cheios e altos. Isso é simplesmente errado – economicamente e politicamente”, disse Zhang.

Smits, que é emissário de Acesso Aberto da Comissão Europeia em Bruxelas, na Bélgica, disse à Nature que, depois da China, dois outros países não-europeus deverão aderir ao Plano S nas próximas semanas. Ele também busca apoio entre órgãos públicos financiadores de ciência nos Estados Unidos, onde atualmente a única organização de fomento à pesquisa a aderir ao Plano S é privada: a Fundação Bill e Melinda Gates.

Mais de 120 instituições de pesquisa e agências de financiamento de diversos países assinaram uma manifestação de interesse na implementação de larga escala do acesso aberto em revistas acadêmicas, inclusive a brasileira Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

dica do Reynaldo Porfírio Horne

Robôs auxiliam funcionários em nova biblioteca na Finlândia


Espaço abriga literatura, música e cinema | Foto: Reprodução / YouTube / CP Memória

No centenário de sua independência, a Finlândia estreia uma biblioteca que parece saída de um filme de ficção científica. O espaço abriga a literatura mas também a música e o cinema, e robôs ajudam os funcionários na organização dos livros.



Correio do Povo
via Info21

sábado, 8 de dezembro de 2018

Pasquim na íntegra na internet



Nos 50 anos d’, completados em 2019, todas as edições do semanário poderão ser lidas na internet.

A Biblioteca Nacional está prestes a terminar a digitalização dos 1.072 números do tabloide que atravessou a ditadura no deboche.

O acervo ficará em uma página que terá, ainda, uma coleção de memórias dos colaboradores do jornal.

O portal será lançado com uma exposição sobre o Pasquim, a ser montada no Rio de Janeiro e em São Paulo.

via O Globo


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A volta do "Pasquim"

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Um manifesto que vai fazer você pensar duas vezes antes de postar nas redes sociais


Na obra, Jaron Lanier, uma das maiores referências do Vale do Silício, explica como o modelo de negócio das empresas do mundo digital pode modificar comportamentos e minar a verdade

Publishnews

Hoje as redes sociais são praticamente um segundo documento de identidade: não participar de determinada plataforma muitas vezes é sinônimo de total isolamento. Mas você já pensou como seria se deletasse os seus perfis na rede e levasse uma vida diferente? Jaron Lanier, considerado o pai da realidade virtual e uma das maiores referências (e críticos) do Vale do Silício, não tem conta em nenhuma rede social e deixa bem claro por quê: “Evito as redes sociais pela mesma razão que evito as drogas”. Em Dez argumentos para você deletar suas redes sociais agora (Intrínseca, 192 pp, R$ 34,90 – Trad.: Bruno Casotti), ele fala em detalhes sobre a intrincada engrenagem de algoritmos usada para alterar o comportamento dos internautas, transformando-os em alvos mais suscetíveis não só aos diversos tipos de propaganda, como também a ideias e ideologias obscuras. Ao longo do livro, ele lembra aos leitores que a prática da modificação de comportamentos está na base do modelo de negócios das redes sociais.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Portal de Revistas da USP traz 185 revistas científicas com acesso aberto

Biblioteca digital completa dez anos com quase 15 milhões de downloads e 30 milhões de acessos

Jornal da USP

Referência internacional, o Portal de Revistas da USP abriga atualmente 185 publicações – Foto: Divulgação / Sibi

Neste mês de novembro, o Portal de Revistas da USP completa dez anos de existência e acesso aberto às revistas científicas publicadas pela USP. Abrigando, atualmente, 185 publicações, o portal é uma biblioteca digital das revistas publicadas por unidades de ensino e pesquisa, programas de pós-graduação e núcleos de pesquisas de professores e alunos da Universidade. Ele é referência internacional não só por sua qualidade como também por sua grandiosidade, com quase 15 milhões de downloads e 30 milhões de acessos.

O Sistema Integrado de Bibliotecas (Sibi) da USP realizou um levantamento e análise sobre o acesso ao portal ao longo destes anos e também resgatou sua trajetória de criação e desenvolvimento, que o Jornal da USP reproduz a seguir.

O gráfico abaixo apresenta a evolução do total de títulos registrados no portal, no período de 2008 a 2018.



A constante evolução e os números positivos exemplificam bem essa realidade: até o dia 27 de novembro de 2018 foram 6.488 fascículos publicados, 92.760 artigos, 14.059.783 downloads, 29.723.062 acessos. O gráfico abaixo exibe a evolução do número de downloads de artigos do portal de 2014 a novembro de 2018.



Entre os fatores que contribuíram para o crescimento dos downloads e da visibilidade nestes dez anos foi o fato de reunir, em um único portal, as revistas editadas por unidades, institutos e museus da Universidade, facilitando o acesso por leitores, pesquisadores e público em geral. A criação do portal ocorreu no Departamento Técnico do Sibi, proposto para ser um apoio e um canal alternativo aos editores que não tinham suas revistas indexadas no Portal SciELO (Scientific Eletronic Library On-line).

Amparadas pelo Programa de Apoio às Publicações Científicas Periódicas da USP (regulamentado pela Portaria 2403 de 18 de novembro de 1988), as revistas da USP e seus editores passaram a contar com uma comissão de credenciamento, com o objetivo de definir uma política editorial e propor critérios para o credenciamento de periódicos científicos.

Em 2006, o regimento da comissão foi alterado pela Portaria GR Nº 3726 para ajustar as novas demandas ao contexto de internacionalização e às exigências de modernização dos veículos de divulgação científica da USP, apoiar sua gestão e fornecer recursos financeiros especialmente destinados para as atividades de diagramação, editoração e serviços correlatos.

No final de 2010 e início de 2011, foi realizado um diagnóstico da situação das 62 revistas credenciadas da USP. A partir desse levantamento, foi constatado que muitas delas estavam dispersas em vários sites, sem adoção de padrões e protocolos internacionais, impactando negativamente na visibilidade das publicações. Além disso, havia baixa adesão por parte dos editores e equipes editoriais a sistemas de gestão editorial em ambiente eletrônico.

A partir desse diagnóstico, em 2012, o portal foi reestruturado e integrou-se à rede de portais de revistas científicas que utilizam o Open Journal Systems (OJS), software de código fonte aberto, mantido pelo Public Knowledge Project (PKP), para a construção e gerenciamento de revistas eletrônicas. O OJS possibilita a automação do processo editorial e facilita a gestão tanto pelos próprios editores, quanto pelo administrador do Portal. As revistas da USP utilizam a versão 3 do OJS desde agosto de 2018.

Em outubro de 2017, foi publicada a Resolução 7418 que disciplina o Programa de Apoio às Publicações Científicas Periódicas da USP no Sistema Integrado de Bibliotecas e dá outras providências. A comissão de credenciamento foi substituída por um comitê científico, que aguarda nomeação pelo reitor da USP.

A manutenção dos recursos orçamentários veio ao encontro das demandas dos editores e facilitou a oferta de serviços de infraestrutura de informática, treinamentos, apoio à participação em eventos, além do contrato com a CrossRef, associação que gerencia o identificador digital de documentos – registro DOI (Digital Object Identifier) para os artigos científicos. O gráfico abaixo apresenta uma evolução de atribuição do DOI aos artigos das revistas da USP de 2013 a 2017.



A atual política editorial do Programa de Apoio às Publicações Científicas Periódicas da USP ampara-se na busca da melhoria da qualidade visando à internacionalização dos periódicos científicos, editados oficialmente na USP para aumentar a visibilidade e o impacto; na profissionalização dos processos editoriais; no acesso aberto sem embargo aos periódicos científicos da USP, ou seja, eles deverão estar integralmente acessíveis ao público imediatamente após sua publicação; na promoção de ações que favoreçam maior interação entre os diversos atores envolvidos na produção dos periódicos científicos, com níveis diferenciados de responsabilidade e metas comuns a serem cumpridas; e na proteção e preservação do patrimônio científico materializado na forma de periódicos editados pela USP.

Além disso, o programa também apoia revistas que se filiam ao Committee on Publication Ethics – COPE, subsidiando as taxas administrativas de afiliação, visando à adoção de práticas éticas de publicação. O foco está em promover uma política declarada de ética em publicação e “plagiarismo” em cada revista, que pode estar fundamentada em Best Practice Guidelines for Journal Editors do Committee on Publication Ethics – Cope ou em outro documento de referência para a área da revista.

Para o cumprimento da política, todos os anos é publicado um edital de apoio às revistas da USP ao qual elas submetem propostas de projetos. Após análise do comitê científico, os recursos aprovados são destinados de acordo com uma escala de apoio, que vai desde (1) reconhecimento institucional (nível básico), (2) atendimento aos critérios USP de qualidade, (3) presença no SciELO ou indexador internacional de referência para a área ou Qualis A, até (4) presença na Web of Science e/ou Scopus. O gráfico a seguir apresenta a evolução dos projetos apoiados de 2011 a 2018.



Além dos recursos financeiros, também foram realizados, entre 2017 e 2018, diversos treinamentos para uso do Open Journal Systems, bem como reuniões individuais com equipes editoriais, além de reuniões anuais com todos os editores, e apoio para a participação em eventos da área de editoração. Também foram promovidos eventos temáticos sobre direitos autorais e licenças de uso, licitações e contratos de serviços para revistas da USP, critérios de seleção para indexação nas bases Web of Science, Scopus e EBSCO.

O gráfico a seguir exibe dados referentes à presença das revistas USP nas principais bases indexadoras de revistas científicas internacionais.



Os editores de revistas USP credenciadas contam também com o SimilarityCheck, um serviço fornecido pela Turnitin, empresa que comercializa o software iThenticate, com a CrossRef, organização internacional que gerencia o Sistema DOI e outros serviços. O SimilarityCheck é orientado para uso profissional por editoras de conteúdo acadêmico e científico. Este serviço permite identificar o índice de similaridade de textos submetidos para publicação em relação ao banco de dados formado pelos catálogos dos editores filiados à CrossRef e participantes deste serviço. O SimilarityCheck está disponível para as revistas credenciadas no Programa de Apoio às Publicações Científicas Periódicas da USP desde que cumpram com requisitos determinados. Atualmente, 20 revistas usufruem desse serviço.

Além da grande visibilidade que o Portal de Revistas da USP possui, a divulgação dos artigos publicados é potencializada pelas parcerias com a Agência Universitária de Notícias (AUN) e o Jornal da USP. Os press-releases e notícias sobre artigos das revistas são publicados em diferentes veículos e também compartilhados em mídias sociais como Twitter e Facebook.

Para 2019, estão previstas novas oportunidades de capacitação para editores e assessores no uso da Plataforma OJS 3, além de outras iniciativas que se encontram em planejamento. As políticas de acesso aberto serão mantidas e estratégias de aprimoramento dos serviços serão discutidas com os editores e a comunidade uspiana.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Editus disponibiliza novos livros para download


Editus Digital possui mais de 170 obras em seu catálogo digital

ABEU

Estão disponíveis mais dois títulos para download gratuito no Editus Digital. "Notas teórico-metodológicas de pesquisas em educação: concepções e trajetórias", organizado pelas professoras Leila Pio Mororó (DFCH- UESB), Maria Elizabete Souza Couto (DCIE - UESC) e Raimunda Alves Moreira de Assis (DCIE - UESC), e "Série movimentos sociais e educação Vol. 3: Educação e sua diversidade", organizado pelas professoras Arlete Ramos dos Santos (DCIE - UESC), Julia Maria da Silva Oliveira (DCIE - UESC) e Lívia Andrade Coelho (DCIE - UESC). O catálogo digital da Editus é um dos mais amplos das editoras universitárias, contendo 170 obras disponíveis para baixar.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Leonardo Padura analisa relação da literatura com as novas gerações

Leonardo Padura analisa relação das novas gerações com a literatura no Singulares

TV Brasil

Na estreia do Singulares, o cubano Leonardo Padura fala sobre o papel do escritor nos dias de hoje e o espaço da literatura na vida das novas gerações. Padura também conta como foi o processo de pesquisa para o romance O Homem que Amava os Cachorros, sucesso de vendas no Brasil, e fala das críticas que recebe por manter um olhar realista sobre a revolução comunista em Cuba.



quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Esses livros de sci-fi imaginaram, há muitos anos, tecnologias que hoje existem

A ficção científica prevê o futuro ou apenas inspira descobertas futuras?

Por Patrícia Gnipper | CanalTech

Muito se debate quanto à possibilidade de a ficção científica realmente ser capaz de prever o futuro, ou se o gênero apenas inspira o surgimento de soluções que ainda serão desenvolvidas com a evolução da tecnologia. De qualquer maneira, é um fato que muitas tecnologias disponíveis nos dias de hoje foram imaginadas em livros do passado, saindo da mente de autores célebres e se tornando realidade muitos anos depois.

Coisas como hackers de computador, membros biônicos para o corpo humano e até mesmo os tablets foram vislumbrados antes que tais possibilidades existissem e, na lista abaixo, você confere obras de ficção científica que imaginaram coisas que, hoje em dia, usamos como se elas existissem desde sempre.


Hackers
Quem leu Neuromancer, de William Gibson, em 1984, ficou "viajando" na ideia de existir uma sociedade em um ciberespaço com hackers de computador. Naquela época, computadores pessoais já existiam, claro, ainda que hoje sejam considerados jurássicos. Mas a internet ainda não era uma realidade para as massas, então podemos incluir o autor na lista de escritores que estavam à frente de seu tempo, vislumbrando tecnologias e cenários que, hoje, fazem parte da nossa rotina.


TVs de tela plana e fones de ouvido
Fones de ouvido são itens que fazem tanto parte do nosso cotidiano, que até dá a impressão de que eles sempre estiveram por aqui. Mas, em 1953, quando Ray Bradbury lançou Fahrenheit 451, eles não existiam. Ainda assim, o autor, visionário, imaginou TVs de tela plana e dispositivos de áudio portáteis que não são muito diferentes dos fones de ouvido que temos hoje — com e sem fios.


Tablets
Em 2001: Uma Odisséia no Espaço, lançado em 1968 por Arthur C. Clarke, vemos questões pesadas como guerra nuclear, evolução da humanidade e os perigos da inteligência artificial (representada pelo supercomputador HAL 9000).

Mas, aqui, a previsão mais palpável foram os tablets, que, no livro, aparecem como jornais eletrônicos que as pessoas leem digitalmente.


Apps de tradução em tempo real
Quando O Guia do Mochileiro das Galáxias foi lançado em 1979 por Douglas Adams, podíamos contar apenas com dicionários físicos para traduzir palavras e frases entre idiomas. Mas, em suas páginas, vemos uma aventura pelo espaço em que traduções de áudio em tempo real são uma realidade com tradutores universais. E, somente nos anos mais recentes, ganhamos recursos com esse conceito na vida real.


Cartões de crédito
No livro Looking Backward, de Edward Bellamy, o autor imaginou a existência de cartões de crédito 63 anos antes de serem inventados — o livro foi lançado em 1888. Na história, o personagem principal adormece por 113 anos e, quando acorda (no ano 2000), descobre que todo mundo usa cartões de crédito por aí para comprar o que quiser.


TV via satélite, impressora a laser e carros elétricos
Aqui, o autor John Brunner previu, em 1968, uma sociedade que, no ano de 2010, conta em seu dia a dia com TV via satélite, vídeos sob demanda, impressoras a laser e carros elétricos. No livro Stand on Zanzibar, o escritor imagina também que em 2010 a maconha já estaria descriminalizada — o que é realidade em algumas poucas regiões do mundo, por enquanto.


Transplantes de membros e órgãos
Lançado em 1818, Frankenstein, de Mary Shelley, previu de certa forma os transplantes modernos. Naquela época, a ciência ainda estava engatinhando na exploração da reanimação de tecidos mortos por meio da eletricidade e, embora tais métodos hoje sejam considerados grosseiros, eles pavimentaram o caminho para as inovações futuras na medicina, como transplantes de órgãos e de membros.


Submarino elétrico
Um dos autores mais visionários do século XIX foi Júlio Verne, que, em seus livros, previu coisas como módulos lunares e velas solares mais de 100 anos antes de serem inventadas. Mas em Vinte Mil Léguas Submarinas, de 1870, o autor vislumbrou submarinos elétricos — que só foram inventados 90 anos depois.


Energia solar
O romance Ralph 124C 41+, escrito em 1911 por Hugo Gernsback, tem uma história que se passa no ano de 2660. O autor imaginou que, depois de tantos séculos, a energia solar seria "arroz com feijão" para alimentar equipamentos para lá de modernos.


Bomba atômica
O célebre escritor H. G. Wells lançou The World Set Free em 1914. Nesta obra, o autor não apenas previu a existência de armas nucleares, como, possivelmente, serviu como inspiração para o trabalho do Dr. Leo Szilard — o homem que dividiu o átomo e permitiu a criação da bomba atômica.

Ainda que no universo fictício de Wells a bomba fosse criada a partir de urânio, a ciência por trás desse conceito, na mente de Wells, estava mais ou menos três décadas à frente de seu tempo.


Vigilância em massa
Outra previsão que se mostra cada vez mais acertada é a da criação de sistemas de vigilância em massa, que apareceu nas páginas de 1984, livro lançado em 1949 por George Orwell. Na obra, vemos conceitos como o Big Brother e a Polícia do Pensamento, com a história se passando em um mundo distópico 40 anos depois da Segunda Guerra Mundial.


Membros biônicos
Lançado em 1972, o livro Cyborg de Martin Caidin previu a existência de membros biônicos. Na história, um ex-astronauta cai durante um voo, perdendo seus membros e também ficando cego de um olho depois da queda. Então, cientistas conseguem criar novas pernas para ele, além de um olho removível equipado com uma câmera e um braço biônico — fazendo dele um autêntico ciborgue. Dessa maneira, o livro profetizou o primeiro transplante de uma perna biônica, 41 anos antes do caso real.


Com informações de Business Insider