quinta-feira, 18 de maio de 2017

Biblioteca de Esquizofrenia


A Biblioteca de Esquizofrenia (Schizophrenia Library) foi desenvolvida por cientistas da Neuroscience Research Australia (NeuRA) e contém 2.000 fichas informativas e relatórios de provas, bem como vídeos, podcasts e entrevistas com pesquisadores científicos do setor de saúde mental.

Fornece informações confiáveis ​​e atualizadas a partir de revisões sistemáticas sobre cerca de 460 tópicos relacionados à esquizofrenia. Os tópicos abordam sintomas, tratamentos, diagnóstico, fatores de risco, resultados, epidemiologia (perspectiva populacional) e as características físicas da esquizofrenia.



terça-feira, 16 de maio de 2017

A escuta na era digital




Não é fácil entender as mudanças que a música sofreu desde os anos 2000, com o Napster e toda a cultura da internet. O século 21 tem corrido rápido, e qualquer tentativa de apreendê--lo carrega o risco de soar datada. Eu me arrisco aqui em alguns palpites.

O que exatamente mudou? É comum ouvirmos que a mudança se deu na troca do suporte CD para o MP3 e na disseminação da pirataria, mas tendo a discordar dessa visão. Trocas de suporte são parte indissociável da história da indústria fonográfica. E é só no entendimento da pirataria como uma forma de compartilhamento de gostos e hábitos que nos aproximamos da verdadeira revolução, que, apesar de desencadeada pela tecnologia, sempre foi muito mais comportamental.

Hoje, quando a pirataria parece finalmente estar diminuindo, é possível enxergar essas mudanças comportamentais claramente: o que mudou na verdade foi a maneira como nos relacionamos com a música, ou, ainda, mudou o papel da música nas novas relações sociais.

Na época em que mais se ouve música na história da humanidade, pesquisas indicam que a escuta segue novos caminhos, pautada pelas novas formas de interação social. Via celular pela manhã e no final da tarde, sendo substituído pelo desktop no horário comercial. Isso sugere que as pessoas passam os dias, seja nos deslocamentos, seja nas atividades diárias, ouvindo música. A música funciona como trilha sonora, pano de fundo para as atividades individuais. Sendo trilha sonora, o conceito de álbum perde o sentido. O que se ouve são faixas, em uma sequência criada por você, por um desconhecido ou mesmo pelo serviço de streaming, dispostas em playlists.

Mas, se a escuta é individual, virtualmente ela é coletiva, e por isso a música ainda cumpre uma função social importante. É por meio da música que as pessoas demonstram seu estado de espírito e as playlists acabam sendo a forma de expressão para isso. Com nomes como Melancolia, Good Vibes e Felling Good, fazem sucesso e são seguidas por milhares de ouvidos, alcançando mais sucesso do que muitos artistas. Vem daí também a tendência de compartilhar via redes sociais o que você está ouvindo naquele momento. Também é pelas redes sociais, muito mais do que pelo palco ou disco, que se estabelece a relação artista/fã. Para utilizar uma palavra atual, o artista precisa “engajar” os fãs com notícias, fotos e vídeos de seu dia a dia. Por mais paradoxal que pareça, o músico precisa expor sua persona privada para reforçar o sucesso de sua persona artística.

Por fim, talvez pela volatilidade das relações sociais mediadas pela rede, que acabam pautando a escuta musical, apesar de haver muito espaço para o novo, ele quase nunca perdura. Daí a predominância do pop, gênero efêmero por excelência, sobre os outros, e a permanência de nomes de clássicos, como Beatles, Michael Jackson, Nina Simone ou Metallica na lista dos artistas mais tocados via streaming em pleno 2017.

Porém, esse é apenas um lado da moeda. Como explicar então a volta do vinil, com um crescimento nas vendas de 191% em 10 anos. Novamente essa é uma mudança comportamental. Descontentes com os rumos da escuta, uma parte considerável de pessoas encontra no vinil uma forma de distinção, e a adoção da prática de ouvir um disco inteiro adquire contornos de resistência cultural. Além, é claro, da sensação de pertencimento a um grupo social específico.

Assim, qual será, então, o futuro da nossa relação com a música? Difícil afirmar, já que essas mudanças – além de dizerem respeito a uma parcela restrita da população mundial, com acesso a computadores e banda larga – são frutos de tendências criadas com base nas novas formas de interação social. Talvez a criação ou a expansão de alguns nichos, como a volta da fita K7 (sim, é sério!), sejam de fato uma nova realidade, principalmente como formas de sociabilização e pertencimento. Em uma sociedade dinâmica e em constante movimento, novas formas de sociabilidade serão construídas e, com elas, novas formas de nos relacionarmos com a música.

Wagner Palazzi é graduado em Relações Públicas e coordenador do Selo Sesc. 

via Revista e
Ilustração: Marcos Garuti

segunda-feira, 15 de maio de 2017

O algoritmo imoral


Não existe neutralidade técnica ou axiológica nas redes sociais e buscadores como pretendem. Os resultados são frequentemente manipulados

por Carlos Alves Muller | O Globo

Há dias, “The Australian”, um dos principais jornais da Austrália, publicou reportagem sobre um documento da filial do Facebook sobre como identificar adolescentes emocionalmente frágeis. A “metodologia” teria sido oferecida a anunciantes como ferramenta de marketing segmentado, procedimento passível de ser enquadrado criminalmente como abuso contra pessoa vulnerável.

O Facebook respondeu que “não oferece ferramentas para chegar a pessoas com base em seu estado emocional”, mas admitiu a existência de uma “análise, feita por pesquisador australiano com o objetivo de ajudar marqueteiros a entender como as pessoas se expressam no Facebook”.

Não é a primeira vez que o Facebook, como outras redes sociais e buscadores, recorre a chicanas para eximir-se de responsabilidade. Foi o que ocorreu com recentes casos de assassinato (de um idoso nos EUA, e de um bebê, na Tailândia) cujas imagens foram postadas ao vivo; com grupos de pedofilia no mesmo Facebook, como denunciado pela BBC, e com anúncios (inclusive públicos), exibidos em sites promotores de ódio e terrorismo. E é o caso da propagação em escala industrial de notícias falsas e fraudes nos dados de visualização de publicidade, com o uso de robôs.

O argumento para eximir-se de responsabilidade é tão falso quanto a “notícia”: “Marisa fotografada na Itália. Morte da mulher de Lula é mentira, Entenda!”, difundida pelo site “Pensa Brasil”, notória fonte de notícias falsas, como revelado pela “Folha de S.Paulo” em 19/2 último. Não por acaso, se você digitar “Pensa” no Google, como fiz em 07/5, a primeira opção oferecida pelo buscador é... “Pensa Brasil”.

Não há neutralidade técnica ou axiológica nas redes sociais e buscadores como pretendem. Os resultados são frequentemente manipulados.

São provas disso o processo contra o Google que tramita na União Europeia, evidenciando que sites de negócios do próprio buscador têm prioridade sobre os dos concorrentes, e as notícias falsas disseminadas pelo Facebook na campanha eleitoral americana.

O argumento também é falso porque alega que “é o algoritmo...”. Ocorre, assim, uma antropomorfização de um programa de computador, ao mesmo tempo transformado em força telúrica contra a qual os mortais nada podem. Já os humanos que o desenvolveram e tomam as decisões nas empresas perdem a humanidade, escravos de uma “inteligência artificial”.

Na verdade, algoritmos fazem o que foram programados para fazer. É possível criar parâmetros para que façam algumas “opções”, mas tão limitados que o algoritmo tanto ignora a pedofilia em certas imagens (exceto as muito explícitas) quanto censura foto de campanha de aleitamento materno porque associa seio à mostra a pornografia. Correções de casos como estes só acontecem quando cobradas por internautas.

O problema de fundo é que só humanos podem discernir o que algoritmos não detectam. Redes sociais e congêneres se negam a reconhecê-lo, pois isso implica admitir que são empresas de mídia e não plataformas (o que tem consequências, inclusive jurídicas), abala seu “modelo de negócio”, causando uma explosão de custos. É preciso gente para produzir e editar conteúdo, evitando que crimes sejam praticados e exibidos, para que o anúncio vá para o público desejado, e não para outro seguidor de canais criminosos. É preciso gente habilitada para fazer jornalismo conforme as boas práticas numa sociedade democrática. E é preciso gente educada e com senso crítico para entender a importância dessas diferenças e não aceitar o que o algoritmo imoral lhe oferece.

Carlos Alves Müller é jornalista e consultor da Associação Nacional de Jornais

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Biblioteca digital de Obama começa a ser revelada em Chicago

Projeto ousado tem a ambição de ser mais que um simples acervo de um ex-presidente e deve ficar pronto em 2021

por Henrique Gomes Batista | OGlobo


Plano para a biblioteca presidencial de Obama envolve integração total com área pobre de Chicago 

O Centro Presidencial Obama deve ser mais que uma simples biblioteca presidencial. As primeiras imagens e detalhes do projeto indicam uma proposta inovadora — e não apenas arquitetonicamente. O centro tem tudo para ser um fator de revitalização da área sul de Chicago, uma das mais pobres da cidade, e base política para sonhos futuros de Barack e Michelle. Os estudos indicam que ele deverá ser inaugurado em 2021 e vai alterar uma das principais vias da cidade.

“O Centro Presidencial Obama será um centro de trabalho e de vida, um projeto em andamento no qual criaremos, juntos, o que significa ser um bom cidadão no século XXI”, afirma a página que apresenta os primeiros traços do projeto, que contará com um museu, uma biblioteca, um centro cívico, salas de aula e local para convenções.

A arquitetura ousada integrará três prédios — biblioteca, fórum e museu, este último o maior deles com 55 metros, ou o equivalente a 18 andares, que servirá como um “farol” para todo o complexo com a natureza na região, com parques e jardins interligados.

A proposta ainda fecha uma das principais vias expressas da cidade, para permitir que o Jackson Park chegue até às margens do lago Michigan, algo que gera polêmicas em uma das maiores cidades americanas. Pelo projeto, o Centro Obama deve valorizar, inclusive, instituições como o Museu da Ciência e Indústria, o DuSable Museum e a Universidade de Chicago, todos em sua cercania. Assim, espera-se que se torne um importante polo de lazer e turismo, assim como ocorreu com o Millennium Park, na cidade.

Não há ainda previsão de custo total da obra, que será paga com doações para a atividade sem fins lucrativos criada pelo casal Obama.

O desenho elaborado por Todley Billie Tsien Arquitetos (TWBTA) prevê muitas áreas abertas, tetos com terraços paisagísticos e uma perfeita integração com o Jackson Park, além de possuir as mais elevadas certificações ambientais. A ideia é permitir que o centro leve mais pessoas para o parque, sobretudo crianças, e que permita mais que as atividades naturais de uma biblioteca presidencial — ou seja, não deve ficar limitado a pesquisas históricas.

Esta será a primeira biblioteca presidencial sem papeis: todo o acervo será digitalizado. E, além disso, terá atividades de pesquisa, estudo e apoio a lideranças jovens, para mudar a cidadania e o futuro político dos EUA. Sobretudo da população mais pobre e negra — concentrada nesta região da cidade —, embora alguns líderes comunitários quisessem que o centro presidencial ficasse ainda mais no sul da cidade, em uma região mais complicada socialmente.

— Mais que um biblioteca ou um museu, queremos um centro vivo para incentivar projetos inovadores para a cidade, o país e o mundo — disse o ex-presidente na semana passada, ao apresentar as linhas gerais do seu centro. — Não é apenas um edifício, não é apenas um parque. Esperamos que seja um centro onde todos possamos ver um futuro melhor para o sul de Chicago.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Arquivo Nacional cria base de dados sobre imigrantes no Rio de Janeiro


O Arquivo Nacional disponibilizou uma base de dados para consulta sobre 1,3 milhão de imigrantes que desembarcaram no Porto do Rio de Janeiro entre 1875 e 1910.

De acordo com o supervisor de Documentos do Poder Executivo do Arquivo Nacional, Sátiro Nunes, que coordenou o projeto com a professora Ismênia de Lima Martins, da Universidade Federal Fluminense (UFF), o banco de dados representa a transcrição das relações de nomes de passageiros desembarcados no Porto do Rio. Essas listas originais são manuscritas e foram digitalizadas com auxílio de 60 estagiários.

“Facilita o acesso do usuário pesquisador às informações contidas nas relações de passageiros, o que pode propiciar almejar direitos. Com informações do estrangeiro, as pessoas podem pleitear, por exemplo, um processo de dupla cidadania”, disse Nunes. Outras questões, como direitos de propriedade, também podem ser solucionadas por meio dos dados.

Migrações

Além do caráter probatório, o banco de dados tem caráter acadêmico, porque, conforme esclareceu o supervisor, permite fazer o estudo das migrações que povoaram o Brasil do fim do século 19 até o início do século 20. A base de dados foi construída com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Sátiro Nunes afirmou que as informações estavam disponíveis, mas não havia condição de acesso, porque, “não se podia ler o registro original manuscrito do século 19”. Os dados estão disponíveis na internet, em caráter definitivo, no site do Arquivo Nacional.

História

O usuário vai ao menu, pede “consulta a acervos”, clica em “outras bases de dados” e procura entrada de estrangeiros no Porto do Rio de Janeiro, onde encontrará uma descrição do projeto, manual de utilização e a base de dados.

Nunes chamou atenção para a importância do projeto. Segundo ele,  além de conhecer a história dos antepassados, o usuário consegue até reestruturar sua própria história. “Quem é você, em que contexto você se coloca na sociedade”, concluiu.

Agência Brasil

quinta-feira, 4 de maio de 2017

ICMBio lança Biblioteca Digital Espeleológica


Serviço disponível a partir de hoje no site do Cecav reúne mais de mil títulos com informações sobre aspectos geológicos e ambientais das cavernas brasileiras


O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), disponibilizou, no seu site, a Biblioteca Digital de Informações Espeleológicas. Clique aqui para ter acesso

Com mais de mil títulos, a Biblioteca Digital tem o objetivo de armazenar, preservar, divulgar e dar acesso a documentos relacionados à espeleologia nas áreas de Geoespeleologia, Biologia Subterrânea, Socio-Histórico-Cultural, Geotecnologias, Licenciamento Ambiental, entre outras.

O Cecav mantém o Núcleo de Informações Espeleológicas (Nies), única biblioteca pública focada em espeleologia. O Nies é o destino final de todas as publicações arquivadas pelo Centro desde a sua fundação em 1997, incluindo estudos espeleológicos relacionados a empreendimentos. Grande parte do conteúdo do Nies está, agora, na Biblioteca Digital.

A Biblioteca Digital é uma solução baseada em DSpace, software livre que segue padrões internacionais de compartilhamento de informações, sendo possível acessar listagem bibliográfica de livros, dissertações, teses, artigos, relatórios, mapas e vídeos.

Parte do acervo está disponível em meio digital acessível aos usuários. O restante – armazenado em meio físico ou na internet por instituições de pesquisas, universidades e outros centros de estudo – pode ser encontrado nos locais indicados na Biblioteca Digital.

“À medida em que obtivermos autorização dos autores, os documentos digitais serão colocados na base de dados da Biblioteca Digital. Assim, gradativamente esse repositório representará uma importante fonte de consultas e pesquisas na área de espeleologia em nível nacional”, diz o chefe do Cecav, Jocy Brandão Cruz.

“O grande ganho desse projeto é que a Biblioteca Digital congrega informações antes dispersas sobre a espeleologia, permitindo o acesso dos dados a pesquisadores, professores, estudantes, empreendedores que queiram saber sobre licenciamento ambiental em áreas de cavernas, enfim, ao público em geral”, acrescenta Cruz.

A Biblioteca Digital foi desenvolvida no âmbito do Termo de Compromisso Ambiental Nº 101/2014, firmado entre o ICMBio e a Gerdau Aço Minas para a compensação espeleológica relacionada ao empreendimento Mina Várzea do Lopes (MG).

Comunicação ICMBio

quarta-feira, 3 de maio de 2017

As últimas videolocadoras à moda antiga de São Paulo

Após a derrocada desse tipo de negócio, alguns estabelecimentos resistem ao tempo e atraem cinéfilos nostálgicos

Por Carolina Giovanelli | VejaSP

Pereira, da Vídeo Connection: “Faço o que faço por paixão” (Reinaldo Canato/Veja SP)

Esquadrinhar as prateleiras por meia hora em busca do filme ideal. Descobrir que todas as cópias do último lançamento já foram locadas. Bater um papo com algum funcionário cinéfilo para obter indicações. No caixa, tentar lembrar de cor o número de sua carteirinha. Pagar multa porque não deu para ver tudo no prazo ou, nos tempos do VHS, esqueceu de rebobinar a fita.

Antes tão comuns, as idas à videolocadora tornaram-se programa praticamente do passado. Após o quase desaparecimento desse tipo de negócio, ainda há endereços que resistem ao tempo e fazem a alegria da turma nostálgica.

Muitos dos empreendimentos remanescentes, porém, tomam hoje o cinema como coadjuvante. Depois da compra da marca Blockbuster, parte da Lojas Americanas, por exemplo, conta com o serviço, mas de modo acanhado, em meio a um mundaréu de outros produtos.

Entre as poucas videolocadoras à moda antiga por aqui, aparece a Vídeo Connection, instalada no térreo do Edifício Copan, no centro. Muita gente que não costuma frequentar o pedaço passa por lá como se deparasse com uma joia rara. Dia sim e outro também, o sócio Paulo Sérgio Baptista Pereira ouve interjeições de saudade ou espanto — há criança que nem sabe para que serve o lugar.

De seus 60 anos, 32 são dedicados ao imóvel de 50 metros quadrados, distribuídos em três pequenos andares. Nos tempos áureos, na virada dos anos 90 para os 2000, eram locados até 4 000 filmes por mês. Hoje, são aproximadamente 750.

“Faço o que faço por paixão, não para ficar rico”, afirma Pereira, que assiste a pelo menos quatro produções por semana e tem dicas do que ver na ponta da língua. Em um discreto ato de resistência, ele não tem em casa nem TV a cabo nem Netflix, alguns dos pivôs da derrocada do mercado.

Petruche, no Charada: 880 filmes alugados em um só dia nos tempos áureos (Ricardo D'Angelo/Veja SP)

O empresário chegou a empregar cinco funcionários. Agora, cuidam do espaço somente ele e a filha, a psicóloga Daniela. Faturam por mês cerca de 6 000 reais, ante os mais de 20 000 reais do passado. A clientela é formada principalmente por moradores do complexo e dos arredores. Mas existem interessados que se deslocam de outros bairros apenas para aproveitar a experiência das antigas.

Outra referência no mercado é Gilberto Petruche, de 61 anos. Desde 1995, o paulistano toca o Charada Clube, na região de Sapopemba, na Zona Leste. Trabalha com uma variedade de 17 000 títulos em DVD, Blu-ray e VHS. Assim como a Vídeo Connection, seu negócio costuma dar um prazo mais flexível às devoluções.

A fim de movimentar o espaço, promove há um ano shows de rock de bandas independentes — o próximo será em 13 de maio. Os grupos ocupam a sala de produções pornôs (hoje, “escondidas” em pastas) e reúnem até 200 pessoas durante o dia. As vendas de discos de vinil e de parte do acervo de filmes ajudam a reforçar o orçamento.

Entre as raridades, está a fita Amor Estranho Amor (1982), longa em que Xuxa aparece em uma cena picante com um adolescente. Petruche avalia a pérola em 5 000 reais, mas, por enquanto, não quer abrir mão dela. Há um ano, o proprietário amarga prejuízos. “Houve uma época em que entravam 35 000 reais por mês, e já aluguei 880 filmes em um só dia”, lembra ele, que chegou a comprar 55 cópias de Titanic. “Atualmente, ganho 2 000 reais, que são gastos com aluguel e outras despesas. Estou na UTI.”

As videolocadoras perderam a força principalmente por causa da pirataria, da TV a cabo e dos serviços especializados na internet, como a Netflix. Até as grandes redes se renderam à crise. Especializada em títulos cult, a 2001 Vídeo fechou as portas em 2015. Hoje, atua apenas no papel de e-commerce.

Em junho, estreia o documentário CineMagia — A História das Videolocadoras de São Paulo, que relembra a trajetória desses pontos desde seu surgimento na cidade, nos anos 70. Filmado a partir de 2014, durante dois anos, ele capturou o último suspiro de algumas cadeias. “Foi tudo muito rápido”, diz o diretor, Alan Oliveira. Neste ano, o cineasta pretende também lançar um livro e uma websérie com as dezenas de depoimentos coletados.

À MODA ANTIGA
Charada Clube
Endereço: Rua José Antônio Fontes, 62, Sapopemba, ☎ 2702-1617.
Horário: 14h às 20h (seg. a sáb.); 13h às 15h30 (dom.).
Locação: de 5 a 8 reais.
Acervo: 17 000 DVDs, fitas VHS e Blu-rays.

Vídeo Connection
Endereço: Avenida Ipiranga, 200, centro (Copan, loja 30), ☎ 3258-6429.
Horário: 10h às 22h (seg. a sáb.).
Locação: 8 reais.
Acervo: 15 000 DVDs, fitas VHS e Blu-rays.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A Vingança dos Analógicos


Por que os objetos de verdade ainda são importantes

Com a revolução digital vieram os prognósticos apocalípticos de que todos os suportes físicos seriam destruídos por seus correspondentes digitais. As câmeras nos aparelhos celulares, os serviços de vídeo e de música por streaming e os livros eletrônicos já são realidades consolidadas no mercado, mas contra todas as avaliações iniciais, não só não soterraram os filmes analógicos, os discos de vinil e os livros físicos, como oxigenaram a sua existência, criando novas formas de consumir esses objetos. Com base no renascimento da importância dos produtos analógicos, o jornalista canadense David Sax criou A vingança dos analógicos – Por que os objetos de verdade ainda são importantes, livro que documenta a trajetória de empreendedores que investiram no caminho oposto ao dos negócios digitais.

Seja acompanhando a maior fábrica americana de vinis, a United Record Pressing, ou livrarias independentes e de bairro como a Book Culture, em Nova York, Sax demonstra que o reavivamento dos artefatos analógicos não pode ser reduzido apenas a um surto de nostalgia, mas apresenta-se como um fenômeno muito mais complexo, que aproxima as pessoas nas lojas de discos, na cultura dos diários em cadernos de papel ou nos cafés com jogos de tabuleiro. Os espaços de venda dos produtos físicos são pontos de interação humana que não podem ser menosprezados. 

David Sax desmistifica a ideia de que a volta dos analógicos é motivada pela busca das gerações anteriores pelos objetos de sua juventude e mostra como os jovens que cresceram no ambiente digital estão encantados com as câmeras Polaroid e são o motor do crescimento anual impressionante das vendas de discos de vinil.  

O livro foi escolhido como um dos dez melhores lançamentos de 2016 no mercado americano pela crítica Michiko Kakutani, do jornal The New York Times, por seu estilo de livro-reportagem abrangente, que documenta a consolidação de uma cultura analógica que convive em paralelo ao ambiente eletrônico, mas que parece estar baseada em suas características complementares de experiência e interação, fundamentais para o entendimento do consumo na cultura pós-digital. 

O Autor

David Sax é escritor e jornalista, especializado em negócios e cultura. Colabora regularmente com as revistas New Yorker e Businessweek, além de outros veículos. É autor de Save the Deli, vencedor do James Award, e The Tastemakers. Vive em Toronto.


Ficha técnica

A Vingança dos Analógicos: Por que os objetos de verdade ainda são importantes
Autor: David Sax
Editora: Anfiteatro
Tradução: Alexandre Matias
Páginas: 304
ISBN: 978-85-69474-22-7

Fundador da Wikipedia lançará portal de notícias


Wikitribune será financiado apenas pelos leitores da página. Jornalistas profissionais e voluntários produzirão conteúdo

O fundador da Wikipedia, enciclopédia colaborativa on-line, Jimmy Wales, anunciou nesta 3ª feira o lançamento do Wikitribune. Uma nova plataforma de notícias totalmente gratuita financiada pelos leitores.

Em 1 vídeo, Wales afirma: “o jornalismo está falido e nós vamos descobrir como salvá-lo”. O projeto apostaria na publicação de conteúdo jornalístico confiável e na ausência de paywall e de publicidade. Segundo o fundador, a publicidade é prejudicial ao jornalismo.

As notícias do Wikitribune serão produzidos por jornalistas profissionais ou por voluntários. De acordo com o projeto, tudo será checado e verificado antes da publicação.

O site começará a funcionar em 29 dias. Quem estiver interessando em ser 1 patrocinador já pode contribuir. Até o momento, há mais de 4.000 pessoas cadastradas para financiar o projeto.

via Poder 360

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Olodum completa 38 anos e terá acervo digital


O bloco afro Olodum completou 38 anos de fundação. O aniversário foi marcado pela assinatura de termo de compromisso com o governo da Bahia para criação do acervo digital do Centro de Documentação e Memória do Olodum. A partir da digitalização, imagens, áudios e documentos do bloco estarão disponíveis online em um portal na internet.

No total, 234 mil peças devem compor o acervo digital do Olodum, como adereços, abadás, livros, documentos, fitas cassete e vídeos que narram a trajetória do bloco, além de discos de ouro, troféus, medalhas e homenagens recebidas em vários países.

O termo foi assinado pela secretária de Promoção da Igualdade Racial da Bahia, Fábia Reys, e pelo presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues.

“É uma ação extremamente importante, que resgata toda a história da transformação do Olodum, de todos os trabalhos sociais que ele tem feito. Isso reforça o papel dele [Olodum] no processo educacional, ao reconhecer todo esse processo voltado para a formação de jovens entre15 e 19 anos, de percussão, de dança afro, da memória do povo negro da Bahia. A gente parabeniza a história do Olodum, que é o nosso grande patrimônio da Bahia”, disse a secretária.

O Olodum desenvolve atividades de combate ao racismo e de incentivo à cultura entre jovens negros.

“Estamos devolvendo à nossa cidade e ao nosso estado um pouco do que a gente acumulou, agora em forma de documentos digitais, que terão uma visão mais ampla das fantasias, dos momentos, dos memoriais, das músicas e dos fatos históricos que nós vivemos. Recebemos aqui Nelson Mandela, Paul Simon, Michael Jackson, e isso foi fundamental para abrir a Bahia para o mundo. Cabe ao Olodum repercutir esse conhecimento e devolvê-lo à Bahia e ao mundo de uma forma mais moderna e digital”, disse o presidente do bloco, que destacou o aproveitamento do portal para a educação formal.

“Vai ser importante para educação escolar, em conhecimentos como o de Madagascar, do Egito, da Etiópia. Os estudantes poderão aprender por uma plataforma que cabe na mão. A oferta de conteúdo vai ajudar um pouco na formação dessas pessoas”, acrescentou João Jorge.

via Agência Brasil


segunda-feira, 24 de abril de 2017

O Círculo


O Círculo (The Circle) 2017

Longa baseado no livro homônimo deve estrear no Brasil no final de junho

Mae (Emma Watson) é uma universitária cujo sonho é trabalhar na maior empresa de tecnologia do mundo, O Círculo. A organização foi fundada por Eamon Bailey (Tom Hanks) e o seu principal produto é o SeeChange, uma pequena câmera que permite aos usuários compartilharem detalhes de suas vidas com o mundo. Mae vê sua vida mudar completamente quando é contratada pela empresa e sua função passa a ser documentar sua vida em tempo integral. O que ela não imaginava, no entanto, é que toda essa exposição teria um preço, não só para ela, mas também para todos ao seu redor.

Trailer oficial:


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Brasiliana Fotográfica completa dois anos: leia texto comemorativo no portal


Fotografia de Marc Ferrez divulgada juntamente com a matéria comemorativa sobre os dois anos do portal Brasiliana Fotográfica.

O portal Brasiliana Fotográfica, uma iniciativa da Fundação Biblioteca Nacional e do Instituto Moreira Salles, completa dois anos com mais de 10 milhões de visualizações e mais de 6 milhões de pesquisas realizadas. Nesse período, foram publicados 90 artigos, que fornecem um panorama da fotografia no Brasil desde as suas origens no século XIX até as primeiras décadas do século XX.

Ainda em seu primeiro ano, no blog do portal, tivemos uma publicação de relevância histórica: a presença de Machado de Assis (1839 – 1908) na fotografia da Missa Campal pela comemoração da abolição da escravatura (de autoria de Antônio Luiz Ferreira), realizada em 17 de maio de 1888, no Campo de São Cristóvão, com a presença da princesa Isabel. A descoberta foi saudada em outra publicação do blog pelo historiador José Murilo de Carvalho.

Os curadores Sergio Burgi, do Instituto Moreira Salles, e Joaquim Marçal, da Fundação Biblioteca Nacional, contribuíram ao longo desses dois anos com artigos sobre acontecimentos históricos como a Guerra de Canudos e a história da fotografia médica no Brasil, e também trabalharam no sentido de viabilizar, juntamente com a equipe da BN Digital, a participação de instituições nacionais e internacionais no portal, quais sejam: o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha e o Leibniz-Institut fuer Laenderkunde, de Leipzig, Alemanha.

Leia o texto completo no portal Brasiliana Fotográfica.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Escavações na Ágora Ateniense


Iniciativa da American School of Classical Studies com apoio do Packard Humanities Institute, o "Agora Excavations" traz uma série de recursos digitais disponibilizados gratuitamente para fins de ensino e pesquisa sobre esse espaço público e geográfico de fundamental importância na história.

São mais de 350 mil arquivos digitalizados que vão desde imagens dos lugares e monumentos, passando por e-books interessantíssimos, até cadernos de anotações e cartões bibliográficos das escavações.


🏛 www.agathe.gr 🏛

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Biblioteca de Juventude Digital é lançada em Brasília


Downloads de livros ficarão disponíveis para quem acessar a biblioteca digital

Portal Brasil 

Repositório vai servir como fonte de informação para futuros pesquisadores na área sobre políticas públicas para a juventude

 Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) inaugurou, nesta quinta-feira (6), a Biblioteca de Juventude Digital. O site oferecerá diversas pesquisas e estudos relacionados ao tema juventude, passando a servir como fonte de informação para futuros pesquisadores na área sobre as Políticas Públicas para Juventude.

Qualquer pessoa poderá consultar os livros e realizar downloads. Esse ambiente digital também será um meio de interação com a juventude, na qual pesquisadores, estudiosos e militantes do segmentos poderão publicar artigos e disponibilizar esse conteúdo para toda rede mundial de computadores.

Nesta quinta-feira, também foi lançado o “Guia de usuário do Koha”, um software livre adotado pela Biblioteca de Juventude como Sistema Integrado de Gestão de Bibliotecas (SIGB).

Esse software possui licenciamento livre e código aberto e atualmente é mantido por uma grande comunidade internacional. Entre as bibliotecas brasileiras que utilizam essa tecnologia estão a Biblioteca do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e o Colégio D. Pedro II do Rio de Janeiro (RJ).

A Biblioteca de Juventude Digital foi criada a partir de uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ). 


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Livro, um objeto de riqueza inesgotável


Em entrevista à FaustoMag, o crítico literário Rodrigo Gurgel fala sobre leitores em redes sociais e leitura digital:

Redes sociais podem ser consideradas bons espaços para a formação de um leitor?
Não. Uma rede social é apenas o que seu próprio nome expõe: um entrelaçado de relações sociais que se formam e se desfazem no contexto de diferentes espaços virtuais. São ótimas redes de comunicação, de troca de ideias. Mas são ótimas também para desviar nossa atenção e impedir que nos tornemos bons leitores, que leiamos o que realmente importa.

É uma batalha inglória a das livrarias contra os sites de download gratuito de livros?
Não creio. O livro assumiu, em nossa cultura, um papel crucial — e mantemos com ele uma relação sensorial e, ao mesmo tempo, de confiança no seu poder de preservar a cultura e abrir, de forma constante, novas perspectivas de estudo, de conhecimento. Eu próprio utilizo diferentes aparelhos para leitura de e-books, mas o contato com o livro permanece insuperável — em termos de prazer, de facilidade de acesso e de indexação do conteúdo estudado. Considero o livro um objeto de riqueza inesgotável.


Leia a entrevista na íntegra, aqui: http://bit.ly/2oFRPKM