quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Livre para todos: Biblioteca Pública de Nova York disponibiliza 180 mil arquivos para uso indiscriminado


A coleção inclui uma enorme quantidade de imagens digitalizadas em alta definição de domínio público, textos de poesia épica do século XI e manuscritos de mestres literários como Walt Whitman, Henry David Thoreau e Nathaniel Hawthorne, documentos e correspondências dos Pais Fundadores como Alexander Hamilton, Thomas Jefferson e James Madison e manuscritos com iluminuras medievais e renascentistas da Europa Ocidental.




CIA disponibiliza online 12 milhões de documentos que já foram secretos


Se é fã de História ou quer colocar algumas teorias de conspiração à prova, pesquise a base de dados disponibilizada pela CIA e consulte documentos que entre as décadas de 1940 e 1990 foram considerados secretos.

Paulo Matos |Exame informática (Portugal) 

Temas como crimes de guerra do nazismo, OVNIs ou telepatia despertam-lhe interesse? Então visite este site da CIA. É que a agência norte-americana colocou online 12 milhões de documentos que foram considerados secretos entre as décadas de 1940 e 1990.

A ideia inicial para este projeto partiu de Bill Clinton, que, em 1995, ordenou que todos os documentos com mais de 25 anos com valor histórico deveriam perder a classificação de “secretos”. A CIA cumpriu a diretiva, mas não facilitou a divulgação pública, já que obrigava os interessados a pesquisarem e a lerem a documentação em Washington, revela o Engadget.

Em 2000, a agência disponibilizou uma base de dados eletrônica intitulada CREST, que ajudava no processo de pesquisa, mas a consulta ainda tinha de ser feita pessoalmente na capital. Uma organização jornalística sem fins lucrativos, chamada MuckRock, chegou a avançar com um processo contra a CIA em 2014 para pressionar a divulgação online dos documentos, mas a entidade argumentou que precisaria de seis anos para digitalizar tudo.

No ano passado, a CIA concordou finalmente em colocar a informação online e agora cumpriu a promessa. Não espere encontrar revelações bombásticas, mas pode consultar informações sobre a fuga de criminosos de guerra da Alemanha nazista, o túnel de Berlim que serviu para espiar os russos ou a crise dos mísseis de Cuba, por exemplo.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A biblioteca de meio bilhão de dólares que cuidará do legado de Obama

Arquitetos planejam espaço com tecnologia de ponta para entreter visitantes

Mariana Santos
De Chicago (EUA) para a BBC Brasil

Documentos e objetos referentes aos oito anos de mandato do democrata estão sendo transportados há meses para um depósito, mas a construção da biblioteca que levará o nome do primeiro presidente negro americano e que abrigará esses arquivos só ganhará impulso a partir de sua saída da Casa Branca.

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Distante da Presidência, o habilidoso levantador de fundos Obama deve concentrar esforços em conseguir recursos para a obra, que, além da biblioteca, contará com museu e área para eventos.

E o primeiro ano após deixar o cargo, dizem especialistas, será crucial para esta empreitada.

Tecnologia de ponta

Previsto para ser um espaço com tecnologia de ponta para entreter os visitantes, o prédio será erguido na região sul de Chicago a um custo estimado pela imprensa americana em pelo menos US$ 500 milhões (R$ 1,6 bilhão), com alguns falando em até US$ 1 bilhão (R$ 3,2 bilhões).

Mas Obama não vai começar a campanha de arrecadação do zero. Discreta, a articulação para tocar o projeto da biblioteca presidencial começou ainda no início de seu segundo mandato.

Em janeiro de 2014 o presidente criou a Fundação Barack Obama, que passou a arrecadar fundos em seguida.

Mas em seus dois primeiros anos de existência, a fundação conseguiu levantar tímidos US$ 7,5 milhões - os valores doados em 2016 ainda não foram revelados. A expectativa é, no entanto, que essa quantia dispare no momento em que ele deixar a Presidência.
Martin Nesbitt, diretor da fundação e amigo de Obama, explicou em julho passado que, enquanto o democrata estivesse no cargo, as doações teriam valores limitados e ficariam reduzidas a um "pequeno grupo de amigos e apoiadores de longa data do presidente".
A partir de agora, a fundação poderá aceitar doações de empresas e pessoas físicas e jurídicas estrageiras. Entre os principais doadores da biblioteca devem estar os mesmos entusiastas das duas campanhas de vitoriosas de Obama.


Fundo para manutenção
Para Anthony Clark, pesquisador e autor de The Last Campaign (A Última Campanha; 2015), sobre bibliotecas presidenciais nos Estados Unidos, ex-presidentes americanos também usam os centros que levam seus nomes como uma "plataforma para o período pós-presidência".

Para Clark, o atual conceito das bibliotecas desvirtua a ideia inicial de Roosevelt: ter um espaço para preservar documentos durante um período de guerra.

De fato, ao longo dos anos, as bibliotecas foram se tornando mais monumentais, complexas e onerosas. O Obama Presidential Center contará, por exemplo, com uma biblioteca digital, instalações modernas e equipamentos de ponta.

Já na Biblioteca e Museu Ronald Reagan, uma das atrações é exposição do Air Force One, o avião usado pelo ex-presidente durante seu mandato.

Outro problema apontado por Clark é o custo de manutenção dos centros. Atualmente, o governo americano gasta cerca de US$ 70 milhões por ano com as bibliotecas presidenciais, que, após construídas, precisam ser doadas ao governo.

A fim de garantir recursos para manter esses centros no futuro, a lei prevê que as fundações devem repassar 60% - eram 20% até George W. Bush - de todas as doações para um fundo de reserva. Mas, segundo o especialista, há maneiras de driblar a legislação e entregar valores bastante inferiores ao estipulado no papel.

Ele explica que, embora as bibliotecas também arrecadem recursos por meio de bilhetes de entrada e promoção de atividades, em algumas, especialmente as de ex-presidentes mais antigos ou pouco populares, o número de visitantes cai ano a ano.

Site disponibiliza gratuitamente a maior biblioteca de partituras do mundo

No acervo é possível encontrar obras de compositores renomados, como Johann Sebastian Bach

O Projeto Biblioteca Internacional de Partituras Musicais (International Music Score Library Project - IMSLP) foi desenvolvido com o objetivo de criar um acervo digital e virtual de partituras de domínio público, mas também está aberto às obras de compositores contemporâneos que pretendam compartilhar as suas criações musicais de forma livre e gratuita.

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O IMSLP está no ar desde 2006, e reúne mais de 42 mil partituras de 19 mil obras, e mais de 2500 compositores. Com isso, recebe o título de maior coleção de música de domínio público da internet.

Algo que chama bastante a atenção na biblioteca virtual é o fato de ter a obra completa de Johann Sebastian Bach em seus arquivos, bem como todos os trabalhos de Frédéric Chopin, Johannes Brahms, Georg Friedrich Händel e grande parte das composições de Franz Liszt, entre outros músicos de renome.

Além das partituras em si, o IMSLP oferece a enciclopédia musicológica, já que possui inúmeras edições históricas de uma mesma composição, com análises e comentários que acompanham as partituras.

Enfim o IMLSP, é oficialmente recomendado pelo Instituto de Tecnologia De Massachusetts (MIT), já que o mesmo utiliza de forma ampla em alguns dos seus cursos o conteúdo bibliográfico apresentado no seu acervo.

Para acessar o site do IMSLP, clique aqui.

via Secretaria da Educação SP

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

ABL disponibiliza acesso aos manuscritos originais de Machado de Assis


Pesquisadores, estudantes e o público em geral, no Brasil e no mundo, podem, a partir de agora, acessar, por intermédio da internet, os manuscritos originais de dois romances e de um poema de seu fundador e primeiro Presidente, Machado de Assis.

O Arquivo Múcio Leão, da Academia Brasileira de Letras (ABL), dirigido pelo Acadêmico e historiador José Murilo de Carvalho, disponibilizou, on line, no site da Instituição, os documentos que, antes, somente podiam ser consultados nos terminais de computadores instalados em sua sede.

Os documentos mostram o processo criativo do autor, inclusive as correções nos textos, assim como mudanças dos nomes de determinados personagens. Isso, agora, pode ser constatado pelos interessados, de suas casas ou trabalho, em seus próprios equipamentos, sem a necessidade de comparecer ao Arquivo da Academia.


Veja o passo a passo para acessar os Manuscritos:

1. Acervos ABL/Acervo Arquivístico: Selecionar a opção ARQUIVO: Arquivo Machado de Assis/Clicar no item ACAD Textual;

2. Memória da ABL/Arquivo/Consulta ao Acervo Arquivístico: Selecionar a opção ARQUIVO: Arquivo Machado de Assis/Clicar no item ACAD Textual.

Brasil e Portugal compartilham acervos históricos raros


A documentação abrange um período grande, tornando-se uma fonte preciosa para pesquisadores. Cerca de 300 mil documentos relativos à administração do Brasil Colônia foram digitalizados e estão disponíveis na Biblioteca Digital Luso-Brasileira.

Mundo Lusíada 

Unidos pela História, Brasil e Portugal também estão juntos no mundo virtual, acompanhando os novos tempos. A Biblioteca Digital Luso-Brasileira reúne acervos relevantes sobre a história comum dos dois países, provenientes das bibliotecas nacionais do Brasil e de Portugal. Criado em 2014, o portal conta com mais de 60 mil títulos, correspondendo a cerca de 13 milhões de imagens de materiais bibliográficos em domínio público, de todas as épocas e gêneros.

De acordo com Vinicius Pontes Martins, coordenador da Rede da Memória Virtual Brasileira, da Biblioteca Nacional, ao longo do tempo, os acervos acabaram ficaram fragmentados e a tecnologia permitiu que eles fossem reintegrados, em uma nova organização.

“O portal reúne acervos que estão dispersos pela própria natureza de expansão das nações. Tanto a biblioteca do Brasil quanto a de Portugal são cabeças de rede, ou seja, agregam acervos digitais de outras instituições. Quando a Biblioteca Digital Luso-Brasileira surgiu, já tinha acervo de mais de 50 instituições brasileiras e portuguesas. A documentação abrange um período muito grande, tornando-se uma fonte preciosa de informações para pesquisadores. Temos mais de 100 mil acessos por mês ao portal”, conta o coordenador.

Entre os destaques do portal estão várias versões de Os Lusíadas, de Luís de Camões, obra máxima da literatura portuguesa. Outro acervo importante é o do Projeto Resgate, uma iniciativa dos ministérios brasileiros da Cultura e das Relações Exteriores por ocasião dos 500 anos da chegada de Pedro Álvares Cabral.

De acordo com Martins, pesquisadores foram ao Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa, e reproduziram em microfilme toda a documentação relativa ao Brasil que estava guardada na instituição. Cerca de 300 mil documentos relativos à administração do Brasil Colônia foram digitalizados e estão disponíveis na Biblioteca Digital Luso-Brasileira.

Helena Simões Patrício, diretora de Serviços de Coleções Especiais da Biblioteca Nacional de Portugal, ressalta que a iniciativa permite dar maior visibilidade aos conteúdos disponibilizados por entidades portuguesas, que correspondem a mais de 130 mil documentos e já que ultrapassam dois milhões de imagens digitais.

“Com efeito, a disponibilização dos conteúdos digitais produzidos pela Biblioteca Nacional de Portugal e pelos membros do Registo Nacional de Objetos Digitais (RNOD) em serviços coletivos de acesso, como é a Biblioteca Digital Luso-Brasileira, aumenta a sua visibilidade na Internet, pois ficam disponíveis num maior número de sistemas, propiciando novos serviços para a descoberta, relacionamento e utilização desses recursos”, afirma Helena.

“Por outro lado, a possibilidade de pesquisar e aceder em simultâneo aos conteúdos das mais de 30 entidades que participam do portal permite o relacionamento e uma contextualização mais rica desses recursos. Esta iniciativa visa, ainda, a coordenação de iniciativas, sobretudo com a Biblioteca Nacional do Brasil, para evitar a dupla digitalização dos mesmos conteúdos, sobretudo no que concerne à digitalização em massa de mais de 15 milhões de imagens de jornais”, completa.

Um dos objetivos no momento, conta Martins, é expandir o acervo do portal, agregando conteúdo de outros países de Língua Portuguesa. “Nossa meta é conseguir a adesão de outros países, mas, para isso, eles têm que avançar nos padrões de digitalização. Brasil e Portugal estão na frente nesse processo. Moçambique e Angola estão interessados em participar. Nós tentamos ajudar prestando assessoria técnica. Esperamos que, ao longo deste ano ou do próximo, a gente consiga ter mais adesões. A Biblioteca Digital Luso-Brasileira é um agregador de conteúdos digitais relevantes para a lusofonia”, completa o coordenador.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Biblioteca digital da FGV libera acesso a mais de dez mil títulos


Com biblioteca digital, FGV libera acesso a mais de dez mil títulos entre base de dados e obras

Os pesquisadores e leitores de plantão têm uma boa notícia: a Fundação Getúlio Vargas liberou o acesso a mais de dez mil títulos de sua biblioteca virtual. São artigos, arquivos, coleções e muito mais disponível no acervo da FGV que agora pode ser acessado pelo público no site da Biblioteca Digital.

A fundação vem investindo na modernização de seu sistema de bibliotecas, que conta com acervos físicos no Rio de Janeiro, São Paulo e em Brasília, e a Biblioteca Digital é um dos resultados. Foram reunidas bases de dados e conjuntos de obras que podem ser acessados livremente online.

Há também o Acervo Acadêmico, ferramenta que permite ao usuário encontrar todas as referências sobre o trabalho pesquisado existentes nos acervos da FGV.


via Universia

São Paulo Antiga adquire acervo do Dr. Milton Bednarski

Um dos mais importantes acervos criminais do Brasil e de São Paulo agora está com o São Paulo Antiga.

Douglas Nascimento | VejaSP

O acervo que pertenceu ao Dr. Milton Bednarski, famoso policial e advogado paulistano e profundo estudioso e pesquisador dos crimes que abalaram São Paulo, é riquíssimo e conhecido pelos minuciosos detalhes de investigações que marcaram a história de nossa cidade.

Milton Bednarski

Morto em agosto de 2016, Bednarski foi além de amigo um grande colaborador do São Paulo Antiga. Graças a ele foi possível publicar aqui histórias como a tragédia do Cine Oberdan e o Crime do Poço, entre tantos outros.

O acervo recém adquirido está passando por um minucioso serviço de catalogação e higienização e deverá ser disponibilizado para pesquisa até janeiro de 2018. A ideia é digitalizar todo o acervo para que possa ser consultado online.

O São Paulo Antiga irá iniciar em breve uma campanha de crowdfunding para tornar possível a digitalização de todo o material.

Entre os materiais adquiridos estão acervos como o Crime da Mala, Crime do Ibirapuera, Crime de Alphaville, todo o histórico de Gino Meneghetti, os arquivos de Josef Mengele e o acervo de crimes sexuais que outrora pertenceram a Guido Fonseca.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Comunicação Científica na Web e na América Latina: Entrevista com Isidro Aguillo


Reconhecido como autoridade internacional nas questões relacionadas à bibliometria, cientometria e webometria, Isidro Aguillo concedeu entrevista (por e-mail) à equipe do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP (SIBiUSP), onde compartilhou alguns de seus pontos de vista sobre a visibilidade acadêmica e científica na web, impacto da ciência e o futuro da comunicação científica. Antes, saiba um pouco mais sobre esse importante pesquisador, suas atividades e projetos.

Nascido Isidro Francisco Aguillo Caño em La Rioja, Espanha em 1963, licenciou-se em Biologia com especialização em Zoologia, é mestre em Informação e Documentação, diplomado em Estudios Avanzados (DEA), detentor de dois títulos Doctor Honoris Causa. É membro regular de comissões científicas de conferências e revistas científicas, autor de numerosas publicações sobre os processos de comunicação científica e indicadores web de desenvolvimento da ciência e da tecnologia, quase que diariamente compartilha suas opiniões no Twitter

Editor do Rankings Web de Universidades – Webometrics, responsável pelo Laboratorio de Cibermetria (Grupo Scimago) do Instituto de Bienes y Políticas Públicas (IPP - CSIC), dedica-se também a projetos como o OpenAIRE - de repositórios da Comissão Européia, ACUMEN - portfolio de indicadores científicos para indivíduos do VII Programa Marco de Inovação e Desenvolvimento da União Européia (UE); QEAVIS (Seção eHumanidades); Redes de Colaboración (Visibilidade Web) e PRACTIS 2008 (Tecnometría de CC SS e HH) do Plano Nacional de Inovação e Desenvolvimento da Red de Excelencia MA2VICMR da Comunidade de Madrid, Espanha. 

Ornitólogo aficionado, já fez várias viagens de observação de aves, da Floresta Amazônica aos desertos da Namíbia, entre outros destinos. Sua lista inclui mais de 2.000 espécies. Em 2012, foi um dos palestrantes convidados pelo SIBiUSP para o Simpósio Internacional sobre Rankings Universitários e Impacto Acadêmico na Era do Acesso Aberto, em São Paulo, Brasil, que reuniu especialistas internacionais e possibilitou a discussão em torno do impacto gerado pela produção científica e os indicadores de qualidade institucionais. Confira a entrevista. 

SIBiUSP: Você é pesquisador do Cybermetrics Lab, ligado à Agencia Estatal Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC). Conte-nos um pouco sobre este laboratório e seu papel na estrutura de Ciência e Tecnologia (C&T) da Espanha.

Isidro Aguillo: O Cybermetrics Lab é um grupo de pesquisa pertencente ao CSIC, o mais importante organismo de pesquisa pública da Espanha e um dos maiores da Europa. Nossa principal missão é estudar a comunicação científica na Web, publicando artigos e relatórios sobre esse tema em nível local e global, mas com um forte interesse na América Latina [LATAM]. Também acolhemos doutorandos e visitantes de pós-doutorado, e estamos envolvidos em projetos da União Europeia (UE).

SIBiUSP: O Cybermetrics Lab desenvolveu e mantém ferramentas de avaliação, como o Webometrics Ranking, o Ranking Web de Repositórios e, mais recentemente, a lista de Autores com h> 100 segundo seu perfil no Google Scholar Citations¹ .
     - De que maneira essas ferramentas são distintas de outras disponíveis?

Isidro Aguillo: A diferença mais óbvia é que estamos usando indicadores da web, sozinhos ou combinados com dados bibliométricos. Mas há também uma agenda “política”, pois decidimos cobrir todos os países em nossa análise, não apenas os desenvolvidos. Nossas listas de instituições possuem mais de 40.000 entradas, enquanto o número de indivíduos classificados é provavelmente perto de 200.000, com uma cobertura completa dos países latino-americanos [LATAM].

SIBiUSP: O Google Scholar é uma fonte de dados confiável?
Isidro Aguillo: Verificando a literatura disponível sobre este banco de dados, a maioria dos estudiosos concorda que é tão confiável como WoS ou Scopus, mas com uma cobertura que é várias vezes maior e considerando que é de livre acesso, eu acho que deveria ser a opção preferida para os países latino-americanos. Claro, existem problemas, como os indicadores de revistas científicas do Google Scholar Metrics que, na minha opinião, são demasiado tendenciosos para serem úteis.

SIBiUSP: Qual é a real importância dos rankings universitários?

Isidro Aguillo: Para nós, tem sido uma ferramenta poderosa para promover iniciativas de acesso aberto, que foi (e ainda é) o objetivo original dos Rankings Web. Outros editores de rankings têm outras agendas com fortes vieses políticos e comerciais e há até charlatões sem qualquer conhecimento real sobre o ensino superior e sobre as universidades. Mas no final há uma grande sobreposição entre os melhores desempenhos dos principais rankings, por isso há poucas dúvidas sobre quais são as melhores universidades de acordo com determinado modelo – as chamadas universidades intensivas em pesquisa. No entanto, as instituições que seguem outros modelos, como as universidades nacionais, que são tão importantes na América Latina, não são adequadamente reconhecidas nos rankings ARWU [Academic Ranking of World Universities], THE [Times Higher Education World University Rankings] ou o QS [Quacquarelli Symmonds World University Rankings].

SIBiUSP: Muitos pesquisadores consideram as Ciências Humanas periféricas no campo das ciências. Isso se deve às diferentes dinâmicas de produção de conhecimento, que dificultam a mensuração pelos padrões atuais de avaliação científica.
    - Neste sentido, que alternativas teríamos para demonstrar o potencial desta área e quais os indicadores que poderiam ser utilizados?

Isidro Aguillo: Discordo fortemente dessa afirmação. Como mostra o Google Scholar, as contribuições das Humanidades não são apenas relevantes, mas têm um impacto independente dos canais de publicação. A bibliometria fácil realizada por estudiosos com a base de dados WoS é realmente errada em muitas disciplinas devido aos grandes vieses e lacunas das bases de dados “tradicionais”.

SIBiUSP: Tendo em conta que os atuais modelos de avaliação científica tendem a enfatizar as citações em vez dos resultados reais, uma alternativa a esta questão seria medir o impacto das pesquisas científicas na sociedade. Desta forma, como poderíamos medir o impacto social?

Isidro Aguillo: Em primeiro lugar, acho que as citações ainda têm um papel importante nos processos de avaliação e não devem ser descartadas. No entanto, elas devem ser utilizadas em combinação com métodos qualitativos como o Manifesto de Leiden recomenda. Os indicadores altmetrics² podem ser úteis também, mas eu acho que os atuais indicadores disponíveis estão realmente longe de medir verdadeiro impacto social. Os bibliotecários passaram por alto de outra disciplina de métricas que deve ser explorada em profundidade para tal propósito: Econometria. Como método, não apenas como forma de incorporar fontes de dados econômicos.

SIBiUSP: Em sua recente apresentação, você destacou a importância dos perfis de autores, instituições e grupos de pesquisa, que representam uma mudança de paradigma na ciência e na comunicação científica.

Isidro Aguillo: Devemos abandonar as métricas baseadas em revistas que não são úteis e são muito enganosas para os processos de avaliação, um grave erro comum na América Latina. O perfil é o futuro e a marca digital do pesquisador se tornará cada vez mais importante, por isso novas estratégias de comunicação devem ser desenvolvidas, especialmente aquelas que envolvem redes sociais.

SIBiUSP: Neste cenário, como fica a revisão por pares, elemento fundamental da validação da qualidade da pesquisa? E o que acontece com o papel do marketing? Poderá desvirtuar a avaliação da qualidade da ciência?

Isidro Aguillo: Tenho sérias dúvidas sobre o papel da revista tradicional como a principal unidade de comunicação científica. O esforço deve ser no sentido de fortalecer os artigos individuais, e a revisão por pares aberta é uma boa opção para identificar e filtrar a qualidade. Existem vários modelos que podem ser aplicados, mas minhas preferências vão para um híbrido de revisão por pares pré e pós-aberta.

Desde o passado o prestígio tem sido um motor para a mobilidade acadêmica, e é um fator chave para explicar o sucesso das instituições anglo-saxônicas. Até muito recentemente este recurso intangível era construído de uma forma muito opaca, mas agora a marca digital de cada pesquisador oferece uma maneira mais acessível e transparente para construí-lo, embora a confiabilidade dos métodos de marketing possa ser um problema.

SIBiUSP: Tendo em conta este pano de fundo, qual seria o futuro da publicação científica? Estaremos publicando em revistas como fazemos hoje?

Isidro Aguillo:  Acho que o grande problema da ciência latino-americana é a inflação de revistas científicas. Redalyc, Scielo, Latindex e PKP [Public Knowledge Project] devem repensar seriamente suas políticas, pois promovem um enorme aumento de periódicos medíocres. Também na América Latina não há diretórios de assunto ou megajournals que deveriam ter um papel na transição para um cenário sem revistas. Também me preocupa o foco atual dos repositórios latino-americanos em teses e dissertações e artigos em revistas locais. Outra questão que necessita de mais debate é a preferência dos repositórios / coletores de conteúdo nacionais relativamente aos repositórios institucionais. Para minha surpresa um grande número de repositórios institucionais na América Latina coletam principalmente teses e dissertações (Doutorado e Mestrado). Parece que muitas universidades pensam que apenas teses são de acesso aberto ou talvez publiquem poucos artigos em revistas não-locais.

SIBiUSP: Como você vê o crescimento das recentes métricas alternativas na avaliação da pesquisa e dos pesquisadores?

Isidro Aguillo: Há muitos artigos na América Latina descrevendo muito acriticamente o movimento altmetrics². Há muita ênfase nas métricas de uso que podem ser muito enganosas sem fixação de padrões, e os indicadores fornecidos por serviços como ResearchGate, Academia ou Mendeley de forma alguma substituem a análise de citação (provavelmente tais indicadores sejam um subconjunto da análise de citação); e o indicador composto oferecido pela [empresa] Altmetric.com é uma caixa preta, e ninguém sabe exatamente o que o Twittermetrics está realmente medindo.

SIBiUSP: Na sua opinião, qual é a importância da Ciência Aberta? Ela é realmente viável ou será “destruída” pelos interesses comerciais? Como vê as ameaças ao acesso aberto?

Isidro Aguillo: Cada um dos componentes da Ciência Aberta (incluindo até mesmo a Ciência do Cidadão – Citizen Science) já está sendo alvo de interesses comerciais. Os bibliotecários estão contribuindo com a aquisição ou suporte de ferramentas comerciais e serviços com condições desvantajosas ​​(nada de novo nisso, uma vez que as condições de assinaturas digitais já são bastante abusivas). Em minha opinião, para evitar problemas, a Ciência Aberta deve ser fortemente apoiada por governos envolvendo um vigoroso financiamento público de infraestruturas e ferramentas.

SIBiUSP: Qual é o papel das bibliotecas e bibliotecários no atual cenário de mudança da avaliação científica?

Isidro Aguillo: Na Europa, os bibliotecários acadêmicos já constituem o maior grupo bibliométrico existente, mas ainda há muitos problemas – muitos deles não conhecem o Manifesto de Leiden, por exemplo. Na América Latina temos iniciativas equivocadas como a bibliografia do Redalyc, outras com viabilidade futura incerta como o acordo Scielo-WoS, e em geral a maioria de seus bibliotecários ainda não estão assumindo um papel bibliométrico. Se posso dar um conselho, sugiro-lhes o modelo CRIS [Current Research Information System], evitando produtos comerciais como PURE e analisando serviços como o FUTUR (da Universidade Politécnica da Catalunha).

Notas:
1. h = índice h, mede a produtividade e o impacto individual de cientistas através do número de publicações e suas citações. Saiba mais em: https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndice_h
2. Indicadores altmetrics = medidas de indicadores alternativos (em português: altmetria) baseadas no uso e nas menções nas mídias sociais. Saiba mais em: https://bsf.org.br/2014/07/15/altmetrics-redes-sociais-como-metricas-alternativas-para-medir-o-impacto-cientifico/ 

via SIBiUSP

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Site disponibiliza acervo raro com mais de 2 mil obras da literatura de cordel


Casa Rui Barbosa disponibilizou acervo raro de literatura de cordel. São mais de 2 mil obras

Universia

Um acervo raro da literatura de cordel, gênero literário muito popular no nordeste brasileiro, agora está disponível para os leitores de maneira online e gratuita. A Fundação Casa Rui Barbosa (FCRB) criou o Cordel – Literatura Popular em Verso, um site que reúne, até o momento, obras de 21 cordelistas. No total, estão disponíveis 2.340 folhetos para consulta.

O site reúne versões originais e variantes dos cordéis. Foram disponibilizados ao público aqueles que já estão em domínio público e os que foram autorizados pelos próprios autores ou por suas famílias a fazerem parte do acervo digital.

O projeto foi idealizado pela professora Ivone da Silva Ramos Maya que, após receber um material muito raro do cordelista Leandro Gomes de Barros, um dos mais reconhecidos e importantes poetas do gênero, passou a imaginar um meio de dividir com o público os escritos do autor.

Em entrevista concedida ao Ministério da Cultura, ela diz que tem planos de ir mais longe com a ideia: “pretendo encaminhar uma proposta para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), para que o cordel seja tombado como patrimônio da humanidade”, disse.

Além dos folhetos, o site possui também biografias dos autores e a bibliografia disponível na FCRB com 400 referências dentre artigos, livros, recortes, teses e dissertações.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Biblioteca Britânica disponibiliza manuscritos de clássicos da literatura online


De Jane Austen a Mozart, Biblioteca Britânica disponibiliza clássicos da literatura em portal

Se você é fã de literatura clássica vai ficar feliz em saber que a Biblioteca Britânica disponibilizou manuscritos de clássicos da literatura – como os primeiros trabalhos de Jane Austen - em um portal gratuito. Para facilitar o acesso, todo o material encontra-se organizado em ordem alfabética.

A coleção, que ganhou o nome de Turning the Pages – Virando as Páginas em português literal – começou há muito tempo, em 2012, quando a Biblioteca disponibilizou o original de Alice no País das Maravilhas, escrito pelo pseudônimo de Lewis Carroll, Charles Dodgson. Junto a outros manuscritos que o local já possuía, a coleção começou a tomar forma.

Além dos clássicos, é possível encontrar obras importantes voltadas para a medicina, textos religiosos e até mesmo bíblias. Alguns dos destaques são composições de Mozart e anotações de livros de Leonardo Da Vinci. É possível que o acervo se expanda, conforme a Biblioteca fizer as digitalizações e tiver acesso a outros.

Fonte: Universia


quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Literatura ilustrada do século XIX


Um portal dedicado à literatura do século XIX com gravuras e ilustrações


A Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes inaugurou hoje um portal de literatura ilustrada do século XIX, com foco na disseminação da literatura do século XIX, e apresenta gravuras e ilustrações.

O século XIX espanhol foi o período em que a maior parte da arte da ilustração de imprensa foi desenvolvida, através de desenhos e gravuras. Os promotores de revistas românticas eram ambos os escritores e pintores, e ilustrações em suas páginas, mas até agora não estudado em conjunto


Educação na era digital: será que as redes sociais podem atrapalhar o ensino?



Apesar de muito útil, redes sociais podem atrapalhar o ensino se usadas em excesso

Universia

As redes sociais e a internet como um todo são ótimas ferramentas para a educação na era digital. Mas será que elas podem atrapalhar o ensino? Alguns caminhos apontam que, sem o devido cuidado, elas podem, sim, causar problemas no aprendizado, porém, é possível contornar.

O primeiro problema das redes sociais é o uso excessivo de gírias e abreviações. Muitas vezes, por conta do uso constante com um jeito mais informal de escrever, os estudantes acabam por transportar essa “linguagem da internet” para a realidade. É frequente encontrar erros assim em avaliações e redações, afinal, é a maneira mais usada de comunicação no dia a dia.

Apesar de ótimas na hora de apresentar aplicativos e ferramentas que auxiliam no ensino, as redes sociais e a internet podem ser fontes constantes de distração. O mais sério, porém, é que isso pode se agravar levando a transtornos como a ansiedade. É comum alunos ficarem tensos e ansiosos para voltarem logo aos dispositivos e conferirem uma resposta, resultado ou apenas checarem se algo novo apareceu na rede.

A solução para as desvantagens das redes sociais e do uso da internet é simples e combina bastante com um ditado que muitas avós conhecem: é preciso utilizar com parcimônia. Assim como qualquer ferramenta, o uso em excesso pode atrapalhar. Cabe aos pais e aos educadores regularem o acesso e, sempre que possível, atraírem os alunos para atividades do “mundo real”.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Ancine mapeia complexos cinematográficos

Mapa registra, também, complexos comerciais fechados temporariamente ou que tiveram suas atividades encerradas

por Portal Brasil

Na ferramenta, é possível dimensionar tamanho e distribuição geográfica do parque exibidor brasileiro

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) publicou o Mapa de Complexos Cinematográficos, que representa visualmente a localização dos complexos cinematográficos comerciais registrados na agência.

Na ferramenta, é possível dimensionar tamanho e distribuição geográfica do parque exibidor brasileiro. O objetivo é oferecer um meio de acompanhamento da execução das políticas públicas de incentivo à expansão do mercado de salas de exibição no Brasil.

No mapa, estão representados os complexos comerciais de salas de cinema, ou seja, os que realizam sessões públicas em que haja cobrança de ingresso e exibição de longas-metragens recém-lançados em projeção digital ou em 35 mm.

Além dos complexos em atividade, o mapa registra também os complexos comerciais fechados temporariamente, por motivo de reforma, ou que tiveram suas atividades encerradas durante o ano corrente e os com previsão de inauguração.

Complexos itinerantes, que realizem exibições esporádicas ou por meio de exibições videofonográficas (a partir de DVDs ou Blu-Rays), não foram incluídos no mapa.

Além de ter acesso à representação visual no mapa, o usuário pode clicar nos ícones que representam cada complexo para consultar endereço, número de registro e quantidade de salas em funcionamento, além de um link para o site do complexo ou do grupo exibidor responsável.

A publicação do Mapa de Complexos Cinematográficos é mais uma iniciativa de transparência da Ancine que visa compartilhar com a sociedade as informações coletadas e processadas em seu setor de registro.

Desde setembro de 2015, o Portal da agência já hospeda um Mapa de Mostras e Festivais Brasileiros, com informações sobre todos os eventos comunicados à Agência que ocorrem em todo o País durante um ano, indicando os festivais em andamento, os já encerrados no ano e o os futuros eventos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Em busca de vida além da internet


Por mais úteis que smartphones e computadores sejam, eles também podem tornar os usuários dependentes. Na Alemanha, projeto incentiva adolescentes a passarem menos tempo online.Hoje em dia, o smartphone é o nosso companheiro constante: Spotifiy para música, Whatsapp para mensagens, Netflix para filmes. Muitas vezes passa-se horas por dia com os olhos no telefone, para fins particulares e de trabalho. Algumas pessoas até têm a sensação de que não podem viver sem ele. Difícil é dizer quando alguém se tornou viciado em mídia ou é apenas um usuário frequente.

"Você não pode considerar apenas o número de horas que a pessoa passa com o telefone", frisa o alemão Andreas Pauly, pedagogo especialistas em mídias, que diz que o vício se desenvolve em etapas.

Primeiro a pessoa tenta algo pela primeira vez, um novo videogame por exemplo. Em segundo lugar vem o estágio do prazer, quando ela se sente satisfeita usando a mídia, seguido do hábito. A quarta fase é quando o consumo de mídia vai além do normal. A última etapa, então, é o vício.

"Se você começa a negligenciar seus amigos e seus passatempos diários, então isso está se tornando anormal", explica Pauly. Alguém que prefere jogar videogame ou ver TV em vez de passar tempo com amigos - ou mesmo ir à escola ou trabalhar - pode estar tendo um problema.

Jovens são mais afetados

De acordo com um estudo recente, o tempo médio que os adolescentes alemães, por exemplo, gastam online por dia é entre três e quatro horas. Eles ficam principalmente na internet para se conectar com amigos ou ouvir música. Mas a necessidade de estar conectado digitalmente o tempo todo pode se transformar em um comportamento anormal.

Pauly cita exemplos de como os jovens usam Instagram. "Eu preciso estar online esperando para que um de meus amigos 'curta' uma de minhas fotos; eu tenho tantos seguidores, que acho que eles estão esperando por mim para carregar uma nova foto; eu uso um saco plástico para proteger o smartphone até debaixo do chuveiro, para que eu não perca nada."

Ele explica que é possível medir os efeitos físicos de vícios comportamentais como o vício de mídia. "Dependência comportamental significa que determinados efeitos estão sendo desencadeados no cérebro, os efeitos são semelhantes ao consumo de álcool", explica o especialista.

Viciados que sentem que precisam de ajuda podem ser tratados em centros especiais de reabilitação. Mas devido à onipresença das mídias, não é fácil voltar à normalidade. "Eu posso viver sem álcool, para superar o vício do álcool, mas não posso passar a minha vida sem usar a mídia online", ressalta Pauli. E com a redução do consumo de mídia, viciados podem sofrer sintomas de abstinência, como suores frios, irritabilidade e tonturas.

Há vida fora da internet

"É sempre melhor se as coisas não chegam tão longe. É aqui que começa o trabalho", diz Pauly. Ele trabalha para um programa de prevenção de dependência de mídia para adolescentes na cidade de Bonn, oeste da Alemanha, chamado Update.

"Estamos nos concentrando na prevenção e intervenção, quer dizer, em casos que não as coisas ainda estão tão ruins. Nesta área, realmente conseguimos chegar aos jovens, através de aconselhamento ou reuniões de grupo, para que eles possam compartilhar sua experiência com os outros."

Pauly organiza eventos como aulas de culinária e atividades esportivas. Ele quer mostrar aos adolescentes que suas vidas não giram só em torno da web.

"É importante que crianças e adolescentes passem algum tempo fora da internet", sublinha Pauli. "Para que eles possam aprender habilidades sociais como a comunicação cara a cara, onde não podem usar emoticons para expressar seus sentimentos", complementa. Outro aspecto crucial é desenvolver a criatividade, algo que um computador ou um smartphone não têm.

"Antes que se torne um problema"

Um segundo programa que Pauly implementa é chamado de Net Pilots, no qual ele visita turmas de escola do ensino médio, onde realiza oficinas em que explica os riscos e vantagens da mídia para 15 alunos e dois professores. O objetivo é que os alunos - que participam voluntariamente do curso de quatro dias - possam compartilhar seu conhecimento com seus colegas. Adolescentes são muitas vezes mais dispostos a aceitar o conselho de seus pares do que de adultos, como pais ou professores.

"A necessidade de se desligar de vez em quando da internet não se aplica apenas aos jovens", diz Pauly. "Cada vez mais empresas querem que seus funcionários fiquem offline por várias horas por dia. Se eu passar o dia usando a mídia das 6h às 22h, a luz da tela me faz dormir mal e assim minha eficiência de trabalho é reduzida. Então, tem que haver alguns momentos para relaxar", alerta.

"Além de reduzir a eficiência do trabalho, o excessivo consumo de mídia pode causar problemas psicológicos", salienta Hayley Hamilton, do Instituto Canadense de Pesquisa sobre Políticas de Saúde Mental. "O alto uso de dispositivos eletrônicos, bem como das mídias sociais está ligado a problemas de saúde mental, incluindo aumento de distúrbios psicológicos e de uma pobre autopercepção de saúde mental. Nossas novas descobertas salientam a necessidade de que cada um de nós saiba definir limites saudáveis e para que monitore o nosso uso de dispositivos eletrônicos, antes que ele se torne um problema."

via Deutsche Welle | Terra