quarta-feira, 19 de julho de 2017

O fim do fim do livro


Rui Campos, finalmente, já está 'à vontade para comemorar a certeza do fim do fim do livro'

Rui Campos | Publishnews

Quantos psicólogos são necessários para se trocar uma lâmpada? Basta um! Mas a lâmpada precisará “desejar” ser trocada!

Pois é. O desejo move montanhas. Com a leitura também é assim.
A pessoa pode passar a vida sem leitura. Certamente uma vida menos ilustrada. Mas não morrerá de inanição ou sede como se abstivesse de comida ou água.

Cultura, cultivo... a leitura precisa ser cultivada. Precisamos cultivar o desejo de conhecimento, o desejo de leitura.
A grande ferramenta que possibilita a leitura é o livro, seja em que suporte for.

Durante séculos, o impresso veio sendo cultuado, reverenciado, aprimorado, adornado com design espetacular, belas capas, papel leve e de tom confortável, orelhas inteligentes, rosto encantador. Um produto multissensorial.

Seus autores tratados como estrelas, seus editores reverenciados. E seus locais de encontro com o leitor, as livrarias (físicas ou virtuais), locais frequentados e amados por toda gente. Verdadeiros pontos de encontro, praças, bibliotecas! Pois afinal, ali é possível manusear os livros, lê-los e até mesmo leva-los para casa por módicas quantias.

O livro impresso, como o garfo e a faca, disse Umberto Eco, são objetos definitivos.

Algumas poucas inovações surgiram através dos tempos.

Recentemente, surgiu o aparelho eletrônico para leitura. Trouxe uma série de alternativas e de facilidades para os leitores: capacidade de armazenamento, acesso rápido e remoto, entre outras. Bem-vindas novidades.

Mas os donos do negócio tinham pressa. Uma pressa que se mostrou um tanto desconectada. Seria mais rápido destruir o que já havia. Varrer o concorrente do mapa. Acabar com o livro impresso.

Esses donos do negócio são poderosos. Nada menos do que algumas das maiores corporações mundiais.

Logo toda uma campanha contra o livro impresso se iniciou. Segundo essa distopia, ele seguiria moribundo. Discutia-se a data final. O avanço do e-book seria exponencial. Nesse ano de 2017, já só restariam cinzas de livros e livrarias. Saudosas livrarias. Morreriam em 2015!

Claro que sempre restaria um nicho: gente saudosista e antiquada, a cultivar fósseis e colecionar relíquias. Ludistas.

As editoras também: essas faleceriam por volta de 2014. Por absoluta obsolescência.

Os editores? Dispensáveis. Cada autor se autopublicaria. Uma nova “Geração Mimeografo” high tech!

Para atingir rapidamente o objetivo dos novos poderosos, muita gente embarcou nessa canoa: tantas previsões, estatísticas, artigos jornalísticos visionários dos “Evangelizadores Tecnológicos”!

Muito espaço na mídia escrita, falada e principalmente eletrônica foi utilizado na blitz iconoclasta visando limpar rapidamente o espaço para a chegada triunfal do livro eletrônico. Muito dinheiro, público inclusive, foi investido e perdido.

Uma busca por tudo o que foi escrito sobre o tema pode render um interessante retrato desses tempos insensatos.

O fato é que as coisas foram se acomodando. A sociedade se manifestou. O livro eletrônico vai ocupando seu lugar.  Modesto, embora ainda com perspectivas de crescimento.

O livro impresso, livrarias e editores sofreram.

Hoje as notícias são de retomada no crescimento de vendas, surgimento de novas livrarias pelo mundo afora.

Evidencias da manifestação da sociedade e do seu desejo pelo sagrado objeto multissensorial, o livro!

Dos formuladores e divulgadores das previsões atrevidas e catastróficas que causaram prejuízos e mal-estar ao mercado livreiro não adianta esperar reparação ou pedido de desculpas pelo estrago.

Um editor estrangeiro me confidenciou recentemente: “Concedi hoje uma entrevista para a Revista Wired que foi muito desagradável. Eles queriam saber sobre nossos planos para edições eletrônicas de livros de arte. Mas eu não tinha o que dizer pois abandonamos completamente esses projetos. Mas tive que dissimular e enrolar pois não poderia admiti-lo!”.

Lembro-me especificamente da capa de uma das nossas principais revistas semanais onde Paulo Coelho, nosso maior best-seller, uma verdadeira lenda do mercado livreiro mundial, segurava um tablete com a seguinte manchete: “O último livro que você vai comprar!”

Forte, não é?  E muitos números, power points, gráficos divulgados sobre o fim do nosso nobre objeto de leitura.

Do meu ponto de vista, o ponto de vista dos livreiros, contamos perdas, mas agora já estamos à vontade para comemorar a certeza do fim do fim do livro!


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Os livros raros do acervo da Brasiliana já estão no ar

Biblioteca da USP adota nova plataforma para facilitar acesso gratuito – até por celular e tablet – a 3 mil obras

Por Leila Kiyomura | Jornal da USP




Hans Staden. Warhaftig Historia und beschreibung eyner Landtschafft der Wilden, detalhe


São 3 mil livros raros da coleção do casal Guita e José Mindlin à disposição dos leitores. Podem ser acessados pelo celular ou tablet a qualquer hora e lugar, gratuitamente, por estudantes, pesquisadores e interessados de todo o mundo. E o mais importante: as obras já estão disponíveis para download.



José Mindlin iniciou a sua coleção as 15 anos de idade. Junto com a esposa, Guita, formou a Coleção Brasiliana. Foto: J. Freitas/ABr – Agência Brasil

Folhear de um dispositivo móvel as páginas amarelecidas da obra editada no século 16 de Hans Staden – viajante alemão que esteve no Brasil por duas vezes combatendo nas capitanias de Pernambuco e de São Vicente – é uma aventura que, até há pouco tempo, era inimaginável. Pois bem. Esse livro e outras 2.999 obras que José Mindlin colecionou dos 15 aos 95 anos de idade podem ser apreciados graças à nova plataforma criada pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP.

O coordenador responsável é o bibliotecário Rodrigo Moreira Garcia, que tem como meta buscar uma interface cada vez mais atualizada, facilitando ainda mais o acesso ao acervo da BBM Digital. “A nova plataforma está sendo desenvolvida totalmente em DSpace, ou seja, software de código fonte aberto que fornece facilidades para o gerenciamento de acervos digitais”, explica Garcia. “A plataforma possui design responsivo, ou seja, o layout da página se adapta de acordo com a resolução da tela em que está sendo visualizada, garantindo o acesso em dispositivos móveis como tablets e smartphones.” O projeto conta com a colaboração da Superintendência de Tecnologia da Informação e do Centro de Tecnologia da Informação da USP de São Carlos.




João do Rio. Fados, canções e danças de Portugal


Hans Staden. Warhaftig Historia und beschreibung eyner Landtschafft der Wilden

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Para uma visualização mais clean, o leitor/usuário terá a opção de visualizar as obras diretamente em seu browser em uma nova aba, ou ainda realizar o download da versão em PDF. Além disso, permite uma navegação e busca mais dinâmicas.


Garcia orienta os leitores sobre esse novo acesso, que, semanalmente, disponibilizará novas digitalizações. “Para uma visualização mais clean, o leitor/usuário terá a opção de visualizar as obras diretamente em seu browser em uma nova aba, ou ainda realizar o download da versão em PDF. Além disso, permite uma navegação e busca mais dinâmicas. Para torná-la mais atrativa ao usuário/leitor, os Thumbnails, ou seja, miniaturas usadas para tornar mais fácil o processo de procurar e reconhecer, remetem às capas originais das obras. Não mais às encadernações de capas de couro ou a uma folha de rosto, página ou figura significativa e representativa das obras.”



Hans Staden. Warhaftig Historia und beschreibung eyner Landtschafft der Wilden […], 1557.

As novas digitalizações disponibilizadas são realizadas, segundo Rodrigo Garcia, de acordo com diretrizes internacionais de preservação digital, como as da International Federation of Library Associations and Institutions (Ifla). “A proposta é recriar, tanto quanto possível, as características materiais da obra original.”

Na avaliação de Garcia, mestre em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), que atua no Desenvolvimento, Gestão e Coordenação de Projetos de Tecnologia da Informação e Comunicação, a digitalização é a melhor estratégia que se conhece no momento para fins de preservação do objeto original. “Entretanto, o próprio objeto físico a ser digitalizado precisa estar em boas condições para passar pelo procedimento, pois a digitalização, em maior ou menor grau, expõe a obra a um certo nível de estresse”, ressalta. “É preciso manusear folha a folha, que fica exposta na máquina de escâner sob a luz direta. Por isso, antes é fundamental o trabalho de conservação, que prepara, higieniza, faz pequenos reparos nas obras. Assim temos o objeto físico preservado e acessível para leitores de todo o mundo.”

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A biblioteca possui em seu acervo bibliográfico cerca de 60 mil volumes doados por José Mindlin. Dentre estes, muitos já estão em domínio público e poderão ser digitalizados.


As primeiras digitalizações do acervo foram iniciadas em 2008. Hoje são mais de 3 mil obras, que incluem livros, folhetos, periódicos, manuscritos, mapas e imagens, entre outros. “Estamos nos programando para que, semanalmente, novas obras digitalizadas sejam disponibilizadas. Dentre os 60 mil volumes da biblioteca doados por José Mindlin, muitos já estão em domínio público, livres de direitos autorais, e poderão ser digitalizados”, esclarece Garcia.


José de Anchieta. Arte de grammatica da lingoa mais usada na costa do Brasil, 1595 (página de rosto)

Entre os livros raros que já estão disponíveis, Rodrigo Garcia destaca a obra primorosa de Hans Staden. “Na primeira edição, publicada em 1557, ele descreve suas experiências no Brasil e como escapou de ser devorado por índios tupinambás em um ritual antropofágico. O texto teve um papel importante na construção de um imaginário sobre o Brasil e influencia até hoje produções na literatura, cinema e artes plásticas que se debruçam sobre a formação e a identidade nacional. A BBM também possui uma edição em português de 1900.”


Pedro I, Dom Imperador do Brasil. Pedro aos fluminenses. 1821

Outra obra é a primeira edição, de 1595, de Arte da gramática da lingoa mais usada na costa do Brasil, escrita pelo padre José de Anchieta, da Companhia de Jesus. “Anchieta escreve a gramática ao perceber a grande semelhança da língua falada pelos indígenas do litoral: os tupis. Os jesuítas, desde cedo, determinaram que a catequese seria mais facilmente realizada se usassem a linguagem dos nativos. Assim, essa obra surge como um instrumento da conversão do indígena”, lembra Garcia. “Entre as novas digitalizações, destacam-se ainda os livros de João do Rio, pseudônimo de Paulo Barreto, jornalista, cronista, contista e teatrólogo brasileiro e membro da Academia Brasileira de Letras. São 23 obras já disponíveis.”

A nova plataforma dispõe de 3 mil obras, entre livros, folhetos, periódicos e manuscritos, entre outros. A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin tem cerca de 60 mil volumes - Imagem: Reprodução
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Para acessar o acervo da Biblioteca Digital BBM basta digitar o endereço: https://digital.bbm.usp.br/

sexta-feira, 14 de julho de 2017

IMS divulga portal em homenagem a Pixinguinha


Página possibilita um mergulho na vida e na obra do autor de "Carinhoso"

O Instituto Moreira Salles disponibilizou nessa quinta o site pixinguinha.com.br, em homenagem aos 120 anos de nascimento do músico.Após contratempos técnicos que adiaram a estreia, a página já está aberta à visitação. 

 O portal possibilita um mergulho na vida e na obra do autor de "Carinhoso". Além das partituras manuscritas de suas composições e arranjos, estão disponibilizadas farta discografia (para audição online) e uma hemeroteca com cerca de três mil recortes de jornais e revistas de época.

Gênio incontestável da música brasileira, o compositor, instrumentista, arranjador e maestro tem seu arquivo pessoal sob a guarda do IMS desde 2000. 

via Notícias ao Minuto

terça-feira, 11 de julho de 2017

Google financia agência de notícias que contará com jornalistas robôs


Não é segredo para ninguém que os robôs vão nos substituir em diversas tarefas, principalmente as que demandam menos especialização mas mesmo algumas que exigem um pouco mais de qualificação estão sendo automatizadas. Temos por exemplo o caso do IBM Watson, que substituiu diversos salarymen no Japão em suas funções de calcular pagamentos de seguradoras. Já empresas de entregas expressa da China estão se robotizando, com os autômatos cuidando de tarefas que o pequeno Ping era responsável no passado.

Uma área que muita gente defende que um robô jamais será capaz de se enfiar é o jornalismo, mas mesmo ele já foi infiltrado em 2015: a AP, junto com a Automated Insights apresentou uma inteligência artificial plenamente capaz de redigir informes econômicos, a área mais burocrática, maçante e engessada da imprensa. Tudo ali é puramente mecânico e o sistema especialista se saiu muito bem, analisando as flutuações de mercado e publicando postagens e informes bem precisos. Hoje a IA sequer depende de monitoramento.

Só que a Press Association do Reino Unido quer ir além: ela deseja de fato automatizar até mesmo as notícias menos elaboradas, aquelas publicadas por outlets menores, redações independentes e até mesmo… blogueiros. O projeto, chamado Reporters and Data and Robots ou simplesmente RADAR envolve um sistema especialista capaz de redigir cerca de 30 mil histórias por mês. E o programa é tão promissor que chamou a atenção do Google: este realizou um investimento de £ 622.000 (cerca de R$ 2,6 milhões em valores de hoje, 10/07/2017) no RADAR, de modo a torna-lo realidade.

A ideia da associação de imprensa estatal é fechar parcerias com publishers para que estes venham a utilizar os serviços do RADAR em notas de menor importância, do nível clássico dos informes dos estagiários do G1, Folha, Estado e etc. com a diferença que os robôs escrevem melhor. Isso não significa entretanto que os jornalistas vão perder seus empregos: segundo o editor-chefe da PA Peter Clifton, os tradicionais ainda serão vitais para a imprensa na forma de artigos e notícias embasados, com opinião e mais elaborados. A IA ficará encarregada de automatizar publicações de menor impacto e mais gerais como das colunas de saúde, emprego, segurança e outras que provém pouca variação e interação direta. Em suma o RADAR será o “foca” encarregado das piores matérias, os press releases, os “Caetano Veloso atravessa a rua” e etc.

A PA pretende colocar o RADAR em funcionamento em 2018, e este dependerá de uma base de dados aberta para gerar as notícias, este administrado por cinco pessoas que se encarregarão de alimenta-lo com informações vindas do governo, autoridades locais, serviços de saúde, instituições financeiras e outros; os robôs utilizarão Processamento de Linguagem Natural para redigir as matérias de modo que o resultado fique minimamente decente e fluído, e não algo saído do Google Tradutor.

via MeioBit

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Revista Filme Cinema passa a ser oferecida online



A publicação é uma das mais importantes do País na divulgação e no debate sobre o cinema nacional

Portal Brasil

Todas as edições da revista Filme Cultura foram digitalizadas e lançadas no repositório online do Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria do Audiovisual (SAV). A publicação é uma das mais importantes do setor no País.

A ideia é ampliar o acesso ao conteúdo da revista, que foram categorizados. "A criação de um portal institucional que disponibilizasse todo o acervo da Filme Cultura foi prioridade no nosso planejamento de relançamento da revista", explicou a secretária do Audiovisual do MinC, Mariana Ribas.

A Revista Filme Cultura é um periódico sobre cinema brasileiro criado em 1966 e chegou a 62ª edição. A revista tem importante papel na divulgação, reflexão e debate sobre o cinema nacional, apresentando artigos sobre estética e técnica cinematográfica, ensaios, reportagens, depoimentos, entrevistas, legislação e material iconográfico.

A Filme Cultura é uma realização da Secretaria do Audiovisual, em parceria com o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), Cinemateca Brasileira e Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp).

O portal foi construído a partir da solução tecnológica Tainacan, desenvolvida pela Universidade Federal de Goiás (UFG). O Tainacan é uma plataforma de gestão de acervos digitais, que apresenta possibilidades de participação social e gestão descentralizada. Outro ganho da utilização do Tainacan é a integração de diferentes tipos de acervos e a categorização e indexação de dados.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

NASA disponibiliza gratuitamente para download e-books nas áreas de História, Ciência e Aeronáutica


A agência espacial lançou uma série de e-books relacionados com a sua história. Entre os diversos livros eletrônicos, você pode encontrar títulos sobre aeronáutica, história, ciência e muito mais. As obras estão disponíveis gratuitamente e em diversos formatos: PDF, EPUB e MOBI. 


Visite: 

www.nasa.gov/connect/ebooks/

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Os 100 primeiros anos de fotografia na Europa disponíveis on-line

Com parceiros como Biblioteca Britânica e Museu do Louvre, plataforma da União Europeia acaba de lançar uma seção com 2,2 milhões de fotos

André Cabette Fábio | Nexo

A BIBLIOTECA VIRTUAL REÚNE MAIS DE 2,2 MILHÕES DE FOTOGRAFIAS

Mantida pela União Europeia, a plataforma Europeana é uma biblioteca on-line de arte alimentada por instituições como Berlinische Galerie, Biblioteca Nacional da França, Museu do Louvre e Biblioteca Britânica.

Ela é atualizada constantemente e inclui, por exemplo, coleções focadas em arte barroca e iluminista, cartões postais do sudeste europeu e acervos de manuscritos. Em maio de 2017, a plataforma lançou a coleção temática Europeana Photography.

Essa coleção reúne imagens e documentos de 50 instituições europeias de 34 países que documentam os primeiros 100 anos da fotografia no continente europeu. Há mais de 2,2 milhões de fotografias, algumas delas de pioneiros, como a britânica Julia Margaret Cameron. A foto abaixo, intitulada “Pomona”, é de 1875.

RETRATO DO SÉCULO 19 ATUALMENTE SE ENCONTRA EM DRESDEN, NA ALEMANHA]

A imagem abaixo, de 1867, é de outro pioneiro, Eadweard Muybridge.

INTITULADA ‘LOYA, VALE DE YOSEMITE (THE SENTINEL)’, FOTO ESTÁ EM DOMÍNIO PÚBLICO 

O material também será reunido e organizado em exposições virtuais numa série, intitulada “O prazer da abundância”, que, segundo a curadoria, “celebra a opulência e riqueza visual da fotografia vintage”. Uma das primeiras exposições da série se chama “Fotografia industrial na era das máquinas” e reúne imagens de máquinas, cidades, indústrias e oficinas do início do século 20. 

A imagem abaixo faz parte dessa coleção, e mostra uma manufatura na Grã-Bretanha.

FOTO DE FÁBRICA DE BRINQUEDOS FOI TIRADA NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO 20 

A fotografia abaixo, feita entre 1910 e 1920, mostra mulheres trabalhando em uma fábrica na Espanha.

TIRADA ENTER 1910 E 1920, FOTOGRAFIA DE JOSEP BIGAS MOSTRA MUITOS DETALHES

terça-feira, 13 de junho de 2017

Circo Data: Novo site cria base de dados sobre famílias circenses e enciclopédia



Dicionário do Circo Brasileiro reúne 1,4 mil verbetes, glossário, fotos e bibliografia

Leandro Nunes, O Estado de S. Paulo

O circo não é mais o mesmo. Há quem lamente e quem festeje essa informação. A questão é que, como as outras artes, os amantes do picadeiro estão buscando novas maneiras de cultivar a tradição e mantê-la pulsante em cada cidade em que a lona desembarca. Para mapear essa memória histórica, a pesquisadora Cristina Bend lançou o site Circo Data – Dicionário do Circo Brasileiro inspirado em modelos mundiais como Circopedia e que reúne 1.400 verbetes, 60 famílias catalogadas, 12 árvores genealógicas, glossário com 200 termos, além de fotos e bibliografia. 

O impulso para juntar tanto material surgiu sem, inicialmente, a ideia do projeto, que se concretizou com o edital Rumos do Itaú Cultural. A pesquisadora conta que durante os estudos em artes cênicas no Circo Escola Picadeiro, em Osasco, passou a entrevistar famílias e, ao longo de mais de dez anos, redigir em fichas os nomes de traquitanas e equipamentos que só existem no circo. “Na época, quase não havia informações sobre artistas do século 19 e 20 e seus circos”, recorda. 

No site contém lista com nome de artistas, por ordem alfabética, como Piolin, palhaço de Abelardo Pinto que marcou a Semana da Arte Moderna de 1922 e que condecora com seu nascimento – 27 de março – o Dia do Circo. Há como fazer buscas por nome de famílias, circos e glossário. Mas não é preciso ir muito longe na navegação para descobrir que a origem do trabalho de Cristina se liga ao Circo Escola Picadeiro, importante polo de formação circense fundado em 1985, por José Wilson Moura, lugar que preparou atores como Domingos Montagner, morto em setembro do ano passado.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Museu Nacional do Mar lança em SC portal com 800 obras

Acervo digital inclui cartas náuticas, manuscritos e até raridades do patrimônio naval.

Por G1 SC

Acervo e informações sobre obras expostas no Museu Nacional do Mar estarão disponíveis online  (Foto: ADR Joinville) 

O Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul, no Norte catarinense, agora conta com um acervo digital que reúne pelo menos 800 obras sobre navegação. O portal Barcos do Brasil foi lançado na sexta-feira (9). Com isso, o acervo do Museu do Mar estará disponível também online.

O acervo do portal inclui livros, plantas, cartas náuticas, manuscritos e até raridades do patrimônio naval. Todo o material que fica na Biblioteca Kelvin, dentro do Museu, poderá ser acessado também pela internet por especialistas, estudiosos e também leigos.

Entre os assuntos de alguns dos exemplares estão “história naval, modelismo, pesca, folclore, descrição de viagens, entre outros”, segundo a Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Joinville. As pesquisas foram organizadas por critérios de comunidade e coleções, data do documento, autores, títulos e assuntos. Acesse o acervo digital do Museu Nacional do Mar neste link.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Livros da Editus estão disponíveis na plataforma SciELO Livros


A Editora da UESC – Editus acaba de ser indexada à coleção SciELO Livros, onde já foram disponibilizados cinco títulos do seu catálogo para download gratuito: books.scielo.org/Editus/. Juntamento às Editoras UEPG e EDUERJ, a Editus é uma das novas editoras universitárias que entraram para a plataforma do SciELO Livros em 2017. Tratando-se de um repositório de acesso aberto para livros acadêmicos, a SciELO Books tem o objetivo de maximizar a acessibilidade, uso e impacto das pesquisas.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

'Gazeta do Povo' publica última versão impressa e se torna primeira plataforma 'mobile first' da América Latina


Fundada em 1919, a Gazeta do Povo publicou nesta quarta-feira, 31, sua última versãoo impressa, que abre caminho para uma nova etapa do maior diário do Paraná. Após parceria firmada com a EidosMedia, o veículo passará a ser o primeiro do América Latina com a produção voltada em primeiro lugar para aparelhos móveis. A ideia é conseguir inverter a dinâmica de arrecadação de receitas, que hoje tem nos anúncios o carro-chefe.

“A expectativa é até o fim de 2018 conseguir inverter o modelo de arrecadação e passar a faturar 70% ou 80% com assinaturas digitais”, diz Guilherme Pereira, o presidente do Grupo GRPCOM, do qual a Gazeta do Povo faz parte. A análise do mercado global de comunicação deu confiança aos executivos para tomar a decisão.

“Três anos atrás nosso pensamento era apenas o de cortar custos. Mas vimos o exemplo do Independent, que há um ano e meio abandonou o impresso e focou na plataforma digital. Um report do New York Times também foi levado em conta, porque o modelo de negócios dele é o que a gente quer implementar. Eles mantém o papel e a publicidade, mas a maior parte das receitas vem do paywall”, explica Pereira.

A aposta nos aparelhos móveis tem a ver com estratégia e inovação. “Somos a primeira plataforma da América Latina a recriar o jornalismo de impacto e pensar no mobile se adaptando ao desktop em todo o processo de confecção da notícia", diz Ana Amélia Filizola, diretora da Unidade de Jornais do Grupo GRPCOM. Assim, inverte-se a lógica de adaptar a versão online do desktop para os aparelhos móveis.

A empresa afirma que investiu R$ 23 milhões em tecnologia e firmou parceria com a EidosMedia, companhia de matriz italiana que presta serviço para veículos como The Wall Street Journal, Financial Times, Le Monde, Le Figarro e Corriere della Sera. “A nossa expectativa ? grande porque parte de uma ideia mais arrojada do que nossos outros clientes. O Grupo GRPCOM tem mentalidade de startup”, afirma Jeancarlo Nesto, representante da EidosMedia.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

A última impressão do 'Diário Oficial'


Todos os funcionários envolvidos no trabalho de impressão do jornal serão realocados em outros projetos da casa.

Na noite de terça-feira (30), antes de ir ao trabalho, Wagner dos Santos, de 44 anos, caminhou dois quarteirões em Ferraz de Vasconcelos, onde mora desde que nasceu, e deu um abraço em seu pai, José Pedro dos Santos, de 74 anos.

O abraço tinha forte motivo. Nos 17 últimos anos antes da aposentadoria, José Pedro trabalhou na mesma gráfica, na mesma empresa, rodando o mesmo Diário Oficial. Por isso Wagner, que prepara chapas de impressão do jornal há 31 anos - como muitos começou ainda adolescente -, estava emocionado na madrugada desta quarta-feira, 31.

Sua vida toda foi construída entre past-ups, fotolitos e chapas, entre rotativas e remessas. Entre noites e madrugadas. Entre Ferraz de Vasconcelos e a Mooca. Um casamento, quatro filhos já crescidos - duas meninas, uma de 20, outra de 18; dois meninos, um de 15, outro de 12. "Eu sabia que esse processo ia passar por uma transformação, que o digital chegaria para mudar. Eu me preparei para isso.".

Nenhum dos funcionários envolvidos no trabalho de impressão do Diário Oficial será demitido, promete a diretoria. "A mão de obra toda vai continuar", declarou à reportagem a presidente da Imprensa Oficial, Maria Felisa Moreno Gallego, na tarde de anteontem. Todos serão realocados, portanto, em outros projetos da casa. Livros escolares, por exemplo.

Maria Felisa tem todas as justificativas na calculadora. A economia será de R$ 6 milhões por ano - papel, tinta e outros insumos. "Fora a questão do meio ambiente: vamos deixar de gastar 408 toneladas de papel por ano", pontuou a presidente.

Se para padronizadores, diagramadores e revisores a rotina não deve ser alterada, na redação há expectativas de melhorias. À frente de uma equipe de sete repórteres, quatro fotógrafos, um editor de texto, uma editora de imagem, uma subeditora e um pré-pauteiro, a editora-chefe Maria Erminia Ferreira - que não revela a idade, mas tem 21 anos de Diário Oficial - vislumbra melhor futuro para as quatro páginas jornalísticas publicadas diariamente. "Estamos conversando para ver a linguagem mais adequada ao novo tempo", disse. "É hora de adaptar. Talvez não precisemos mais nem ficar presos a esse limite de quatro páginas. Muitas vezes perdemos material por falta de espaço."

Para a gráfica

Faltavam quatro minutos para a 1 horas quando a última impressão do Diário Oficial começou. Um pequeno exército de oito pessoas trabalhava na impressão. Outros três, na remessa. "Depois, acabou, né? Um dia histórico... Dá um pouco de tristeza, mas tem de olhar para a frente, pois para trás é só mesmo a saudade", sentenciou Luiz Carlos Faccin, de 49 anos - 34 de Imprensa Oficial.

Quando os mil exemplares da edição impressa datado de 31 de maio de 2017, com suas 336 páginas cada um, saíram do prelo, às 5 horas de ontem, Wagner pretendia encontrar o pai, talvez ainda na parte da manhã. "Vou guardar um exemplar deste último. Vou levar para ele."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo | UOL

terça-feira, 30 de maio de 2017

O ócio e o silêncio versus a tecnologia


Em meio a um contínuo processo de assimilação dos recursos digitais, os danos provocados pela aceleração massiva e pela recusa ao tempo de introspecção já são perceptíveis

por Renato Rocha Mendes | Revista da Cultura

A autoimposição de “ser produtivo” marca a existência dos indivíduos nas grandes cidades. A calma das palavras e o ouvir o outro com atenção são comportamentos e gestos que se tornaram pouco importantes. Clichês como “o tempo urge” ou “tempo é dinheiro” pertencem à dimensão produtiva da vida. Por outro lado, também servem como desculpa para o adiamento do descanso, do ócio e do contato consigo próprio. A tecnologia que invade o cotidiano e o progresso material podem ser antagonistas do tempo para o nada fazer, o tempo da preguiça. Afinal, qual o lugar do ócio nos dias atuais? 

Se a produtividade está no centro da vida dos habitantes dos centros urbanos, a inaptidão à quietude – verborragia, em oposição ao silêncio – é uma marca comportamental dos indivíduos. A falação tomou conta da realidade e passamos a nos importar com o que não importa. As redes sociais simbolizam um tipo de cacofonia, todos dando opiniões e falando ao mesmo tempo sem a capacidade de ouvir (ler) o outro. As mídias sociais também impossibilitam o estar só consigo mesmo, já que as pessoas estão conectadas dia e noite. O tempo para o vazio e para a solidão já não existe. Disso tudo, resta compreender qual é a relevância do silêncio para a reflexão e para a fala no mundo contemporâneo.

EU VIA, MAS NÃO SABIA O QUE VIA
Adauto Novaes, filósofo, diretor do Centro de Estudos Artepensamento, que em 2016 celebrou três décadas de suas séries anuais de conferências, organizou duas coletâneas de ensaios, Mutações – O elogio à preguiça e Mutações – O silêncio e a prosa do mundo, ambas voltadas ao pensamento sobre a preguiça e o silêncio. Em entrevista à Revista da Cultura, ele afirma que, para entender o sentido que o ócio (preguiça) e o silêncio têm, convém situá-los no momento atual: “Vivemos não em estado de crise, mas em uma mutação em todas as áreas da atividade humana: nos costumes, nas mentalidades, na ética, na política, na linguagem e, principalmente, nas ideias de espaço e tempo, tudo isso produzido pela revolução técnico-científica, biológica e digital. O silêncio e a fala, o trabalho do pensamento e a função da preguiça no trabalho do pensamento também estão sendo afetados por essa mutação”.

O filósofo explica que “a negação da ideia de duração a partir do domínio do veloz e do volátil, em todas as áreas hoje”, é fundamental para abordar a paciência (preguiça) e o silêncio. Novaes confere certa “materialidade” a essa ideia quando aborda a criação artística e intelectual em contraste com as plataformas digitais de difusão de conteúdo. “Uma pesquisa recente calculou que os usuários passam 1 bilhão de horas por dia no YouTube, e esse número tende a aumentar. Outra pesquisa revela um aumento exponencial de palavras faladas a partir da invenção das novas tecnologias digitais. O que isso significa? Sabemos que as criações de obras de arte e de obras de pensamento exigem tempo e hoje a velocidade abole todo o trabalho de criação. Elas exigem paciência e silêncio. A maneira pela qual a grande maioria lida com os novos meios é suspeita. A relação entre a suposta consciência e o objeto apresentado é feita sem a mediação do pensamento, ou melhor, sem o tempo que todo pensamento pede. A relação entre a suposta consciência e a coisa apresentada leva a certezas simples e imediatas. Os clássicos citam sempre uma velha máxima: ‘Eu via, mas não sabia o que via’. Ver (ou ler) apenas não basta, é preciso tempo para pensar o que se leu e se viu”, enfatiza ele, que ao longo dos 30 anos de conferências que idealizou (a partir de 2006, Ciclo Mutações) escreveu mais de 800 ensaios, todos publicados em livros.

“Estamos sendo comandados por formas de relacionamento com o mundo, sem pensamento e sem saber. Não se sabe o que se lê e não exagero quando digo isso. Li há pouco uma matéria que me impressionou muito. Como se não bastasse a rapidez e a volatilidade do mundo em que vivemos, surge agora a criação de aplicativos para acelerar não só os programas de TV, mas também a leitura, o que os criadores dessa coisa esquisita chamam de ‘smart speed’, que acelera 1,5 vez a velocidade do áudio. ‘Cortar pausa entre palavras’, como propõe a nova forma de leitura, é destruir o sentido de cada palavra: agindo assim, jamais vamos dar sentido aos conceitos de liberdade, preguiça, silêncio, prosa, mundo, substância, pensamento, espaço, tempo, memória, vida, etc.”, conclui o filósofo.

A CONCORRÊNCIA
É comum elegermos os celulares e as redes sociais como concorrentes do ócio e do silêncio. Em tempos de realidade mediada pela tecnologia, os dispositivos digitais criam para os indivíduos um “ecossistema” viável para sua existência virtual. Em entrevista, Adriano Duarte Rodrigues, professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa e um dos nomes mais importantes no estudo das ciências da comunicação de Portugal, alerta para o fato de se colocar as redes sociais e os celulares como vilões: “Tal postura deriva de uma das características da cultura, a tecnofobia, que é o nome que se dá ao medo dos dispositivos técnicos quando são inventados, antes de estarem assimilados na experiência das pessoas. Foi o que aconteceu com a invenção da escrita, da imprensa, do rádio e da televisão quando surgiram. As pessoas utilizam as redes sociais tanto para combaterem a solidão como para evitarem estar com os outros face a face. Como vê, não se pode generalizar”. 

Mirian Goldenberg, antropóloga e escritora, diz o seguinte sobre a tecnofobia: “Não gosto muito dessa expressão porque impede você de fazer qualquer tipo de crítica a um fenômeno social importante hoje, que é o uso dos celulares, da internet, do Facebook e do Instagram. O fato de eu ser crítica – e sou – não significa que tenho qualquer tipo de fobia à tecnologia”. Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e colunista do jornal Folha de S.Paulo, ela destaca algo que pode ser observado na existência virtual ou concreta da população, o narcisismo. “As pessoas estão muito autorreferidas, elas já têm sua opinião e a defendem violentamente, têm pouca paciência para ouvir opiniões, mesmo que semelhantes. As pessoas estão voltadas para seu celular, falando via WhatsApp ou postando no Facebook, e, além de tudo, o que mais me deixa desanimada é ver a falta de interesse pelos outros.”

Os resultados de uma realidade invadida pela tecnologia e de um campo comunicacional acelerado e causador de ruídos operam na contramão da paciência, do ócio e do silêncio. Novaes reflete e coloca questões a esse respeito: “O pensamento é uma paixão do intelecto, insensível às exigências apressadas. De que vale ter tanta informação se o leitor não tem tempo para combinação, compreensão e invenção? Como enfrentar o enigma do mundo sem recorrer ao silêncio, que dá sentido às palavras? O que resta no mundo da parlapatice e da busca da rapidez a não ser o legado de miséria intelectual? A conclusão a que chegamos é que resta pouca coisa, ou quase nada. A tarefa da linguagem, no sentido forte e originário do termo, não consiste em satisfazer necessidades de ordem prática. Não seria função da linguagem expressar o jogo supremo das mutações das ideias, formar pensamentos até então desconhecidos?”.

Existe uma relação direta entre uma vida preenchida por atividades – que acabam invariavelmente nas redes sociais – e a rejeição do “tempo vazio”, da solidão. Na opinião de Mirian, “essa verborragia é um retrato do nosso tempo. Pelo menos da grande maioria das pessoas que estão conectadas, mas também das que não estão; chega a ser um ‘me, me, me’, ‘eu, eu, eu’. Sofremos uma influência muito grande dos Estados Unidos e de toda essa revolução cultural da internet, e nesse contexto o ócio é associado a um fracasso. O que você vai postar no Facebook se não está fazendo absolutamente nada, se você está simplesmente olhando para a paisagem ou dormindo? O que é complicado para a nossa cultura atual é viver o vazio. Você precisa sempre estar preenchendo o vazio com alguma coisa, que é para curtir. A curtida do Facebook não é só uma curtida, é uma forma de reconhecimento”.

Para a antropóloga, autora de obras como Velho é lindo! e A bela velhice, à medida que as pessoas envelhecem, o tempo passa a ser um capital. “Até os 40 anos, você não tem a noção de que seu tempo vai embora, porque você acha que vai viver muito. Você gasta muito tempo para agradar, para satisfazer as demandas externas, por vaidade, porque você quer que todo mundo te ame. Ou então fazendo um trabalho que você odeia porque quer ganhar dinheiro. Seu tempo não é seu principal capital. Quando você começa a se aproximar dos 60 anos, pode ser antes, o tempo passa a ser uma riqueza. ‘Antes o tempo era para os outros, agora o tempo é para mim. Sou a principal interessada no meu tempo.’ Com essa revolução, o tempo passa a ser voltado para coisas que realmente dão significado a sua vida.”

Embora sejamos seres sociais, a solidão é inerente ao ser humano e todos iremos desaparecer um dia, como salienta o professor português Adriano Duarte Rodrigues: “não devemos esquecer que, ao contrário das outras espécies, os seres humanos são animais solitários porque têm como horizonte fatal sua experiência solitária da morte. É essa experiência da solidão que alimenta as relações que as pessoas estabelecem umas com as outras e que define sua natureza social”. Ainda que existam disputas simbólicas entre tecnologia, ócio e silêncio, esses elementos se fazem presentes na vida dos indivíduos. De maneira a subverter a técnica, a velocidade acelerada do digital e o “ser produtivo”, vez ou outra pode ser agradável evocar a preguiça e o silêncio, e refletir sobre nosso bem-estar e sobre nossas relações com as pessoas e com o mundo.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Biblioteca Nacional disponibiliza acervo de periódicos


Na Hemeroteca Digital, o portal de periódicos da Biblioteca Nacional, é possível encontrar um raro acervo de jornais e revistas, desde os primeiros jornais do Brasil, como a Gazeta do Rio de Janeiro e o Correio Braziliense, até publicações atuais. Atualmente, são 14 milhões de páginas de jornais e revistas digitalizadas. Em 2016, o portal teve mais de 7 milhões de acessos, tanto do Brasil quando do exterior. 

De acordo com a coordenadora da Biblioteca Nacional Digital, Angela Bettencourt, a instituição cumpre com seu papel de preservar e divulgar a informação. "Projetos como a Hemeroteca Digital são importantíssimos para os brasileiros. Iniciativas como essa atingem também o público em geral, não apenas pesquisadores, tornando-se fundamentais para democratizar o acesso aos bens culturais", ressalta. 

A Hemeroteca Digital foi criada em 2009, a partir de um projeto apoiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A ideia inicial era digitalizar apenas periódicos já em domínio público, mas o escopo acabou sendo ampliado. "Fomos procurados por proprietários de jornais, como o Jornal do Brasil, autorizando a digitalização. Depois vieram os proprietários dos Diários Associados, que incluem o Jornal do Commercio, Diário de Pernambuco e a famosa revista O Cruzeiro. Desde então, passamos a digitalizar também periódicos atuais. Não temos o direito patrimonial, mas podemos divulgar em nosso portal", explica Angela. 

Para pesquisar na Hemeroteca Digital, basta digitar ou escolher o nome do periódico, escolher o período e o que se quer encontrar. Uma das grandes vantagens da pesquisa no acervo é que não é preciso procurar página por página do jornal ou revista para encontrar a informação pesquisada. "Nossa indexação é por palavra. Isso facilita muito a recuperação da informação na vastidão do material", frisa a coordenadora. 

Para Angela, a Biblioteca Nacional acompanha os novos tempos com projetos como a Hemeroteca Digital. "A Biblioteca Nacional dita as normas para catalogação de livros, o material analógico, podemos dizer. E também marcamos presença no mundo digital. Atualmente, a instituição é a maior biblioteca digital do País e estamos ensinando às outras como fazer, que padrões seguir. Isso vai nos ajudar a cooperar no futuro, quem sabe nos transformando em um verdadeiro Google da cultura", destaca. 

Ministério da Cultura

Rede social e saúde


Há o elemento da autoestima, da constante comparação a conhecidos ou estranhos

Lúcia Guimarães | O Estado de S.Paulo

Você fica contente quando curte uma postagem no Facebook? Tem certeza? Não sou especialista, porque limito o tempo que passo no quintal do Zuckerberg, com seus dois bilhões de usuários ativos. Mas também não fiquei surpresa com o resultado de um estudo publicado numa revista acadêmica americana de epidemiologia. Durante dois anos, Holly Shakya, especialista em saúde pública da Universidade da Califórnia, e Nicholas Christakis, pesquisador da Universidade de Yale, monitoraram 5.208 adultos em dois aspectos: vida social e saúde mental. Descobriram que, quanto mais tempo passavam no Facebook, maior a deterioração do seu bem-estar.

O estudo foi rigoroso e envolveu dados colhidos pelo Instituto Gallup. Além de compartilhar informação sobre o tempo que passavam na rede social, os pesquisados revelaram dados sobre interação social e saúde. 

Quanto mais tempo a pessoa usava o Facebook, não importa se curtindo ou não postagens, pior se sentia. De acordo com dados fornecidos pelo Facebook, os usuários passam lá, em média, uma hora por dia. Outras pesquisas revelam alto número de usuários que consultam uma conta de mídia social antes de levantar da cama. Não se trata apenas de estimular o sedentarismo e aumentar o sentimento de isolação por substituir a interação pessoal. Há o elemento da autoestima, da constante comparação a conhecidos ou estranhos. Como a tendência é o internauta apresentar a autoimagem mais positiva possível online, os parâmetros de comparação se tornam distorcidos. Se, no convívio pessoal é mais difícil idealizar o outro, quanto mais se transfere a vida social para a rede, maior a criação de expectativas exageradas e a sensação de fracasso por não satisfazê-las.

Há quem interprete dados como o do estudo de Shakya e Christakis de outra forma. As pessoas com maior tendência à depressão e com autoestima mais baixa passariam mais tempo na rede social, ou seja a rede social apenas exacerba uma tendência preexistente. E, sim, há estudos que veem a mídia social como fonte de reafirmação e apoio na comunidade.