segunda-feira, 23 de abril de 2018

Adam Alter examina vícios tecnológicos e o que fazer para não se tornar dependente

'Irresistível, Por que você é viciado em tecnologia e como lidar com ela', que sai pela Companhia das Letras, explora a dependência comportamental ao longo da história

Lúcia Guimarães, O Estado de S.Paulo

A presidência de Donald Trump inspira comentários frequentes de internautas, especialmente os que trabalham em mídia ou dependem de se manter atualizados online, sobre exaustão noticiosa. Não é possível largar o celular alguns minutos e as crises se multiplicam, reclamam, exaustos. Não é possível ou não é desejável?

Um livro lançado esta semana no Brasil e já publicado em 24 outros países examina nossa dependência digital e sugere algumas saídas. Em 'Irresistível, Por que você é viciado em tecnologia e como lidar com ela' (Companhia das Letras), Adam Alter, professor de marketing e psicologia da Stern Business School da Universidade de Nova York, explora um novo campo de estudo, o vício comportamental e examina o comportamento dependente ao longo da história.

Adam Alter Foto: Karsten Moran/The New York Times

Ao me receber em sua sala, Alter aparenta ser mais jovem do que seus 37 anos, sugere um geek que poderia passar horas grudado em alguma tela. Este australiano de Sidney está, há alguns anos, preocupado com a tecnologia e seu efeito evolucionário. Afinal, o iPhone só foi lançado há onze anos, o iPad há sete e não temos uma geração de adultos e profissionais para saber o significa crescer, como ele argumenta, com um apêndice do corpo na forma de um gadget.

A indústria cultural sempre dependeu de atrair nossa atenção. Mas, na era pré-digital, havia ponto final na leitura de um livro, de um jornal de papel. Telenovelas ocupavam uma hora do nosso tempo e voltavam no dia seguinte. Todo nosso consumo de mídia hoje é oferecido num loop contínuo. Os algoritmos do Facebook, Instagram, Google são destinados a manter o internauta grudado na plataforma. A Netflix oferece binge watching, com episódios recarregados automaticamente. Há uma clínica de reabilitação em Seatle, reStart, especializada em gamers que não conseguem parar de jogar.

Alter admite a tarefa inglória que é conversar com o público sobre os excessos da era digital. “Podemos recomendar que um alcoólatra fique longe de bares,” lembra, “mas não podemos prescrever abstinência tecnológica a ninguém no século 21.”

O livro abre com um segredo mal guardado do Vale do Silício. Seus grandes inventores e empresários mantêm os próprios filhos longe de gadgets. Matriculam as crianças em escolas caras que aplicam o método Waldorf, conhecido por banir tecnologia até os doze anos.

Steve Jobs admitiu que seus filhos não tinham acesso a iPads. Pergunto a Alter se vamos ver uma nova fronteira de desigualdade e ele concorda: à medida que crianças com menos acesso à educação privilegiada ficam mais vulneráveis aos excessos de uso de celulares e horas improdutivas online, elas estarão em desvantagem.

Alter cita um estudo que revela alguma forma de comportamento dependente em metade da população dos países desenvolvidos. Cada vez mais, a dependência não é de drogas e sim expressada em comportamento compulsivo. Ele usa o exemplo dos veteranos do Vietnã – cem mil voltaram da guerra tendo experimentado heroína pura. E 95% – um índice altíssimo, no caso de opioides – abandonaram a droga quando foram positivamente reinseridos na sociedade. “Nem toda dependência química é herdada ou fruto de uma personalidade propensa,” afirma Alter, sobre o vício comportamental.

Uma recomendação feita por Alter se refere à arquitetura do comportamento. “Como um arquiteto projeta uma casa, nós podemos projetar a distribuição da tecnologia no nosso ambiente,” sugere. “Podemos deixar os celulares mudos numa gaveta durante as refeições.”

Enquanto médicos não começarem a perguntar numa consulta, além de “Você fuma?” , “Quanto tempo você passa diante da tela?” Alter acha que o vício tecnológico, “um problema de saúde pública,” deve ser encarado na trincheira doméstica. “Os pais é que têm o poder,” diz. “A criança acompanha o olhar dos pais. Quer saber porque a atenção se afastou dela e não sai da tela do celular. E vai desejar a tela.”

A tecnologia pode ser uma janela maravilhosa, diz o autor. Mas ela deve servir para aumentar o mundo real, não se tornar o substituto.


IRRESISTÍVEL. POR QUE VOCÊ É VICIADO EM TECNOLOGIA E COMO LIDAR COM ELA

Tradução: Cássio de Arantes Leite

Editora: Companhia das Letras (296 págs.; R$ 49,90) 

Eficiência e Experiência

"O livro digital é o auge da eficiência, mas livro de papel é o auge da experiência." 
Rodney Eloy 📚


quinta-feira, 19 de abril de 2018

Smartphone é o melhor amigo de 49% dos adolescentes


Pesquisa aponta que, deste total, 36% priorizam o aparelho em vez de passar mais tempo com os amigos de carne e osso, a família ou pessoas importantes

Mirella Araújo |Folha de Pernambuco

Qual a primeira coisa que você faz ao acordar? A maioria dos jovens pertencentes à chamada Geração Z (de 16 a 20 anos) responderá: olhar o smartphone antes de qualquer outra ação. Para ser mais preciso, 49% dos brasileiros nessa faixa etária consideram o smartphone o seu melhor amigo. Desse universo, 36% priorizam o aparelho em vez de passar mais tempo com os amigos de carne e osso, a família ou pessoas importantes.

Esse cenário traz um alerta à sociedade sobre o limite do uso das tecnologias e no que isso pode ser prejudicial às relações interpessoais, por se tratar de uma geração que já nasceu imersa a um mundo conectado 24h por dia.

O nível de apego destes jovens com o aparelho móvel foi objeto de um estudo feito pela especialista renomada em comportamento mente-cérebro e na ciência da felicidade pela Universidade de Harvard e psicóloga do departamento de psiquiatria do Hospital Geral de Massachusetts, Nancy Etcoff, em parceria com a Motorola, por meio do estudo Phone Life Balance.

A pesquisa ouviu 4.418 usuários de smartphones de quatro países: Brasil, Estados Unidos, França e Índia. Foram investigados os comportamentos e hábitos de utilização do celular de diferentes gerações para entender o impacto do equipamento nas relações com o usuário, com outras pessoas e com o ambiente físico e social. 

“Essas tecnologias precisam ser vistas como uma ferramenta para alcançar algo, e não o fim. Ele não pode ser visto como um amigo, mas como uma das formas de alcançar esses amigos”, avaliou a gerente de projetos do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Danielle Andrade.

“Esses jovens nasceram na evolução dos smartphones e não podemos ir contra esse fato. O que precisamos trabalhar na educação dentro desse cenário digital, é trabalho em equipe, a importância de saber e escutar e ter paciência, e o principal, a lidar da melhor forma com as frustrações. Isso é exigido estando na era digital ou não”, alertou Danielle.

Para a coordenadora de tecnologia da Universidade Estácio, Erika Medeiros, um dos motivos que levam esses jovens a se apegarem cada vez mais aos smartphones é o “sentimento de pertencimento”. “Se dentro do grupo eles não compartilham o que está acontecendo, eles já se sentem excluídos. E os jovens têm uma facilidade maior de desenvolverem um comportamento compulsivo. Existem várias características técnicas que levam a esse vício, uma delas é a entrega do aparelho muito cedo às crianças”, criticou a coordenadora.

Os pais de Stéfany Vasconcelos Ataíde, de 12 anos, não veem como maléfico o uso desde cedo dos smartphones. Desde os nove anos, ela possui o aparelho. O controle se baseia na confiança que os pais depositam na menina. “Não consideramos que ela use o aparelho em excesso, ela sabe dosar bem. É a tecnologia do futuro, e isso não a impede de socializar bem com as pessoas dentro e fora da escola. Ela tem a turma de amigos, que também compartilha novidades das redes sociais quando estão juntos”, afirmou o vendedor André Gustavo Bezerra Ataíde.

Ele também enfatiza que, nos momentos em família, o uso do celular também é dosado. “Nós adoramos sair para andar de skate, assistir filme juntos. Há tempo para tudo”, concluiu. Stéfany revela que passa em torno de cinco horas por dia conectada, mas garante que isso não atrapalha seus estudos. “Gosto muito de ver vídeos na internet, falar com meus amigos nas redes sociais. Mas sei que tudo tem um limite e que o uso excessivo pode ser prejudicial até para a minha saúde”, afirmou.

A pesquisadora Nancy Etcoff também identificou nessa pesquisa os três principais comportamentos ligados ao smartphones que impactam as relações interpessoais: metade dos jovens entrevistados (49%) afirmou verificar o celular com mais frequência do que gostaria. No Brasil, esse percentual é de 48%; Cerca de um terço (35%) disse passar tempo demais utilizando o smartphone (44% da geração Z). Contraditoriamente 34% dos jovens acreditam que estariam mais felizes se passassem menos tempo no celular. Entre os adolescentes brasileiros, os números caem um pouco: 33% e 38% respectivamente.

Dois terços (65%) dos entrevistados admitem que entram em pânico quando acham que perderam o celular, e três em cada dez (29%) concordam que, quando não estão usando o celular, “estão pensando em usá-lo ou planejando o próximo uso do dispositivo”. No Brasil, boa parte dos usuários também se preocupa com a possível perda do dispositivo (56%, dos quais 69% da geração Z e 68% da geração do milênio). Em relação ao pensamento do próximo uso, o percentual sobe para 31% dos participantes.

A estudante de direito Laís Ferreira, 20 anos, assume que o smartphone é seu melhor amigo. Ela, inclusive, só vai dormir após responder o último amigo no WhatspApp e conferir as redes sociais. “A primeira coisa que faço ao acordar é olhar meu celular. Quando ele quebrou fiquei desesperada, mas estava no seguro, que só fiz para não ficar sem nenhum aparelho”, disse.

Questionada sobre o momento em que percebeu que esse uso excessivo poderia trazer malefícios, Laís disse que foi quando saiu para uma festa com os amigos e viu que estava mais preocupada em postar fotos em tempo real do que aproveitar o momento. “Não queria conversar com as pessoas, só com o celular. Então, vi que deveria buscar o equilíbrio”, disse. A busca por esse equilíbrio deve partir justamente de quem se considera refém dessa telinha de bolso, ao menos é o que a pesquisa feita em Harvard mostra. O mesmo estudo também constatou que 48% dos entrevistados no Brasil reconhecem a importância de aproveitar melhor a vida quando não estão com o celular.

Gerações
A psicóloga educacional da Universidade Estácio, Julianne Gomes Correia, considera o percentual de 49% de adolescentes que consideram o smartphone como melhor amigo, um dado alarmante. Mas lembra que hoje, esses jovens vivem um processo interacionista muito mais livre que a geração anterior. “Às vezes esses jovens nem sempre encontram seu grupo social na escola, então ele se afasta desse convívio pessoalmente para buscar por esse grupo na internet. Essas pessoas se identificam virtualmente e aí não há um gasto de energia que o contato social do corpo a corpo tem”, disse Julianne.

A grande questão dessa conexão excessiva é o aumento no número de casos de “autismo vir­tual” - quando muitas crianças pequenas que passam muito tempo em frente a uma tela de TV, videogames, tablets e smarphones têm sintomas similares aos de um autista - e do ciberbulling. “Precisamos rever a maneira como nos expomos à internet e suas ferramentas de acesso, e como pais, a maneira que expomos isso aos nossos filhos”, alertou a piscóloga.

E quando o vício do smartphone se torna um meio de trabalho? É o caso da social media da agência colaborativa Alfinim, Lorena Ataíde. Formada em letras, ela deixou de ser professora e passou a trabalhar com redes sociais, uma paixão que foi despertada pelo vício de acessar o celular. “Quem me iniciou nesse universo da tecnologia foi meu pai, quando me deu o meu primeiro computador. A partir disso o smartphone virou uma extensão dele e hoje é uma das primeiras coisas que vejo quando acordo”, comentou. 

A social media afirma que não consegue desgrudar do aparelho e que o tempo do trabalho termina se confundindo com o tempo do lazer. “A família às vezes me pede para desligar um pouco e dar um tempo, sinto que existe uma dependência muito grande, mas é difícil me desprender. Profissionalmente o smartphone é um aliado, pois as empresas e as pessoas estão o tempo todo na internet e ninguém quer perder tempo.”

Apesar de a Organização Mundial da Saúde não caracterizar o uso excessívo do smartphone como um vício, esse uso excessivo é preocupante para muitos especialistas. “É impactante termos acessos a essas novas tecnologias. Mas diante de tudo isso, se você não estiver controle, passa a não ter agenda e esse imediatismo vai gerando ansiedade e pode fugir do controle”, alertou a coordenadora de Tecnologia da Universidade Estácio, Erika Medeiros.

Nada substitui o olho no olho, diz a gerente de projetos do Cesar, Danielle Andrade. Ela coordena uma equipe com 40 engenheiros pela internet e afirma que não se poder fugir dessa interação, em que o ouvir e o olhar são fundamentais para que os projetos se desenvolvam bem. “Não se pode ir contra as tecnologias, mas precisamos saber trabalhar com elas em prol da coletividade. Em qualquer trabalho é necessário escutar o que o outro tem a dizer, diminuindo as distâncias”, explicou. 

Calma, Jorge

Em sua coluna, Marcio Coelho relembra o primeiro Congresso do Livro Digital para concluir: tem espaço para todo mundo. Leitores não faltam, basta publicar para eles.

Publishnews

Foto histórica do I Congresso Internacional do Livro Digital

Há pouco mais de oito anos, em março de 2010, aconteceu o I Congresso Internacional do Livro Digital. Uau, o que será que vão falar nesse congresso? Era a pergunta que o marcado editorial e livreiro se fazia com um medo danado de ouvir que o livro físico acabaria. Preocupação desimportante diante dos problemas reais enfrentados pela cultura do livro.

O lugar escolhido foi o hotel Maksoud Plaza, com seu cheiro de couro velho, seus capitonês e seu pomposo bar, em que um expresso custava, na época, R$ 6. Mas era o primeiro congresso, gente do mundo inteiro. Precisava ser num lugar com a cara da classe média paulistana: decadente e ostentador.

Como em todos os eventos do mercado editorial, lá estavam os amigos. O homem do chapéu Panamá, distribuidores, editores, livreiros, autores e babadores de ovos. Mas não era felicidade que eu via nos rostos. Era ansiedade, era medo, era apreensão. Tudo porque estávamos ali para ouvir sobre livros digitais.

Bom, muitos players internacionais depois – falando coisas que não sabiam sobre o Brasil e dando prognósticos apocalípticos sobre o nosso mercado – foi a vez de Jorge Carneiro falar. O dono da Ediouro, com quem trabalhei na minha fase na Nova Fronteira, dirigiu-se à espécie de palco com um ar de derrotado. Quando ele olhou para o público, seu olhar ficou longe, no horizonte, ele demorou longos segundos para começar.

No final do seu discurso, porém, ele fez um pedido que, a mim, pareceu desesperado: “precisamos tomar cuidado com o que vai acontecer com as nossas editoras. O que vai acontecer agora, gente? É o futuro do nosso ganha-pão que está em jogo aqui” (Jorge, não me lembro bem das palavras, mas me marcou).

Isso tudo pode soar como estranho, mas não era. A novidade chegava com ares de devastação. Era a bomba D jogada no mercado. D de digital. Lembro de sair daquele evento cheio de dúvidas. Mas depois houve mais alguns congressos como aquele, participei, aí dúvidas aumentaram.

O tempo passou e no último dia 10 de abril, em Londres, a TAG conquistou o The Quantum Innovation Award. Um clube de assinatura de livros físicos vence um prêmio internacional de inovação, por mais paradoxal que possa parecer.

O livro físico acabou? Não. E o livro digital? Calma, Jorge, tem espaço para todo mundo. Como diz meu amigo Bruno Mendes, leitores não faltam, basta publicar para eles.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Cientista da vida eterna cria buscador que responde a questões profundas com base em livros


“Como eu faço para parar de pensar e conseguir dormir?” é uma das perguntas que o novo mecanismo de busca semântica se propõe a responder com base em mais de 120 mil livros

Gazeta do Povo 

Um novo tipo de busca online chega ao universo do Google graças às pesquisas de linguística do futurologista Ray Kurzweil, cientista da computação e autor de livros influentes sobre inteligência artificial. Ele também é famoso pela crença no prolongamento eterno da vida, o que o leva a tomar cem pílulas por dia.

O aplicativo Talk to Books, lançado no fim de semana, faz uma “busca semântica”, ou seja, procura pelo significado e ideia, e não por palavra-chave, diz Kurzweil. Para cada frase ou pergunta, o programa vasculha em meio segundo todas as sentenças escritas em mais de 120 mil livros.

“Como eu faço para parar de pensar e conseguir dormir?”, escreveu Kurzweil no Talk to Books, num teste ao vivo para a audiência do TED, evento de palestras que aconteceu em Vancouver na semana passada.

Os resultados aparecem em negrito em trechos de livros, com seus títulos e páginas, e Kurzweil acredita que poderiam ser usados como respostas naturais numa conversa. O cientista, que trabalha com uma equipe de 40 engenheiros, disse que usou bilhões de linhas de diálogo para ensinar o software de inteligência artificial como funciona uma conversa real.

Apesar de os resultados para algumas perguntas mais práticas não serem muito diferentes do que uma busca tradicional (em vez de sites, leva para livros), tal tecnologia já vem sendo aplicada em produtos do Google.

No Gmail, por exemplo, os usuários ganharam opções de respostas curtas automáticas ao final de cada e-mail.

Níveis humanos
Kurzweil acredita que máquinas com inteligência artificial (IA) chegarão a níveis humanos por volta de 2029. “Todos nós vamos virar predominantemente IA. Já somos bem misturados, nunca saímos de casa sem nossos IAs”, disse, referindo-se a celulares. “E eles serão muito mais intimamente integrados com a gente daqui para frente.”

E não só: essas máquinas terão consciência. “Debatemos hoje sobre consciência dos animais. E vamos debater isto sobre IA também [...] Nós vamos querer acreditar que eles têm consciência porque serão tão espertos e vão ficar bravos se duvidarmos.”

Durante o TED, o autor de A Singularidade Está Próxima (2005) lançou o livro ilustrado Danielle, mistura de ficção com não ficção, sobre uma jovem heroína que resolve desafios do mundo com tecnologias avançadas, como problema de água na África ou cura do câncer.

“Não existe problema que não possa ser resolvido com inteligência coletiva e tecnologia que temos hoje”, falou.

Kurzweil, 70, também comentou sobre suas ideias de “extensão radical da vida”. Além das iniciativas que podem ser tomadas agora, como as cem pílulas que ele ingere por dia (em 2005, eram 250), o cientista acredita na biotecnologia e reprogramação genética.

“Uma outra fase seria a aplicação de nanotecnologia para estender seu sistema imunológico. Há cenários de acabar com todas as doenças e processos de envelhecimento”, disse. “Vai acontecer no mundo desenvolvido em uma década. E acho que estarei lá. Mas, claro, você sempre pode ser atingido por um ônibus amanhã.”

terça-feira, 17 de abril de 2018

Buscador acadêmico baseado em inteligência artificial



O Semantic Scholar é um mecanismo de busca acadêmico gratuito sem fins lucrativos da AI12 (Allen Institute for Artificial Intelligence), oferece alguns recursos inovadores, incluindo a escolha das palavras-chave e frases mais importantes do texto sem depender de um autor ou editor para inseri-las.

Como funciona

- São mais de 40 milhões de artigos científicos de fontes como PubMed, Nature e ArXiv.

- A Inteligência Artificial analisa trabalhos de pesquisa e extrai autores, referências, figuras e tópicos.

- Uni-se todas essas informações em um quadro abrangente de pesquisa de ponta.



segunda-feira, 16 de abril de 2018

Relatório da IFLA sobre os desafios ao direito à privacidade na era digital



Em resposta a um pedido de provas sobre o direito à privacidade na era digital das Nações Unidas sobre privacidade, a IFLA (Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias) respondeu enfatizando a importância da privacidade para a liberdade intelectual e o papel que as bibliotecas podem desempenhar na obtenção de deste objetivo. O relatório destaca o valioso papel que as bibliotecas podem desempenhar na promoção e proteção do direito à privacidade na era digital.




quinta-feira, 5 de abril de 2018

O acervo biográfico que conta a história mundial da fotografia

O chamado ‘Catálogo de Identidades Fotográficas’ da Biblioteca Pública de Nova York permite buscar fotógrafos por país, gênero, processo fotográfico e ano de atuação

Murilo Roncolato | Nexo

RETRATO DE UM BOULEVARD DE PARIS FEITO PELO PIONEIRO LOUIS DAGUERRE, EM 1838

Graças a trabalhos de digitalização de acervo, encontrar fotos do século retrasado acessíveis na internet deixou de ser uma tarefa complicada. Uma base on-line, no entanto, se dedicou a um objetivo um pouco distinto: deixar ao alcance virtual do público não as fotografias propriamente, mas o maior número de informações a respeito de quem deu vida a elas. 

É o que faz o Catálogo de Identidades Fotográficas – ou PIC, na sigla em inglês – da Biblioteca Pública de Nova York com seu acervo biográfico com registros de mais de 120 mil fotógrafos e coleções. O trabalho, capitaneado pelo especialista em fotografia da instituição David Lowe, levou 13 anos para ficar pronto. 

A base, cuja primeira versão foi ao ar em 2016, coleciona uma gama de informações sobre fotografias do mundo inteiro desde 1687. Entre elas, além do nome de cada fotógrafo – empresa ou coletivo – é possível filtrar a busca pelo seu gênero, nacionalidade, país onde nasceu, trabalhou ou morreu. 

É possível ainda escolher os dados pelo processo fotográfico utilizado (daguerreótipo, gelatina de prata etc), formato das imagens (cartões-postais, foto estereoscópica etc), ou pelas fontes que providenciaram os dados a respeito do fotógrafo ou pelo nome da instituição responsável pelo seu acervo.  

Embora se anuncie como uma base de dados biográficos de fotografia de potencial interesse a “historiadores, estudantes, genealogistas ou qualquer amante da história da fotografia”, ela talvez despertasse pouco interesse, não fosse sua “interface experimental” intuitiva e fácil de usar. 

Os filtros podem ser selecionados em uma lista na barra lateral à esquerda, enquanto os resultados aparecem em uma tela ao centro. Em paralelo, um mapa exibe com setas coloridas os pontos onde o fotógrafo buscado nasceu, trabalhou, instalou-se em estúdios próprios e, por fim, morreu. 

A base permite a busca até de fotógrafos responsáveis por registros em imagens feitas fora do planeta – representados no mapa pela lua do filme “Viagem à Lua” (1902), do pioneiro do cinema George Méliès – como é o caso do astronauta americano Buzz Aldrin, autor da primeira selfie feita no espaço, em 1966. 

FOTO: REPRODUÇÃO/PIC/NYPL
MAPA DE ACERVO BIOGRÁFICO MOSTRA LOCAIS ONDE FOTÓGRAFOS NASCERAM, TRABALHARAM E MORRERAM 

Para ajudar na exploração, a biblioteca também preparou um glossário com os processos fotográficos, bem como uma linha do tempo sobre a história da fotografia

No site do catálogo, a biblioteca lista todas as fontes biográficas usadas na base de dados, a qual também está disponível para download gratuito pelo Github. Para constar na base, o fotógrafo precisa ser listado como autor de trabalhos fotográficos por um museu reconhecido ou ser amplamente conhecido (nesses casos, a biblioteca faz uso de informações presentes em bases como a da Wikipedia). 

Do Brasil 

O acervo contempla mais de 1,1 mil fotógrafos de nacionalidade brasileira, na grande maioria homens. 

Entre eles, Chichico Alkmim (1886-1978), Claudio Edinger (1952), Bob Wolfenson (1954) e Sebastião Salgado (1944). Entre as mulheres, aparecem nomes como Regina Vater (1943), Claudia Andujar (1931), Cláudia Jaguaribe (1955) e Adriana Varejão (1964).

quarta-feira, 4 de abril de 2018

A geração Facebook


Por Eduardo de Barros | Adversa

Basta ligar o computador – ou o smartphone ou sabe-se lá mais o que – para se deparar com estas massas fantasmagóricas digladiando-se virtualmente, num espetáculo tão patético como desumano. Eis a geração Facebook!

Mas afinal o que se ganha quando se faz o mal aos outros? Já Simone Weil punha tal questão e respondia “Cresce-se. Estende-se. Enche-se um vazio em si criando-o nos outros”. Sim, crescemos virtualmente, estendendo nossos múltiplos tentáculos. Já que não temos mais intimidade, nos dedicamos a perscrutar vida intima alheia, tudo invadindo com nosso veneno biliar.

Eis o ‘homem novo’ – sonhado por todas as utopias – que tendo abolido toda vida interior, ficou completamente oco, desde que vendeu sua alma num mercado de pulgas. Seu único divertimento é o xingamento e só encontra suas delícias em tornar vazios os demais.


segunda-feira, 2 de abril de 2018

Papel dos bibliotecários de referência frente às novas tecnologias é discutido em livro

Obra escrita por servidor da UFMG analisa como esses profissionais usam as ferramentas virtuais em livro


Acaba de ser lançado o livro O bibliotecário de referência e as novas tecnologias, de Josiel Machado dos Santos, bibliotecário do Instituto de Ciências Agrárias da UFMG. Na obra, Josiel promove reflexão sobre o papel do bibliotecário de referência como mediador da informação, face às tecnologias que lançam novos desafios à profissão.

No volume, ele também investiga como esse profissional – sobretudo os que atuam nas bibliotecas universitárias – vale-se de ferramentas virtuais para realizar um atendimento eficaz ao usuário.

Para Josiel, os bibliotecários têm o compromisso de produzir conhecimento e dar visibilidade ao trabalho que realizam. “Nós também somos educadores. Temos o dever de produzir, analisar e quantificar aquilo que nos rodeia”, afirma.

via UFMG

segunda-feira, 26 de março de 2018

Especialistas mostram os dois lados do uso da internet na primeira infância

Para pesquisador espanhol, o importante para garantir navegação segura é mediar e restringir os conteúdos acessados e não o tempo de uso. Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que bebês tenham acesso a dispositivos digitais só depois dos 18 meses

AP Ana Paula Lisboa | Correio Braziliense


Ana Lúcia Durán, fonoaudióloga clínica e educacional, pós-graduada em psicomotricidade

Às vezes, parece que as novas gerações nascem conectadas. Com poucos meses, bebês se interessam pelo brilho, pelas cores, pelos sons e pelos movimentos em telas de celulares, tablets, computadores, televisões. Antes do primeiro aniversário, meninos e meninas conseguem usar smartphone sozinhos, “escolher” um vídeo para assistir e até pular para o próximo caso se cansem. O uso das ferramentas precede saber ler ou escrever. Por um lado, as novas tecnologias são fonte de entretenimento e informação; por outro, trazem riscos em termos de privacidade e de conteúdos inadequados para crianças pequenas. Na primeira infância, período até 6 anos, a preocupação com a internet precisa ser ainda maior, visto que, nessa fase, há menos consciência e autonomia para lidar com as ameaças da rede. Para piorar, falta regulação efetiva por parte dos pais e do sistema de educação.

É no que acredita o espanhol Lucas Ramada Prieto, estudioso de ficção digital para crianças e jovens. Ele defende a vigilância em termos de conteúdo e não de tempo de acesso. “O importante não é limitar quantas horas a criança poderá usar a rede. A Associação Americana de Pediatras, por exemplo, disse, em 2010, que era preciso limitar e, em 2016, voltou atrás. Normas rígidas de quantidade de uso não levam em conta o contexto”, comenta ele, que veio ao Brasil esta semana para participar, em São Paulo, do seminário internacional Arte, palavra e leitura na primeira infância, evento organizado pela Fundação Itaú Social e pelo Serviço Social do Comércio (Sesc).

Já a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) tem recomendações diferentes de acordo com a faixa etária na primeira infância: proibição do uso até os 18 meses e limitação de até duas por dia até os 6 anos. Fátima Guerra, doutora em educação infantil e professora aposentada da Universidade de Brasília (UnB), pondera que só observar o período gasto na rede não basta. “Estabelecer quantos minutos ou quantas horas se pode usar não resolve a questão, porque a criança ainda poderia ver algo inadequado. O ideal é que cada um estabeleça o próprio limite baseado com confiança mútua entre pais e filhos.”

No entanto, a pedagoga chama a atenção para a importância de não generalizar. “Não dá para universalizar, cada faixa etária, cada contexto, é diferente. Se o menino ou a menina começa a abusar ou descumprir o combinado, às vezes, é o caso de tirar totalmente. Criança precisa de limites e não só na questão da internet”, defende. “Não se deve ficar o dia inteiro on-line, pois há outras coisas do universo infantil igualmente importantes, como sair ao ar livre, tomar sol, brincar, relacionar-se fora da escola”, diz. “Não existe receita de bolo. Cada criança é diferente”, defende.

Lucas Ramada Prieto alerta para o perigo de pensar que há problema no uso apenas da internet. “As telas fazem parte do ecossistema de ficção, arte e cultura — que envolve livros, jogos, músicas. Estar muito imerso em uma tela é como estar muito imerso em um livro e, se vemos uma criança lendo muito, provavelmente não acharíamos ruim ou perigoso”, compara o doutor em didática da literatura pela Universidade Autônoma de Barcelona, onde é professor e membro do Gretel (Grupo de Pesquisa de Literatura Infantil e Educação Literária).

“Não é tão importante definir períodos de uso. Não há sentido, porque se trata mais de ensinar a crianças que não se pode ficar todo o tempo fazendo uma coisa só, seja usar o celular, jogar futebol, ler, seja assistir a novela. Limitar só porque é on-line não faz sentido”, argumenta. 

O principal para um uso saudável da rede mundial de computadores, na visão da professora Fátima Guerra, é estabelecer uma relação de confiança com os filhos. “Não deve ser algo de cima para baixo. Acessar a internet também não deve ser usado como prêmio, punição ou chantagem — se você fizer isso, deixo brincar no celular”, ensina a mestre em psicologia. “Tem muito pai que dá o tablet ou o celular quando quer que o filho fique quieto num restaurante ou avião. Não deveria ser esse o uso”, orienta. Outro tema polêmico é conciliar privacidade e supervisão. “O acesso paterno tem de ser conversando, olhando junto”, aconselha. Tantos aspectos complexos deixam claro para a professora da UnB que educar na era digital é muito mais difícil. “A saída é o diálogo e, se você não estabelece o diálogo e a relação de confiança desde muito cedo, não é na adolescência que conseguirá fazer isso”, aponta.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Inteligência Artificial não transforma o profissional em um inútil



A inteligência artificial está cada vez mais presente no nosso dia a dia e já interfere diretamente no mercado de trabalho. E o professor especializado em neurociência e inteligência artificial Nelson Gonçalves, da FGV, destaca que não há nenhum problema em profissões serem substituídas pela tecnologia. 

“A tecnologia sempre destruiu empregos. No caderno de empregos do jornal de 1972 os empregadores procuravam kardexista. Era um trabalho com um método de controle de estoque, baseado em uma planilha escrita à mão. Esse emprego foi varrido [pela tecnologia]. Ainda bem. Esse profissional foi fazer outra coisa”, disse Gonçalves durante o evento Data Driven, organizado pela empresa Neoway, especializada em big data, de acordo com reportagem do portal Info Money.

“É evidente que a tecnologia varre empregos, e sempre varreu, desde a revolução industrial. Não estamos diante de nenhum processo novo. Então essa apocalíptica de falar que a IA vai te desempregar, e te transformar em uma pessoa inútil, não faz sentido”, continuou o professor da FGV.

Ele listou algumas profissões que devem desaparecer, em algum momento, por conta do avanço da tecnologia e da inteligência artificial. “Olhando para frente e fazendo um exercício sério, dá para dizer que essas profissões vão ser ‘varridas’ pela inteligência artificial. Ou pelo menos o mercado de trabalho vai ficar muito mais restrito do que ele é hoje”, completou.



terça-feira, 20 de março de 2018

Como identificar notícias falsas #FakeNews


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- Consute especialistas
Pergunte a um bibliotecário ou consulte um site de verificação gratuito.


Fonte: The International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA) 

sábado, 17 de março de 2018

Infopatrimônio : preservação do patrimônio cultural brasileiro


O projeto Infopatrimônio foi elaborado com o objetivo de se tornar uma plataforma colaborativa para conhecimento do Patrimônio Cultural Brasileiro, geolocalizando na internet os bens reconhecidos pelos órgãos responsáveis. O projeto visa fomentar o conhecimento, a difusão e a interação com o patrimônio cultural, além de contribuir para o controle social da preservação.