sábado, 9 de fevereiro de 2019

Conheça o acervo digital do Museu da Imigração



São mais de 250 mil imagens, incluindo a lista dos imigrantes que chegaram ao Brasil pelo Porto de Santos

Um baú de memórias e preciosidades. Assim pode ser definido o acervo digital do Museu da Imigração, que possui mais de 250 mil imagens disponíveis para consulta e download gratuito, em uma ferramenta que revoluciona o acesso a fragmentos da história paulista e brasileira.

O projeto Memória da Imigração integra, por meio de um banco de dados online, o acervo digital do Museu da Imigração e documentos pertencentes ao Arquivo Público do Estado de São Paulo.

O trabalho teve início em janeiro de 2011, coordenado pelo Arquivo Público, e envolveu etapas de organização documental, intervenções de conservação e preservação, digitalização e tratamento das imagens digitais.

Como resultado, o banco de dados desenvolvido oferece acesso amplo, público, democrático e organizado a um acervo de inestimável valor material e imaterial relacionado à memória da imigração no Brasil, garantindo ainda a preservação dos documentos originais.

Para a técnica do Museu da Imigração Mariana Martins o acervo é fundamental para quem busca a sua história familiar e tem um antepassado que migrou para São Paulo. “O consulente consegue acessar listas de bordo, registros de matrícula na Hospedaria de Imigrantes do Brás, além de fotografias, mapas e plantas de empreendimentos públicos, como os núcleos coloniais, além de jornais produzidos por comunidades migrantes e requerimentos encaminhados para a Secretaria de Agricultura solicitando restituição de passagem, por exemplo”, explica.

Foi o que aconteceu com Ridete Pozzetti, que estava em busca da cidadania Italiana. A pesquisa começou com pequenas informações na família, com os parentes mais idosos. “Recordei de algumas conversas onde citavam coisas tipo: a esposa do italiano chamava Ana e tinha um sobrenome que lembra espaguete. Depois disso, busquei no Google sobre os arquivos e museus de São Paulo e do País que guardassem informações sobre imigrantes italianos e achei o Museu da Imigração. Entrei no acervo online e vi que tinham o registro das listas da hospedaria de imigrantes”, conta.

Ridete ainda conta que a busca não foi fácil. “Para minha surpresa, quando digitei meu sobrenome existiam inúmeros registros. O nome que eu buscava era José e percebi que não encontraria nenhum, pois os nomes ali não estavam abrasileirados. Encontrei quatro Giuseppes e não sabia como iria entender qual era o meu. Aí me dei conta que pelos cálculos de idade, ele deve ter vindo criança. Encontrei uma família com um Amadio Pozzetti cuja esposa chamava Anna Scacchetti e que o sobrenome lembra espaguete e eles tinham um filho chamado Giuseppe de 4 anos. Não foi fácil, mas valeu a pena”, explica.

A ferramenta permite buscas baseadas em diferentes parâmetros, disponibiliza resultados organizados entre os critérios:

Cartas de chamada

Cerca de 32 mil documentos que declaravam garantia de auxílio ao imigrante que pretendesse se juntar à família já instalada no Brasil. Os formulários e cartas facilitavam a entrada do imigrante que viesse trabalhar no país, pois comprovavam a existência de um responsável pelos gastos com passagens e alimentação.

Registro de matrícula

Documentação que comprova a passagem do imigrante pela Hospedaria. Por meio do sobrenome é possível encontrar informações referentes à data de chegada, idade, familiares, entre outras. A página do livro em que consta o registro pode ser visualizada em formato digital.

Cartográfico

Conjunto de mapas e plantas de núcleos coloniais, loteamentos, fazendas, edificações e da Hospedaria de Imigrantes, contabilizando mais de 2.800 arquivos.

Iconográficos

Pesquisa que disponibiliza cerca de oito mil documentos que compõe o acervo de imagens. Entre os materiais, estão retratos de imigrantes, cartões postais, fotografias de viagens e da antiga Hospedaria.

Requerimentos da Secretária da Agricultura, Comércio e Obras Públicas

Documentos formulados pelos imigrantes buscando obter a restituição de despesas de transporte até a chegada ao Brasil. Alguns desses requerimentos solicitavam antecipadamente passagens ou serviam para prestar contas de adiantamentos.

Jornais

Disponibiliza mais de duas mil edições de jornais de colônias de imigrantes no Brasil, publicadas entre os anos de 1886 e 1987. A maior parte dos títulos está na língua materna do grupo de imigrantes ao qual a publicação era dirigida. As edições pertencem ao acervo do Arquivo Público do Estado de São Paulo, Instituto Italiano di Cultura de São Paulo e Instituto Histórico Geográfico de São Paulo.

Lista Geral de Passageiros para o Porto de Santos

Relação nominativa dos imigrantes embarcados no período de 1888 a 1965, principalmente em portos europeus, com desembarque previsto no Porto de Santos. Nesta lista constam informações sobre parentesco, nacionalidade, sexo, estado civil, profissão, idade, religião, grau de instrução, dados do passaporte, procedência e destino. Esta documentação era preenchida pelas companhias de navegação e entregue a um funcionário da Inspetoria de Imigração no Porto de Santos. Existem também listas de passageiros brasileiros e estrangeiros, que se movimentaram entre portos da América do Sul ou entre portos brasileiros neste período. Podem ser encontrados ainda, documentos anexos variados, de alguma forma vinculados aos dados constantes nas listas.

Mariana ainda reforça que o Acervo Digital é um serviço de grande relevância, publicizando documentos históricos e auxiliando consulentes que não possam vir fisicamente ao Museu. “No entanto, o Museu da Imigração oferece, também, um serviço complementar para auxiliar nessa pesquisa, presencialmente no Centro de Preservação, Pesquisa e Referência (CPPR), de terça a sábado, das 10h às 16h, ou pelo e-mail pesquisa@museudaimigracao.org.br“, finaliza.

Portal do Governo SP

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Google lança nova ferramenta de busca para dados científicos


Plataforma Dataset Search foi desenhada para facilitar o acesso a conjuntos de dados dispersos em milhares de repositórios.

Fábio Castro | Direto da Ciência

Voltada especialmente para a comunidade acadêmica, uma nova ferramenta de busca lançada pela Google promete facilitar o acesso de pesquisadores a conjuntos de dados científicos que atualmente estão pulverizados em milhares de repositórios online mantidos por instituições de pesquisa.

Lançada em setembro, a ferramenta, chamada Dataset Search, ajuda pesquisadores a encontrar facilmente os dados completos de estudos disponíveis em repositórios dos mais variados tipos – como sites de editoras, agências governamentais e instituições de pesquisa, em bibliotecas digitais e em páginas pessoais de cientistas, por exemplo.

A empresa já havia lançado um serviço voltado para a comunidade científica, o Google Scholar – em português Google Acadêmico –, que é uma ferramenta de busca de artigos e relatórios de pesquisa. Havia demanda, porém, para um sistema de busca específico para dados, já que, segundo a empresa, “no mundo atual, cientistas de muitas disciplinas e um número crescente de jornalistas vivem e respiram dados” e eles estão dispersos na internet.


Bons resultados
A nova ferramenta será de grande importância para a ciência, especialmente em áreas que utilizam grandes volumes de dados, segundo o professor Marcelo Finger, chefe do Departamento de Ciências da Computação do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP).

“É surpreendente que a Google, que lida com um público da ordem de bilhões de usuários, lance mais uma ferramenta voltada para a comunidade científica, que é um público numericamente limitado. Mas ela será sem dúvida muito importante para a comunidade”, disse Finger.

Convidado por Direto da Ciência para testar o Dataset Search, Finger – que é um dos coordenadores da área de Ciência e Engenharia da Computação da Fapesp – considerou a ferramenta útil para aumentar a disponibilidade de dados.

“Fiquei bem impressionado e cheguei a recomendar para um aluno. Ainda há algumas limitações – notei, por exemplo, que quando se faz uma busca só aparecem os dez primeiros resultados. Mas, do ponto de vista científico, para quem desenvolve trabalhos com bases em dados, já é muito útil. A disponibilidade de dados é fundamental para a ciência, porque permite elevar o grau de reprodutibilidade das pesquisas”, disse Finger.


Maior disponibilidade de dados
O pesquisador diz acreditar que o Dataset Search crescerá rapidamente. “Quem possui dados de pesquisa em um repositório, ou é responsável por uma biblioteca de dados online, vai se interessar por tornar seus dados mais disponíveis e por indexá-los na ferramenta”, afirmou.

Natasha Noy, pesquisadora em inteligência artificial da Google, divulgou que a empresa estimulará fornecedores de dados a adotarem o padrão aberto desenvolvido pela empresa para descrever as informações relacionadas a seus dados, aos metadados e à própria instituição que os produziu.

“Desenvolvemos diretrizes para que os fornecedores de conjuntos de dados descrevam seus dados de uma forma que o Google possa entender melhor o conteúdo das páginas: quem criou, quando foi publicado, como os dados foram coletados, quais são os termos de uso, etc.”, disse a pesquisadora no Blog da Google.

“Notei que, além de dar acesso aos conjuntos de dados, a ferramenta também indica artigos da literatura científica que mencionam, utilizam, ou descrevem esses dados. Acredito que será de grande utilidade em todas as áreas do conhecimento – biologia, linguística, física, oceanografia e assim por diante. Minha área de pesquisas, em processamento de linguagem natural, vai se beneficiar muitíssimo”, afirmou Finger.

Segundo Natasha Noy, a ferramenta foi lançada com foco em dados de ciência ambiental, ciências sociais e de pesquisa governamental, mas a quantidade de conjuntos de dados disponível aumentará continuamente à medida que o serviço se torne mais popular.

“Esse tipo de busca tem sido um sonho para muitos pesquisadores nas comunidades de dados abertos de ciência”, disse ao blog da Google o chefe da área de dados da agência Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), Ed Kearns.

“Para a NOAA, cuja missão inclui o compartilhamento de nossos dados com outros cientistas, essa ferramenta é chave para que tornemos nossas informações mais acessíveis para uma comunidade de pesquisadores cada vez maior”, disse Kerns.

Na imagem acima, sede da Google em Mountain View, na California, Estados Unidos. Foto: Noah Loverbear, sob licença Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported.


Nasceu um arquivo digital para preservar a cultura cigana

O RomArchive pretende destacar a rica herança cultural dos ciganos, que é parte da cultura europeia apesar de muitas vezes ser ignorada.
  

A cultura cigana, rom, pode não ser uma manifestação mainstream, mas tem a sua essência e a sua importância – merece ser preservada, entendida, contemplada como todas as restantes expressões étnicas. É a isso que se propõe o RomArchive, um projeto iniciado há três anos e meio.


Depois de envolver 150 pessoas em 15 países e de juntar 5 mil itens da cultura cigana – entre fotos, textos, vídeos e áudios –, o RomArchive foi por fim lançado. Trata-se de um acervo digital que se propõe a preservar a cultura cigana, apresentando uma narrativa contada pelos próprios integrantes da comunidade, marcada por um misto de fascínio e desdém.

Não se sabe muito sobre a origem dos povos ciganos, mas acredita-se que tenham surgido na Índia e migrado, por motivo desconhecido, para a Europa, por onde se espalharam. A história cigana é uma história de escravidão, discriminação e perseguição com séculos e séculos de sofrimento; aliás, crê-se que os ciganos tenham sido vítimas de trabalhos forçados desde meados do século 14 até ao século XX. Atualmente estima-se que existam entre 12 e 14 milhões de ciganos espalhados pelo mundo, sendo que cerca de 4 milhões falam romani, o dialeto oficial do povo e para a UNESCO uma das línguas em risco de extinção.


O material reunido neste RomArchive encontra-se separado em secções como dança, filmes, flamenco, literatura, música, teatro e drama, artes visuais, fotografia, movimento pelos direitos civis Romani e holocausto (“Vozes das Vítimas”). A curadoria do acervo coube a 14 pessoas de nove países diferentes, conforme conta o jornal brasileiro Nexo.

O RomArchive pretende destacar a rica herança cultural dos ciganos, que é parte da cultura europeia apesar de muitas vezes ser ignorada. O projeto – disponível em inglês, alemão e romani – está a ser financiado e apoiado por diversas instituições alemãs, como a Fundação Cultural Federal da Alemanha que disponibilizou 3,75 milhões de euros, a Agência Federal pela Educação Cívica da Alemanha e o Instituto Goethe. O apoio alemão é historicamente significativo, uma vez que o genocídio cometido pelos nazis contra os sinti e os roma, dois dos principais grupos ciganos, foi responsável pela morte de cerca de 500 mil pessoas.

via Shifter


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Astrônomos publicam dados sobre o Universo capazes de preencher 30 mil Wikipédias



É como se cada brasileiro tirasse dez selfies e as postasse em algum repositório na internet, totalizando dois bilhões de cliques. Ou então se alguém copiasse e colasse todos os artigos presentes na Wikipédia — 30 mil vezes. Estamos falando de 1,6 petabytes de dados, um milhão e mais um trocado de GB. Essa é a grandeza do maior volume de informações astronômicas já publicadas na história, disponibilizadas nesta semana à comunidade científica graças ao Pan-STARRS, maior levantamento digital do céu noturno, coordenado pelo Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí.

“Colocamos o Universo em uma caixa e todo mundo pode dar uma espiada”, disse, em comunicado, o engenheiro Conrad Holmberg, que ajudou a montar essa base de dados descomunal. É a segunda vez que o projeto abre seus resultados para os cientistas do mundo todo, após uma publicação parcial em dezembro de 2016.

“Muitas grandes descobertas já foram reveladas, mas elas são só a superfície – e agora a comunidade da astronomia poderá cavar mais fundo, minerar os dados, e encontrar neles tesouros astronômicos que nós nem começamos a imaginar”, disse Heather Flewelling, que colaborou com o primeiro lote de dados.

Pan-STARRS é a sigla para Panoramic Survey Telescope & Rapid Response System, um observatório que consiste em uma câmera de 1,4 bilhão de pixels acoplada a um telescópio de 1,8 metro. Ambos estão baseados no cume do monte Haleakalā, vulcão com três quilômetros de altura localizado em Maui, a segunda maior ilha do Havaí.

Ali em cima, no meio do Pacífico, a escuridão está protegida ao máximo da poluição luminosa. Era o lugar ideal para que o instrumento passasse quatro anos documentando todo o firmamento. O céu foi examinado em sua completude não uma, mas 12 vezes, com cinco filtros diferentes, em luz visível e no infravermelho próximo. O levantamento começou em maio de 2010.

Um dos principais objetivos era localizar o máximo possível de corpos celestes em movimento, que poderiam indicar asteroides ou cometas desconhecidos com algum risco de colidir com a Terra. Mas coisas bem mais peculiares acabaram aparecendo, como o famoso Oumuamua, primeiro objeto interestelar a cruzar o Sistema Solar, bem como alguns planetas vagando sem rumo entre as estrelas, desgarrados de seus sistemas planetários. Observações também permitiram o primeiro mapeamento em 3D da poeira na Via Láctea.

No acervo de dados coletados pelo Pan-STARRS, há registros de alta precisão de três bilhões de fontes distintas, entre objetos em movimento, galáxias e estrelas, além de uma vasta gama de eventos astrofísicos. O consórcio envolveu dez instituições de pesquisa de quatro países, e contou com o apoio da NASA e da Fundação Nacional da Ciência (NSF). Agora que podem acessar cada foto individualmente, os astrônomos terão a chance de realizar ainda mais descobertas incríveis — e compreender melhor nosso Universo.

via Superinteressante

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Com quem conversamos?


Celular virou um veneno de bolso, lento, deteriorando de forma lenta as relações

Leandro Karnal, O Estado de S. Paulo
Imagem: Internet

Quem nunca errou ao usar seu celular? Os puros absolutos podem jogar a primeira pedra nos pecadores do vale da morte da etiqueta digital. Luciana Caran e Thais Herédia lançaram o Manual dos Pecados Digitais com ilustrações de Maria Eugênia Longo. O texto é uma arma eficaz para que cada um de nós pare e pense a respeito dos exageros e grosserias da era digital.

O texto é curto e utilíssimo. Parece um alerta sobre uma velha parábola dos dois jovens peixes que, ao serem inquiridos por um mais velho sobre como estava a água, perguntam estupefatos: “O que é água”? A água é aquilo do qual não mais nos damos conta, de tão natural e onipresente. A água é o vício deformador que o mundo digital trouxe sem que as pessoas percebam. Perdemos todas as noções e limites no campo do uso do celular. 

Não irei descrever as muitas e boas reflexões do texto. As autoras analisam tanto as infrações éticas e desvios psicológicos causados pelo uso inadequado dos smartphones quanto algo que poucos estão conscientes: lavam as mãos e depois ficam manipulando na mesa do restaurante uma tela infectada. Único trecho do livro que revelarei: “Cada aparelhinho pode carregar até 23 mil fungos e bactérias, entre outras nojeiras. Uma única “sujeita”, a Staphylococcus aureus, aparece em quase metade dos smartphones no Brasil, segundo uma pesquisa da Unicamp. Imagine que as pessoas tocam os lábios e a boca até 25 vezes em 1 hora. Eca”. 

Em comportamentos errados não vale o argumento histórico ou sociológico, do estilo “sempre foi assim” ou “todo mundo faz assim”. O bom Aristóteles acredita na prática da virtude. O hábito é, segundo o filósofo, uma segunda natureza. Usos podem ser criados e eliminados. O celular é um objeto que lhe pertence. Deveria servir ao dono. Examine qualquer restaurante e retome a racionalidade e a humanidade: duas ou mais pessoas ao redor de uma mesa todas fixadas em uma tela e ignorando os que estão ali. É uma patologia, de verdade, um desvio, um vício terrível que esvazia o encontro. 

Não foi apenas o livro Manual dos Pecados Digitais que me trouxe à tona a reflexão sobre tais coisas. No final do ano, por imbecilidade absoluta minha, deixei o celular na poltrona do avião a caminho do Deserto do Atacama. Passei quase dez dias sem o aparelho. Senti falta, sim. Fiz fotos com meu tablet, porém, reconheço, li mais e contemplei mais a paisagem do que faria normalmente. Acima de tudo, percebi que o impulso de mandar fotos bonitas de lugares que conheci para muitas pessoas era algo a ser muito reduzido. Observe que você envia mensagens para pessoas que nunca reenviam nenhuma. Pense! Todos que recebem o fazem com alegria e desprendimento? Quem nunca responde estaria irritado ou até invejoso das suas experiências? Nos dois casos, valeria a pena enviar para tal pessoa? Quem são, de verdade, as pessoas mais importantes que realmente se alegram com você? É pouco provável que sejam muitas. 

No caso específico do celular, falta mãe na formação. Não é machismo: estou me referindo à figura materna, que pode ser exercida pela mãe, pelo pai, avós ou quaisquer responsáveis diretos na construção do aparelho psicológico de um indivíduo em seus anos formativos. Era essa “mãe” que insistia na duríssima tarefa de educar a criança: não fale de boca cheia, não use palito de dentes, diga obrigado... À custa de muitas repetições e reiterada insistência, muitas “mães” foram vitoriosas na sua resiliência incomparável. Depois, adultos, nosso superego interioriza essa voz “maternal”, estabelece os limites. O celular parece ter ficado fora dessa lista de virtudes a serem estimuladas, desse estímulo formativo, pois contaminou as “mães” e os filhos ao mesmo tempo. 

Ver mensagens a todo instante enquanto você está em um jantar com alguém é, sim, sempre, grosseria forte. Se você for um obstetra, isso será mais compreensível. Na maioria dos casos é pura e absoluta falta de educação. Fazer o que todos fazem é repetir o senso comum e nunca ser original pela gentileza. Em um mundo onde a busca de um diferencial é algo importante, imagine o impacto em um jantar de negócios ou afetivo de plena atenção na parte envolvida. 

De novo e mais uma vez: o mundo digital oferece muitos bons e úteis recursos para nossas vidas. Podemos aproveitar muitos. O resto é um vício, um engodo contemporâneo que provoca a falta de foco, um dos grandes entorpecentes da mente contemporânea. Celular virou um veneno de bolso, lento, deteriorando de forma lenta as relações, nublando a imagem de uma pessoa objetiva e até matando de verdade quando usado no trânsito. 

A pessoa com quem você está jantando não se importa? Minhas advertências são coisas de gente mais velha que ainda acha que comunicação deve ser olho no olho? Pode ser, mas resta minha pergunta curiosa. Se você não precisa estar com a pessoa que está sentada a sua frente, se fica com terceiros e quartos em mensagens e imagens e se dá ao aparelho a parte mais expressiva do seu tempo, por que sair? Por que estar com alguém que não está ali? Por que convidar alguém para torná-lo apenas testemunho silencioso da ação de polegares frenéticos?? Por que estar com quem você, de fato, não estará? A comunicação humana é complicada e o convívio um grande desafio. Entendo quem prefira a solidão ou o isolamento. Mas, como placebo, o celular ainda fica devendo muitas coisas. Ou simplesmente envelheci e o placebo seriam as pessoas reais? Pode ser. Já vivi bastante: minhas melhores lembranças afetivas nunca estiveram em um grupo de WhatsApp. É preciso ter esperança. 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

USP disponibiliza aulas de História do Brasil online e gratuitas


Aprender sobre a história do nosso país é a melhor forma de compreender a nossa realidade. Muitos dos acontecimentos do dia a dia são reflexos do passado e, por esse motivo, é importante ficar por dentro dos mais diversos assuntos.

Diante disso, a USP (Universidade de São Paulo), através da Univesp TV (Universidade Virtual do Estado de São Paulo), disponibiliza aulas gratuitas no Youtube sobre História do Brasil. Os vídeos, que funcionam como um bate-papo com grandes professores, ajudam a entender melhor os principais eventos do nosso país.

Clique aqui para acessar

Por meio deles, os internautas encontram assuntos desde a época dos jesuítas até a Primeira República.

Confira o conteúdo completo:

– Independência
– Jesuítas
– Padre Antônio Vieira e a Educação Jesuítica;
– Reformas Pombalinas e Ensino Jesuítico;
– Abolição;
– Primeira República.
– História da Alfabetização.
– Demografia História;
– Dom João VI.

via Espaço do Povo

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

A Enciclopédia de Diderot e d'Alembert disponível na íntegra on-line


Não menos do que 6 anos foram necessários para um trabalho de conservação e colaboração sem precedentes: a Enciclopédia de Diderot, d'Alembert e Jaucourt está agora disponível online no site da Académie des Sciences, pela primeira vez enriquecida.

A navegação é intuitiva, divertida e inovadora, e o acesso pode ser múltiplo: você pode aplicar zoom em cada página, visualizar no modo de artigo com referências de notas etc.

Para acessar a enciclopédia, clique aqui.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Empresa britânica vai lançar 'Kindle' para deficientes visuais


O Canute 360: leitor eletrônico em Braille Foto: Reprodução da internet/Bristol Braille Technology

O Globo

Uma empresa britânica pretende lançar este ano um leitor eletrônico em Braille para cegos. O objetivo é melhorar significativamente a experiência de leitura dos deficientes visuais e poupá-los de carregar muito peso.

Desde o seu desenvolvimento por Louis Braille, no século XIX, o alfabeto de pontos em relevo levou o prazer da leitura a milhões de deficientes visuais. No entanto, em sua forma impressa, o método não é exatamente conveniente ou portátil: uma cópia da Bíblia em Braille pode ocupar 1,5 metro de espaço em uma prateleira.

A Bristol Braille Technology espera mudar isso com o leitor eletrônico Canute 360, que define como um "Kindle para cegos. Segundo a companhia, trata-se do primeiro leitor multilinear eletrônico em Braille, que exibe nove linhas de texto ao mesmo tempo, equivalente a um terço das páginas usuais.

— Isso significa que você só tem que pressionar o botão para avançar a cada 360 caracteres em vez de 20 — explica Stephanie Sergeant, cuja empresa Vision Through Sound (Visão por meio do som) oferece treinamento para cegos e trabalha com a Bristol Braille.

Qualquer texto traduzido para Braille pode ser baixado para o Canute, o que poderia gerar um suprimento ilimitado de material de leitura disponível para os usuários.

Nos últimos tempos, caiu o número de deficientes visuais que recorrem ao método, devido ao avanço das tecnologias que transpõem textos para áudios.

O Canute começará a ser produzido em larga escala este ano, com preços semelhantes aos de um laptop de última geração.

China vive boom de livrarias físicas

Associação de Distribuidores no país fala que fechou o ano com 225 mil livrarias, dez mil a mais do que tinha em 2017. Medidas governamentais ajudaram esse boom.

PublishNews


A Sisyphe é uma das novas redes de livrarias chinesa. Em 2018, foram abertas 85 novas lojas só dessa rede | © PFWOuoh / Wikicommons

Com uma população que já ultrapassou a marca dos 1,3 bilhão de habitantes, a China é, sem dúvidas, um dos maiores mercados livreiros no mundo. E esse mercado ficou ainda maior em 2018. Segundo dados da Associação de Distribuidores de Livros e Periódicos, o país fechou 2018 com 225 mil livrarias. No ano anterior, eram pouco mais de 215 mil. O faturamento acompanhou este crescimento e o varejo de livros cresceu 5,9% em 2018, fechando o ano passado em 370,4 bilhões de yuans (cerca de US$ 54,7 bilhões). Os números foram apresentados na Conferência Nacional de Livrarias no último dia 8.

Esse boom está diretamente relacionado às políticas governamentais do país. Desde 2016, 28 províncias, regiões autônomas e municípios criaram medidas específicas para o desenvolvimento das livrarias físicas. Essas medidas vão desde a isenção fiscal até financiamentos específicos para o desenvolvimento desse segmento da economia. Em Pequin, por exemplo, 151 livrarias físicas receberam aporte de 50 milhões de yuans (US$ 7,3 milhões) e a previsão é que esse fundo dobre em 2019.

A indústria também tem crescido de forma espantosa e não é de hoje. Só a título de comparação, em 1978, quando a população era de 956,2 milhões de pessoas, foram produzidos 3,7 bilhões de livros, o que dá 3,87 livros produzidos per capita. Em 2017, a China alcançou 1,4 bilhão de habitantes e produziu 9,24 bilhões de livros, ou 6,6 livros per capita. Esses dados também foram apresentados na Conferência.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

O lado sombrio da tecnologia


Em livro revelador, jornalista explica como a tecnologia vem afetando a capacidade intelectual da humanidade e coloca nossa existência em perigo

Quando foi a última vez que você decidiu, por si próprio, o que comprar, que amigo adicionar à sua vida, como passar o seu tempo livre e, principalmente, o que pensar sobre o mundo que vivemos? Escrito pelo jornalista Franklin Foer, O mundo que não pensa, um dos livros mais aclamados e polêmicos dos últimos anos, mostra o lado sombrio e preocupante da tecnologia do nosso cotidiano. Para o autor, estamos terceirizando nossas capacidades intelectuais para empresas como Apple, Google e Facebook, dando origem a um mundo onde a vida social e política passa a ser cada vez mais automatizada e menos diversa.

Foer afirma que nós, os homo sapiens, chegamos a um momento da evolução em que começamos a deixar para trás a característica que mais nos diferenciou das outras espécies: o fato de sermos capazes de pensar, imaginar, refletir e conhecer. No esteio da nossa própria inteligência, com as descobertas e invenções espetaculares das últimas décadas, houve uma verdadeira revolução no controle do conhecimento e da informação, mas essa mudança brusca e vertiginosa coloca em perigo a maneira como pensamos e, em última instância, o que somos.

Compramos on-line, pulamos de uma tela para a outra nos nossos smartphones, confiamos nas informações do Google e socializamos no Facebook e no Instagram. Essas empresas e sua tecnologia se apresentaram a todos nós como guardiãs do nosso individualismo e fomentadoras do pluralismo, mas, na verdade, seus algoritmos nos pressionaram à conformidade e devastaram a nossa privacidade. Hoje, somos um mundo que não pensa.

Com um texto inteligente, perspicaz, claro e elegante, herdeiro da melhor tradição do jornalismo, Franklin Foer, que vem sendo comparado a George Orwell, traça a história da ciência da computação desde René Descartes e o Iluminismo, passando pelo matemático Alan Turing, que formalizou o conceito de algoritmo, e chegando aos hippies do Vale do Silício. Ele revela os tentáculos sorrateiros de nossos mais idealísticos sonhos tecnológicos, que estão levando a uma homogeneização social, política e intelectual da vida. Até agora poucos entenderam a gravidade dessa ameaça, do perigo real e iminente da extinção da nossa espécie – o que faz de O mundo que não pensa uma leitura urgente e fundamental.

O mundo que não pensa: a humanidade diante do perigo real da extinção do homo sapiens
Franklin Foer
Editora Leya

240 Páginas

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Plataforma reúne quadros e desenhos de David Bowie

Acervo digital reúne 30 trabalhos da obra visual do músico inglês, que marcou o pop mundial e faleceu em 2016

Mariana Vick | Nexo

Série de retratos feitos por David Bowie entre 1995 e 1996

Uma galeria armazenada na plataforma digital de arte “Very Private Gallery” e mantida por um usuário que se identifica como Greg Bot reúne dezenas de pinturas e ilustrações de David Bowie, músico britânico que marcou o rock e o pop mundial e faleceu em 2016. A galeria, criada em 2017 e atualizada pela última vez em dezembro de 2018, contava até então com 30 produções de Bowie — que, ainda que tenha feito história na música, divulgou menos seus trabalhos de artes visuais, que ainda hoje são pouco conhecidos por parte do público. O acervo, que levou o nome “A Soulful Art Legacy” (“Um legado artístico com alma”, em tradução livre), reúne gravuras em alta resolução de diferentes fases da obra visual de Bowie, cuja pintura foi marcada pela influência de movimentos como o expressionismo alemão e de artistas como Frank Auerbach, David Bomberg e Francis Picabia. A reunião de litogravuras de inspiração expressionista, acentuada na época em que Bowie viveu em Berlim, na Alemanha, compõe mais de um terço da galeria. As obras foram feitas entre meados da década de 1970 e o fim dos anos 1990 e incluem um retrato do músico Iggy Pop.

Bowie também criou mais de um retrato do pianista Mike Garson — que concedeu as imagens à galeria digital — e diversos autorretratos, feitos sobretudo no ano de 1996. Os desenhos mesclam influências artísticas.

Parte do acervo inclui rascunhos e desenhos inacabados que Bowie fez para diferentes projetos, incluindo o cenário e a maquiagem de um filme (não produzido) que vinha sendo gestado pelo músico em 1974.

O acervo também reúne duas imagens de desenhos que Bowie fez quando viajou à África do Sul. Segundo o criador da galeria, as obras ilustram “pensamentos do músico sobre a história do ‘ancestral branco’”. “Em 1995, Iman [modelo e esposa de David Bowie desde 1992] e eu fizemos nossa primeira viagem à África do Sul”, o músico escreveu. “Uma das histórias predominantes é que, quando as primeiras tribos [sul-africanas] viram o homem branco, presumiram que estavam sendo visitadas por seus ancestrais — em sua mitologia, os ancestrais aparecem como uma forma branca fantasmagórica”.

O legado de David Bowie 

Nascido em Londres em 1947, David Bowie iniciou a carreira na década de 1960. Conhecido como “Camaleão do Rock”, encarnou diversos personagens e, pela criatividade de sua obra, é considerado um dos músicos mais populares, inovadores e influentes de todos os tempos. São de sua autoria algumas das músicas mais famosas do pop britânico nas décadas de 1960 e 1970, como “Space Oddity”, “Life on Mars?” e “Heroes”. Bowie também produziu discos de Lou Reed e Iggy Pop. Sempre cuidadosamente planejada — às vezes, cênica — sua obra musical influenciou áreas como ficção científica, publicidade e moda. Na década de 1970, quando roqueiros se julgavam “semideuses”, Bowie usou o artifício e a encenação para rir do circo do rock’n’roll, que se levava muito a sério. No álbum “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders of Mars” (1972), o britânico narrou a trajetória de um astro de rock marciano que era alçado à condição de profeta e visionário na Terra, mas morria decadente e esquecido, agarrado a glórias passadas. Após a morte de Bowie, no dia 10 de janeiro de 2016, o Nexo escreveu que o músico “nunca poderia pertencer a nenhum movimento, pois seu olho estava sempre navegando por diferentes e muitas direções”.

WiFi Ralph: novo filme traz lições sobre amizades e a vida online


Com estreia marcada para o dia 3 de janeiro, sequência de 'Detona Ralph' traz referências a sites da internet e filmes da Disney

por Isabela Moreira | Galileu

Ralph e Vanellope estão de volta: seis anos após a estreia de Detona Ralph, o grandalhão e a pequena chegam aos cinemas em WiFi Ralph: Quebrando a Internet, com estreia no Brasil prevista para o dia 3 deste mês. Na aventura, os dois saem do fliperama e vão até a internet em busca de um item precioso do jogo de Vanellope. No meio do caminho, acabam descobrindo mais sobre si mesmos e sua amizade.

“A internet é praticamente infinita, mas tivemos de escolher aspectos dela que contribuíssem para a jornada dos personagens”, explicou Renato dos Anjos, brasileiro chefe de animação dos Estúdios Disney, em entrevista à GALILEU. Isso inclui sites de compras, redes sociais, plataformas de vídeo, encontros com personagens clássicos da Disney — as princesas, como Ariel, Branca de Neve e Bela, por exemplo, têm um papel importante no filme — e outros jogos.

Um deles é a Corrida do Caos, espécie de GTA um pouco menos violenta. Ao conhecer o game, Vanellope, que é uma corredora nata, fica encantada com as outras aventuras que poderia experimentar se vivesse fora do fliperama.

“Sabíamos que o segundo filme seria sobre os desafios da amizade, então tivemos a ideia de colocar em conflito os sonhos da Vanellope e do Ralph”, disse Phil Johnston, que dirige o filme com Rich Moore. “Vanellope é uma personagem que amamos, mas com quem só passamos metade do primeiro filme. A jornada dela é bem complicada: ela se sente bastante culpada em relação a Ralph e precisa descobrir como ser independente e amiga dele ao mesmo tempo."

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Série 'Você' acerta ao apostar em suspense baseado nos perigos das redes sociais

Novo seriado do Lifetime e Netflix conta a história de um jovem obcecado por uma mulher

por Mariana Bonini | Quem

Joe (Penn Badgley) e Beck (Elizabeth Lail)

Não se apegue a sinopse do gerente de um livraria que se apaixona à primeira vista e perdidamente por uma aspirante a escritora. Você (You), novo seriado da Lifetime, também exibido no Brasil pelo Netflix, é mais profundo e atrai mesmo por uma preocupação atual: a falta de privacidade e de segurança virtual e física que o uso das redes sociais pode gerar para uma pessoa.

Logo em alguns minutos do primeiro episódio, quando o obcecado Joe (Penn Badgley) facilmente se intera, com uma simples busca pelo Google, sobre a rotina da então desconhecida Beck (Elizabeth Lail) e se insere em sua vida, duvido que haja algum telespectador que não cogite mudar as suas senhas, fechar o perfil do Instagram ou mesmo deixar a rede social por definitivo.

É essa aproximação com a nossa realidade e o revelar da personalidade cada vez mais aterrorizante de Joe, que contribui para a ansiedade de ver um episódio atrás do outro. O galã Badgley, que ficou famoso por interpretar o Dan em Gossip Girl está brilhante no papel desse personagem que se apresenta de forma dúbia, com o seu lado bom e ruim. Ele é o cara bonito, inteligente, amoroso, atencioso e altruísta, mas também capaz de cometer diversos crimes para conquistar o seu objetivo.

Contada em primeira pessoa, pela visão de Joe, há uma tendência em humanizar demais o protagonista. O comportamento dele tenta ser justificado pela infância turbulenta ou pelas ações das pessoas que ele investe contra. Elas também vão revelando passados sombrios com assassinatos, traições e paixões secretas. Ao mesmo tempo que isso parece forçado em alguns casos, é interessante ver que todos, inclusive Beck, têm o lado bom e ruim.

A falta de competência da polícia para desvendar casos cheios de evidências é um ponto fraco e deve ser relevada para a série não perder o encanto.

Após assistir os dez episódios, além do final atordoante, fica a dúvida de como os roteiristas farão para criar uma segunda temporada tão estimulante como a primeira. Será um grande desafio, mas que deve ser tirado de letra por Sera Gamble e Greg Berlanti, que têm em seu currículo Dawson’s Creek, Everwood e Riverdale e ainda poderam recorrer a fonte que originou a série, o livro homônimo de Caroline Kepnes, que também tem uma sequência.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Nasa abre para o público a sua biblioteca de mídia


Na busca, é possível ainda restringir os resultados por ano, escolhendo um período específico a ser pesquisado.

A Nasa anunciou que toda sua biblioteca de mídia, isto é, imagens, sons e vídeos, está aberta ao público. E a notícia é ainda melhor: além de poderem ser pesquisados on-line, os mais de 140 mil arquivos estão disponíveis para visualização e também para download.

No site oficial, basta digitar o termo que você deseja pesquisar e navegar livremente pelo extenso banco de dados do espaço sideral, escolhendo ainda se deseja ver imagens, vídeos ou áudios.

Para além das fotos de “paisagens”, há ainda registros de astronautas, lançamento de foguetes e eventos na Nasa entre outras descobertas.

Quase todas as imagens do banco da Nasa vêm ainda com dados Exif – Exchangeable image file format, ou formato de arquivo de imagem intercambiável – o que auxilia tanto profissionais da fotografia quanto amadores a manterem seus arquivos acessíveis, oferecendo ainda uma série de informações adicionais sobre as imagens.

Entre as informações dos dados Exif está, por exemplo, a data específica em que a foto foi tirada, com precisão de dia, hora e até segundos. Para os mais entusiastas do ramo, é possível ter acesso ainda a detalhes como característica da lente, abertura do diafragma, velocidade do obturador, ausência ou presença de flash entre outros.

É bom reforçar que toda essa vasta biblioteca de mídia está disponível para qualquer pessoa, gratuitamente e sem regras de direitos autorais, ou seja, dá pra usar as fotos para basicamente qualquer finalidade. 

via Promoview

Justiça Eleitoral lança biblioteca digital que serve de fonte de informação para internautas e pesquisadores


Por Thales Brandão | Cidade Marketing


O Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possibilita que o cidadão e o pesquisador tenham acesso à Biblioteca Digital da Justiça Eleitoral (BDJE). O espaço tem como objetivos incentivar a gestão da memória institucional e eleitoral e incrementar o intercâmbio de informação eleitoral e partidária com outras instituições nacionais e internacionais. Outras metas da BDJE são promover a gestão do conhecimento institucional e ampliar a visibilidade da produção da Justiça Eleitoral.

Atualmente, a Biblioteca Digital tem cerca de 4.500 itens catalogados. Seu acervo inclui livros, artigos e periódicos, publicados ou não pela Justiça Eleitoral, e também a produção intelectual de ministros, desembargadores e servidores. A Biblioteca Digital se destina à consulta por ministros, servidores, estagiários, pesquisadores, estudantes e público em geral.

As obras publicadas na BDJE são de domínio público ou possuem direitos autorais cedidos pelos proprietários e estão disponíveis para acesso e download gratuitos. As exceções vigoram para aquelas restritas a membros e servidores do TSE e dos tribunais regionais eleitorais. Nesse caso, se o interessado não se encaixar no perfil mencionado e tiver interesse em item de acesso restrito, deverá entrar em contato com a Seção de Biblioteca Digital, que avaliará a possibilidade de envio do material solicitado.

Memória

Inicialmente denominada Biblioteca Digital do TSE, a seção foi inaugurada em 26 de novembro de 2015. Contava no começo com 320 registros, entre artigos, mapas, fotos e vídeos. Em janeiro de 2018, foi lançada uma nova versão da Biblioteca Digital, que passou a se chamar Biblioteca Digital da Justiça Eleitoral (BDJE). A atual plataforma possui leiaute mais intuitivo, para melhorar a navegabilidade do usuário. Essa versão também possibilita acesso por meio de dispositivos móveis, como tablets e smartphones. As maiores facilidades que o espaço da BDJE proporciona ao visitante são agilidade na pesquisa, facilidade de navegação no ambiente e credibilidade das informações.

Sua importância para a preservação da memória da Justiça Eleitoral reside no fato de que o conhecimento é um patrimônio essencial e estratégico para o sucesso organizacional e, cada vez mais, esse sucesso se relaciona com a capacidade do órgão de produzir, reunir, armazenar, preservar e disseminar o conhecimento. Para que esse conhecimento não se perca e a memória consequentemente seja preservada, as novas tecnologias da informação são vitais para a gestão de toda essa produção. Ao armazenar, preservar e divulgar documentos e publicações da Justiça Eleitoral, a BDJE cumpre sua missão de preservar essa memória.

Acesso

O acesso à Biblioteca Digital pode ser feito diretamente pelo endereço: http://bibliotecadigital.tse.jus.br/xmlui ou por meio do Portal do TSE (http://www.tse.jus.br), menu “O TSE”, opção “Cultura e história” > “Biblioteca Digital”.

Já a pesquisa pode ser realizada pelos índices de data do documento, autor, título ou assunto, por meio das comunidades e coleções ou ainda pela pesquisa geral ou avançada. Neste último caso, o usuário pode aplicar os filtros de título, autor, assunto e data de publicação.

Uma das vantagens de se cadastrar na plataforma é que o usuário tem a possibilidade de assinar coleções de seu interesse para receber alerta de e-mails diários sobre os novos itens adicionados, podendo assinar quantas coleções desejar. Posteriormente, será implementada a opção de escolha também dos assuntos de interesse. Caso não realize o cadastro, o usuário poderá acompanhar na própria página da Biblioteca Digital os últimos itens incluídos.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Como tornar seu Artigo Científico mais visível e passível de descoberta



Como tornar seu artigo mais visível e aumentar as citações? Este guia é uma tradução adaptada das informações constantes da publicação SEO for Authors: A How-to Guide – UCLA Library. 2018.

Garantir que seu artigo está sendo indexado pelos mecanismos de busca acadêmicos é crucial, mas também é importante que seu artigo apareça na lista classificada de resultados de pesquisa, pois esse ranking exerce grande impacto na visibilidade da pesquisa de um autor. Os itens que aparecem no topo da lista são mais propensos a serem lidos. A otimização dos mecanismos de busca (em inglês Search Engine Optimization (SEO)) pode ajudar os pesquisadores que publicam a aumentar a visibilidade e a descoberta de seus artigos.

Acesso e Citações
Seu artigo está sendo indexado por mecanismos de busca acadêmicos como o Google Acadêmico, Dimensions, IEEE Xplore e PubMed? Ou está disponível somente em de bancos de dados que os robôs de busca não podem acessar?

Ao enviar um artigo para publicação, os autores devem considerar a facilidade com que sua pesquisa será divulgada para seu público, o que aumentará as oportunidades de citação. Os artigos em acesso aberto (open access) recebem mais citações do que artigos acessíveis apenas por compra ou assinatura.

Os autores se beneficiarão sempre que editores e publicadores (publishers) adotarem políticas que estabelecem cooperação com o Google Acadêmico (e outros mecanismos acadêmicos de pesquisa) porque disponibilizam seus artigos para mais leitores e facilitam as citações. As citações são um fator significativo na determinação da classificação nas páginas de resultados do Google Acadêmico e em muitos outros mecanismos científicos de pesquisa. Os autores devem publicar em revistas de acesso aberto que permitem que colocar seus artigos nas home pages e/ou nos repositórios de suas instituições. 

Dicas para tornar seu artigo passível de descoberta

1) Encontre as palavras-chave e frase de pesquisa para otimizar a descoberta de seu documento

- Pense nas palavras mais importantes que são relevantes para o artigo.
- Considere pesquisar palavras-chave específicas no Google Trends ou na ferramenta Palavras-chave do Google Adwords para descobrir quais termos de pesquisa são populares.
- Experimente suas palavras-chave no Google Acadêmico, etc. e, se muitos resultados retornarem, talvez seja melhor considerar uma palavra-chave com menos concorrência.

2) Certifique-se de ter um título “otimizado” para seu artigo

O título precisa ser descritivo e conter uma frase-chave relacionada ao seu tópico.
Coloque suas palavras-chave nos primeiros 65 caracteres do título. O Google Acadêmico considera a extensão de um título. Embora em geral os títulos devam ser bem curtos, sugerimos a escolha de um título mais longo se houver muitas palavras-chave relevantes.

3) Escreva seu resumo usando palavras-chave, frases e sinônimos

Inclua as palavras-chave e frases em seu resumo que um pesquisador pode pesquisar para encontrar seu artigo. Forneça palavras-chave e sinônimos adicionais relevantes para as palavras-chave relacionadas ao seu artigo, tendo em mente que essas palavras-chave também são usadas pelos serviços de resumos e indexação como um método para marcar o conteúdo da pesquisa.

4) Seja consistente

Mantenha os nomes e as iniciais dos autores de maneira consistente em todos os artigos e da mesma forma que foram mencionados nas publicações on-line anteriores. Se os nomes forem usados de maneira diferente, os mecanismos de busca podem não conseguir identificar artigos ou citações corretamente; como conseqüência, as citações podem ser atribuídas incorretamente, e os artigos não serão tão altamente classificados como deveriam ser. Obtenha um ORCiD e use-o ao enviar trabalhos aos editores para ajudar na desambiguação.

5) Use títulos nas Seções dos artigos

Os títulos das várias seções do seu artigo informam os mecanismos de busca sobre a estrutura e o conteúdo de seu artigo. Incorpore suas palavras-chave e frases nesses títulos onde for apropriado.

6) Cite a si mesmo ou seus co-autores, ou publicações anteriores

Mecanismos de busca, especialmente o Google Acadêmico, atribuem um peso significativo à contagem de citações. As citações influenciam se os artigos são indexados, e também influenciam o ranking dos artigos. Ao fazer referência ao seu trabalho publicado, é importante incluir um link no qual esse trabalho possa ser baixado. Isso ajuda os leitores a encontrar seu artigo e ajuda os mecanismos de busca a indexar o texto completo dos artigos referenciados. Esse recurso deve ser utilizado com parcimônia.

7) O texto de figuras e tabelas deve ser legível por máquina

Gráficos vetoriais contendo fonte baseada em texto devem ser usados em vez de imagens rastreadas para que possam ser indexados por mecanismos de busca. Gráficos armazenados como arquivos JPEG, BMP, GIF, TIFF ou PNG não são gráficos vetoriais. 
Quando os documentos são convertidos para PDF, todos os metadados devem estar corretos (especialmente autor e título). Alguns mecanismos de busca usam metadados do PDF para identificar o arquivo ou exibir informações sobre o artigo na página de resultados do mecanismo de busca.

8) Promova seu artigo usando a Internet e as mídias sociais

Depois que seu artigo for publicado, use as mídias sociais para aumentar a visibilidade da pesquisa. Atualize as informações em suas redes acadêmicas e sociais sobre seu artigo publicado.  O número de links de entrada é um fator no ranking do mecanismo de busca. Compartilhe seu artigo nas seguintes ferramentas de mídia social (conforme apropriado para o tópico de pesquisa): LinkedIn, Facebook, Twitter, Mendeley, ResearchGate

== Fontes de informação utilizadas neste Guia ==

- Jöran Beel, Bela Gipp, and Eik Wilde. Academic Search Engine Optimization (ASEO): Optimizing Scholarly Literature for Google Scholar and Co. Journal of Scholarly Publishing, 41 (2): 176-190, January 2010. Doi 10.3138/jsp.41.2.176. University of Toronto Press. http://www.beel.org/files/papers/2010-ASEO–preprint.pdf
- Wiley Search Engine Optimization: For Authors
University of California Open Access Policy: A How-to Guide

via Divisão de Gestão de Desenvolvimento e Inovação
Departamento Técnico - SIBiUSP

domingo, 16 de dezembro de 2018

'Redes sociais deixam sociedade mais vulnerável'

Em livro, cientista diz que propagandas alimentam a intolerância e a falta de informação e recomenda deletar redes

Por Bruno Romani  - O Estado de S.Paulo


Jaron Lanier escreveu livro sugerindo abandono de redes sociais

Para algumas pessoas, a promessa de ano-novo não é perder peso ou parar de fumar, mas sim largar as redes sociais. O cientista da computação, escritor e filósofo da tecnologia Jaron Lanier pode dar uma ajuda com isso. Com a autoridade de quem na década de 1980 cunhou o termo “realidade virtual” e acabou contribuindo para que pessoas se conectem em mundos virtuais, ele oferece argumentos para deixar de vez o Facebook e afins. 

Em Dez Argumentos para Você Deletar Agora as Suas Redes Sociais (Editora Intrínseca, R$ 34,90), lançado em maio nos Estados Unidos e em novembro no Brasil, Lanier estrutura seu argumento contra as redes sociais no modelo de negócios baseado em anúncios publicitários. Segundo ele, as propagandas são usadas para manipular as pessoas, o que resulta na perda de empatia, no aumento da intolerância e na falta de informação – além do impacto negativo na felicidade e na capacidade econômica da sociedade.

O Estado conversou com ele para saber se as redes sociais, ou os usuários dela, têm salvação. A seguir, trechos da entrevista. 

Estadão: A sociedade está doente por conta das redes sociais?

Jaron Lanier: Sim. A sociedade sempre esteve doente. As sociedades sempre foram violentas e escolheram políticos ruins. Frequentemente, as sociedades entram em guerra civil. Todas essas coisas sempre existiram. As mídias sociais não estão inventando esses problemas, mas estão deixando a sociedade mais vulnerável. Na rua, existe todo tipo de vírus, bactéria e agentes de doenças. Se tem uma coisinha errada com você, como não ter dormido direito ou estar muito estressado, você pode ficar doente. É o que acontece com as redes sociais. A maneira como as sociedades ficam doentes é tradicional. Em todo o mundo, quando há uma tendência de redução de violência e de tensões civis, ela é revertida assim que propriedades do Facebook surgem, como o WhatsApp. As mídias sociais deixam a sociedade vulnerável a problemas que poderia evitar. 

É possível tornar as redes sociais melhores?

Sim. Tem de mudar o modelo de negócios. Eles precisam determinar um prazo, tipo: em três anos não aceitaremos dinheiro de anunciantes e isso nunca acontecerá de novo. Vamos mudar para um modelo de assinatura ou de pagamento conforme você usa, ou de micropagamentos. E assim o usuário não seria o produto. Se não mudar o modelo de negócios, não há esperança.

As redes deveriam ser pagas e livres de propagandas?

Acredito que as pessoas deveriam pagar pelo serviço e também receber por suas contribuições quando alguma delas se populariza. Isso poderia fazer a economia crescer e beneficiar muita gente. As redes sociais deveriam ser livres de propagandas e pagas por aqueles que podem pagar. Deveria existir também uma maneira de acomodar aqueles que não podem pagar. Acredito que isso pode ser feito facilmente. Veja a Netflix. As pessoas pagam, mas elas podem encontrar versões piratas e gratuitas dos filmes a qualquer hora. Só que a experiência é melhor quando é paga. Isso significa que até agora, a Netflix não tem sido tão ruim quanto o YouTube, que espalha propagandas. É um modelo que funciona e serve como exemplo. 

O WhatsApp não opera com algoritmos. O sr. o considera uma rede social?

O WhatsApp tem mudado gradualmente e se assemelhando mais com uma propriedade do Facebook. Os fundadores saíram de lá em protesto. Quando o WhatsApp começou, as pessoas estavam lá compartilhando mensagens. Porém, ele mudou para ter uma estrutura mais voltada à personalização de comunicação e preparada para planos de negócios que usam os dados das pessoas. Assim que a arquitetura passou a suportar isso, abriu as portas para agentes nocivos e sofisticados.

Existe alguma rede social que o sr. recomenda?

Não tenho nenhuma conta, porque não acho que há redes sociais boas o suficiente. Uma maneira de medir se uma rede social é boa ou não é se ela está sendo usada pelos agentes de Vladimir Putin para manipular eleições ou sociedades. Se você utilizar esse teste, você diria que todas as propriedades do Facebook são terríveis, que o Twitter é terrível, você diria que o Reddit é terrível, você diria que o YouTube é terrível (risos). Porém, há uma série de outras que os agentes parecem não ter encontrado uso. Isso significa que ou os agentes não ligam ou essas redes não se tornaram terríveis. O Snapchat talvez não seja terrível. O LinkedIn não parece ser tão ruim, embora tenha sido criticado de outras maneiras. Mas não existe nenhuma da qual eu gostaria de fazer parte.

Deixar as redes, segundo Lanier

1. Manipulação. As redes sociais são usadas para alterar e manipular o comportamento das pessoas, que, assim, perdem o livre-arbítrio sem perceber. Um exemplo é como os algoritmos por trás desses serviços percebem que o usuário gosta de determinado produto ou assunto e, a partir disso, começam a bombardeá-lo com propagandas que sutilmente tentam convencê-lo a consumir, mesmo que isso não seja uma prioridade

2. Vício. As redes são viciantes, especialmente por conta de como as pessoas sentem prazer por meio de curtidas e seguidores. Com isso, elas mudam seu comportamento para continuar recebendo atenção. 

3. Agressividade. Tornam as pessoas mais agressivas, trazendo para a superfície o que seria seu lado mais “babaca” – e nem pessoas aparentemente gentis estariam livres do problema.

4. Empatia menor. As redes reduzem a empatia que as pessoas sentem umas pelas outras, pelo fato de oferecerem conteúdo personalizado e impedirem de saber o que o outro usuário está vendo

5. Debates inúteis. A falta de um conteúdo comum torna qualquer debate uma conversa sem sentido, pois um usuário não consegue enxergar o contexto de onde parte o ponto de vista de outro. Tudo isso somado explicaria como qualquer assunto em rede social tem potencial para acabar em bate-boca.

6. Notícias falsas. As redes são uma ferramenta poderosa para a disseminação de notícias falsas, com muitas contas falsas e pessoas que não existem, alterando a percepção da realidade – com robôs agindo nas redes sociais em volume gigantesco, a realidade passaria a ser moldada por agentes que não têm uma percepção legítima do mundo. 

7. Política impossível. Sem debates e com chuva de notícias falsas, torna-se impossível fazer política. Lanier cita como exemplo as eleições presidenciais nos EUA, onde as redes tiveram papel fundamental na eleição de Donald Trump

8. Discriminação. As redes permitem que grupos racistas, xenófobos, machistas, etc, se organizem e ataquem iniciativas legítimas para combater esses males

9. Efeito econômico. Redes têm um impacto negativo na economia, já que apenas alguns influenciadores, além das próprias redes, vão faturar com as participações e contribuições de todos os usuários. Enquanto isso, pessoas como artistas e tradutores, entre outros, terão uma vida cada vez mais difícil, conforme os algoritmos das redes se tornam cada vez mais sofisticados

10. Metafísica. De acordo com Lanier, as redes odeiam a sua alma

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Último jornal crítico ao chavismo deixa de ser impresso na Venezuela


O diário "El Nacional", que enfrentava falta de papel, fuga de anunciantes e pressões do governo venezuelano terá apenas uma versão online;empresa já não tinha condições de fazer reajustes salariais e todos os funcionários recebiam um salário mínimo.

O diário venezuelano El Nacional levou nesta sexta-feira, 14, às bancas sua última edição impressa. Último grande jornal crítico ao chavismo se dedicará apenas à sua versão online por não ter mais acesso a papel-jornal, insumo que tem a venda controlada pelo governo da Venezuela, e por ter os recursos severamente restritos pela crise econômica e pela perseguição estatal. 

A redação do Nacional está cheia de cadeiras e mesas vazias. Os jornalistas que restaram sofrem com a falta de internet, ocasionalmente cortada pelo governo, e com a incapacidade da empresa de repor as perdas salariais causadas pela inflação. 

Um dos últimos reajustes do salário mínimo anunciado pelo governo, em setembro, previa um aumento de 3.600%, subsidiado em parte pelo chavismo. O Nacional não aceitou por temer que o benefício fosse vinculado a uma mudança na linha editorial do jornal. Com isso, todos os salários da empresa foram reduzidos. "Do repórter ao diretor, todos ganham a mesma coisa", diz o vice-diretor de redação Argenis Martínez. "Todo mundo aqui ganha o salário mínimo. É bem comunista", ironiza. Na Venezuela de Maduro, o salário mínimo compra apenas 8% da cesta básica mensal.

Ao diário espanhol ABC, o diretor do Nacional, Miguel Henrique Otero, disse que o diário conseguiu uma sobrevida graças à "solidariedade" de outras publicações, que repassavam papel-jornal à empresa. Nos últimos anos, com a crise econômica, a situação se tornou insustentável. 

No último mês, o jornal já tinha deixado de circular aos sábados e às segundas-feiras, não encontrava mais anunciantes e já não conseguia pagar salários. "Fomos perseguidos por 15 anos", disse Otero. "Conseguiram silenciar rádios, TVs e fizeram desaparecer os jornais impressos independentes."

Ainda de acordo com ele, além de vetar o papel-jornal, o chavismo usou outros meios para intimidar a publicação e seus jornalistas, incluindo a ação de milícias armadas, que diversas vezes agrediram funcionários do Nacional. 

Otero lista também como intimidação multas impostas pela Justiça e a pressão do chavismo sobre anunciantes privados, que tinha o objetivo de asfixiar financeiramente a empresa. Com isso, a receita com publicidade caiu. Neste ano, o jornal, que completou 75 anos, tinha uma tiragem que não superava 10 mil exemplares em uma edição que caiu de 72 páginas para apenas 16.

Otero trocou a Venezuela pela Espanha em 2015, pouco depois de ser acusado de difamar o governo. Diosdado Cabello, um dos líderes do chavismo, ameaçou tomar o jornal caso ele não pagasse as multas por "dano moral", no valor de 10 mil euros.

Desde que Nicolás Maduro assumiu, em 2013, o chavismo ampliou sua estratégia de hegemonia nas comunicações, iniciada no governo Hugo Chávez. Nos primeiros 14 anos, o foco foi ampliar os veículos públicos alinhados ao governo e o cancelar concessões de canais críticos - como a RCTV, em 2007. 

Agora, sob o atual presidente, empresários aliados do governo compraram veículos com cobertura independente. Foi o caso do canal Globovisión, comprado por Raúl Gorrín, hoje investigado pela Justiça americana por lavagem de dinheiro, e o tradicional diário El Universal. 

A ONG Espaço Público, que trabalha pela liberdade de imprensa, estima que, desde que Maduro assumiu o poder, mais de 50% dos jornais fecharam. Nos últimos dois anos, 52 estações de rádio saíram do ar e canais estrangeiros e correspondentes internacionais foram expulsos do país. 
A saída encontrada por muitos jornalistas foi fundar novos veículos online focados em investigação. O site Armando.info foi premiado internacionalmente por denunciar esquemas de corrupção. Seus fundadores, no entanto, tiveram de fugir da Venezuela.

via O Estado de S. Paulo