sexta-feira, 23 de junho de 2017

NASA disponibiliza gratuitamente para download e-books nas áreas de História, Ciência e Aeronáutica


A agência espacial lançou uma série de e-books relacionados com a sua história. Entre os diversos livros eletrônicos, você pode encontrar títulos sobre aeronáutica, história, ciência e muito mais. As obras estão disponíveis gratuitamente e em diversos formatos: PDF, EPUB e MOBI. 


Visite: 

www.nasa.gov/connect/ebooks/

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Os 100 primeiros anos de fotografia na Europa disponíveis on-line

Com parceiros como Biblioteca Britânica e Museu do Louvre, plataforma da União Europeia acaba de lançar uma seção com 2,2 milhões de fotos

André Cabette Fábio | Nexo

A BIBLIOTECA VIRTUAL REÚNE MAIS DE 2,2 MILHÕES DE FOTOGRAFIAS

Mantida pela União Europeia, a plataforma Europeana é uma biblioteca on-line de arte alimentada por instituições como Berlinische Galerie, Biblioteca Nacional da França, Museu do Louvre e Biblioteca Britânica.

Ela é atualizada constantemente e inclui, por exemplo, coleções focadas em arte barroca e iluminista, cartões postais do sudeste europeu e acervos de manuscritos. Em maio de 2017, a plataforma lançou a coleção temática Europeana Photography.

Essa coleção reúne imagens e documentos de 50 instituições europeias de 34 países que documentam os primeiros 100 anos da fotografia no continente europeu. Há mais de 2,2 milhões de fotografias, algumas delas de pioneiros, como a britânica Julia Margaret Cameron. A foto abaixo, intitulada “Pomona”, é de 1875.

RETRATO DO SÉCULO 19 ATUALMENTE SE ENCONTRA EM DRESDEN, NA ALEMANHA]

A imagem abaixo, de 1867, é de outro pioneiro, Eadweard Muybridge.

INTITULADA ‘LOYA, VALE DE YOSEMITE (THE SENTINEL)’, FOTO ESTÁ EM DOMÍNIO PÚBLICO 

O material também será reunido e organizado em exposições virtuais numa série, intitulada “O prazer da abundância”, que, segundo a curadoria, “celebra a opulência e riqueza visual da fotografia vintage”. Uma das primeiras exposições da série se chama “Fotografia industrial na era das máquinas” e reúne imagens de máquinas, cidades, indústrias e oficinas do início do século 20. 

A imagem abaixo faz parte dessa coleção, e mostra uma manufatura na Grã-Bretanha.

FOTO DE FÁBRICA DE BRINQUEDOS FOI TIRADA NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO 20 

A fotografia abaixo, feita entre 1910 e 1920, mostra mulheres trabalhando em uma fábrica na Espanha.

TIRADA ENTER 1910 E 1920, FOTOGRAFIA DE JOSEP BIGAS MOSTRA MUITOS DETALHES

terça-feira, 13 de junho de 2017

Circo Data: Novo site cria base de dados sobre famílias circenses e enciclopédia



Dicionário do Circo Brasileiro reúne 1,4 mil verbetes, glossário, fotos e bibliografia

Leandro Nunes, O Estado de S. Paulo

O circo não é mais o mesmo. Há quem lamente e quem festeje essa informação. A questão é que, como as outras artes, os amantes do picadeiro estão buscando novas maneiras de cultivar a tradição e mantê-la pulsante em cada cidade em que a lona desembarca. Para mapear essa memória histórica, a pesquisadora Cristina Bend lançou o site Circo Data – Dicionário do Circo Brasileiro inspirado em modelos mundiais como Circopedia e que reúne 1.400 verbetes, 60 famílias catalogadas, 12 árvores genealógicas, glossário com 200 termos, além de fotos e bibliografia. 

O impulso para juntar tanto material surgiu sem, inicialmente, a ideia do projeto, que se concretizou com o edital Rumos do Itaú Cultural. A pesquisadora conta que durante os estudos em artes cênicas no Circo Escola Picadeiro, em Osasco, passou a entrevistar famílias e, ao longo de mais de dez anos, redigir em fichas os nomes de traquitanas e equipamentos que só existem no circo. “Na época, quase não havia informações sobre artistas do século 19 e 20 e seus circos”, recorda. 

No site contém lista com nome de artistas, por ordem alfabética, como Piolin, palhaço de Abelardo Pinto que marcou a Semana da Arte Moderna de 1922 e que condecora com seu nascimento – 27 de março – o Dia do Circo. Há como fazer buscas por nome de famílias, circos e glossário. Mas não é preciso ir muito longe na navegação para descobrir que a origem do trabalho de Cristina se liga ao Circo Escola Picadeiro, importante polo de formação circense fundado em 1985, por José Wilson Moura, lugar que preparou atores como Domingos Montagner, morto em setembro do ano passado.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Museu Nacional do Mar lança em SC portal com 800 obras

Acervo digital inclui cartas náuticas, manuscritos e até raridades do patrimônio naval.

Por G1 SC

Acervo e informações sobre obras expostas no Museu Nacional do Mar estarão disponíveis online  (Foto: ADR Joinville) 

O Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul, no Norte catarinense, agora conta com um acervo digital que reúne pelo menos 800 obras sobre navegação. O portal Barcos do Brasil foi lançado na sexta-feira (9). Com isso, o acervo do Museu do Mar estará disponível também online.

O acervo do portal inclui livros, plantas, cartas náuticas, manuscritos e até raridades do patrimônio naval. Todo o material que fica na Biblioteca Kelvin, dentro do Museu, poderá ser acessado também pela internet por especialistas, estudiosos e também leigos.

Entre os assuntos de alguns dos exemplares estão “história naval, modelismo, pesca, folclore, descrição de viagens, entre outros”, segundo a Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Joinville. As pesquisas foram organizadas por critérios de comunidade e coleções, data do documento, autores, títulos e assuntos. Acesse o acervo digital do Museu Nacional do Mar neste link.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Livros da Editus estão disponíveis na plataforma SciELO Livros


A Editora da UESC – Editus acaba de ser indexada à coleção SciELO Livros, onde já foram disponibilizados cinco títulos do seu catálogo para download gratuito: books.scielo.org/Editus/. Juntamento às Editoras UEPG e EDUERJ, a Editus é uma das novas editoras universitárias que entraram para a plataforma do SciELO Livros em 2017. Tratando-se de um repositório de acesso aberto para livros acadêmicos, a SciELO Books tem o objetivo de maximizar a acessibilidade, uso e impacto das pesquisas.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

'Gazeta do Povo' publica última versão impressa e se torna primeira plataforma 'mobile first' da América Latina


Fundada em 1919, a Gazeta do Povo publicou nesta quarta-feira, 31, sua última versãoo impressa, que abre caminho para uma nova etapa do maior diário do Paraná. Após parceria firmada com a EidosMedia, o veículo passará a ser o primeiro do América Latina com a produção voltada em primeiro lugar para aparelhos móveis. A ideia é conseguir inverter a dinâmica de arrecadação de receitas, que hoje tem nos anúncios o carro-chefe.

“A expectativa é até o fim de 2018 conseguir inverter o modelo de arrecadação e passar a faturar 70% ou 80% com assinaturas digitais”, diz Guilherme Pereira, o presidente do Grupo GRPCOM, do qual a Gazeta do Povo faz parte. A análise do mercado global de comunicação deu confiança aos executivos para tomar a decisão.

“Três anos atrás nosso pensamento era apenas o de cortar custos. Mas vimos o exemplo do Independent, que há um ano e meio abandonou o impresso e focou na plataforma digital. Um report do New York Times também foi levado em conta, porque o modelo de negócios dele é o que a gente quer implementar. Eles mantém o papel e a publicidade, mas a maior parte das receitas vem do paywall”, explica Pereira.

A aposta nos aparelhos móveis tem a ver com estratégia e inovação. “Somos a primeira plataforma da América Latina a recriar o jornalismo de impacto e pensar no mobile se adaptando ao desktop em todo o processo de confecção da notícia", diz Ana Amélia Filizola, diretora da Unidade de Jornais do Grupo GRPCOM. Assim, inverte-se a lógica de adaptar a versão online do desktop para os aparelhos móveis.

A empresa afirma que investiu R$ 23 milhões em tecnologia e firmou parceria com a EidosMedia, companhia de matriz italiana que presta serviço para veículos como The Wall Street Journal, Financial Times, Le Monde, Le Figarro e Corriere della Sera. “A nossa expectativa ? grande porque parte de uma ideia mais arrojada do que nossos outros clientes. O Grupo GRPCOM tem mentalidade de startup”, afirma Jeancarlo Nesto, representante da EidosMedia.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

A última impressão do 'Diário Oficial'


Todos os funcionários envolvidos no trabalho de impressão do jornal serão realocados em outros projetos da casa.

Na noite de terça-feira (30), antes de ir ao trabalho, Wagner dos Santos, de 44 anos, caminhou dois quarteirões em Ferraz de Vasconcelos, onde mora desde que nasceu, e deu um abraço em seu pai, José Pedro dos Santos, de 74 anos.

O abraço tinha forte motivo. Nos 17 últimos anos antes da aposentadoria, José Pedro trabalhou na mesma gráfica, na mesma empresa, rodando o mesmo Diário Oficial. Por isso Wagner, que prepara chapas de impressão do jornal há 31 anos - como muitos começou ainda adolescente -, estava emocionado na madrugada desta quarta-feira, 31.

Sua vida toda foi construída entre past-ups, fotolitos e chapas, entre rotativas e remessas. Entre noites e madrugadas. Entre Ferraz de Vasconcelos e a Mooca. Um casamento, quatro filhos já crescidos - duas meninas, uma de 20, outra de 18; dois meninos, um de 15, outro de 12. "Eu sabia que esse processo ia passar por uma transformação, que o digital chegaria para mudar. Eu me preparei para isso.".

Nenhum dos funcionários envolvidos no trabalho de impressão do Diário Oficial será demitido, promete a diretoria. "A mão de obra toda vai continuar", declarou à reportagem a presidente da Imprensa Oficial, Maria Felisa Moreno Gallego, na tarde de anteontem. Todos serão realocados, portanto, em outros projetos da casa. Livros escolares, por exemplo.

Maria Felisa tem todas as justificativas na calculadora. A economia será de R$ 6 milhões por ano - papel, tinta e outros insumos. "Fora a questão do meio ambiente: vamos deixar de gastar 408 toneladas de papel por ano", pontuou a presidente.

Se para padronizadores, diagramadores e revisores a rotina não deve ser alterada, na redação há expectativas de melhorias. À frente de uma equipe de sete repórteres, quatro fotógrafos, um editor de texto, uma editora de imagem, uma subeditora e um pré-pauteiro, a editora-chefe Maria Erminia Ferreira - que não revela a idade, mas tem 21 anos de Diário Oficial - vislumbra melhor futuro para as quatro páginas jornalísticas publicadas diariamente. "Estamos conversando para ver a linguagem mais adequada ao novo tempo", disse. "É hora de adaptar. Talvez não precisemos mais nem ficar presos a esse limite de quatro páginas. Muitas vezes perdemos material por falta de espaço."

Para a gráfica

Faltavam quatro minutos para a 1 horas quando a última impressão do Diário Oficial começou. Um pequeno exército de oito pessoas trabalhava na impressão. Outros três, na remessa. "Depois, acabou, né? Um dia histórico... Dá um pouco de tristeza, mas tem de olhar para a frente, pois para trás é só mesmo a saudade", sentenciou Luiz Carlos Faccin, de 49 anos - 34 de Imprensa Oficial.

Quando os mil exemplares da edição impressa datado de 31 de maio de 2017, com suas 336 páginas cada um, saíram do prelo, às 5 horas de ontem, Wagner pretendia encontrar o pai, talvez ainda na parte da manhã. "Vou guardar um exemplar deste último. Vou levar para ele."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo | UOL

terça-feira, 30 de maio de 2017

O ócio e o silêncio versus a tecnologia


Em meio a um contínuo processo de assimilação dos recursos digitais, os danos provocados pela aceleração massiva e pela recusa ao tempo de introspecção já são perceptíveis

por Renato Rocha Mendes | Revista da Cultura

A autoimposição de “ser produtivo” marca a existência dos indivíduos nas grandes cidades. A calma das palavras e o ouvir o outro com atenção são comportamentos e gestos que se tornaram pouco importantes. Clichês como “o tempo urge” ou “tempo é dinheiro” pertencem à dimensão produtiva da vida. Por outro lado, também servem como desculpa para o adiamento do descanso, do ócio e do contato consigo próprio. A tecnologia que invade o cotidiano e o progresso material podem ser antagonistas do tempo para o nada fazer, o tempo da preguiça. Afinal, qual o lugar do ócio nos dias atuais? 

Se a produtividade está no centro da vida dos habitantes dos centros urbanos, a inaptidão à quietude – verborragia, em oposição ao silêncio – é uma marca comportamental dos indivíduos. A falação tomou conta da realidade e passamos a nos importar com o que não importa. As redes sociais simbolizam um tipo de cacofonia, todos dando opiniões e falando ao mesmo tempo sem a capacidade de ouvir (ler) o outro. As mídias sociais também impossibilitam o estar só consigo mesmo, já que as pessoas estão conectadas dia e noite. O tempo para o vazio e para a solidão já não existe. Disso tudo, resta compreender qual é a relevância do silêncio para a reflexão e para a fala no mundo contemporâneo.

EU VIA, MAS NÃO SABIA O QUE VIA
Adauto Novaes, filósofo, diretor do Centro de Estudos Artepensamento, que em 2016 celebrou três décadas de suas séries anuais de conferências, organizou duas coletâneas de ensaios, Mutações – O elogio à preguiça e Mutações – O silêncio e a prosa do mundo, ambas voltadas ao pensamento sobre a preguiça e o silêncio. Em entrevista à Revista da Cultura, ele afirma que, para entender o sentido que o ócio (preguiça) e o silêncio têm, convém situá-los no momento atual: “Vivemos não em estado de crise, mas em uma mutação em todas as áreas da atividade humana: nos costumes, nas mentalidades, na ética, na política, na linguagem e, principalmente, nas ideias de espaço e tempo, tudo isso produzido pela revolução técnico-científica, biológica e digital. O silêncio e a fala, o trabalho do pensamento e a função da preguiça no trabalho do pensamento também estão sendo afetados por essa mutação”.

O filósofo explica que “a negação da ideia de duração a partir do domínio do veloz e do volátil, em todas as áreas hoje”, é fundamental para abordar a paciência (preguiça) e o silêncio. Novaes confere certa “materialidade” a essa ideia quando aborda a criação artística e intelectual em contraste com as plataformas digitais de difusão de conteúdo. “Uma pesquisa recente calculou que os usuários passam 1 bilhão de horas por dia no YouTube, e esse número tende a aumentar. Outra pesquisa revela um aumento exponencial de palavras faladas a partir da invenção das novas tecnologias digitais. O que isso significa? Sabemos que as criações de obras de arte e de obras de pensamento exigem tempo e hoje a velocidade abole todo o trabalho de criação. Elas exigem paciência e silêncio. A maneira pela qual a grande maioria lida com os novos meios é suspeita. A relação entre a suposta consciência e o objeto apresentado é feita sem a mediação do pensamento, ou melhor, sem o tempo que todo pensamento pede. A relação entre a suposta consciência e a coisa apresentada leva a certezas simples e imediatas. Os clássicos citam sempre uma velha máxima: ‘Eu via, mas não sabia o que via’. Ver (ou ler) apenas não basta, é preciso tempo para pensar o que se leu e se viu”, enfatiza ele, que ao longo dos 30 anos de conferências que idealizou (a partir de 2006, Ciclo Mutações) escreveu mais de 800 ensaios, todos publicados em livros.

“Estamos sendo comandados por formas de relacionamento com o mundo, sem pensamento e sem saber. Não se sabe o que se lê e não exagero quando digo isso. Li há pouco uma matéria que me impressionou muito. Como se não bastasse a rapidez e a volatilidade do mundo em que vivemos, surge agora a criação de aplicativos para acelerar não só os programas de TV, mas também a leitura, o que os criadores dessa coisa esquisita chamam de ‘smart speed’, que acelera 1,5 vez a velocidade do áudio. ‘Cortar pausa entre palavras’, como propõe a nova forma de leitura, é destruir o sentido de cada palavra: agindo assim, jamais vamos dar sentido aos conceitos de liberdade, preguiça, silêncio, prosa, mundo, substância, pensamento, espaço, tempo, memória, vida, etc.”, conclui o filósofo.

A CONCORRÊNCIA
É comum elegermos os celulares e as redes sociais como concorrentes do ócio e do silêncio. Em tempos de realidade mediada pela tecnologia, os dispositivos digitais criam para os indivíduos um “ecossistema” viável para sua existência virtual. Em entrevista, Adriano Duarte Rodrigues, professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa e um dos nomes mais importantes no estudo das ciências da comunicação de Portugal, alerta para o fato de se colocar as redes sociais e os celulares como vilões: “Tal postura deriva de uma das características da cultura, a tecnofobia, que é o nome que se dá ao medo dos dispositivos técnicos quando são inventados, antes de estarem assimilados na experiência das pessoas. Foi o que aconteceu com a invenção da escrita, da imprensa, do rádio e da televisão quando surgiram. As pessoas utilizam as redes sociais tanto para combaterem a solidão como para evitarem estar com os outros face a face. Como vê, não se pode generalizar”. 

Mirian Goldenberg, antropóloga e escritora, diz o seguinte sobre a tecnofobia: “Não gosto muito dessa expressão porque impede você de fazer qualquer tipo de crítica a um fenômeno social importante hoje, que é o uso dos celulares, da internet, do Facebook e do Instagram. O fato de eu ser crítica – e sou – não significa que tenho qualquer tipo de fobia à tecnologia”. Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e colunista do jornal Folha de S.Paulo, ela destaca algo que pode ser observado na existência virtual ou concreta da população, o narcisismo. “As pessoas estão muito autorreferidas, elas já têm sua opinião e a defendem violentamente, têm pouca paciência para ouvir opiniões, mesmo que semelhantes. As pessoas estão voltadas para seu celular, falando via WhatsApp ou postando no Facebook, e, além de tudo, o que mais me deixa desanimada é ver a falta de interesse pelos outros.”

Os resultados de uma realidade invadida pela tecnologia e de um campo comunicacional acelerado e causador de ruídos operam na contramão da paciência, do ócio e do silêncio. Novaes reflete e coloca questões a esse respeito: “O pensamento é uma paixão do intelecto, insensível às exigências apressadas. De que vale ter tanta informação se o leitor não tem tempo para combinação, compreensão e invenção? Como enfrentar o enigma do mundo sem recorrer ao silêncio, que dá sentido às palavras? O que resta no mundo da parlapatice e da busca da rapidez a não ser o legado de miséria intelectual? A conclusão a que chegamos é que resta pouca coisa, ou quase nada. A tarefa da linguagem, no sentido forte e originário do termo, não consiste em satisfazer necessidades de ordem prática. Não seria função da linguagem expressar o jogo supremo das mutações das ideias, formar pensamentos até então desconhecidos?”.

Existe uma relação direta entre uma vida preenchida por atividades – que acabam invariavelmente nas redes sociais – e a rejeição do “tempo vazio”, da solidão. Na opinião de Mirian, “essa verborragia é um retrato do nosso tempo. Pelo menos da grande maioria das pessoas que estão conectadas, mas também das que não estão; chega a ser um ‘me, me, me’, ‘eu, eu, eu’. Sofremos uma influência muito grande dos Estados Unidos e de toda essa revolução cultural da internet, e nesse contexto o ócio é associado a um fracasso. O que você vai postar no Facebook se não está fazendo absolutamente nada, se você está simplesmente olhando para a paisagem ou dormindo? O que é complicado para a nossa cultura atual é viver o vazio. Você precisa sempre estar preenchendo o vazio com alguma coisa, que é para curtir. A curtida do Facebook não é só uma curtida, é uma forma de reconhecimento”.

Para a antropóloga, autora de obras como Velho é lindo! e A bela velhice, à medida que as pessoas envelhecem, o tempo passa a ser um capital. “Até os 40 anos, você não tem a noção de que seu tempo vai embora, porque você acha que vai viver muito. Você gasta muito tempo para agradar, para satisfazer as demandas externas, por vaidade, porque você quer que todo mundo te ame. Ou então fazendo um trabalho que você odeia porque quer ganhar dinheiro. Seu tempo não é seu principal capital. Quando você começa a se aproximar dos 60 anos, pode ser antes, o tempo passa a ser uma riqueza. ‘Antes o tempo era para os outros, agora o tempo é para mim. Sou a principal interessada no meu tempo.’ Com essa revolução, o tempo passa a ser voltado para coisas que realmente dão significado a sua vida.”

Embora sejamos seres sociais, a solidão é inerente ao ser humano e todos iremos desaparecer um dia, como salienta o professor português Adriano Duarte Rodrigues: “não devemos esquecer que, ao contrário das outras espécies, os seres humanos são animais solitários porque têm como horizonte fatal sua experiência solitária da morte. É essa experiência da solidão que alimenta as relações que as pessoas estabelecem umas com as outras e que define sua natureza social”. Ainda que existam disputas simbólicas entre tecnologia, ócio e silêncio, esses elementos se fazem presentes na vida dos indivíduos. De maneira a subverter a técnica, a velocidade acelerada do digital e o “ser produtivo”, vez ou outra pode ser agradável evocar a preguiça e o silêncio, e refletir sobre nosso bem-estar e sobre nossas relações com as pessoas e com o mundo.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Biblioteca Nacional disponibiliza acervo de periódicos


Na Hemeroteca Digital, o portal de periódicos da Biblioteca Nacional, é possível encontrar um raro acervo de jornais e revistas, desde os primeiros jornais do Brasil, como a Gazeta do Rio de Janeiro e o Correio Braziliense, até publicações atuais. Atualmente, são 14 milhões de páginas de jornais e revistas digitalizadas. Em 2016, o portal teve mais de 7 milhões de acessos, tanto do Brasil quando do exterior. 

De acordo com a coordenadora da Biblioteca Nacional Digital, Angela Bettencourt, a instituição cumpre com seu papel de preservar e divulgar a informação. "Projetos como a Hemeroteca Digital são importantíssimos para os brasileiros. Iniciativas como essa atingem também o público em geral, não apenas pesquisadores, tornando-se fundamentais para democratizar o acesso aos bens culturais", ressalta. 

A Hemeroteca Digital foi criada em 2009, a partir de um projeto apoiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A ideia inicial era digitalizar apenas periódicos já em domínio público, mas o escopo acabou sendo ampliado. "Fomos procurados por proprietários de jornais, como o Jornal do Brasil, autorizando a digitalização. Depois vieram os proprietários dos Diários Associados, que incluem o Jornal do Commercio, Diário de Pernambuco e a famosa revista O Cruzeiro. Desde então, passamos a digitalizar também periódicos atuais. Não temos o direito patrimonial, mas podemos divulgar em nosso portal", explica Angela. 

Para pesquisar na Hemeroteca Digital, basta digitar ou escolher o nome do periódico, escolher o período e o que se quer encontrar. Uma das grandes vantagens da pesquisa no acervo é que não é preciso procurar página por página do jornal ou revista para encontrar a informação pesquisada. "Nossa indexação é por palavra. Isso facilita muito a recuperação da informação na vastidão do material", frisa a coordenadora. 

Para Angela, a Biblioteca Nacional acompanha os novos tempos com projetos como a Hemeroteca Digital. "A Biblioteca Nacional dita as normas para catalogação de livros, o material analógico, podemos dizer. E também marcamos presença no mundo digital. Atualmente, a instituição é a maior biblioteca digital do País e estamos ensinando às outras como fazer, que padrões seguir. Isso vai nos ajudar a cooperar no futuro, quem sabe nos transformando em um verdadeiro Google da cultura", destaca. 

Ministério da Cultura

Rede social e saúde


Há o elemento da autoestima, da constante comparação a conhecidos ou estranhos

Lúcia Guimarães | O Estado de S.Paulo

Você fica contente quando curte uma postagem no Facebook? Tem certeza? Não sou especialista, porque limito o tempo que passo no quintal do Zuckerberg, com seus dois bilhões de usuários ativos. Mas também não fiquei surpresa com o resultado de um estudo publicado numa revista acadêmica americana de epidemiologia. Durante dois anos, Holly Shakya, especialista em saúde pública da Universidade da Califórnia, e Nicholas Christakis, pesquisador da Universidade de Yale, monitoraram 5.208 adultos em dois aspectos: vida social e saúde mental. Descobriram que, quanto mais tempo passavam no Facebook, maior a deterioração do seu bem-estar.

O estudo foi rigoroso e envolveu dados colhidos pelo Instituto Gallup. Além de compartilhar informação sobre o tempo que passavam na rede social, os pesquisados revelaram dados sobre interação social e saúde. 

Quanto mais tempo a pessoa usava o Facebook, não importa se curtindo ou não postagens, pior se sentia. De acordo com dados fornecidos pelo Facebook, os usuários passam lá, em média, uma hora por dia. Outras pesquisas revelam alto número de usuários que consultam uma conta de mídia social antes de levantar da cama. Não se trata apenas de estimular o sedentarismo e aumentar o sentimento de isolação por substituir a interação pessoal. Há o elemento da autoestima, da constante comparação a conhecidos ou estranhos. Como a tendência é o internauta apresentar a autoimagem mais positiva possível online, os parâmetros de comparação se tornam distorcidos. Se, no convívio pessoal é mais difícil idealizar o outro, quanto mais se transfere a vida social para a rede, maior a criação de expectativas exageradas e a sensação de fracasso por não satisfazê-las.

Há quem interprete dados como o do estudo de Shakya e Christakis de outra forma. As pessoas com maior tendência à depressão e com autoestima mais baixa passariam mais tempo na rede social, ou seja a rede social apenas exacerba uma tendência preexistente. E, sim, há estudos que veem a mídia social como fonte de reafirmação e apoio na comunidade.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Biblioteca de Esquizofrenia


A Biblioteca de Esquizofrenia (Schizophrenia Library) foi desenvolvida por cientistas da Neuroscience Research Australia (NeuRA) e contém 2.000 fichas informativas e relatórios de provas, bem como vídeos, podcasts e entrevistas com pesquisadores científicos do setor de saúde mental.

Fornece informações confiáveis ​​e atualizadas a partir de revisões sistemáticas sobre cerca de 460 tópicos relacionados à esquizofrenia. Os tópicos abordam sintomas, tratamentos, diagnóstico, fatores de risco, resultados, epidemiologia (perspectiva populacional) e as características físicas da esquizofrenia.



terça-feira, 16 de maio de 2017

A escuta na era digital




Não é fácil entender as mudanças que a música sofreu desde os anos 2000, com o Napster e toda a cultura da internet. O século 21 tem corrido rápido, e qualquer tentativa de apreendê--lo carrega o risco de soar datada. Eu me arrisco aqui em alguns palpites.

O que exatamente mudou? É comum ouvirmos que a mudança se deu na troca do suporte CD para o MP3 e na disseminação da pirataria, mas tendo a discordar dessa visão. Trocas de suporte são parte indissociável da história da indústria fonográfica. E é só no entendimento da pirataria como uma forma de compartilhamento de gostos e hábitos que nos aproximamos da verdadeira revolução, que, apesar de desencadeada pela tecnologia, sempre foi muito mais comportamental.

Hoje, quando a pirataria parece finalmente estar diminuindo, é possível enxergar essas mudanças comportamentais claramente: o que mudou na verdade foi a maneira como nos relacionamos com a música, ou, ainda, mudou o papel da música nas novas relações sociais.

Na época em que mais se ouve música na história da humanidade, pesquisas indicam que a escuta segue novos caminhos, pautada pelas novas formas de interação social. Via celular pela manhã e no final da tarde, sendo substituído pelo desktop no horário comercial. Isso sugere que as pessoas passam os dias, seja nos deslocamentos, seja nas atividades diárias, ouvindo música. A música funciona como trilha sonora, pano de fundo para as atividades individuais. Sendo trilha sonora, o conceito de álbum perde o sentido. O que se ouve são faixas, em uma sequência criada por você, por um desconhecido ou mesmo pelo serviço de streaming, dispostas em playlists.

Mas, se a escuta é individual, virtualmente ela é coletiva, e por isso a música ainda cumpre uma função social importante. É por meio da música que as pessoas demonstram seu estado de espírito e as playlists acabam sendo a forma de expressão para isso. Com nomes como Melancolia, Good Vibes e Felling Good, fazem sucesso e são seguidas por milhares de ouvidos, alcançando mais sucesso do que muitos artistas. Vem daí também a tendência de compartilhar via redes sociais o que você está ouvindo naquele momento. Também é pelas redes sociais, muito mais do que pelo palco ou disco, que se estabelece a relação artista/fã. Para utilizar uma palavra atual, o artista precisa “engajar” os fãs com notícias, fotos e vídeos de seu dia a dia. Por mais paradoxal que pareça, o músico precisa expor sua persona privada para reforçar o sucesso de sua persona artística.

Por fim, talvez pela volatilidade das relações sociais mediadas pela rede, que acabam pautando a escuta musical, apesar de haver muito espaço para o novo, ele quase nunca perdura. Daí a predominância do pop, gênero efêmero por excelência, sobre os outros, e a permanência de nomes de clássicos, como Beatles, Michael Jackson, Nina Simone ou Metallica na lista dos artistas mais tocados via streaming em pleno 2017.

Porém, esse é apenas um lado da moeda. Como explicar então a volta do vinil, com um crescimento nas vendas de 191% em 10 anos. Novamente essa é uma mudança comportamental. Descontentes com os rumos da escuta, uma parte considerável de pessoas encontra no vinil uma forma de distinção, e a adoção da prática de ouvir um disco inteiro adquire contornos de resistência cultural. Além, é claro, da sensação de pertencimento a um grupo social específico.

Assim, qual será, então, o futuro da nossa relação com a música? Difícil afirmar, já que essas mudanças – além de dizerem respeito a uma parcela restrita da população mundial, com acesso a computadores e banda larga – são frutos de tendências criadas com base nas novas formas de interação social. Talvez a criação ou a expansão de alguns nichos, como a volta da fita K7 (sim, é sério!), sejam de fato uma nova realidade, principalmente como formas de sociabilização e pertencimento. Em uma sociedade dinâmica e em constante movimento, novas formas de sociabilidade serão construídas e, com elas, novas formas de nos relacionarmos com a música.

Wagner Palazzi é graduado em Relações Públicas e coordenador do Selo Sesc. 

via Revista e
Ilustração: Marcos Garuti

segunda-feira, 15 de maio de 2017

O algoritmo imoral


Não existe neutralidade técnica ou axiológica nas redes sociais e buscadores como pretendem. Os resultados são frequentemente manipulados

por Carlos Alves Muller | O Globo

Há dias, “The Australian”, um dos principais jornais da Austrália, publicou reportagem sobre um documento da filial do Facebook sobre como identificar adolescentes emocionalmente frágeis. A “metodologia” teria sido oferecida a anunciantes como ferramenta de marketing segmentado, procedimento passível de ser enquadrado criminalmente como abuso contra pessoa vulnerável.

O Facebook respondeu que “não oferece ferramentas para chegar a pessoas com base em seu estado emocional”, mas admitiu a existência de uma “análise, feita por pesquisador australiano com o objetivo de ajudar marqueteiros a entender como as pessoas se expressam no Facebook”.

Não é a primeira vez que o Facebook, como outras redes sociais e buscadores, recorre a chicanas para eximir-se de responsabilidade. Foi o que ocorreu com recentes casos de assassinato (de um idoso nos EUA, e de um bebê, na Tailândia) cujas imagens foram postadas ao vivo; com grupos de pedofilia no mesmo Facebook, como denunciado pela BBC, e com anúncios (inclusive públicos), exibidos em sites promotores de ódio e terrorismo. E é o caso da propagação em escala industrial de notícias falsas e fraudes nos dados de visualização de publicidade, com o uso de robôs.

O argumento para eximir-se de responsabilidade é tão falso quanto a “notícia”: “Marisa fotografada na Itália. Morte da mulher de Lula é mentira, Entenda!”, difundida pelo site “Pensa Brasil”, notória fonte de notícias falsas, como revelado pela “Folha de S.Paulo” em 19/2 último. Não por acaso, se você digitar “Pensa” no Google, como fiz em 07/5, a primeira opção oferecida pelo buscador é... “Pensa Brasil”.

Não há neutralidade técnica ou axiológica nas redes sociais e buscadores como pretendem. Os resultados são frequentemente manipulados.

São provas disso o processo contra o Google que tramita na União Europeia, evidenciando que sites de negócios do próprio buscador têm prioridade sobre os dos concorrentes, e as notícias falsas disseminadas pelo Facebook na campanha eleitoral americana.

O argumento também é falso porque alega que “é o algoritmo...”. Ocorre, assim, uma antropomorfização de um programa de computador, ao mesmo tempo transformado em força telúrica contra a qual os mortais nada podem. Já os humanos que o desenvolveram e tomam as decisões nas empresas perdem a humanidade, escravos de uma “inteligência artificial”.

Na verdade, algoritmos fazem o que foram programados para fazer. É possível criar parâmetros para que façam algumas “opções”, mas tão limitados que o algoritmo tanto ignora a pedofilia em certas imagens (exceto as muito explícitas) quanto censura foto de campanha de aleitamento materno porque associa seio à mostra a pornografia. Correções de casos como estes só acontecem quando cobradas por internautas.

O problema de fundo é que só humanos podem discernir o que algoritmos não detectam. Redes sociais e congêneres se negam a reconhecê-lo, pois isso implica admitir que são empresas de mídia e não plataformas (o que tem consequências, inclusive jurídicas), abala seu “modelo de negócio”, causando uma explosão de custos. É preciso gente para produzir e editar conteúdo, evitando que crimes sejam praticados e exibidos, para que o anúncio vá para o público desejado, e não para outro seguidor de canais criminosos. É preciso gente habilitada para fazer jornalismo conforme as boas práticas numa sociedade democrática. E é preciso gente educada e com senso crítico para entender a importância dessas diferenças e não aceitar o que o algoritmo imoral lhe oferece.

Carlos Alves Müller é jornalista e consultor da Associação Nacional de Jornais

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Biblioteca digital de Obama começa a ser revelada em Chicago

Projeto ousado tem a ambição de ser mais que um simples acervo de um ex-presidente e deve ficar pronto em 2021

por Henrique Gomes Batista | OGlobo


Plano para a biblioteca presidencial de Obama envolve integração total com área pobre de Chicago 

O Centro Presidencial Obama deve ser mais que uma simples biblioteca presidencial. As primeiras imagens e detalhes do projeto indicam uma proposta inovadora — e não apenas arquitetonicamente. O centro tem tudo para ser um fator de revitalização da área sul de Chicago, uma das mais pobres da cidade, e base política para sonhos futuros de Barack e Michelle. Os estudos indicam que ele deverá ser inaugurado em 2021 e vai alterar uma das principais vias da cidade.

“O Centro Presidencial Obama será um centro de trabalho e de vida, um projeto em andamento no qual criaremos, juntos, o que significa ser um bom cidadão no século XXI”, afirma a página que apresenta os primeiros traços do projeto, que contará com um museu, uma biblioteca, um centro cívico, salas de aula e local para convenções.

A arquitetura ousada integrará três prédios — biblioteca, fórum e museu, este último o maior deles com 55 metros, ou o equivalente a 18 andares, que servirá como um “farol” para todo o complexo com a natureza na região, com parques e jardins interligados.

A proposta ainda fecha uma das principais vias expressas da cidade, para permitir que o Jackson Park chegue até às margens do lago Michigan, algo que gera polêmicas em uma das maiores cidades americanas. Pelo projeto, o Centro Obama deve valorizar, inclusive, instituições como o Museu da Ciência e Indústria, o DuSable Museum e a Universidade de Chicago, todos em sua cercania. Assim, espera-se que se torne um importante polo de lazer e turismo, assim como ocorreu com o Millennium Park, na cidade.

Não há ainda previsão de custo total da obra, que será paga com doações para a atividade sem fins lucrativos criada pelo casal Obama.

O desenho elaborado por Todley Billie Tsien Arquitetos (TWBTA) prevê muitas áreas abertas, tetos com terraços paisagísticos e uma perfeita integração com o Jackson Park, além de possuir as mais elevadas certificações ambientais. A ideia é permitir que o centro leve mais pessoas para o parque, sobretudo crianças, e que permita mais que as atividades naturais de uma biblioteca presidencial — ou seja, não deve ficar limitado a pesquisas históricas.

Esta será a primeira biblioteca presidencial sem papeis: todo o acervo será digitalizado. E, além disso, terá atividades de pesquisa, estudo e apoio a lideranças jovens, para mudar a cidadania e o futuro político dos EUA. Sobretudo da população mais pobre e negra — concentrada nesta região da cidade —, embora alguns líderes comunitários quisessem que o centro presidencial ficasse ainda mais no sul da cidade, em uma região mais complicada socialmente.

— Mais que um biblioteca ou um museu, queremos um centro vivo para incentivar projetos inovadores para a cidade, o país e o mundo — disse o ex-presidente na semana passada, ao apresentar as linhas gerais do seu centro. — Não é apenas um edifício, não é apenas um parque. Esperamos que seja um centro onde todos possamos ver um futuro melhor para o sul de Chicago.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Arquivo Nacional cria base de dados sobre imigrantes no Rio de Janeiro


O Arquivo Nacional disponibilizou uma base de dados para consulta sobre 1,3 milhão de imigrantes que desembarcaram no Porto do Rio de Janeiro entre 1875 e 1910.

De acordo com o supervisor de Documentos do Poder Executivo do Arquivo Nacional, Sátiro Nunes, que coordenou o projeto com a professora Ismênia de Lima Martins, da Universidade Federal Fluminense (UFF), o banco de dados representa a transcrição das relações de nomes de passageiros desembarcados no Porto do Rio. Essas listas originais são manuscritas e foram digitalizadas com auxílio de 60 estagiários.

“Facilita o acesso do usuário pesquisador às informações contidas nas relações de passageiros, o que pode propiciar almejar direitos. Com informações do estrangeiro, as pessoas podem pleitear, por exemplo, um processo de dupla cidadania”, disse Nunes. Outras questões, como direitos de propriedade, também podem ser solucionadas por meio dos dados.

Migrações

Além do caráter probatório, o banco de dados tem caráter acadêmico, porque, conforme esclareceu o supervisor, permite fazer o estudo das migrações que povoaram o Brasil do fim do século 19 até o início do século 20. A base de dados foi construída com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Sátiro Nunes afirmou que as informações estavam disponíveis, mas não havia condição de acesso, porque, “não se podia ler o registro original manuscrito do século 19”. Os dados estão disponíveis na internet, em caráter definitivo, no site do Arquivo Nacional.

História

O usuário vai ao menu, pede “consulta a acervos”, clica em “outras bases de dados” e procura entrada de estrangeiros no Porto do Rio de Janeiro, onde encontrará uma descrição do projeto, manual de utilização e a base de dados.

Nunes chamou atenção para a importância do projeto. Segundo ele,  além de conhecer a história dos antepassados, o usuário consegue até reestruturar sua própria história. “Quem é você, em que contexto você se coloca na sociedade”, concluiu.

Agência Brasil