sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O digital ainda nem começou, diz CEO da quinta maior editora dos EUA

Pelo nono ano seguido, os principais veículos de cobertura do mercado editorial no mundo – incluindo orgulhosamente o PublishNews – realizaram o CEO Talk em Frankfurt. No palco e no centro das atenções desse ano, estavam Carolyn Reidy, presidente e CEO da Simon & Schuster, a quinta maior editora dos EUA, e Guillaume Dervieux, que está à frente da prestigiada editora independente francesa Albin Michel. 

Em comum, essas duas editoras têm a decisão em publicar em uma única língua. Mesmo estando em vários territórios (além dos EUA, está presente na Inglaterra, na Austrália e na Índia), a Simon & Schuster editora somente em inglês e a Albin Michel, só em francês. Ser editora de uma língua só é uma estratégia? Carolyn responde na lata: “toda editora é local”. “Publicar em uma única língua não significa que não somos internacionais, porque você pode trazer autores internacionais para o seu mercado e também ‘exportar’ esses mesmos autores por meio da venda de direitos”, completou.


Rüdiger, Carolyn e Guillaume no palco do CEO Talk de 2017 | © Leonardo Neto

O líder da Albin Michel ressalta que, embora seja uma editora francesa, fortemente enraizada no país, deu um passo importante na sua expansão internacional ao comprar recentemente uma editora especializada em educação na Bélgica.

O digital e a autopublicação
Reidy, ao ser questionada sobre o que poderia ter dado errado com o digital, cujas vendas apresentaram uma queda em países onde o formato já estava consolidado, ela respondeu dizendo que o digital ainda nem começou. “Uma nova versão do e-book deve surgir. Há uma pessoa, que ainda é muito jovem, mas nasceu na frente de uma tela, que aparecerá com um novo formato, que a gente ainda não conhece. Acredito que ainda não encontramos isso ainda. Mas quando isso acontecerá, será um dia incrível”, disse a CEO. A executiva observou ainda para um "booming" de audiolivros, especialmente nos EUA.

Outro tema tratado na sabatina que os CEOs se submeteram foi a autopublicação. Reidyn destacou que ela é “enorme”, que tem levado alguns clientes embora e colocado uma pressão no preço dos e-books. “É, no entanto, um bom lugar para se encontrar novos títulos”, completou. Já Guillaume pontuou que o self-publishing é o oposto simétrico daquilo que a Michel Albin faz. Ele completou dizendo que, no esquema da autopublicação, todo manuscrito é aceito e cada título recebe a quantidade mínima de recursos. “Nós fazemos exatamente o contrário disso. Nós rejeitamos muitos manuscritos e concentramos nossos recursos e esforços naquilo que selecionamos com paixão”, disse o editor independente.

via Publishnews

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A livraria do futuro (do substantivo)


Mais importante intermediária entre autor, editora e leitor, eles enfrentam grandes desafios para mantar e ampliar sua relevância no mercado livreiro. Mas fica a pergunta: como serão no futuro?

por Jr. Bellé | Revista da Cultura

Antes de viajarmos ao futuro do subjuntivo das livrarias, é preciso dar uma volta em seu pretérito mais-que-perfeito: quando Santo Inácio de Loyola fundou a Companhia de Jesus, por volta de 1534, mal sabia ele que, cerca de um século e meio depois, seus jesuítas seriam os primeiros a comercializar livros neste Brasil brasileiro, em uma paragem maravilhosa, o colégio da ordem, no Morro do Castelo, coração da futura capital nacional, o Rio de Janeiro. Somente em 1750 uma livraria seria aberta, a Loja de Livros de Manuel Ribeiro dos Santos, em Vila Rica, Minas Gerais. Ainda assim, mais de cem anos depois, a compra e venda de livros em nossa continental Ilha de Vera Cruz ainda era tacanha, inexpressiva. Difícil dizer se as pequenas lojas e empórios estavam mais para livrarias ou espaços de encadernação, que as precederam. Na época, quem estivesse disposto a produzir uma obra teria de procurar um encadernador, devido à afinidade de negócios; aqueles que desejavam desfazer-se de obras deixavam-nas nas mesmas mãos, fertilizando assim um mercado embrionário. 

No século 19 e princípios do 20, quem se empenhou com mais ardor no ramo foram os imigrantes europeus, daí surgiram, por exemplo, Laemmert (1833), Garnier (1845), Lombaerts (1848) e Garraux (1850). A livraria mais antiga ainda em atividade no país também data desse período: Ao Livro Verde, na cidade fluminense de Campos dos Goytacazes, aberta em 1844. Mas o mais interessante de toda essa história, de todo esse conjunto de dados pretéritos, é que eles estão disponíveis, quem diria, justamente em um livro, esse amontoado de páginas sujas de tinta e costuradas em prensas industriais, especificamente no Pequeno guia histórico das livrarias brasileiras (Ateliê Editorial), da pena do historiador Ubiratan Machado, que hoje pode ser encontrado facilmente nas mais de 4 mil livrarias espalhadas pelo Brasil ou nos incontáveis sebos – e mesmo em seus respectivos, ou singulares, sítios virtuais.

A história das livrarias começou em pequenos espaços, ousadia de gente inventiva, mas aos poucos foi se transformando no que nos acostumamos a ver: grandes e imponentes extensões, latifúndios de histórias, poemas, crônicas, missivas, contos de fadas e de fatos, salvas de aparelhos eletrônicos, produtos de papelaria, cafés, restaurantes, jornais, revistas, áreas para teatro, cinema, saraus, shows, lançamentos, tardes de autógrafo, eventos dos mais diversos. As livrarias foram se moldando a seu tempo, escolhendo seus formatos de negócio, ora curtindo a crista da onda do mar tormentoso e egoísta do mercado, ora enfrentando suas ondas, naufragando e ressurgindo. É notório seu papel na difusão cultural e literária, seu ponto central como referência nas marés e ressacas que levam e trazem a literatura. Disso resulta a pergunta: qual será o papel que as livrarias interpretarão no futuro? E qual será seu figurino?

Para o poeta Fernando Paixão, a relevância das livrarias do futuro depende do modelo de negócios que adotarão e também se serão capazes de impor um aspecto orientador para leituras temáticas. “Acredito na sobrevivência de livrarias especializadas. No mundo em que a gente vive, com tanta informação, precisamos de gente que conheça o assunto e apresente para nós uma espécie de síntese, um resumo inteligente da conjuntura, e que ofereça um lugar em que tenha produtos que interessem, selecionados por um livreiro que entenda do assunto, que traga novidades surpreendentes. Esse aspecto orientador da livraria tem de permanecer. O conceito de livraria é menos o lugar onde você vai comprar o livro e mais um lugar que sinaliza o que há de mais importante, de pautar o que é mais relevante nos temas em que se trabalha.”

Paixão entende do riscado. Atualmente, é professor no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP) e trabalhou por mais de 30 anos como editor e gerente editorial da editora Ática. “Mas falo também como leitor, sempre fui um rato de sebos e livrarias.” Não agrada a ele o modelo “que parece um supermercado, onde a gente vê os produtos que fazem mais marketing e não os que são realmente bons”. A livraria do futuro precisa retomar seu papel de bússola, sinalizando os melhores nortes para cada tema, os pontos de fuga, as ilhas esquecidas, paradisíacas ou infernais, no meio do oceano de publicações. “Esse modelo de supermercado só serve para um pedaço do mercado, que é o da novidade, mas o mundo do livro não vive apenas disso. Uma coisa é um atacadão e outra é uma livraria que tem uma curadoria, propondo um conceito de qualidade e de orientação. Essa livraria especializada continua e continuará sendo muito necessária.”

A aposta de Leonardo Chianca, editor há mais de 30 anos, é similar. As livrarias têm e continuarão tendo um papel fundamental no mundo dos livros, ainda que seu modelo possa se transformar: espaços físicos menores e mais especializados tendem a oferecer aos futuros leitores e compradores experiências mais ricas e únicas. “Já estamos vendo isso acontecer no Brasil, principalmente em centros menores. A valorização de espaços e editoras independentes, a exploração de novos nichos e o estímulo cultural da diversidade são uma tendência e um valor a ser perseguido.” No entanto, na opinião de Chianca, para continuarem sendo centrais nesse mercado, o espaço físico das livrarias também precisa ganhar novo foco: “Como espaços culturais, elas não devem seguir apostando em sua transformação em salões de entretenimento e diversão, mas sim em espaços de exposição, reflexão e difusão da cultura como um todo”.



POR OUTRO LADO...
A discussão, no entanto, não é simples, e há inúmeras e imprescindíveis variáveis nessa matemática do futuro. Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura desde 2011, discorre sobre tal complexidade: “Essa é uma discussão difícil, lojas muito pequenas restringem a experiência e a quantidade de produtos que podem ser oferecidos. Lojas muito grandes são caras. É uma discussão que surge pela frente, de um varejo que vai entregar uma nova experiência. O varejo terá de rentabilizar os espaços de forma que não seja apenas pela venda de mercadorias. Isso passa por eventos, espaços de sublocação, formas de sinergia com outros parceiros, para atrair público e expor suas marcas”. Isso porque, de acordo com o CEO, a maior parte da venda de livros e produtos será feita por meio de comércio eletrônico, enquanto às lojas físicas caberá o papel de socializar as experiências. “É para encontrar gente, para sair de casa, o ser humano não perderá essa característica de ter um ambiente assim, de diversão e interação, no futuro. A loja do futuro será social, pura. E muito menos especializada; você terá muitos produtos, capazes de complementar a experiência da leitura.”

A reflexão de Herz vai ao encontro das análises do espanhol Javier Celaya, economista que há 14 anos estuda o mundo dos livros para entender os caminhos vindouros inaugurados pela era digital. Seu portal, dosdoce.com, é referência na investigação do mercado editorial para todos os setores, incluindo livrarias, bibliotecas e agentes literários. “As pequenas livrarias, especializadas, são uma tendência na Europa e nos Estados Unidos, mas elas têm um problema: seus catálogos são muito reduzidos, assim como a oferta de produtos relacionados a eles. Há um lado bom, pois o livreiro conhecerá a fundo as obras e poderá recomendar boas leituras. Mas há um lado ruim, a experiência de ir até a loja física possivelmente não compensará, já que o consumidor pode adquirir os livros pela internet.” 

Essa experiência a que se refere Celaya é sua aposta para as livrarias do futuro e tem sua origem em uma indagação: por que alguém sairia de casa para comprar um livro se pode fazê-lo sentado no sofá? Isso é ainda mais complicado em grandes metrópoles, cujos deslocamentos, até os menores, podem levar horas. “A única coisa que fará com que as pessoas se desloquem até uma livraria, seja ela pequena ou grande, especializada ou não, é que ela terá lá, no espaço físico, uma experiência melhor, mais proveitosa e rica, do que se fosse comprar de casa.” 

Para enriquecer a experiência de compra, segundo Celaya, é preciso que as livrarias disponham de produtos que complementem a leitura desejada. Mas não só isso: “O espaço físico das livrarias não será mais onde vamos descobrir novas leituras, porque provavelmente já vamos descobri-las na internet, mas será um lugar para compartilhar nossas experiências de leitura, estar junto com pessoas que também gostam de ler, seja em formato de papel ou digital”. 

Dessa forma, as livrarias terão um papel fundamental no que tange a agregar pessoas interessadas e refletir sobre a literatura, criar eventos e disponibilizar produtos que suplementem as leituras. “Papel e pixels conviverão juntos por muito tempo, mas acredito que a sociedade do futuro lerá principalmente no digital e comprará mais pela internet. Acredito que em 30 anos viveremos num mundo inteligente, em que a livraria utilizará essas tecnologias com um olhar humano, incorporará o conceito de big data, dos algoritmos, e o livreiro, apoiando-se nessas tecnologias, poderá recomendar melhor novas leituras e produtos. Serão livrarias que se apoiarão nessas tecnologias para conhecer mais ainda seus leitores e clientes, para assim oferecer uma experiência de compra e de leitura mais rica. Hoje em dia, publicar livros é um negócio de risco, porque se sabe apenas quanto desse livro foi vendido, mas não se sabe qual foi o estado emocional do leitor ao lê-lo, se leu até o fim, qual o personagem que mais o fascinou, etc. Essas informações, que já estão e estarão cada vez mais disponíveis, farão o livreiro e a livraria mais assertivos e inteligentes.” 

É sempre importante lembrar, por fim, que, para além dos formatos e tecnologias vindouros, o mercado de livros não é uma indústria papeleira, não é uma indústria eletrônica, de hardwares e softwares. É, sim, uma indústria de histórias, de contar histórias – é esse seu papel mais importante, sua essência, que jamais pode ser perdida (sequer de vista). As livrarias, nesse cenário, são e serão seu ínterim, para que essas histórias continuem chegando aos leitores, emocionando-os, fazendo-os chorar, sorrir, questionar e, por que não, criar novas histórias e mudar aquela que já é sua. 

Há 20 anos atuando na Cultura e há seis como CEO, Sergio reforça que o “maior aprendizado nesse processo de transformação do mercado é conseguir alinhar crescimento de maneira sustentável sem perder valores e DNA. Isso é o maior desafio de qualquer empresa”. Caso contrário, como ele alerta, ao crescer vertiginosamente sem controle, uma empresa acaba trazendo para a equipe muitas pessoas que nem sempre compartilham dos mesmos valores ou têm outros em mente, o que acaba prejudicando por demais todo o negócio. “Por isso, hoje, se eu fosse lá atrás me preparar para os próximos 70 anos da Cultura, entre um crescimento acelerado, qualidade e DNA, iria muito mais me voltar para como mantenho meu valor. Se eu não tiver muito claro como manter valor no crescimento, prefiro crescer devagar.”

Mórmons ajudam a descobrir raízes


Vocês querem catalogar a humanidade inteira, é isso? A pergunta deste repórter não tirou o foco de Mario Silva, gerente de relacionamento do FamilySearch no Brasil. “Olha, sabemos que é algo impossível. Mas nossa pretensão é fazer o máximo possível nessa direção”, respondeu ele, ciente de que dados de sua instituição guardam 3,5 bilhões de cópias de documentos, microfilmados, em um imenso arquivo-cofre de mais de 6 mil m² na Granite Mountain, em Salt Lake City, nos Estados Unidos.

Estamos falando do maior acervo de registros genealógicos do mundo, trabalho iniciado em 1894 pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, os mórmons. Para esses religiosos, pesquisar a genealogia é mais do que uma curiosidade.

“De acordo com nossa doutrina, os laços familiares são eternos”, explica Silva. “Assim, somos incentivados a conhecer os antepassados.”

Aos poucos, em esforço que hoje mobiliza 10 mil arquivos e mais de 200 mil voluntários em todo o mundo, o FamilySearch foi montando seu impressionante acervo. No sistema, hoje digitalizado, estão livros de cartórios e de cemitérios, fichas de imigrantes, certidões emitidas por igrejas católicas e diversos outros tipos de documentos que ajudam a reconstituir árvores genealógicas.

“Entendemos que seria egoísmo restringir essas informações apenas aos membros da igreja”, afirma Silva. Desde 1999, com o lançamento do site www.familysearch.org, o acesso a tais materiais pode ser feito de qualquer lugar. Atualmente, o site recebe 10 milhões de visitantes por dia. Já são 9 milhões os usuários cadastrados. No sistema, há um banco de 6 bilhões de nomes.

Dos 305 Centros de História da Família do Brasil, um terço está no Estado de São Paulo. A reportagem esteve no maior deles, que fica na sede da igreja no bairro do Caxingui, na zona oeste. Voluntários e funcionários da igreja auxiliam nas pesquisas em computadores e incentivam as pessoas a mergulharem fundo nas suas genealogias. Por mês, o endereço recebe cerca de 300 interessados. “A maior parte é da igreja mesmo. Mas ultimamente tenho observado um número cada vez maior de interessados em descobrir detalhes de antepassados para pleitear dupla cidadania”, comenta Marisa Cuellar, diretora desse Centro de História da Família.

De volta ao passado

Quando um antepassado é encontrado, a comemoração costuma ser compartilhada. Foi assim quando a advogada Magna Pereira da Silva, de 65 anos, encontrou o registro de nascimento de seu avô, Afonso Aloi, italiano da Calábria. “O único documento dele que eu tinha era sua certidão de óbito, já que ele morreu aqui no Brasil há 53 anos”, conta. “Mas nela não estava informado o local de nascimento na Itália, então tive de olhar página por página, de várias cidades, até encontrar.”

Muito além da simples curiosidade, o documento será importante para os planos futuros de Magna. Ciente da localização e data exata do nascimento de seu antepassado, ela vai solicitar agora à Itália a cópia da certidão de nascimento do avô para que possa dar início ao processo de reconhecimento de cidadania italiana.

Uma das mais assíduas pesquisadoras é a administradora de empresas Adriana da Cunha Sinibaldi, 39 anos, frequentadora do centro desde os 16. “Pesquisa genealógica não é algo rápido”, diz ela. Como o sistema permite que o usuário vá alimentando sua própria árvore genealógica e esta se cruze com outros pesquisadores com antepassados em comum, as ramificações vão recuando no tempo. “No mais longo ramo da minha família cheguei a 166 gerações”, conta.

Mas de onde vem toda essa informação? No Brasil, é o gerente Mario Silva quem se encarrega de fazer as parcerias. Firma acordos com cartórios, com igrejas católicas, com arquivos. “Oferecemos a digitalização gratuita de todo o material em troca de termos uma cópia. Não há dinheiro envolvido”, afirma.

No País, os mórmons têm 30 câmeras trabalhando simultaneamente. Cada uma tem capacidade de produzir 50 mil imagens por mês. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Da preservação digital ao acesso à informação: uma breve revisão


Páginas a&b: arquivos e bibliotecas S.3, nº 7 (2017) 16-30

Henrique Machado dos Santos, Daniel Flores

O constante aumento de documentos digitais vem impulsionando as práticas de preservação em longo prazo. No entanto, a literatura técnica concentra-se em preservar a autenticidade dos registros, e por vezes, há pouco aprofundamento no que se refere a proporcionar condições de acesso aos usuários. Assim, realiza-se uma análise sobre as estratégias de preservação digital com ênfase na perspectiva de acesso aos usuários. O método utilizado consiste no levantamento bibliográfico de materiais previamente publicados, dentre estes: livros, teses, dissertações e artigos científicos recuperados pela ferramenta de pesquisa Google Scholar. Desta forma, obtém-se uma revisão dos métodos de preservação digital que realça sua aplicabilidade e aponta as dificuldades de acesso pertinentes ao usuário.


Clique aqui para o texto completo [pdf/15p.]
Imagem: Internet

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Biblioteca da CIA


A CIA lança milhões de páginas de documentos a cada ano e freqüentemente publica itens de interesse público. A Biblioteca contém uma riqueza de informações, desde publicações atuais não classificadas até referências básicas, relatórios e mapas.


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

HQ questiona o mundo oco e sem sentido das redes sociais


Quadrinhos: Unfollow, de Rob Williams e Michael Dowling

Collectors Room

Para que servem as redes sociais? Entre as várias respostas possíveis, a integração e aproximação entre as pessoas certamente está cada vez mais distante. Já a criação de personagens (ou máscaras) virtuais que contrastam com o verdadeiro eu de cada indivíduo surge como uma tendência (ou seria uma espécia de sociopatia?) que cresce mais e mais a cada dia.

Este e outros pontos são explorados com brilhantismo pelo roteirista Rob Williams (A Realeza: Os Mestres da Guerra) em Unfollow, série da Vertigo que a Panini está iniciando a publicação aqui no Brasil. Lá fora, Unfollow já tem 18 edições reunidas em três encadernados. 140 Tipos, o primeiro a sair no Brasil, vem com as seis primeiras em uma edição com 148 páginas, capa cartão, papel LWC e formato 17x26.

A trama imaginada por Williams soa como uma espécie de experimento de Stanford desses tempos estranhos onde a internet parece resumida a apenas uma ferramente para acessar redes sociais. Larry Ferrell é um jovem brilhante e bilionário, com apenas 24 anos, e que sofre de um câncer terminal. Ele é o criador de uma rede social gigantesca, e resolve dividir a sua fortuna entre 140 usuários desta rede escolhidos aleatoriamente através de um aplicativo. Só que tem um detalhe: os mais de 18 bilhões de dólares de Ferrell serão divididos igualmente entre os selecionados. Mas, se um morrer, a divisão passa a ser entre 139 pessoas, 138, 137 ... e assim por diante. Ou seja: é um teste não apenas para a ambição de cada indivíduo, mas sobretudo uma gigantesca prova de caráter coletiva.





E os personagens criados por Williams exploram os estereótipos tão comuns presentes nos Facebooks e Twitters da vida. Temos o garoto deslumbrado, a patricinha maluquinha, o profeta salvador e assim por diante. A arte de Dowling é primorosa, com um traço meio sujo e que casa como uma luva com o texto de Williams. 

A leitura de Unfollow faz surgir várias perguntas. E ela possui várias camadas, é preciso admitir. Enquanto referências mais óbvias como o perfil dos participantes estão escancaradas, outras mais sutis como as máscaras que vão ruindo pela convivência interpessoal dos perfis virtuais podem passar batido pelos mais desatentos.

Unfollow é excelente, e bebe na fonte das questões abordadas pelo seriado Black Mirror, por exemplo, levantando dúvidas e perguntas sobre o que a tecnologia anda fazendo com essa imensa massa de manobra chamada humanidade.

Leia, pois é incrível.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Linha do Tempo da Música Brasileira


Por iniciativa de Carla Camurati (quando no Comitê Rio 2016), foi desenvolvido um site com um panorama sobre mais de cinco séculos de práticas musicais no Brasil. Trabalho hercúleo, como pesquisas lideradas pela Funarte e apoio o BNDES. O projeto tem parceria  com o Música Brasilis, criado em 2009, que resgata repertórios brasileiros de todos os gêneros e de todos os tempos, com mais de quinhentos compositores. 

http://timelinemusicabrasileira.org.br


via Le Monde Diplomatique Brasil

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Unfollow – 140 Tipos




“Os autores criam uma saga que mistura A Rede Social e Battle Royale, e que merece muito a sua atenção.” – IGN

“Provocativa, linda e atual.” – Brian Azzarello, cocriador e roteirista de 100 BALAS

“Choca, causa arrepios e vicia. UNFOLLOW é sua nova série favorita, mesmo que você ainda não saiba disso.” – Big Comic Page

“Williams, Dowling e Winter criaram algo acessível que é intrigante e prende o leitor.” – Comic Vine

140 PESSOAS. 18 BILHÕES DE DÓLARES. NENHUMA REGRA.

Larry Ferrell inventou uma rede social revolucionária que conecta a vida de milhões de pessoas – e que o tornou um dos homens mais ricos do mundo. Mas o recluso fundador da Headspace está morrendo e decidiu doar a fortuna que acumulou para 140 usuários aleatórios.

Saídos dos mais diversos recantos do globo, os vencedores da maior loteria da história foram levados até a ilha privativa de Ferrel para conhecer os perturbadores termos de sua nova riqueza: os 18 bilhões foram divididos igualmente entre todos, mas, se qualquer um deles morrer, o dinheiro será redistribuído entre os sobreviventes.

E assim começa o último e mais ambicioso projeto de engenharia social de Ferrel, um vasto experimento feito para revelar a verdadeira natureza da humanidade.

E com ele também começa a contagem regressiva da vida de 140 pessoas.

UNFOLLOW, a aclamada nova série Vertigo do escritor ROB WILLIAMS (A REALEZA) e do artista MIKE DOWLING (Death Sentence), com arte também do desenhista convidado R.M. GUÉRA (ESCALPO), penetra na criptografia acumulada da civilização para hackear a sociedade até o seu cerne em UNFOLLOW: 140 TIPOS. Tradução: Érico Assis.

#NasBancas

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Censo do Livro Digital chega ao mercado editorial para mapear a produção do setor


Estudo foi realizado pela FIPE, a pedido de CBL (Câmara Brasil do Livro) e SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros)

 Realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a pedido da CBL e do SNEL, o estudo mapeia pela primeira vez o mercado do conteúdo digital no país; os dados são referentes ao exercício de 2016.

Ao todo, das 794 editoras brasileiras investigadas, 294 produzem e comercializam conteúdo digital, o que representa 37% do setor editorial. A pesquisa aponta, ainda, que a atividade no país está concentrada nas editoras de Obras Gerais e de Científicos, Técnicos e Profissionais (CTP), que respondem, respectivamente, por uma fatia de 55% e 23% no mercado de livros digitais.

O diagnóstico oferece pela primeira vez um panorama comparativo sólido para nortear a análise do conteúdo digital no Brasil pelos próximos anos. Desde 2014, os dados referentes ao mercado digital no país estiveram integrados à Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro – fruto de uma parceria que existe há mais de dez anos entre a Fipe, CBL e o SNEL.

Na última edição da pesquisa, de ano-base 2016, os números não apareceram em razão deste diagnóstico exclusivo voltado para o conteúdo digital do Brasil.

Principais descobertas da pesquisa:

37% das editoras brasileiras produzem e comercializam livros digitais

No ano de 2016, foram vendidas 2.751.630 unidades de ebooks

Obras gerais, que incluem livros de literatura, contos, romances ou poesias é o subsetor que mais movimenta esse mercado com 88% de unidades vendidas, seguido dos livros Científicos, Técnicos e Profissionais (CTP). Os livros religiosos aparecem em terceiro lugar dos mais vendidos.

O mercado de livros digitais movimentou R$ 42.543.916,96 nesse período, o que corresponde a 1,09% do mercado editorial.

Essa fatia cresce 2,38% do faturamento do mercado quando se observa o subsetor de Obras Gerais e sobre para 4,51%, levando em consideração apenas as editoras com maior faturamento (acima de R$50 milhões com livros físicos e R$1 milhão com digitais). Já os livros Científicos, Técnicos e Profissionais (CTP) equivalem a 1,68% do mercado total, crescendo para 2,28% nas editoras de maior faturamento.

O acervo total de e-books comercializados no país chegou a 49.622 títulos até 31 de dezembro de 2016. Sendo que foram publicados e comercializados 9.483 novos números de ISBNs*

 O Censo do Livro Digital passa agora a ser uma pesquisa periódica mantida pelas três entidades, com o intuito de dar continuar a análise da produção e comercialização de e-books pelas editoras brasileiras.

Para ter acesso a pesquisa completa, clique aqui.

via Panorama Editorial


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A biblioteca do futuro? É digital

As bibliotecas estão cada vez mais a pensar no espaço digital e não físico

As universidades que procuram fornecer o melhor serviço de biblioteca aos alunos devem priorizar a inovação digital


O National Student Survey e o quadro de excelência em ensino estão colocando uma crescente ênfase no ambiente de aprendizagem e na experiência dos alunos. Mas as discussões passaram a refletir nos espaços físicos. Em vez disso, as bibliotecas estão colocando a inovação digital no topo de suas listas.

Qualquer abordagem digital  para as bibliotecas precisa considerar a forma como as expectativas dos alunos variam. Embora as cópias impressas dos textos principais provavelmente tenham um lugar nas prateleiras da biblioteca nos próximos anos, a forma como os alunos consomem e digerem informações está mudando.

Leia a matéria completa publicada no The Guardian, aqui.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Biblioteca de SP cria clube de leitura com apoio das redes sociais


A Biblioteca de São Paulo (Av. Cruzeiro do Sul, 2.630 – São Paulo / SP) vai realizar uma atividade inédita a partir deste mês. Trata-se do Clube de leitura para jovens, que contará com o auxílio de blogs e redes sociais para incentivar o hábito de ler e aproximar o público teen da literatura. Serão realizados quatro encontros presenciais de agosto a novembro. No primeiro, que acontece no dia 26, das 14h30 às 16h30, será apresentado o livro Os meninos da biblioteca, do escritor João Luiz Marques, que também será o mediador das oficinas na biblioteca. Após cada encontro, a oficina continua na internet, porém, com mediação do personagem fictício Heitor, que acaba de completar 14 anos e de tanto gostar de ler recebeu o apelido de Le (de leitor). O bate-papo é pelo blog do Le-Heitor. Lá, será possível tirar dúvidas e pegar dicas de livros. O trabalho inédito realizado na Biblioteca de São Paulo é uma atividade de fomento à leitura e formação de novos leitores juvenis que demonstra o crescimento desse nicho. As inscrições para o clube devem ser feitas até 11 de agosto pelo e-mail agenda@bsp.org.br ou pessoalmente no balcão de atendimento da instituição.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

The Buenos Aires Herald, um dos últimos jornais de língua inglesa na América Latina, fecha após 140 anos



The Buenos Aires Herald, o jornal de língua inglesa da capital da Argentina, está fechando após 140 anos de impressão.

O jornal fez o anúncio no Twitter no dia 31 de julho, pouco menos de um ano após a publicação, a mais antiga de língua inglesa da América Latina, passar a ser semanal e a maioria dos funcionários perderem seus empregos.

Herald's staff have been informed that the newspaper is closing.
Our front page when we turned 140 on September 15, 2016. pic.twitter.com/5or01KqDy6
— Buenos Aires Herald (@BAHeraldcom) July 31, 2017

O editor de notícias James Grainger escreveu no Twitter: "Não há muito a dizer agora, para ser honesto. Nos disseram que a última edição foi nesta sexta-feira. Não há mais para adicionar neste momento."

Quando o jornal passou a ser semanal, foi publicado um editorial que dizia: "O Herald tem enfrentado dificuldades há algum tempo e, embora nossa encarnação futura tenha sido pintada como um novo desafio e uma oferta emocionante para o mercado, seria tolice negar que uma mudança tão dramática não chegue com custos enormes, ou que também não reflita uma indústria de mídia em crise".

O texto também destacou que "modificações na publicidade paga pelo governo, sua distribuição e a recessão estão exacerbando as mudanças em um ritmo acelerado" na Argentina.​

O Herald começou como um jornal de apenas uma folha, de publicação semanal, quando foi fundado pelo imigrante escocês William Cathcart em 1876, de acordo com o site. Ao longo dos anos, o jornal começou a ter uma agenda de publicação mais diária, e também mudou seus proprietários e editores, que desempenharam papéis em negociações políticas e foram alvo de repressão governamental, explicou o site.

O jornalista britânico Robert Cox foi editor do Herald durante os anos da "Guerra Suja" do país (1976-1983), e agora é reconhecido por suas críticas ao regime e trabalha para revelar abusos de direitos humanos, incluindo desaparecimentos forçados. Cox, que recebeu o prestigiado Prêmio Maria Moors Cabot em 1978, foi forçado ao exílio nos EUA devido a essa cobertura.​

"Muitas vezes eu fui perguntado na Argentina sobre como o Buenos Aires Herald, um pequeno jornal de língua estrangeira, conseguiu denunciar em inglês e comentar em espanhol temas que nunca foram mencionados na imprensa argentina. Os jornalistas argentinos tinham duas teorias: que éramos apoiados pela Embaixada dos EUA ou que, como um jornal de língua estrangeira, tínhamos imunidade", escreveu Cox na introdução de sua biografia "Dirty Secrets, Dirty War" (Segredos Sujos, Guerra Suja). "Nenhuma das duas era verdade. O que tivemos foi o respeito à independência tradicional do Herald e o apoio incondicional de Peter Manigault, presidente e editor da Evening Post Publishing Company, com sede em Charleston, SC, que era dono do jornal. Ele simplesmente queria que fizéssemos o nosso trabalho e denunciássemos a verdade. Essa foi a diferença entre o Herald e a imprensa argentina principal. Eles foram cúmplices da ditadura. O Herald não foi".

Após o anúncio de que o Herald fecharia para sempre, Carlos Cué, correspondente do El País em Buenos Aires, escreveu: "Para os jornalistas e os defensores dos direitos humanos argentinos, o Buenos Aires Herald era um mito. Por isso, seu encerramento definitivo, anunciado na segunda-feira, após 140 anos saindo às ruas sem interrupção, foi um duro golpe".

Como ele observou, foi o único jornal que denunciou, diariamente, o terrorismo de Estado que fez desaparecer milhares durante a ditadura militar.​

"O Herald mostrou a importância do jornalismo em tempos difíceis. Agora, nos EUA, com Trump, vemos que ele é a chave. Na Argentina, há jornalistas muito bons, mas o problema são os proprietários. O Herald fez um bom jornalismo até o fim, mas teve proprietários ruins", disse Cox, de acordo com Cué.​

Cué argumentou que o "início do fim" da publicação ocorreu quando já não estava em mãos estrangeiras que lhe proporcionassem independência. Ele explicou como o jornal foi comprado por proprietários próximos aos Kirchners, os ex-presidentes da Argentina.

O jornal Clarín observou que o atual proprietário e acionista majoritário do Grupo Indalo, o empresário Cristóbal López, fechou o jornal "em concordância com a redução e o ajuste de todas as mídias que fazem parte do Grupo Indalo".

Por Teresa Mioli | Jornalismo nas Américas

terça-feira, 1 de agosto de 2017

O fim da era digital já começou!


Cena original do filme à esquerda e a reproduzida a partir da gravação no DNA das bactérias à direita. 

Por Alberto Consolaro
via JCNET

O novo assusta, mas precisamos acolhê-lo. Disse o poeta: o novo sempre vem! Há mais de 50 anos atrás Hugo Gernsback, escritor de ficção científica, mostrava o que seria a "realidade virtual" como na internet, computadores e celulares. Pessoas e imprensa consideraram que era uma visão "engraçadinha" e não valorizaram!

Ford quando apresentou a fabricação em série de automóveis foi ridicularizado! O novo sempre vem e não resista, acolha, procure entender e compreender, use-o e valorize! Se resistir, impedir, cercear e evitar o novo, ele vai passar por cima te ignorando! O presidente George Peck disse à Ford: - o cavalo está aqui para ficar, o automóvel é apenas uma novidade, uma moda! Carros a 18km/h foram apedrejados, pois ameaçavam a segurança pública.

Com a invenção do rádio não foi diferente, era o novo! O brasileiro Landell de Moura disputa a descoberta de 1894 com Nikola Tesla e Guglielmo Marconi. Moura, que era padre, ao fazer demonstrações da radiodifusão em 1900 foi acusado de bruxaria por seus fiéis que invadiram e destruíram seu laboratório, acusando-o de ter um pacto com o demônio.

Uma das cenas mais ridículas da negação ao novo foi oferecida pelo presidente da poderosa IBM, Thomas Watson em 1943, quando lhe foi apresentado para a empresa fabricar o computador. Soberbamente ele disse: não nos interessa, eu acho que no mercado mundial, há lugar, talvez, para cinco computadores! A IBM quase faliu e passou por várias crises pela falta de visão "futurista" de seus dirigentes, uma habilidade que não é para todos.

O computador por muito tempo foi um objeto sem apelo comercial! Imaginem! O computador resultou de uma criação coletiva que foi se acumulando no tempo, tornando-se a máquina maravilhosa e multifuncional. Eram muito grandes e mesmo assim cartões de memórias e chips foram desprezados, inclusive pela própria IBM.

O primeiro computador doméstico foi um fracasso e era oferecido para guardar receitas e fazer contas. Em 1977 o presidente da empresa Digital Equipment Corp opinou que: - não haveria razão para alguém ter computador em casa! Até ser uma janela disponível para viajar no mundo virtual o computador teve que passar por várias etapas evolutivas.

O computador transforma tudo em dois números ou dígitos: zero e um. Não existe letra "A" no computador, mas sim um código tipo 10011 e da combinação se codifica tudo ou se "digitaliza"! Na era digital tudo registra-se em dois dígitos: 0 e 1. Antes de aparecer na tela, esses códigos numéricos são convertidos em sua aparência original em texto ou imagem.

O DNA não é binário e nem usa dígitos. Para codificar informações em sua fita espiralada em escada e para cada degrau a célula usa aleatoriamente duas das 4 letras ou bases nitrogenadas adenina (A), citosina (C), guanina (G) e timina (T), gerando combinações infinitas na molécula. As barras laterais da escada são feitas de fosfato e açúcar. Se o computador usa 2 dígitos e faz o que faz, imagine se usarmos 4 elementos de combinação! Haverá uma amplificação incalculável para armazenar informações. Os computadores serão muito mais poderosos! Adeus sistema digital e binário!

George Church e equipe em Harvard anunciou na "Nature" que gravou no DNA de uma célula um filme inserido no DNA de uma bactéria E. coli. Ao proliferar em várias gerações o filme ficou intacto nas bactérias, preservadíssimo! Antes desse experimento já haviam gravado em DNA todos os sonetos de Shakespeare e também um de seus livros. Fizeram 90 bilhões de livros via bactérias: um recorde de publicação! Agora os autores estão ensinando bactérias a filmar células humanas funcionando, um Big Brother, para assistir quando o corpo apresentar problemas e detectar-se o que está acontecendo!

Em pouco tempo os grandes centros de armazenagem de dados, bibliotecas e outras coisas como "guardar dados nas nuvens" estarão em pequeninas bactérias e células. Para que HDs, computadores e memórias enormes, se o DNA pode guardar milhões de vezes mais dados em espaços reduzidíssimos e facilmente replicáveis? O tempo médio de vida e duplicação de cada bactéria é 20 minutos!

Incrível, não é ficção, já está acontecendo! Agora é a era da informação genômica.

Alberto Consolaro é professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC. 



domingo, 23 de julho de 2017

A sociedade do cansaço na era digital


Com tantas informações e multitarefas, vivemos em uma corrida que parece não ter fim

Antonio Ozorio | Meon

Estamos conectados na internet e redes sociais, a trabalho ou lazer, grande parte do nosso tempo. As 24 horas do dia têm sido insuficientes para dar conta de tantas informações, mensagens e discussões nas redes. É a era da velocidade trazida pela revolução digital. E com ela surgem alguns dilemas e perigos. 

A rapidez e a amplitude da revolução digital permitiram benefícios jamais imaginados pela humanidade, com os relacionamentos em rede, a simplificação da vida através dos softwares e o acesso ilimitado à informação e ao conhecimento.

Apesar desses múltiplos benefícios, cada vez mais nos tornamos escravos da hiperconexão. O trabalho continua depois do expediente e se mistura com o lazer. Os dias nem terminam, nem começam e lá estão as pendências digitais. Os meses e anos passam mais rápidos e o tempo flui ligeiro.

Desta forma, seguimos cansados pelo excesso de informações e multitarefas do mundo digital, que surgem simultaneamente, de todos os lados. A nossa mente não acompanha e nem processa tantos dados na velocidade das máquinas.

Com mais tarefas e menos tempo, desejosos em acompanhar tudo, alguns ficam irritados, ansiosos, sem foco, impacientes e depressivos; outros não dormem bem, pois não param de pensar. É o adoecimento psíquico da sociedade digital.

A sobrecarga da vida digital também leva à desconexão com o mundo real. Muitos se desconectam física e sentimentalmente das pessoas, formando um universo de seres humanos quase sem alma.

O filósofo Byung-Chul Han, no livro "Sociedade do cansaço" (Ed. Vozes), observa que vivemos a era das doenças neuronais, com os transtornos de atenção, as crises de ansiedade e depressões. Ele lembra as advertências de Nietzsche: "por falta de repouso, nossa civilização caminha para uma nova barbárie. Em nenhuma outra época os ativos, isto é, os inquietos, valeram tanto..." e conclui que a nossa sociedade precisa fortalecer mais a contemplação.

A filosofia tradicional nos leva a refletir sobre duas formas de vida: a ativa, que consiste em atuar, mover-se e fazer as coisas; a contemplativa que nos motiva a contemplar a realidade e a vida, a relacionar-se, a entregar-se e admirar as coisas do mundo. É preciso equilibrar mais essas formas de vida; no caso, dosar melhor o mundo real e o virtual, o uso e o abuso.

Na era da hiperatenção, com o desaparecimento do descanso, estamos sentindo a falta da contemplação, de mais convívio off-line, da calmaria, do olho no olho e até do silêncio.

Para a boa saúde física e mental, necessitamos deletar o excesso digital e ter uma vida mais contemplativa, pois, como diria Fernando Pessoa, "a vida é breve e a alma é vasta".

sábado, 22 de julho de 2017

Cinco museus do Ibram podem ser visitados pela internet

São mais de 1300 itens e 18 exposições  disponíveis.

Em ambiente virtual, as instituições disponibilizam pinturas, esculturas, vestimentas, gravuras, vídeos e áudios  

Visitar um museu e conhecer obras clássicas contemporâneas agora é uma oportunidade que está à distância de um clique. A história do Brasil pelos olhos de grandes artistas, tanto nacionais quanto internacionais, está disponível virtualmente em cinco museus administrados pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC). 

Além de obras de arte, outros itens históricos podem ser contemplados pelas telas de celulares, tablets ou computadores. 

O Ibram e a empresa Google firmaram a parceria em fevereiro para a realização do passeio virtual. Veja uma amostra do que pode ser conferido nas vitrines do site.


Museu Nacional de Belas Artes 


Conheça a coleção da Missão Artística Francesa, que trouxe ao Brasil artistas como Jean Baptiste Debret e Nicolas Antoine Taunay no início do século XIX, com o objetivo de criar uma escola de arte e ofícios na então capital. A missão instituiu o estilo neoclássico com pinturas como o "Retrato de D. João VI" e o "Estudo para desembarque de Dona Leopoldina no Brasil", ambos de Debret, datados de 1817.

Museu Histórico Nacional


Entre as principais atrações do projeto está conferir os pormenores de algumas obras, que foram capturadas por câmera capaz de digitalizar com super-resolução e revelar detalhes que poderiam passar despercebidos a olho a nu. A pintura "[Ex-Voto] Batalha dos Guararapes", de 1758, é uma das 450 obras disponíveis a partir dessa tecnologia, retratando uma das maiores batalhas ocorridas na época colonial.

Museu Imperial


No projeto “Nós Vestimos Cultura”, o visitante é transportado ao fascínio do traje e insígnias usados por d. Pedro II em sua coroação, em 1841. O traje real, segundo os coordenadores da exposição, mostrava a riqueza das terras governadas pelo imperador-menino. 

Museu Castro Maya


Aqui o visitante se depara com o retrato de Castro Maya feito pelo amigo Candido Portinari, com quem desenvolveu muitos projetos, desde a década de 1940 até a morte do artista. Deste relacionamento de vinte anos resultou a acumulação de 168 originais, entre pinturas, desenhos, gravuras e ilustrações de livros. O museu é um dos maiores acervos públicos do pintor e artista plástico brasileiro.

Museu Lasar Segall


O processo do abrasileiramento do lituano Lasar Segall é apresentado numa temática audiovisual: suas obras mais representativas e áudios explicativos de cada fase de sua produção artística perpassam desde o impressionismo europeu do começo do século XX até a "revelação do milagre da cor e da luz" com o movimento modernista após conhecer o Brasil, na década de 1920.

 Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Cultura