quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Leitura sem livraria?

O Estado de S. Paulo

Leitores gostam de livrarias. Leitores se alegram quando descobrem uma nova livraria. Leitura e livraria sempre estiveram unidas na vivência do leitor. Mas em diversos países, especialmente nos Estados Unidos, os livros digitais e as vendas pela internet introduzem novos elementos nessa relação. E isso tem levado a uma grande interrogação: será eterna a união entre livraria e leitura "apenas enquanto dure"? E o Brasil, que nunca teve muitas livrarias, também passará por essa ruptura?

Segundo a Associação Nacional de Livrarias, o Brasil tem hoje 3.095 livrarias, o que representa uma livraria para cada 64.954 habitantes. A Unesco recomenda que haja uma livraria para cada 10 mil habitantes. Entre as capitais, Belo Horizonte é a que tem melhor proporção: uma loja física para 13.848 habitantes. Em segundo lugar está Porto Alegre, com uma livraria para 14.913 habitantes. São Paulo, a cidade com o maior número de livrarias (335 unidades), tem uma proporção bem menos favorável ao leitor: 35.664 habitantes para cada livraria. É quase um Estádio do Pacaembu cheio (40 mil pessoas) para uma única loja de livros.

Os dados sobre as livrarias refletem também as diferenças entre as regiões. Na Sudeste, estão 55% das livrarias. Vem seguida pela Região Sul, onde estão localizados 19% das livrarias. A Nordeste está na terceira colocação, com 16% das lojas. A Região Centro-Oeste, incluindo o Distrito Federal, tem 6%. Em último lugar está a Norte, com 4% das livrarias.

O cenário nacional de poucas livrarias - e consequentemente, pouca leitura - não chega a ser uma novidade. O brasileiro lê, em média, 4 livros por ano. A novidade são os desafios, em especial a internet, que se configura como um grande ponto de interrogação para as livrarias. Jason Merkoski, especialista em livros digitais e que trabalhou na Amazon, afirmou ao Estado que "as lojas de livros não conseguirão sobreviver e vão desaparecer". Cita a experiência norte-americana e japonesa: "Uma vez que as pessoas consigam encontrar 80% dos títulos que buscam no digital, a chance de que elas migrem para e-books
é de 100%". Em sua opinião, essa mudança ocorre, em média, depois de três anos que os livros digitais estão disponíveis em um país.

Já há alguns anos a experiência das livrarias nos Estados Unidos gera apreensão no mundo. Num primeiro momento, o crescimento das grandes cadeias de livrarias levou à bancarrota milhares de pequenas livrarias. Posteriormente, em 2011, as próprias megalojas enfrentaram dificuldades; por exemplo, a Waterstones e a Barnes & Noble. Esta última, com grande presença na internet, teve de fechar uma das suas mais representativas lojas em Nova York. Caso mais drástico foi o do Grupo Borders, que à época pediu concordata. A crise norte-americana está ainda longe de ser superada. Causas não faltam para o cenário de lá: a crescente presença dos e-readers (e tablets), a venda de livros impressos pela internet, a entrada dos hipermercados na venda de livros (com foco em best sellers e vendas pela internet) e problemas administrativos.

Com intensidade diversa, esses fenômenos podem ser observados no Brasil. No entanto, o setor livreiro nacional prevê que as vendas virtuais, ainda que afetem as lojas físicas, não chegarão a suprimi-las. O setor continua acreditando que as livrarias físicas preservarão a sua relevância e o seu atrativo, já que oferecem uma experiência cultural única.

Por ocasião da crise das livrarias nos EUA, Scott Eyman, escritor e crítico literário, comentava assim a sua importância para a leitura: "Nunca foi difícil comprar um livro que já queríamos, e agora está ainda mais fácil e mais barato. Mas será cada vez mais complicado comprar um livro que não sabíamos que queríamos até nos depararmos com ele. E esta sempre foi a função da livraria, que te permitia descobri-los".

Pelo número de livrarias no País, há espaço para o setor crescer. A dúvida é se o mercado de livros digitais - que vem crescendo no Brasil, mas ainda é pouco significativo quando se compara com outros países - mudará essa equação. Se for pela vontade dos leitores, que as livrarias durem para sempre.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Nova universidade nos EUA inaugura biblioteca sem livros em papel

Universidade Politécnica da Flórida teve sua primeira aula nesta segunda. A nova biblioteca tem 135 mil livros, todos em formato digital.

Do G1, em São Paulo


Prédio principal da Universidade Politécnica da Flórida, em foto sem data; a nova biblioteca foi inaugurada sem livros em papel (Foto: Reuters/Divulgação/Universidade Politécnica da Flórica)

A Universidade Politécnica da Flórida, nos Estados Unidos, foi inaugurada na semana passada na cidade de Lakeland prometendo abordagens inovadoras no ensino e na pesquisa em ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Uma dessas inovações é a biblioteca, que foi aberta neste mês com um acervo de 135 mil livros, mas nenhum deles impressos no papel. Todos estão em formato digital. A primeira aula da história da universidade aconteceu nesta segunda-feira (25).

"É uma decisão corajosa avançar sem livros", disse à agência de notícias Reuters Kathryn Miller, a diretoria de bibliotecas da nova instituição. A ideia por trás dessa decisão é refletir a priorização pela alta tecnologia que permeia toda a missão da "Florida Poly", como a universidade é chamada nos Estados Unidos.

Os 135 mil e-books podem ser acessados pelos estudantes pelo tablet ou notebook pessoais. O local, assim como o resto do campus, é equipado com internet sem fio. Além dos títulos já disponíveis, a instituição tem um orçamento de US$ 60 mil (cerca de R$ 140 mil) para comprar livros digitais por meio de softwares, para que os alunos possam lê-los uma vez gratuitamente. Com o segundo clique, a universidade compra o e-book. "Em vez de o bibliotecário colocar livros que eu acharia relevantes na estante, os estudantes é que estão escolhendo", disse Kathryn.

Nova função para bibliotecários
Já que não têm mais a função de carregar e guardar os livros físicos, os bibliotecários contratados pela universidade têm como principal tarefa orientar os leitores a aprender a gerenciar os materiais digitais.

A nova biblioteca, porém, não é 100% sem papel, segundo a Reuters. Alunos podem levar livros para estudar no local e emprestar livros em papel das outras 11 universidades estaduais da Flórida.

A Politécnica é a 12ª universidade mantida pelo governo do estado da Flórida e o prédio principal do campus foi desenhado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava.
A construção levou 28 meses e, além da biblioteca digital, há um supercomputador e laboratórios de pesquisa para estudantes e professores.


Prédio principal da Universidade Politécnica da Flórida foi desenhado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava (Foto: Reuters/Divulgação/Universidade Politécnica da Flórica)

Má conduta científica é um problema global, afirma pesquisador

Plágio, falsificação e fabricação de dados em artigos deixaram de ser exclusivos de potências científicas e exigem resposta coordenada dos países que fazem ciência, segundo Nicholas Steneck, da University of Michigan (foto: Leandro Negro/Ag. FAPESP)

Por Elton Alisson | Agência FAPESP

Plágio, falsificação e fabricação de resultados científicos deixaram de ser problemas exclusivos de potências em produção científica, como os Estados Unidos, Japão, China ou o Reino Unido.

A avaliação foi feita por Nicholas Steneck, diretor do programa de Ética e Integridade na Pesquisa da University of Michigan, nos Estados Unidos, em palestra no 3º BRISPE – Brazilian Meeting on Research Integrity, Science and Publication Ethics, realizado nos dias 14 e 15 de agosto, na sede da FAPESP.

Segundo Steneck, por ter atingido escala global, é preciso que universidades, instituições de pesquisa e agências de fomento em todo o mundo realizem ações coordenadas para lidar com essas questões, a fim de não colocar em risco a integridade da ciência como um todo.

“Inicialmente, a má conduta científica era um problema limitado a poucos países, como os Estados Unidos. Mas agora, nações emergentes em ciência, como o Brasil, ‘juntaram-se ao clube’ em razão do aumento da visibilidade de suas pesquisas, e têm sido impactadas de forma negativa por esse problema”, disse Steneck, um dos maiores especialistas mundiais em integridade na pesquisa.

Nos últimos anos, segundo Steneck, passou a ser observado um aumento global do número de casos relatados de má conduta científica. Um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS) sobre as causas de retratação de 2.047 artigos científicos, indexados no repositório PubMed e produzidos por pesquisadores de 56 países, revelou que apenas 21,3% das retratações foram atribuídas a erro.

Por outro lado, 67,4% das retratações foram atribuídas à má conduta científica, segundo o estudo. Dessas, 43,4% ocorreram por fraude ou suspeita de fraude, 14,2% por publicação duplicada e 9,8% por plágio. Estados Unidos, Japão, China e Alemanha responderam por três quartos das retratações.

Os autores do estudo estimam que a porcentagem de artigos que tiveram de sofrer retratação por causa de fraude aumentou cerca de 10% desde 1975, quando os primeiros casos de má conduta científica começaram a vir a público.

Outro estudo, publicado na PLoS Medicine, utilizou dados da base Medline, a respeito de artigos publicados até junho de 2012 que abordaram o tema da má conduta científica, para tentar verificar o problema em países de economias em desenvolvimento.

Segundo os autores, apesar dos poucos dados disponíveis, o resultado da análise indica que o problema é tão comum nos países emergentes como nos mais ricos e com maior tradição científica.

“Vemos que há mais casos de má conduta científica hoje do que há 10 anos, mas não sabemos se o número de casos está aumentando ou se estão sendo mais descobertos e revelados”, disse Steneck à Agência FAPESP. “O fato é que as pessoas estão prestando mais atenção ao problema da má conduta científica e cada vez mais novos casos têm sido relatados.”

Já um outro estudo, divulgado em abril no Journal of the Medical Library Associaton, identificou 20 países com os maiores números e percentuais de artigos da área de Ciências Biomédicas retratados por problemas de plágio e duplicação de dados, publicados entre 2008 e 2012 e indexados no PubMed.

O estudo apontou que a Itália, a Turquia, o Irã e a Tunísia possuem o maior percentual de artigos retratados por problema de plágio, enquanto a Finlândia, China e novamente a Tunísia apresentam a maior taxa de artigos retratados em razão da duplicação de publicação. O Brasil ocupa a 17ª colocação no ranking geral, logo atrás da Espanha e à frente da Finlândia, Tunísia e Suíça.



‘Ponta do iceberg’

De acordo com Steneck, a atenção e a resposta ao problema da má conduta científica têm sido direcionadas aos casos de maior repercussão internacional, como o do anestesiologista Yoshitaka Fujii, da Toho University, no Japão, que teve 183 artigos retratados desde 2011 por falsificação de dados.

Esses casos especiais, contudo, podem representar apenas a ‘ponta do iceberg’ do problema. Um levantamento realizado pelo Deja vu – sistema computacional que identifica títulos e resumos de artigos indexados em repositórios científicos e permite a verificação de suspeitas – identificou 79,3 mil artigos indexados no Medline com esse tipo de problema.

Do total de artigos, apenas 2,1 mil foram examinados e, desses, 1,9 mil foram retratados. Mais de 74 mil ainda não foram verificados pelas publicações.

“Há muitos casos de má conduta científica subestimados pelas universidades e instituições de pesquisa, que poderão ser descobertos no futuro”, afirmou Steneck.

Na avaliação do especialista, alguns fatores que contribuem para a subestimação do problema são as suposições errôneas de que a má conduta científica é uma prática rara, que é mais comum em áreas altamente competitivas como a de Ciências Biomédicas e de que a ciência é uma atividade autorregulada.

“Há enorme confiança na ciência como uma atividade com controles internos rigorosos que dificulta estabelecer um consenso de que ela deva ser mais vigiada”, afirmou. “É preciso que as universidades, instituições e agências de fomento à pesquisa dos países que fazem ciência se engajem em educar e promover a integridade científica entre seus pesquisadores.”

Papel das instituições

Na avaliação de Steneck, a comunidade científica brasileira tem reconhecido o problema e formulado políticas e ações para coibir práticas de má conduta científica e aprimorar a integridade na pesquisa.

É necessário, no entanto, que as universidades e instituições de pesquisa proporcionem o melhor treinamento possível em integridade científica a alunos, professores e pesquisadores, indicou o especialista.

“É preciso que as universidades e instituições de pesquisa, que têm muitos departamentos e laboratórios, observem se seus pesquisadores estão sendo treinados de forma eficaz em integridade científica”, afirmou.

Uma das formas indicadas de realizar esse tipo de treinamento, segundo Steneck, é por meio da criação de um órgão interno destinado exclusivamente a essa finalidade, como proposto pela FAPESP em seu Código de Boas Práticas Científicas.

Publicado em 2011, o código da Fundação estabelece que as universidades e instituições de pesquisa no Estado de São Paulo tenham um órgão interno especificamente destinado a promover a integridade na pesquisa, por meio de programas de treinamento e atividades educativas, além de responder a eventuais denúncias de má conduta científica de forma justa e rigorosa.

“As universidades e instituições de pesquisa no Estado de São Paulo apoiadas pela FAPESP devem definir políticas e procedimentos claros para lidar com a questão da integridade científica e ter um ou mais departamento ou órgão interno voltado a promover as boas práticas científicas por meio de programas regulares e para investigar e punir os eventuais casos de má conduta”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, na abertura do evento.

“Mas a investigação e a punição de eventuais casos de má conduta não representam o papel mais importante que deverá ser desempenhado pelos órgãos de promoção de boas práticas científicas nas universidades. O principal papel desses órgãos deverá ser promover uma cultura de integridade científica nas instituições de forma permanente”, sublinhou.

De acordo com Luiz Henrique Lopes dos Santos, membro da Coordenação Adjunta de Ciências Humanas e Sociais, Arquitetura, Economia e Administração da FAPESP, ainda não há universidade ou instituição de pesquisa no Estado de São Paulo que tenha criado um órgão interno voltado à promoção da integridade científica, como determina o Código de Boas Práticas Científicas da FAPESP.

“Lançamos o código há três anos e avaliamos que a resposta das universidades e instituições de pesquisa em relação às responsabilidades atribuídas a elas tem sido um pouco lenta”, disse.

“As universidades e instituições de pesquisa no Estado de São Paulo e no Brasil, de modo geral, ainda não se organizaram para definir e implementar de maneira sistemática políticas de promoção de boas práticas na pesquisa”, afirmou Lopes dos Santos.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi a primeira instituição no Brasil a criar, há um ano, uma comissão voltada especificamente a promover e tratar de questões relacionadas à integridade da pesquisa.

Denominada Câmara Técnica de Ética em Pesquisa (CTEP), o órgão conta com uma comissão formada por cerca de 30 integrantes, entre professores, funcionários técnicos e estudantes da universidade.

“O objetivo da câmara é abordar questões éticas e relacionadas à integridade acadêmica de uma forma ampla, envolvendo diferentes unidades e departamentos da universidade, que apresentam demandas específicas”, disse Sonia Vasconcelos, vice-coordenadora da CTEP.

“Estamos tentando identificar alguns consensos e abordar os conflitos relacionados à integridade em pesquisa de forma a refletir positivamente na formação dos alunos, no trabalho dos professores e nas pesquisas desenvolvidas na universidade”, afirmou. 

MinC trabalha integração de acervos digitais públicos


O trabalho que vem sendo desenvolvido no país tem como referência experiências bem-sucedidas nos Estados Unidos e na Europa. (Arte: Julia Oga)

Ministério da Cultura

O Ministério da Cultura (MinC) está desenvolvendo um projeto para integrar coleções digitais de arquivos, bibliotecas e museus brasileiros. O objetivo é facilitar e ampliar o acesso da população a documentos em diversos formatos, como textual, iconográfico, áudio e vídeo. A Secretaria de Políticas Culturais trabalha atualmente na definição de padrões e protocolos para que seja possível acessar, de uma única vez, informações sobre temas específicos em diferentes acervos digitais públicos.

"Hoje, caso alguém queira fazer uma pesquisa, precisa acessar cada acervo separadamente. Com a interoperabilidade dos sistemas, será possível criar ambientes em que uma pessoa que esteja, por exemplo, pesquisando sobre maracatu tenha acesso, ao mesmo tempo, a filmes sobre o tema armazenados pela Cinemateca Nacional, a livros do acervo da Biblioteca Nacional e a músicas guardadas pela Funarte (Fundação Nacional das Artes)", explica o coordenador-geral de Cultura Digital do MinC, José Murilo Carvalho Junior. "Outro fato interessante é que esse conteúdo armazenado nos diversos acervos também poderá ser acessado por meio de aplicativos desenvolvidos por terceiros para diferentes tipos de mídias, como computadores, celulares e tablets", completa.

José Murilo destaca que a implantação de uma plataforma digital pública que disponibilize, de forma aberta (open data), dados organizados relativos à cultura brasileira permitirá mais transparência na governança e na promoção do acesso à cultura; apoio ao desenvolvimento de aplicações e serviços inovadores; e novas oportunidades de negócios e empregos. "É um arranjo que busca pôr em prática a visão do governo como plataforma para a ação colaborativa da sociedade", observa.

O edital "Preservação e acesso aos bens do patrimônio afro-brasileiro", lançado em dezembro de 2013 pelo MinC em parceria com a Fundação Palmares, a Universidade Federal de Pernambuco e a Fundação Joaquim Nabuco, vem sendo a ferramenta utilizada para levantar subsídios e articular estratégias interinstitucionais para a integração dos acervos públicos. "Escolhemos esse recorte temático (história e cultura afro-brasileira) para delimitar o escopo do trabalho e ser possível integrar todos os projetos selecionados pelo edital. Estamos formando expertise nacional que permita a interoperabilidade entre os diferentes acervos e fomentando aplicações que promovam o compartilhamento de recursos, especialmente os de infraestrutura tecnológica, para assegurar a preservação, a manutenção e o acesso livre e permanente aos ativos digitais gerados neste concurso e, futuramente, aos demais acervos digitais do país", explica.

Por meio desse trabalho, o MinC está gerando subsídios para a criação de uma futura política nacional para coleções digitais que envolva a digitalização e a disponibilização de acervos arquivísticos, bibliográficos, documentais e museológicos referentes ao patrimônio cultural, histórico, educacional e artístico brasileiros. "A digitalização de acervos representa um grande desafio para os gestores públicos. São necessários recursos significativos em infraestrutura tecnológica e também na formação e manutenção de recursos humanos especializados nas diversas etapas que envolvem a digitalização, a catalogação e a publicação de conteúdos digitais. Para trabalharmos tudo isso de forma ordenada, é importantíssimo que haja uma política de Estado específica para o tema", considera José Murilo.

O trabalho que vem sendo desenvolvido no país tem como referência experiências bem-sucedidas nos Estados Unidos e na Europa. No âmbito do diálogo setorial Brasil-União Europeia em políticas culturais, servidores do MinC visitaram a Biblioteca Digital Europeana, em Haia, na Holanda, considerada referência mundial em oferta de informações ao público por meio de plataforma digital, e o JISC, em Londres, entidade especializada em informações e tecnologias digitais para educação e pesquisa, entre outras instituições. Também vem sendo levada em conta a experiência da Biblioteca Digital Pública Americana, criada em 2013.

"Tivemos a oportunidade de conhecer de perto o que há de mais moderno em cultura digital. A Europeana, por exemplo, reúne acervos de bibliotecas, arquivos e museus dos países membros da União Europeia em 27 línguas. Essas experiências vêm sendo bastante relevantes para o trabalho que estamos realizando aqui no Brasil", destaca José Murilo.

Acervo todo digitalizado até 2020

Meta do Plano Nacional de Cultura (PNC) prevê que, até 2020, estejam disponíveis na internet todas as obras audiovisuais da Cinemateca Brasileira e do Centro Técnico Audiovisual (CTAv); todo o acervo da Fundação Casa de Rui Barbosa; todos os inventários e ações de reconhecimento realizados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan); todas as obras de autores brasileiros do acervo da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e todo o acervo iconográfico, sonoro e audiovisual do Centro de Documentação da Fundação Nacional das Artes (Cedoc/Funarte). Além disso, 100% das bibliotecas públicas e 70% dos museus e arquivos deverão disponibilizar informações sobre seus acervos no Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC). 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Google lança ferramenta de ensino para alunos e professores



Reunindo recursos do Google Drive, Hangout e outros serviços, Google Classroom torna ferramentas online mais interessantes para quem está na escola


Saulo Pereira Guimarães, de Exame

Basicamente, o que a ferramenta faz é organizar recursos do Google Drive, Hangout e outros serviços do Google de forma a torná-los mais interessantes para quem está na escola.

Assim, o professor que tiver acesso ao Classroom vai poder, por exemplo, encaminhar um exercício por meio do Google Drive a seus alunos e receber as respostas de forma organizada em seu e-mail.

"No Classroom, o professor pode fazer perguntas e receber as respostas em tempo real, como num chat", afirmou, em entrevista a EXAME.com, Milton Burgese, diretor de Educação do Google no Brasil.


O Google Classroom surge dentro da Google Apps for Education, iniciativa da empresa que reúne soluções de colaboração em nuvem desenvolvidas para uso em ambiente escolar.

Para ter acesso ao Classroom, o aluno ou professor deve estar vinculado a uma instituição de ensino com conta nesse serviço do Google. 

Segundo Burgese, escolas públicas ou sem fins lucrativos precisam se inscrever, mas não pagam para usar o serviço. "No caso de escolas particulares, é cobrada uma taxa relativa ao uso por professores e funcionários", explica ele. 

Já os professores particulares interessados em usar o Classroom precisam comprovar que têm vínculo com alguma instituição de ensino para poderem usar a ferramenta.

Cartilha

Até o fim do mês, o Google deve lançar a versão em português de uma cartilha que ensina os professores a explorar o potencial do Classroom. 

Mais de 100 mil educadores de 47 países já se inscreveram para usar o produto. "Em visitas a escolas, tenho ouvido muitas perguntas em relação ao Classroom. Acho que os professores estavam esperando algo assim", afirmou Burgese.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Biblioteca Nacional disponibiliza 10 milhões de páginas digitalizadas para consulta


A Biblioteca Nacional Digital já atingiu o número de mais de 740 mil itens digitalizados e disponíveis para consulta gratuita do público. Entre os arquivos, encontram-se decretos de 1808, livros famosos como Os Lusíadas de Camões, de 1572, entre outras raridades.

Segundo o Ministério da Cultura, o escaneamento dos arquivos acontece desde 2006 e contabiliza, ao todo, mais de 10 milhões de páginas digitalizadas (ou 740 mil itens).


Para acessar o conteúdo, basta acessar http://bndigital.bn.br/ e ir na busca superior. Atualmente, o site possui mais de 300 mil acessos por mês.

Entre os conteúdos de relevância histórica, destacam-se a Coleção Thereza Christina Maria, doada à biblioteca pelo próprio Imperador Dom Pedro II, que contém partituras, mapas, gravuras e fotos, a coleção é considerada Memória do Mundo pela Unesco. Também é possível visualizar as primeiras fotografias feitas na Amazônia Brasileira. 

Portal EBC
*com informações do Ministério da Cultura

Dados eleitorais de 1945 até hoje podem ser consultados no Portal do TSE


Com o objetivo de disponibilizar a pesquisadores e demais interessados dados brutos e detalhados das eleições realizadas em todo o país e em cumprimento ao que determina a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), em 2012, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou o Projeto Memória Eleitoral. O projeto possibilita a pesquisa on-line sobre resultados de pleitos e informações de candidatos no período de 1945 até 1990. 

Desenvolvido pela Seção de Arquivo do Tribunal, o projeto cumpre as diretrizes da Lei de Acesso à Informação, tais como: “observância da publicidade como preceito geral e do sigilo como exceção; divulgação de informações de interesse público, independentemente de solicitações; utilização de meios de comunicação viabilizados pela tecnologia da informação; fomento ao desenvolvimento da cultura de transparência na administração pública; e desenvolvimento do controle social da administração pública”.

Disponibilizados por meio da ferramenta Repositório de Dados Eleitorais, os dados do projeto foram extraídos apenas de documentos oficiais da Justiça Eleitoral, especialmente dos relatórios de comissões apuradoras, atas de sessão dos TREs e relatórios estatísticos produzidos pelo TSE ao longo de sua história. 

Por meio do Repositório, é possível obter as seguintes informações detalhadas: resultados das eleições de 1945 a 2012; e dados dos candidatos de 1945 a 2014. Em resumo, o banco de dados produzido no projeto abrange 17 eleições, mais de 83 mil candidatos, 69 partidos políticos e nove cargos (apenas não estão os cargos das eleições municipais, isto é, os de prefeito e vereador). 

Acesse aqui o Repositório de Dados Eleitorais.

O Projeto

Em sua primeira versão, o Repositório de Dados Eleitorais, conduzido pela Assessoria de Gestão Estratégica e a Secretaria de Tecnologia da Informação do TSE, disponibilizou apenas os dados das eleições posteriores a 1994, uma vez que somente a partir daquele pleito os resultados foram consolidados em um banco de dados estruturado, único e administrado pelo TSE. 

Já no período que vai de 1945 (ano de recriação da Justiça Eleitoral e da primeira eleição de caráter nacional conduzida pelo TSE) a 1992, todas as informações oficiais de resultados eleitorais estão armazenadas nas unidades de arquivo do TSE e dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). Os dados destas eleições estão registrados apenas em mapas e atas de apuração em papel, conforme as regras do processo eleitoral vigente antes da urna eletrônica, que começou a ser implantada nos pleitos brasileiros em 1996. 

Para preservar e divulgar os dados e resultados eleitorais do período de 1945 a 1990, utilizando-se da mesma estrutura de formatação dos arquivos fornecidos pelo Repositório, em 2012, a Seção de Arquivo criou o Projeto Memória Eleitoral. Todos os dados fornecidos pelos documentos de arquivo foram digitalizados com o intuito de complementar as informações prestadas pelos bancos de dados no Repositório, obedecendo, quando possível, a mesma estrutura e regras. 

Todo o trabalho durou dois anos e contou com uma equipe multidisciplinar composta de arquivistas, estagiários de História, de Arquivologia e até de Economia. A Seção de Arquivo contou também com o apoio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que por meios de acordo de cooperação técnica forneceu uma bolsista que auxiliou na revisão e exportação dos dados. 

Consulta a base de dados

Os resultados podem ser consultados no Portal do TSE na aba “Eleições”, clicando em seguida no menu “Estatísticas” e, depois, em “Repositório de Dados Eleitorais”. Os dados fornecidos pelo projeto estão nas abas “Candidatos” e “Resultados”, do período que vai de 1945 a 1990. 

Lá estão disponibilizados arquivos compactados e podem ser consultadas as seguintes informações: legendas por UF (dados de composição das coligações partidárias por eleição, sigla e cargo); vagas por UF (dados do número de vagas disputadas por eleição, UF e cargo); detalhe de votação por UF (informações do número do eleitorado, comparecimento, abstenção, votos nominais, brancos, nulos e de legenda, além de quantidade de seções totalizadas, seções anuladas, seções sem funcionamento, zonas eleitorais e juntas apuradoras); votação dos candidatos por UF (informações dos resultados finais da eleição por UF, contendo turno, número do candidato, nome do candidato, cargo disputado, situação do registro de candidatura, situação de totalização, número do partido, nome do partido, sigla do partido, nome da coligação, composição da legenda e quantidade total de votos; e votação do partido por UF (dados dos partidos e coligações com a quantidade de votos nominais e quantidade de votos de legenda por UF, eleição e cargo). 

Para acessar as informações, o material selecionado deve ser baixado do Portal do TSE e descompactado. Todos os arquivos estão no formato TXT, mas para a leitura e manipulação dos dados sugere-se que sejam renomeados para o formato aberto CSV (Comma-separated values – Valores Separado por Vírgula). 

Apesar de não integrarem o Projeto Memória Eleitoral, informações sobre prestações de contas de campanha de 2002 a 2014 e sobre o eleitorado de 1994 até hoje também podem ser consultadas no Repositório de Dados Eleitorais.

Candidatos Eleitos no Período de 1945 a 1990

Outra ferramenta disponibilizada pelo Projeto Memória Eleitoral é a página Candidatos Eleitos no Período de 1945 a 1990. Lá, estão disponíveis dados como nome, cargo, ano da eleição, quantidade de votos, UF e sigla do partido/coligação. Para fazer a consulta na página pelo nome de um candidato, acesse o Portal do TSE na aba “Eleições”, clicando a seguir em “Eleições anteriores” e depois em “Candidatos Eleitos no Período de 1945 a 1990” ou clique aqui.

Ouça matéria sobre o tema.

via TSE

O acesso ao livro digital por pessoas com deficiência visual: o formato EPUB e seu caráter inclusivo e acessível



Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação v. 10 (2014) 

M.E.S. Barbosa, L.C. Freitas

O presente trabalho relata a experiência dos autores na interação com os livros digitais, desde sua compra até a leitura e apreciação das obras; a importância da acessibilidade às lojas on-line para quem apresenta alguma deficiência visual e o grande avanço que a comercialização dos e-books representa para o processo de inclusão digital, dando aos cegos a possibilidade de utilizar os mesmos canais e o mesmo formato de leitura que a população que não apresenta nenhuma deficiência. Demonstra como sanar as dificuldades no processo de compra, transferência dos livros para o computador e sua leitura nos equipamentos disponíveis no mercado e sugere implementações que podem ser feitas pelas editoras e livrarias on-line para facilitar o acesso, principalmente ao formato EPUB, que apresenta um nível satisfatório de acessibilidade e promove a plena interação da pessoa cega.

Clique aqui para o texto completo [pdf / 10p.]
Imagem: Internet

terça-feira, 19 de agosto de 2014

O caminho do êxito



"O Google pode te dar 100 mil respostas. Um bibliotecário pode te mostra o melhor caminho" 

Neil Gaiman

A vida sem videolocadoras


Espaço público de afeto que se esvai, a pequena locadora não aguentou a concorrência "on demand"

Pesquisas mostram que muitos leitores vão a livrarias escolher obras. Depois, buscam na internet e compram a melhor oferta. Se isso é verdade, a morte das livrarias ameaça a indústria editorial e até os websites, que asfixiam as lojas físicas. Há quem defenda que Amazon.com e outros serviços de e-commerce precisam manter vivas as lojas tradicionais, como mostruários para o leitor fazer a cabeça.

Leia a matéria completa na Folha de S. Paulo
Imagem: Internet

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

11 filmes sobre tecnologia que merecem sua atenção


A tecnologia sempre serviu como um plano de fundo rico para histórias em Hollywood. Claro, nem todos eles foram excelentes e muitos deles aproveitaram uma época em que a maioria era completamente ignorante com computadores para se safarem com erros crassos. Mas mesmo assim, muitos deles ainda permanecem agradáveis com o passar.

Redação Olhar Digital 

Confira abaixo uma série de longas-metragens, clássicos e modernos, que tem a tecnologia como temática:

Tron (1982)

Em um passado remoto, a humanidade já imaginou como seria um mundo dentro dos computadores. Neste contexto surgiu Tron, filme no qual um programador se vê transportado para dentro de um jogo digital no qual precisa vencer para conseguir sair. As fantasias cheias de Neon são um destaque à parte.

Jogos de Guerra (WarGames, 1983)

O filme foi feito em plena Guerra Fria e retrata a história de um garoto que acaba entrando nos sistemas do exército dos Estados Unidos e executa acidentalmente um sistema de simulação de guerra termonuclear achando que se tratava de um jogo de computador. Graças a este acidente, o mundo se vê à beira da Terceira Guerra Mundial. É um pouco difícil acreditar que os servidores do exército americano ficariam tão desprotegidos, mas o filme cria um suspense bacana sobre a possibilidade da extinção da raça humana.

Hackers (1995)

Observar filmes dos anos 1990 sobre tecnologia é sempre interessante e engraçado. Este filme, estrelado por Angelina Jolie antes de a atriz se tornar uma superestrela de Hollywood, é um bom exemplo disso. Criado numa época em que a internet ainda era algo misterioso para quase todo o mundo, mostra o processo de hackear algum servidor como se fosse um videogame, entre vários erros básicos. Com o tempo e a ampliação do conhecimento básico sobre computadores, o filme ficou tão defasado que acabou se tornando um clássico cult da década passada. Vale dar uma olhada, porque ao menos não mostrava quem tinha familiaridade com computadores como “perdedores”, como muitos filmes da época.

 Piratas do Vale do Silício (Pirates of Silicon Valley,1999)

Em um dos maiores clássicos da década de 1999, é possível entender um pouco sobre o nascimento e a rivalidade histórica entre Apple e Microsoft, ao mesmo tempo que apresentam o crescimento e popularização da computação pessoal como resultado desta competição. Vale muito a pena se você tem interesse na história (ligeiramente romantizada e modificada) da computação.

Matrix (1999)

Não foi o primeiro filme a mostrar um futuro onde as máquinas se levantam e dominam a humanidade, mas conseguiu fazer de uma forma diferente, criando um mundo alternativo onde os humanos vivem em uma falsa realidade. Há aqueles que sentem que é errado fugir da realidade horrível em que a humanidade está presa, enquanto outros irão lutar para manter a simulação funcionando. Um dos maiores clássicos do cinema com todo o mérito, e você provavelmente já assistiu a este filme.

Minority Report (2002)

Neste filme de ação e suspense em uma distopia futurística, os crimes são previstos antes mesmo de acontecerem. Ok, este cenário ainda depende de um pouco de “magia” para previsão do futuro, mas é interessante observar como o filme vê o futuro e a interação com sistemas computadorizados, por meio de gestos. Quem sabe com tecnologias como o Kinect este dia não esteja próximo?

A rede social (The Social Network, 2010)

Uma história romantizada sobre a criação do Facebook, a maior rede social do mundo, que conta a origem das ideias de Mark Zuckerberg, fundador da empresa, e sua visão empreendedora, mas também mostra a parte suja do mundo dos negócios.

O quinto poder (The Fifth State, 2013)

Conta a história do fundador do Wikileaks, Julian Assange, em sua missão para revelar segredos de Estado, como corrupções e verdades escondidas da população. A produção inclui o caso de Bradley Manning, jovem que acabou sendo preso por revelar informações sigilosas sobre ações militares dos americanos no Oriente Médio.

Os estagiários (The Internship, 2013)

Como seria trabalhar no Google? E como seria conseguir uma vaga de estágio no Google depois de seus 30 anos, quando nada mais na sua vida deu certo? O filme, uma comédia tranquila, tenta responder a estas questões de forma bem humorada, sempre com a empresa de buscas como plano de fundo. Chega a parecer uma propaganda da companhia em diversos momentos, mas o filme tem seus bons momentos.

Jobs (2013)

Ashton Kutcher se parece muito com Steve Jobs. Muito mesmo. A obra, que tenta retratar a trajetória do executivo fundador da Apple e sua ascensão a um status de quase-deus entre os adoradores da companhia, sofreu algumas críticas (até mesmo do Olhar Digital), mas retrata algumas passagens importantes da vida de Jobs e sua visão de mundo.

Ela (2013)

Em tempos de richas tão duras entre fãs de iOS e Android, não é difícil encontrar alguém capaz de dizer que “ama” seu sistema operacional. Este filme leva isto às últimas consequências, levando o protagonista a ficar apaixonado pelo seu novo sistema operacional, que recebe o nome de Samantha. Inteligente, o software começa a ter discussões profundas com seu dono e está sempre disponível, sempre sendo útil. Com a evolução de Siri e Cortana, da Apple e da Microsoft, respectivamente, não é difícil imaginar um futuro em que isso seja plausível.

Livros de papel se tornarão raros como discos de vinil?

Entrevista: ‘Lojas de livros não conseguirão sobreviver’

Jason Merkoski, ex-evangelista da Amazon, diz que livros de papel se tornarão raros como discos de vinil

Jason Merkoski trabalhou no desenvolvimento do primeiro Kindle e é autor do livro “Burning the page: The eBook Revolution and the Future of Reading”. FOTO: Divulgação

Por Ligia Aguilhar | Link

“As pessoas da Amazon não se importam realmente com o que você quer como consumidor.” A frase soa surpreendente ao sair da boca de Jason Merkoski, primeiro evangelista (responsável por disseminar novas tendências) da Amazon e um dos membros da equipe que desenvolveu o primeiro leitor de livros digitais Kindle, lançado em 2007.

Fundador da startup Bookgenie451, criadora de um software que identifica interesses de leitura de estudantes para recomendar livros didáticos, Merkoski mistura otimismo com alguma cautela quando o assunto são livros digitais.

Na quinta-feira, 21, ele vem ao Brasil participar do 5º Congresso Internacional CBL do Livro Digital, em São Paulo, no qual vai falar sobre a sua obra Burning the page: The eBook Revolution and the Future of Reading (ainda sem título em português), na qual decreta o fim do livro impresso.

Ao Link, ele deu mais detalhes sobre as mudanças e problemas que prevê para o mercado editorial. Confira os principais trechos.

Você decreta o fim dos livros impressos em sua obra, mas as vendas de tablets e leitores digitais começam a se estabilizar sem que isso tenha acontecido. O que falta para o livro digital se popularizar?
O que mais influencia a popularidade é a seleção de títulos. O que vimos acontecer nos EUA e Japão é que, uma vez que as pessoas consigam encontrar 80% dos títulos que buscam no digital, a chance delas migrem para e-books é de 100%.

Quanto tempo demora para essa mudança acontecer?
Cerca de três anos depois que os livros digitais estão disponíveis em um país.

Serviços de streaming podem ajudar nessa popularização?
O problema de serviços de streaming como o da Amazon é que eles têm vários livros no catálogo que as pessoas não querem ler. Um dos desafios é definir um modelo de preços para e-books, que hoje não existe. Até isso ser feito será difícil tornar o streaming uma experiência satisfatória e o seu custo sustentável.

Você esperava esses impactos quando ajudou a criar o Kindle?
Como indústria, acho que revolucionamos o mercado editorial, o que é assustador e maravilhoso ao mesmo tempo. Como dono de uma empresa de livros digitais, digo que é muito difícil trabalhar com editoras hoje, porque o mundo delas está em colapso. É como se elas estivessem no Titanic após bater no iceberg, sem coletes salva vidas, com o barco pegando fogo e naves alienígenas atirando contra o barco. As editoras estão confusas e com medo.

Teremos problemas com a coleta e uso de dados sobre nossos hábitos de leitura?
Certamente. Não vai demorar para começarmos a ver propagandas dentro dos e-books. Mas não estou realmente preocupado com o que a Amazon e o Google vão saber sobre mim porque acho que já aceitei que, inevitavelmente, eles saberão das coisas de algum jeito.

Esses dados também geram recomendações de leitura. Essa facilidade pode ter um lado ruim, como afastar o leitor de clássicos em prol de best-sellers?
Algum conteúdo poderá ser negligenciado com toda certeza. O problema de livros clássicos é que eles não são sexy e não são promovidos na página de entrada da Amazon porque a empresa não vai ganhar dinheiro com eles. O que menos gosto da virada do livro para o digital é a cultura do momento. Recomendamos apenas coisas atuais. Ferramentas de recomendação precisam melhorar.

Você já declarou em entrevistas que é difícil amar a Amazon…
Acho que o papel das empresas maiores não é estar na minha cara enquanto eu estou lendo. Elas podem ser mais sutis e acredito que esse é um papel que a Amazon faz mal. Hoje os varejistas conseguem aprender quem você é. Seria interessante se essas informações fossem repassadas para as editoras criarem conteúdo. Mas os varejistas retêm todos os dados. É por isso que o sistema está quebrado.

O que acontecerá com a palavra escrita?
Eu realmente acho que o futuro da palavra escrita é ser falada, porque a escrita é devagar. Os livros do futuro serão falados porque tudo gira em torno da fala hoje em dia. Aparelhos como o iPhone, com a Siri, permitem que você fale ao telefone o que você quer fazer.

Acredita que bibliotecas e livrarias vão mesmo acabar?
Não acho que o futuro será bom. Meus estudos mostram que nos últimos três anos os alunos gastaram 70% menos tempo nas bibliotecas das universidades. Onde eles estão pegando informação? Na Wikipédia ou em sites. As lojas de livros não conseguirão sobreviver e vão desaparecer. Sobrarão apenas algumas, especializadas em livros impressos, como as que vendem discos de vinil. Vão permanecer no mercado Google e Amazon, infelizmente. Conheço as pessoas da Amazon. E elas não se importam com o que você quer como consumidor. Elas se importam em como conseguir mais lucro. Uma maneira de fazer isso é empurrando livros populares, negligenciando outros. E infelizmente as pessoas vão aceitar. A curadoria de títulos está na mão dos varejistas.

1º Seminário sobre Acesso Aberto e gestão da informação científica



Universidade Federal de Ouro Preto
Campus Morro do Cruzeiro
Ouro Preto - MG
26 de setembro de 2014

O evento I Seminário sobre Acesso Aberto e Gestão da Informação Científica tem por objetivo conscientizar a comunidade acadêmica sobre a importância do acesso aberto à informação científica, discutir as estratégias de gestão e disseminação dessa informação por meio das novas tecnologias.

Destaques da programação

9h  Acesso Aberto: Repensando a Comunicação e a Gestão da Informação Científica

Fernando César Lima Leite – UnB

10h30 Mesa Redonda: Qualificação de Periódicos Científicos
Livio Amaral –  CAPES
Denise Peres – Scielo
Danyelle Mayara Silva – IBICT

14h Relato de Experiência na Gestão de Periódicos Científicos Eletrônicos
Roberta Cardoso Cerqueira – FIOCRUZ
Valdei Lopes de Araújo – UFOP
Jório Coelho – UFOP

16h30 Relato de Experiência na Gestão de Portal de Periódicos Científicos Eletrônicos 
Guilherme Ataíde Dias – UFPB

17h A Utilização das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação pelos Pesquisadores 
Alberto de Freitas C. Fonseca – UFOP
  
14h30 Mesa Técnica: Softwares Dspace e OJS/SEER

Ronnie de Brito (SEER) – IBICT
Washington Ribeiro (Dspace) – IBICT


Maiores informações: www.sisbin.ufop.br/evento



domingo, 17 de agosto de 2014

Repórteres jurídicos criam site especializado para suprir carência editorial

Rodrigo Álvares | Portal Imprensa

O advento das novas mídias colaborou para o crescimento do jornalismo jurídico no Brasil ao permitir transparência do Poder Judiciário e difusão das informações jurídicas. Mas, paradoxalmente, esses dados raramente são filtrados corretamente ou têm mais espaço na mídia. Por causa disso, um grupo de jornalistas ligados à cobertura dos tribunais decidiu criar o site de jornalismo jurídico Jota – com lançamento previsto para a segunda quinzena de setembro.

Crédito:Reprodução
Lançamento do site está prevista para a segunda quinzena de setembro

“Há muito tempo a gente vinha conversando sobre a necessidade dos advogados, ministros dos tribunais superiores, procuradores, promotores, professores e alunos de Direito têm de informar sobre o noticiário de Justiça e Direito. Muitas destas pessoas viram que há um espaço para tratar deste assunto”, explica Felipe Recondo, ex-repórter do Estadão e um dos sócios do site.  

Além dele, a equipe é composta por Rodrigo Haidar (ex-ConJur), Felipe Seligman (ex-Folha de S.Paulo), Laura Diniz (ex-Veja), Barbara Pombo (ex-Valor) e Rafael Baliardo (ex-ConJur). Recentemente, o Jota teve o acréscimo de Luís Orlando Carneiro, que deixou o Jornal do Brasil.

Lacuna 

Depois de cobrir por muitos anos a área jurídica, tanto em Brasília como em São Paulo, a convivência levou a “uma certa frustração relativa a não poder aprofundar certos temas que muitas vezes não têm o interesse do leitor geral”, diz Seligman. 

De acordo com Haidar, “há mais espaço para a Justiça nos jornais, mas são poucos os cadernos específicos sobre Justiça e Direito. Nada sobre o mercado da advocacia. Na maioria das vezes, os setoristas de Judiciário fixam a cobertura apenas no Supremo. Mas há muito mais a explorar no mundo jurídico. É isso que o Jota pretende fazer”.

Apesar de o Judiciário ter aumentado sua importância na imprensa nos últimos anos, isso não refletiu nas redações. “Eu estava no Estadão e nós tínhamos dois ou três repórteres para cobrir o Judiciário no País inteiro. A gente percebia que precisava de mais. Então, ganhando esse espaço, essa dimensão, talvez haja realmente um espaço onde a gente atue”, conta Recondo.

Seligman conta que “havia um grupo que achava chato o que escrevíamos e outro que achava ruim o que a gente escrevia. E, normalmente, o advogado que precisa muito de informação, reclama muito da falta de notícia, como os assuntos são tratados. Percebemos que existe muito espaço para avançar no Brasil em relação a esse tema. Existem alguns veículos qualificados, mas existe espaço também”. 

O Jota conta com a parceria da FGV – Rio e com alguns apoiadores – cujos nomes o grupo preferiu não divulgar. “Para Seligman, “há necessidade de trazer a academia para o debate. Na área de Direito, a academia é muito viva na parte profissional. Um advogado, quando atua, cita estudos, pesquisas de mestrado, cita até teses de doutorado. É uma área que talvez converse como nenhuma outra área”.

Jornalismo de nicho

Em meio às permanentes crises nas redações, o grupo aposta que o público-alvo deve encampar a proposta. “O nosso foco é o público especializado e a assinatura corporativa. Como essas pessoas precisam de informação mais aprofundadas do assunto, a gente crê que elas podem pagar por isso”, diz Recondo.

Em termos de tamanho do mercado, os jornalistas estimam em torno de mais de 800 mil advogados com a OAB, 600 mil estudantes, 15 mil juízes, professores, delegados de polícia, entre outros, como clientes em potencial. 

Além das assinaturas corporativas, Seligman explica o site também terá espaço para publicidade e “muita coisa que vamos experimentar, porque faz parte desse movimento de busca de um novo modelo de jornalismo. Talvez nesse momento passe pelo nicho”. 

“É difícil competir com um veículo de comunicação que cubra tudo. Eu não posso fazer isso porque não vou ter a estrutura de nenhum grande jornal, mas eu posso me focar numa área específica e tentar me tornar útil para um público específico. Porque, no final das contas, jornalismo é isso: um serviço de utilidade pública. Você não precisa mais atirar para acertar todo mundo”, conclui. 

sábado, 16 de agosto de 2014

Portal vai reunir o mais completo acervo sobre o violão brasileiro


Portal reúne informações sobre vida e obra de 150 músicosPortal reúne informações sobre vida e obra de 150 músicos 

EBC

O Arte Clube conversou com o idealizador do projeto Acervo Digital do Violão Brasileiro, Alessandro Soares. Com lançamento previsto para 8 de setembro, o portal www.violaobrasileiro.com.br  promete exibir, de graça, informações sobre vida e obra de 150 músicos, do popular ao erudito, por meio de verbetes enciclopédicos e uma rádio online. Outras seções do site incluirão banco de partituras e a produção de um CD digital com gravações inéditas. As páginas do portal contarão ainda com discografia, biblioteca, agenda de shows, blog, videoteca e linha do tempo dos instrumentistas. 

Apresentado por Felipe Rangel e Jansem Campos, o Arte Clube vai ao ar de segunda a sexta, das 18h05 às 19h, pela Rádio MEC AM do Rio de Janeiro.

Baixe o áudio da matéria

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Um e-reader na vida de um livreiro


Maya sabe o que é antes de terminar de abrir.

Já os viu na escola. Quase todo mundo tem um desses hoje em dia, mas o pai não aprova. Ela desacelera a velocidade do desembrulho e se permite um tempo para pensar em uma reação que não vai ofender nem o pai nem avó.

“Um e-reader! Faz tempo que quero um.” Olha rapidamente para o pai. Ele assente, embora a sobrancelha trema um pouco. “Valeu, vovó.” Maya beija a avó no rosto.

“Obrigada, mamãe Fikry”, diz Amelia, que já tem um e-reader para o serviço, mas mantém a informação sigilosa.

Assim que vê do que se trata, A.J. para de desembrulhar o presente. Se deixar embrulhado, pode repassar para alguém. “Obrigada, mamãe”, diz A.J. e morde a língua.

“A.J., está fazendo um beicinho”, a mãe repara.

“Não estou”, ele nega.

“Precisa acompanhar os novos tempos”, ela continua.

“Por quê? O que tem de tão bom nos novos tempos?” A.J. sempre reflete que, pouco a pouco, todas as coisas boas do mundo estão sendo trinchadas do mundo, como gordura da carne. Primeiro, foram as lojas de discos, depois as locadoras, e depois os jornais e revistas, e agora mesmo as grandes redes de livrarias estavam desaparecendo a olhos vistos. De acordo com ele, a única coisa pior que uma grande rede de livraria era um mundo SEM grandes redes de livrarias. Pelo menos as lojas grandes vendem livros e não remédios ou lenha! Pelo menos algumas pessoas que trabalham nessas lojas são formadas em literatura ou sabem como ler e fazer a curadoria de livros para os outros! Pelo menos as grandes vendem 10 mil unidades do lixo das editoras para que a Island consiga vender cem unidades de ficção literária!

“O caminho mais rápido para envelhecer é ficar para trás na tecnologia, A.J.” Depois de vinte e cinco anos trabalhando com computadores, a mãe acabou com uma aposentadoria respeitável e essa única opinião, pensa A.J., sem piedade.

A.J. respira fundo, dá um longo gole de água, outra inspiração. Seu cérebro parece apertado dentro do crânio. A mãe raramente o visita, não quer estragar o tempo juntos.

“Pai, você tá ficando meio vermelho”, diz Maya.

“A.J., você está bem?”, a mãe pergunta.

Ele coloca o punho sobre a mesa de centro. “Mãe, você entende que esse aparelho infernal vai destruir meu negócio sozinho e, pior, enviar séculos de cultura literária vibrante para o que certamente será seu declínio rápido e rasteiro?”

“Está sendo dramático”, diz Amelia. “Fica calmo.”

“Por que eu devo me acalmar? Eu não gostei do presente. Eu não gosto dessa coisa e com certeza não gosto de três dessa coisa na minha casa. Preferia que tivesse comprado algo menos destrutivo pra minha filha, tipo um cachimbo de crack.”

Maya dá uma risadinha.

A mãe de A.J. parece estar prestes a chorar. “Bem, eu não queria deixar ninguém chateado.”

“Está tudo bem”, diz Amelia. “É um lindo presente. Nós amamos ler, e tenho certeza de que vamos aproveitar muito. Além disso, o A.J. está sendo dramático.”

“Desculpa, A.J.”, diz sua mãe. “Não sabia que se importava tanto com o assunto.”

“Podia ter perguntado!”

“Fica quieto, A.J. Para de se desculpar, mamãe Fikry”, diz Amelia. “É o presente perfeito para uma família de leitores. Muitas livrarias estão descobrindo maneiras de vender e-books junto com livros convencionais de papel. A.J. só não quer…”

A.J. interrompe: “Sabe que é isso lorota, Amy!”.

“Está sendo muito grosso”, diz Amelia. “Não pode enfiar a cabeça na areia e fingir que e-readers não existem. Não pode lidar com as coisas desse jeito.”


...


Mais tarde, na cama, A.J. ainda está falando sobre e-reader. “Sabe qual é, de verdade, o problema com os e-readers?”

“Acho que você vai me contar agora”, Amelia fala sem tirar os olhos do seu livro de papel.

“Todo mundo pensa que tem bom gosto, mas a maioria das pessoas não tem bom gosto. Na verdade, eu diria que a maioria das pessoas tem péssimo gosto. A sós com esses aparelhos, literariamente falando, leem porcarias sem nem saber a diferença.”

“Sabe o que é bom nesses aparelhos?”, pergunta Amelia.

“Não, Pollyanna”, diz A.J. “E não quero saber.”

...


Trecho do livro A Vida do Livreiro A. J. Fikry, de Gabrielle Zevin