quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

USP disponibiliza aulas de História do Brasil online e gratuitas


Aprender sobre a história do nosso país é a melhor forma de compreender a nossa realidade. Muitos dos acontecimentos do dia a dia são reflexos do passado e, por esse motivo, é importante ficar por dentro dos mais diversos assuntos.

Diante disso, a USP (Universidade de São Paulo), através da Univesp TV (Universidade Virtual do Estado de São Paulo), disponibiliza aulas gratuitas no Youtube sobre História do Brasil. Os vídeos, que funcionam como um bate-papo com grandes professores, ajudam a entender melhor os principais eventos do nosso país.

Clique aqui para acessar

Por meio deles, os internautas encontram assuntos desde a época dos jesuítas até a Primeira República.

Confira o conteúdo completo:

– Independência
– Jesuítas
– Padre Antônio Vieira e a Educação Jesuítica;
– Reformas Pombalinas e Ensino Jesuítico;
– Abolição;
– Primeira República.
– História da Alfabetização.
– Demografia História;
– Dom João VI.

via Espaço do Povo

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

A Enciclopédia de Diderot e d'Alembert disponível na íntegra on-line


Não menos do que 6 anos foram necessários para um trabalho de conservação e colaboração sem precedentes: a Enciclopédia de Diderot, d'Alembert e Jaucourt está agora disponível online no site da Académie des Sciences, pela primeira vez enriquecida.

A navegação é intuitiva, divertida e inovadora, e o acesso pode ser múltiplo: você pode aplicar zoom em cada página, visualizar no modo de artigo com referências de notas etc.

Para acessar a enciclopédia, clique aqui.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Empresa britânica vai lançar 'Kindle' para deficientes visuais


O Canute 360: leitor eletrônico em Braille Foto: Reprodução da internet/Bristol Braille Technology

O Globo

Uma empresa britânica pretende lançar este ano um leitor eletrônico em Braille para cegos. O objetivo é melhorar significativamente a experiência de leitura dos deficientes visuais e poupá-los de carregar muito peso.

Desde o seu desenvolvimento por Louis Braille, no século XIX, o alfabeto de pontos em relevo levou o prazer da leitura a milhões de deficientes visuais. No entanto, em sua forma impressa, o método não é exatamente conveniente ou portátil: uma cópia da Bíblia em Braille pode ocupar 1,5 metro de espaço em uma prateleira.

A Bristol Braille Technology espera mudar isso com o leitor eletrônico Canute 360, que define como um "Kindle para cegos. Segundo a companhia, trata-se do primeiro leitor multilinear eletrônico em Braille, que exibe nove linhas de texto ao mesmo tempo, equivalente a um terço das páginas usuais.

— Isso significa que você só tem que pressionar o botão para avançar a cada 360 caracteres em vez de 20 — explica Stephanie Sergeant, cuja empresa Vision Through Sound (Visão por meio do som) oferece treinamento para cegos e trabalha com a Bristol Braille.

Qualquer texto traduzido para Braille pode ser baixado para o Canute, o que poderia gerar um suprimento ilimitado de material de leitura disponível para os usuários.

Nos últimos tempos, caiu o número de deficientes visuais que recorrem ao método, devido ao avanço das tecnologias que transpõem textos para áudios.

O Canute começará a ser produzido em larga escala este ano, com preços semelhantes aos de um laptop de última geração.

China vive boom de livrarias físicas

Associação de Distribuidores no país fala que fechou o ano com 225 mil livrarias, dez mil a mais do que tinha em 2017. Medidas governamentais ajudaram esse boom.

PublishNews


A Sisyphe é uma das novas redes de livrarias chinesa. Em 2018, foram abertas 85 novas lojas só dessa rede | © PFWOuoh / Wikicommons

Com uma população que já ultrapassou a marca dos 1,3 bilhão de habitantes, a China é, sem dúvidas, um dos maiores mercados livreiros no mundo. E esse mercado ficou ainda maior em 2018. Segundo dados da Associação de Distribuidores de Livros e Periódicos, o país fechou 2018 com 225 mil livrarias. No ano anterior, eram pouco mais de 215 mil. O faturamento acompanhou este crescimento e o varejo de livros cresceu 5,9% em 2018, fechando o ano passado em 370,4 bilhões de yuans (cerca de US$ 54,7 bilhões). Os números foram apresentados na Conferência Nacional de Livrarias no último dia 8.

Esse boom está diretamente relacionado às políticas governamentais do país. Desde 2016, 28 províncias, regiões autônomas e municípios criaram medidas específicas para o desenvolvimento das livrarias físicas. Essas medidas vão desde a isenção fiscal até financiamentos específicos para o desenvolvimento desse segmento da economia. Em Pequin, por exemplo, 151 livrarias físicas receberam aporte de 50 milhões de yuans (US$ 7,3 milhões) e a previsão é que esse fundo dobre em 2019.

A indústria também tem crescido de forma espantosa e não é de hoje. Só a título de comparação, em 1978, quando a população era de 956,2 milhões de pessoas, foram produzidos 3,7 bilhões de livros, o que dá 3,87 livros produzidos per capita. Em 2017, a China alcançou 1,4 bilhão de habitantes e produziu 9,24 bilhões de livros, ou 6,6 livros per capita. Esses dados também foram apresentados na Conferência.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

O lado sombrio da tecnologia


Em livro revelador, jornalista explica como a tecnologia vem afetando a capacidade intelectual da humanidade e coloca nossa existência em perigo

Quando foi a última vez que você decidiu, por si próprio, o que comprar, que amigo adicionar à sua vida, como passar o seu tempo livre e, principalmente, o que pensar sobre o mundo que vivemos? Escrito pelo jornalista Franklin Foer, O mundo que não pensa, um dos livros mais aclamados e polêmicos dos últimos anos, mostra o lado sombrio e preocupante da tecnologia do nosso cotidiano. Para o autor, estamos terceirizando nossas capacidades intelectuais para empresas como Apple, Google e Facebook, dando origem a um mundo onde a vida social e política passa a ser cada vez mais automatizada e menos diversa.

Foer afirma que nós, os homo sapiens, chegamos a um momento da evolução em que começamos a deixar para trás a característica que mais nos diferenciou das outras espécies: o fato de sermos capazes de pensar, imaginar, refletir e conhecer. No esteio da nossa própria inteligência, com as descobertas e invenções espetaculares das últimas décadas, houve uma verdadeira revolução no controle do conhecimento e da informação, mas essa mudança brusca e vertiginosa coloca em perigo a maneira como pensamos e, em última instância, o que somos.

Compramos on-line, pulamos de uma tela para a outra nos nossos smartphones, confiamos nas informações do Google e socializamos no Facebook e no Instagram. Essas empresas e sua tecnologia se apresentaram a todos nós como guardiãs do nosso individualismo e fomentadoras do pluralismo, mas, na verdade, seus algoritmos nos pressionaram à conformidade e devastaram a nossa privacidade. Hoje, somos um mundo que não pensa.

Com um texto inteligente, perspicaz, claro e elegante, herdeiro da melhor tradição do jornalismo, Franklin Foer, que vem sendo comparado a George Orwell, traça a história da ciência da computação desde René Descartes e o Iluminismo, passando pelo matemático Alan Turing, que formalizou o conceito de algoritmo, e chegando aos hippies do Vale do Silício. Ele revela os tentáculos sorrateiros de nossos mais idealísticos sonhos tecnológicos, que estão levando a uma homogeneização social, política e intelectual da vida. Até agora poucos entenderam a gravidade dessa ameaça, do perigo real e iminente da extinção da nossa espécie – o que faz de O mundo que não pensa uma leitura urgente e fundamental.

O mundo que não pensa: a humanidade diante do perigo real da extinção do homo sapiens
Franklin Foer
Editora Leya

240 Páginas

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Plataforma reúne quadros e desenhos de David Bowie

Acervo digital reúne 30 trabalhos da obra visual do músico inglês, que marcou o pop mundial e faleceu em 2016

Mariana Vick | Nexo

Série de retratos feitos por David Bowie entre 1995 e 1996

Uma galeria armazenada na plataforma digital de arte “Very Private Gallery” e mantida por um usuário que se identifica como Greg Bot reúne dezenas de pinturas e ilustrações de David Bowie, músico britânico que marcou o rock e o pop mundial e faleceu em 2016. A galeria, criada em 2017 e atualizada pela última vez em dezembro de 2018, contava até então com 30 produções de Bowie — que, ainda que tenha feito história na música, divulgou menos seus trabalhos de artes visuais, que ainda hoje são pouco conhecidos por parte do público. O acervo, que levou o nome “A Soulful Art Legacy” (“Um legado artístico com alma”, em tradução livre), reúne gravuras em alta resolução de diferentes fases da obra visual de Bowie, cuja pintura foi marcada pela influência de movimentos como o expressionismo alemão e de artistas como Frank Auerbach, David Bomberg e Francis Picabia. A reunião de litogravuras de inspiração expressionista, acentuada na época em que Bowie viveu em Berlim, na Alemanha, compõe mais de um terço da galeria. As obras foram feitas entre meados da década de 1970 e o fim dos anos 1990 e incluem um retrato do músico Iggy Pop.

Bowie também criou mais de um retrato do pianista Mike Garson — que concedeu as imagens à galeria digital — e diversos autorretratos, feitos sobretudo no ano de 1996. Os desenhos mesclam influências artísticas.

Parte do acervo inclui rascunhos e desenhos inacabados que Bowie fez para diferentes projetos, incluindo o cenário e a maquiagem de um filme (não produzido) que vinha sendo gestado pelo músico em 1974.

O acervo também reúne duas imagens de desenhos que Bowie fez quando viajou à África do Sul. Segundo o criador da galeria, as obras ilustram “pensamentos do músico sobre a história do ‘ancestral branco’”. “Em 1995, Iman [modelo e esposa de David Bowie desde 1992] e eu fizemos nossa primeira viagem à África do Sul”, o músico escreveu. “Uma das histórias predominantes é que, quando as primeiras tribos [sul-africanas] viram o homem branco, presumiram que estavam sendo visitadas por seus ancestrais — em sua mitologia, os ancestrais aparecem como uma forma branca fantasmagórica”.

O legado de David Bowie 

Nascido em Londres em 1947, David Bowie iniciou a carreira na década de 1960. Conhecido como “Camaleão do Rock”, encarnou diversos personagens e, pela criatividade de sua obra, é considerado um dos músicos mais populares, inovadores e influentes de todos os tempos. São de sua autoria algumas das músicas mais famosas do pop britânico nas décadas de 1960 e 1970, como “Space Oddity”, “Life on Mars?” e “Heroes”. Bowie também produziu discos de Lou Reed e Iggy Pop. Sempre cuidadosamente planejada — às vezes, cênica — sua obra musical influenciou áreas como ficção científica, publicidade e moda. Na década de 1970, quando roqueiros se julgavam “semideuses”, Bowie usou o artifício e a encenação para rir do circo do rock’n’roll, que se levava muito a sério. No álbum “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders of Mars” (1972), o britânico narrou a trajetória de um astro de rock marciano que era alçado à condição de profeta e visionário na Terra, mas morria decadente e esquecido, agarrado a glórias passadas. Após a morte de Bowie, no dia 10 de janeiro de 2016, o Nexo escreveu que o músico “nunca poderia pertencer a nenhum movimento, pois seu olho estava sempre navegando por diferentes e muitas direções”.

WiFi Ralph: novo filme traz lições sobre amizades e a vida online


Com estreia marcada para o dia 3 de janeiro, sequência de 'Detona Ralph' traz referências a sites da internet e filmes da Disney

por Isabela Moreira | Galileu

Ralph e Vanellope estão de volta: seis anos após a estreia de Detona Ralph, o grandalhão e a pequena chegam aos cinemas em WiFi Ralph: Quebrando a Internet, com estreia no Brasil prevista para o dia 3 deste mês. Na aventura, os dois saem do fliperama e vão até a internet em busca de um item precioso do jogo de Vanellope. No meio do caminho, acabam descobrindo mais sobre si mesmos e sua amizade.

“A internet é praticamente infinita, mas tivemos de escolher aspectos dela que contribuíssem para a jornada dos personagens”, explicou Renato dos Anjos, brasileiro chefe de animação dos Estúdios Disney, em entrevista à GALILEU. Isso inclui sites de compras, redes sociais, plataformas de vídeo, encontros com personagens clássicos da Disney — as princesas, como Ariel, Branca de Neve e Bela, por exemplo, têm um papel importante no filme — e outros jogos.

Um deles é a Corrida do Caos, espécie de GTA um pouco menos violenta. Ao conhecer o game, Vanellope, que é uma corredora nata, fica encantada com as outras aventuras que poderia experimentar se vivesse fora do fliperama.

“Sabíamos que o segundo filme seria sobre os desafios da amizade, então tivemos a ideia de colocar em conflito os sonhos da Vanellope e do Ralph”, disse Phil Johnston, que dirige o filme com Rich Moore. “Vanellope é uma personagem que amamos, mas com quem só passamos metade do primeiro filme. A jornada dela é bem complicada: ela se sente bastante culpada em relação a Ralph e precisa descobrir como ser independente e amiga dele ao mesmo tempo."

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Série 'Você' acerta ao apostar em suspense baseado nos perigos das redes sociais

Novo seriado do Lifetime e Netflix conta a história de um jovem obcecado por uma mulher

por Mariana Bonini | Quem

Joe (Penn Badgley) e Beck (Elizabeth Lail)

Não se apegue a sinopse do gerente de um livraria que se apaixona à primeira vista e perdidamente por uma aspirante a escritora. Você (You), novo seriado da Lifetime, também exibido no Brasil pelo Netflix, é mais profundo e atrai mesmo por uma preocupação atual: a falta de privacidade e de segurança virtual e física que o uso das redes sociais pode gerar para uma pessoa.

Logo em alguns minutos do primeiro episódio, quando o obcecado Joe (Penn Badgley) facilmente se intera, com uma simples busca pelo Google, sobre a rotina da então desconhecida Beck (Elizabeth Lail) e se insere em sua vida, duvido que haja algum telespectador que não cogite mudar as suas senhas, fechar o perfil do Instagram ou mesmo deixar a rede social por definitivo.

É essa aproximação com a nossa realidade e o revelar da personalidade cada vez mais aterrorizante de Joe, que contribui para a ansiedade de ver um episódio atrás do outro. O galã Badgley, que ficou famoso por interpretar o Dan em Gossip Girl está brilhante no papel desse personagem que se apresenta de forma dúbia, com o seu lado bom e ruim. Ele é o cara bonito, inteligente, amoroso, atencioso e altruísta, mas também capaz de cometer diversos crimes para conquistar o seu objetivo.

Contada em primeira pessoa, pela visão de Joe, há uma tendência em humanizar demais o protagonista. O comportamento dele tenta ser justificado pela infância turbulenta ou pelas ações das pessoas que ele investe contra. Elas também vão revelando passados sombrios com assassinatos, traições e paixões secretas. Ao mesmo tempo que isso parece forçado em alguns casos, é interessante ver que todos, inclusive Beck, têm o lado bom e ruim.

A falta de competência da polícia para desvendar casos cheios de evidências é um ponto fraco e deve ser relevada para a série não perder o encanto.

Após assistir os dez episódios, além do final atordoante, fica a dúvida de como os roteiristas farão para criar uma segunda temporada tão estimulante como a primeira. Será um grande desafio, mas que deve ser tirado de letra por Sera Gamble e Greg Berlanti, que têm em seu currículo Dawson’s Creek, Everwood e Riverdale e ainda poderam recorrer a fonte que originou a série, o livro homônimo de Caroline Kepnes, que também tem uma sequência.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Nasa abre para o público a sua biblioteca de mídia


Na busca, é possível ainda restringir os resultados por ano, escolhendo um período específico a ser pesquisado.

A Nasa anunciou que toda sua biblioteca de mídia, isto é, imagens, sons e vídeos, está aberta ao público. E a notícia é ainda melhor: além de poderem ser pesquisados on-line, os mais de 140 mil arquivos estão disponíveis para visualização e também para download.

No site oficial, basta digitar o termo que você deseja pesquisar e navegar livremente pelo extenso banco de dados do espaço sideral, escolhendo ainda se deseja ver imagens, vídeos ou áudios.

Para além das fotos de “paisagens”, há ainda registros de astronautas, lançamento de foguetes e eventos na Nasa entre outras descobertas.

Quase todas as imagens do banco da Nasa vêm ainda com dados Exif – Exchangeable image file format, ou formato de arquivo de imagem intercambiável – o que auxilia tanto profissionais da fotografia quanto amadores a manterem seus arquivos acessíveis, oferecendo ainda uma série de informações adicionais sobre as imagens.

Entre as informações dos dados Exif está, por exemplo, a data específica em que a foto foi tirada, com precisão de dia, hora e até segundos. Para os mais entusiastas do ramo, é possível ter acesso ainda a detalhes como característica da lente, abertura do diafragma, velocidade do obturador, ausência ou presença de flash entre outros.

É bom reforçar que toda essa vasta biblioteca de mídia está disponível para qualquer pessoa, gratuitamente e sem regras de direitos autorais, ou seja, dá pra usar as fotos para basicamente qualquer finalidade. 

via Promoview

Justiça Eleitoral lança biblioteca digital que serve de fonte de informação para internautas e pesquisadores


Por Thales Brandão | Cidade Marketing


O Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possibilita que o cidadão e o pesquisador tenham acesso à Biblioteca Digital da Justiça Eleitoral (BDJE). O espaço tem como objetivos incentivar a gestão da memória institucional e eleitoral e incrementar o intercâmbio de informação eleitoral e partidária com outras instituições nacionais e internacionais. Outras metas da BDJE são promover a gestão do conhecimento institucional e ampliar a visibilidade da produção da Justiça Eleitoral.

Atualmente, a Biblioteca Digital tem cerca de 4.500 itens catalogados. Seu acervo inclui livros, artigos e periódicos, publicados ou não pela Justiça Eleitoral, e também a produção intelectual de ministros, desembargadores e servidores. A Biblioteca Digital se destina à consulta por ministros, servidores, estagiários, pesquisadores, estudantes e público em geral.

As obras publicadas na BDJE são de domínio público ou possuem direitos autorais cedidos pelos proprietários e estão disponíveis para acesso e download gratuitos. As exceções vigoram para aquelas restritas a membros e servidores do TSE e dos tribunais regionais eleitorais. Nesse caso, se o interessado não se encaixar no perfil mencionado e tiver interesse em item de acesso restrito, deverá entrar em contato com a Seção de Biblioteca Digital, que avaliará a possibilidade de envio do material solicitado.

Memória

Inicialmente denominada Biblioteca Digital do TSE, a seção foi inaugurada em 26 de novembro de 2015. Contava no começo com 320 registros, entre artigos, mapas, fotos e vídeos. Em janeiro de 2018, foi lançada uma nova versão da Biblioteca Digital, que passou a se chamar Biblioteca Digital da Justiça Eleitoral (BDJE). A atual plataforma possui leiaute mais intuitivo, para melhorar a navegabilidade do usuário. Essa versão também possibilita acesso por meio de dispositivos móveis, como tablets e smartphones. As maiores facilidades que o espaço da BDJE proporciona ao visitante são agilidade na pesquisa, facilidade de navegação no ambiente e credibilidade das informações.

Sua importância para a preservação da memória da Justiça Eleitoral reside no fato de que o conhecimento é um patrimônio essencial e estratégico para o sucesso organizacional e, cada vez mais, esse sucesso se relaciona com a capacidade do órgão de produzir, reunir, armazenar, preservar e disseminar o conhecimento. Para que esse conhecimento não se perca e a memória consequentemente seja preservada, as novas tecnologias da informação são vitais para a gestão de toda essa produção. Ao armazenar, preservar e divulgar documentos e publicações da Justiça Eleitoral, a BDJE cumpre sua missão de preservar essa memória.

Acesso

O acesso à Biblioteca Digital pode ser feito diretamente pelo endereço: http://bibliotecadigital.tse.jus.br/xmlui ou por meio do Portal do TSE (http://www.tse.jus.br), menu “O TSE”, opção “Cultura e história” > “Biblioteca Digital”.

Já a pesquisa pode ser realizada pelos índices de data do documento, autor, título ou assunto, por meio das comunidades e coleções ou ainda pela pesquisa geral ou avançada. Neste último caso, o usuário pode aplicar os filtros de título, autor, assunto e data de publicação.

Uma das vantagens de se cadastrar na plataforma é que o usuário tem a possibilidade de assinar coleções de seu interesse para receber alerta de e-mails diários sobre os novos itens adicionados, podendo assinar quantas coleções desejar. Posteriormente, será implementada a opção de escolha também dos assuntos de interesse. Caso não realize o cadastro, o usuário poderá acompanhar na própria página da Biblioteca Digital os últimos itens incluídos.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Como tornar seu Artigo Científico mais visível e passível de descoberta



Como tornar seu artigo mais visível e aumentar as citações? Este guia é uma tradução adaptada das informações constantes da publicação SEO for Authors: A How-to Guide – UCLA Library. 2018.

Garantir que seu artigo está sendo indexado pelos mecanismos de busca acadêmicos é crucial, mas também é importante que seu artigo apareça na lista classificada de resultados de pesquisa, pois esse ranking exerce grande impacto na visibilidade da pesquisa de um autor. Os itens que aparecem no topo da lista são mais propensos a serem lidos. A otimização dos mecanismos de busca (em inglês Search Engine Optimization (SEO)) pode ajudar os pesquisadores que publicam a aumentar a visibilidade e a descoberta de seus artigos.

Acesso e Citações
Seu artigo está sendo indexado por mecanismos de busca acadêmicos como o Google Acadêmico, Dimensions, IEEE Xplore e PubMed? Ou está disponível somente em de bancos de dados que os robôs de busca não podem acessar?

Ao enviar um artigo para publicação, os autores devem considerar a facilidade com que sua pesquisa será divulgada para seu público, o que aumentará as oportunidades de citação. Os artigos em acesso aberto (open access) recebem mais citações do que artigos acessíveis apenas por compra ou assinatura.

Os autores se beneficiarão sempre que editores e publicadores (publishers) adotarem políticas que estabelecem cooperação com o Google Acadêmico (e outros mecanismos acadêmicos de pesquisa) porque disponibilizam seus artigos para mais leitores e facilitam as citações. As citações são um fator significativo na determinação da classificação nas páginas de resultados do Google Acadêmico e em muitos outros mecanismos científicos de pesquisa. Os autores devem publicar em revistas de acesso aberto que permitem que colocar seus artigos nas home pages e/ou nos repositórios de suas instituições. 

Dicas para tornar seu artigo passível de descoberta

1) Encontre as palavras-chave e frase de pesquisa para otimizar a descoberta de seu documento

- Pense nas palavras mais importantes que são relevantes para o artigo.
- Considere pesquisar palavras-chave específicas no Google Trends ou na ferramenta Palavras-chave do Google Adwords para descobrir quais termos de pesquisa são populares.
- Experimente suas palavras-chave no Google Acadêmico, etc. e, se muitos resultados retornarem, talvez seja melhor considerar uma palavra-chave com menos concorrência.

2) Certifique-se de ter um título “otimizado” para seu artigo

O título precisa ser descritivo e conter uma frase-chave relacionada ao seu tópico.
Coloque suas palavras-chave nos primeiros 65 caracteres do título. O Google Acadêmico considera a extensão de um título. Embora em geral os títulos devam ser bem curtos, sugerimos a escolha de um título mais longo se houver muitas palavras-chave relevantes.

3) Escreva seu resumo usando palavras-chave, frases e sinônimos

Inclua as palavras-chave e frases em seu resumo que um pesquisador pode pesquisar para encontrar seu artigo. Forneça palavras-chave e sinônimos adicionais relevantes para as palavras-chave relacionadas ao seu artigo, tendo em mente que essas palavras-chave também são usadas pelos serviços de resumos e indexação como um método para marcar o conteúdo da pesquisa.

4) Seja consistente

Mantenha os nomes e as iniciais dos autores de maneira consistente em todos os artigos e da mesma forma que foram mencionados nas publicações on-line anteriores. Se os nomes forem usados de maneira diferente, os mecanismos de busca podem não conseguir identificar artigos ou citações corretamente; como conseqüência, as citações podem ser atribuídas incorretamente, e os artigos não serão tão altamente classificados como deveriam ser. Obtenha um ORCiD e use-o ao enviar trabalhos aos editores para ajudar na desambiguação.

5) Use títulos nas Seções dos artigos

Os títulos das várias seções do seu artigo informam os mecanismos de busca sobre a estrutura e o conteúdo de seu artigo. Incorpore suas palavras-chave e frases nesses títulos onde for apropriado.

6) Cite a si mesmo ou seus co-autores, ou publicações anteriores

Mecanismos de busca, especialmente o Google Acadêmico, atribuem um peso significativo à contagem de citações. As citações influenciam se os artigos são indexados, e também influenciam o ranking dos artigos. Ao fazer referência ao seu trabalho publicado, é importante incluir um link no qual esse trabalho possa ser baixado. Isso ajuda os leitores a encontrar seu artigo e ajuda os mecanismos de busca a indexar o texto completo dos artigos referenciados. Esse recurso deve ser utilizado com parcimônia.

7) O texto de figuras e tabelas deve ser legível por máquina

Gráficos vetoriais contendo fonte baseada em texto devem ser usados em vez de imagens rastreadas para que possam ser indexados por mecanismos de busca. Gráficos armazenados como arquivos JPEG, BMP, GIF, TIFF ou PNG não são gráficos vetoriais. 
Quando os documentos são convertidos para PDF, todos os metadados devem estar corretos (especialmente autor e título). Alguns mecanismos de busca usam metadados do PDF para identificar o arquivo ou exibir informações sobre o artigo na página de resultados do mecanismo de busca.

8) Promova seu artigo usando a Internet e as mídias sociais

Depois que seu artigo for publicado, use as mídias sociais para aumentar a visibilidade da pesquisa. Atualize as informações em suas redes acadêmicas e sociais sobre seu artigo publicado.  O número de links de entrada é um fator no ranking do mecanismo de busca. Compartilhe seu artigo nas seguintes ferramentas de mídia social (conforme apropriado para o tópico de pesquisa): LinkedIn, Facebook, Twitter, Mendeley, ResearchGate

== Fontes de informação utilizadas neste Guia ==

- Jöran Beel, Bela Gipp, and Eik Wilde. Academic Search Engine Optimization (ASEO): Optimizing Scholarly Literature for Google Scholar and Co. Journal of Scholarly Publishing, 41 (2): 176-190, January 2010. Doi 10.3138/jsp.41.2.176. University of Toronto Press. http://www.beel.org/files/papers/2010-ASEO–preprint.pdf
- Wiley Search Engine Optimization: For Authors
University of California Open Access Policy: A How-to Guide

via Divisão de Gestão de Desenvolvimento e Inovação
Departamento Técnico - SIBiUSP

domingo, 16 de dezembro de 2018

'Redes sociais deixam sociedade mais vulnerável'

Em livro, cientista diz que propagandas alimentam a intolerância e a falta de informação e recomenda deletar redes

Por Bruno Romani  - O Estado de S.Paulo


Jaron Lanier escreveu livro sugerindo abandono de redes sociais

Para algumas pessoas, a promessa de ano-novo não é perder peso ou parar de fumar, mas sim largar as redes sociais. O cientista da computação, escritor e filósofo da tecnologia Jaron Lanier pode dar uma ajuda com isso. Com a autoridade de quem na década de 1980 cunhou o termo “realidade virtual” e acabou contribuindo para que pessoas se conectem em mundos virtuais, ele oferece argumentos para deixar de vez o Facebook e afins. 

Em Dez Argumentos para Você Deletar Agora as Suas Redes Sociais (Editora Intrínseca, R$ 34,90), lançado em maio nos Estados Unidos e em novembro no Brasil, Lanier estrutura seu argumento contra as redes sociais no modelo de negócios baseado em anúncios publicitários. Segundo ele, as propagandas são usadas para manipular as pessoas, o que resulta na perda de empatia, no aumento da intolerância e na falta de informação – além do impacto negativo na felicidade e na capacidade econômica da sociedade.

O Estado conversou com ele para saber se as redes sociais, ou os usuários dela, têm salvação. A seguir, trechos da entrevista. 

Estadão: A sociedade está doente por conta das redes sociais?

Jaron Lanier: Sim. A sociedade sempre esteve doente. As sociedades sempre foram violentas e escolheram políticos ruins. Frequentemente, as sociedades entram em guerra civil. Todas essas coisas sempre existiram. As mídias sociais não estão inventando esses problemas, mas estão deixando a sociedade mais vulnerável. Na rua, existe todo tipo de vírus, bactéria e agentes de doenças. Se tem uma coisinha errada com você, como não ter dormido direito ou estar muito estressado, você pode ficar doente. É o que acontece com as redes sociais. A maneira como as sociedades ficam doentes é tradicional. Em todo o mundo, quando há uma tendência de redução de violência e de tensões civis, ela é revertida assim que propriedades do Facebook surgem, como o WhatsApp. As mídias sociais deixam a sociedade vulnerável a problemas que poderia evitar. 

É possível tornar as redes sociais melhores?

Sim. Tem de mudar o modelo de negócios. Eles precisam determinar um prazo, tipo: em três anos não aceitaremos dinheiro de anunciantes e isso nunca acontecerá de novo. Vamos mudar para um modelo de assinatura ou de pagamento conforme você usa, ou de micropagamentos. E assim o usuário não seria o produto. Se não mudar o modelo de negócios, não há esperança.

As redes deveriam ser pagas e livres de propagandas?

Acredito que as pessoas deveriam pagar pelo serviço e também receber por suas contribuições quando alguma delas se populariza. Isso poderia fazer a economia crescer e beneficiar muita gente. As redes sociais deveriam ser livres de propagandas e pagas por aqueles que podem pagar. Deveria existir também uma maneira de acomodar aqueles que não podem pagar. Acredito que isso pode ser feito facilmente. Veja a Netflix. As pessoas pagam, mas elas podem encontrar versões piratas e gratuitas dos filmes a qualquer hora. Só que a experiência é melhor quando é paga. Isso significa que até agora, a Netflix não tem sido tão ruim quanto o YouTube, que espalha propagandas. É um modelo que funciona e serve como exemplo. 

O WhatsApp não opera com algoritmos. O sr. o considera uma rede social?

O WhatsApp tem mudado gradualmente e se assemelhando mais com uma propriedade do Facebook. Os fundadores saíram de lá em protesto. Quando o WhatsApp começou, as pessoas estavam lá compartilhando mensagens. Porém, ele mudou para ter uma estrutura mais voltada à personalização de comunicação e preparada para planos de negócios que usam os dados das pessoas. Assim que a arquitetura passou a suportar isso, abriu as portas para agentes nocivos e sofisticados.

Existe alguma rede social que o sr. recomenda?

Não tenho nenhuma conta, porque não acho que há redes sociais boas o suficiente. Uma maneira de medir se uma rede social é boa ou não é se ela está sendo usada pelos agentes de Vladimir Putin para manipular eleições ou sociedades. Se você utilizar esse teste, você diria que todas as propriedades do Facebook são terríveis, que o Twitter é terrível, você diria que o Reddit é terrível, você diria que o YouTube é terrível (risos). Porém, há uma série de outras que os agentes parecem não ter encontrado uso. Isso significa que ou os agentes não ligam ou essas redes não se tornaram terríveis. O Snapchat talvez não seja terrível. O LinkedIn não parece ser tão ruim, embora tenha sido criticado de outras maneiras. Mas não existe nenhuma da qual eu gostaria de fazer parte.

Deixar as redes, segundo Lanier

1. Manipulação. As redes sociais são usadas para alterar e manipular o comportamento das pessoas, que, assim, perdem o livre-arbítrio sem perceber. Um exemplo é como os algoritmos por trás desses serviços percebem que o usuário gosta de determinado produto ou assunto e, a partir disso, começam a bombardeá-lo com propagandas que sutilmente tentam convencê-lo a consumir, mesmo que isso não seja uma prioridade

2. Vício. As redes são viciantes, especialmente por conta de como as pessoas sentem prazer por meio de curtidas e seguidores. Com isso, elas mudam seu comportamento para continuar recebendo atenção. 

3. Agressividade. Tornam as pessoas mais agressivas, trazendo para a superfície o que seria seu lado mais “babaca” – e nem pessoas aparentemente gentis estariam livres do problema.

4. Empatia menor. As redes reduzem a empatia que as pessoas sentem umas pelas outras, pelo fato de oferecerem conteúdo personalizado e impedirem de saber o que o outro usuário está vendo

5. Debates inúteis. A falta de um conteúdo comum torna qualquer debate uma conversa sem sentido, pois um usuário não consegue enxergar o contexto de onde parte o ponto de vista de outro. Tudo isso somado explicaria como qualquer assunto em rede social tem potencial para acabar em bate-boca.

6. Notícias falsas. As redes são uma ferramenta poderosa para a disseminação de notícias falsas, com muitas contas falsas e pessoas que não existem, alterando a percepção da realidade – com robôs agindo nas redes sociais em volume gigantesco, a realidade passaria a ser moldada por agentes que não têm uma percepção legítima do mundo. 

7. Política impossível. Sem debates e com chuva de notícias falsas, torna-se impossível fazer política. Lanier cita como exemplo as eleições presidenciais nos EUA, onde as redes tiveram papel fundamental na eleição de Donald Trump

8. Discriminação. As redes permitem que grupos racistas, xenófobos, machistas, etc, se organizem e ataquem iniciativas legítimas para combater esses males

9. Efeito econômico. Redes têm um impacto negativo na economia, já que apenas alguns influenciadores, além das próprias redes, vão faturar com as participações e contribuições de todos os usuários. Enquanto isso, pessoas como artistas e tradutores, entre outros, terão uma vida cada vez mais difícil, conforme os algoritmos das redes se tornam cada vez mais sofisticados

10. Metafísica. De acordo com Lanier, as redes odeiam a sua alma

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Último jornal crítico ao chavismo deixa de ser impresso na Venezuela


O diário "El Nacional", que enfrentava falta de papel, fuga de anunciantes e pressões do governo venezuelano terá apenas uma versão online;empresa já não tinha condições de fazer reajustes salariais e todos os funcionários recebiam um salário mínimo.

O diário venezuelano El Nacional levou nesta sexta-feira, 14, às bancas sua última edição impressa. Último grande jornal crítico ao chavismo se dedicará apenas à sua versão online por não ter mais acesso a papel-jornal, insumo que tem a venda controlada pelo governo da Venezuela, e por ter os recursos severamente restritos pela crise econômica e pela perseguição estatal. 

A redação do Nacional está cheia de cadeiras e mesas vazias. Os jornalistas que restaram sofrem com a falta de internet, ocasionalmente cortada pelo governo, e com a incapacidade da empresa de repor as perdas salariais causadas pela inflação. 

Um dos últimos reajustes do salário mínimo anunciado pelo governo, em setembro, previa um aumento de 3.600%, subsidiado em parte pelo chavismo. O Nacional não aceitou por temer que o benefício fosse vinculado a uma mudança na linha editorial do jornal. Com isso, todos os salários da empresa foram reduzidos. "Do repórter ao diretor, todos ganham a mesma coisa", diz o vice-diretor de redação Argenis Martínez. "Todo mundo aqui ganha o salário mínimo. É bem comunista", ironiza. Na Venezuela de Maduro, o salário mínimo compra apenas 8% da cesta básica mensal.

Ao diário espanhol ABC, o diretor do Nacional, Miguel Henrique Otero, disse que o diário conseguiu uma sobrevida graças à "solidariedade" de outras publicações, que repassavam papel-jornal à empresa. Nos últimos anos, com a crise econômica, a situação se tornou insustentável. 

No último mês, o jornal já tinha deixado de circular aos sábados e às segundas-feiras, não encontrava mais anunciantes e já não conseguia pagar salários. "Fomos perseguidos por 15 anos", disse Otero. "Conseguiram silenciar rádios, TVs e fizeram desaparecer os jornais impressos independentes."

Ainda de acordo com ele, além de vetar o papel-jornal, o chavismo usou outros meios para intimidar a publicação e seus jornalistas, incluindo a ação de milícias armadas, que diversas vezes agrediram funcionários do Nacional. 

Otero lista também como intimidação multas impostas pela Justiça e a pressão do chavismo sobre anunciantes privados, que tinha o objetivo de asfixiar financeiramente a empresa. Com isso, a receita com publicidade caiu. Neste ano, o jornal, que completou 75 anos, tinha uma tiragem que não superava 10 mil exemplares em uma edição que caiu de 72 páginas para apenas 16.

Otero trocou a Venezuela pela Espanha em 2015, pouco depois de ser acusado de difamar o governo. Diosdado Cabello, um dos líderes do chavismo, ameaçou tomar o jornal caso ele não pagasse as multas por "dano moral", no valor de 10 mil euros.

Desde que Nicolás Maduro assumiu, em 2013, o chavismo ampliou sua estratégia de hegemonia nas comunicações, iniciada no governo Hugo Chávez. Nos primeiros 14 anos, o foco foi ampliar os veículos públicos alinhados ao governo e o cancelar concessões de canais críticos - como a RCTV, em 2007. 

Agora, sob o atual presidente, empresários aliados do governo compraram veículos com cobertura independente. Foi o caso do canal Globovisión, comprado por Raúl Gorrín, hoje investigado pela Justiça americana por lavagem de dinheiro, e o tradicional diário El Universal. 

A ONG Espaço Público, que trabalha pela liberdade de imprensa, estima que, desde que Maduro assumiu o poder, mais de 50% dos jornais fecharam. Nos últimos dois anos, 52 estações de rádio saíram do ar e canais estrangeiros e correspondentes internacionais foram expulsos do país. 
A saída encontrada por muitos jornalistas foi fundar novos veículos online focados em investigação. O site Armando.info foi premiado internacionalmente por denunciar esquemas de corrupção. Seus fundadores, no entanto, tiveram de fugir da Venezuela.

via O Estado de S. Paulo

Revista Impressa e a Confiabilidade


Patrícia Buche | 100 Fronteiras

O ano de 2018 foi marcado por muitas fake news (notícias falsas) e, infelizmente, por conta da internet, a disseminação dessas notícias foi muito mais rápida. Um exemplo disso foram as inúmeras informações relacionadas às eleições presidenciais que comprovaram as consequências de produzir e também repassar conteúdos falsos.

No início deste ano, a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) havia adotado uma campanha da MPA (Association of Magazine Media), com sede em Nova York, que tem como objetivo valorizar a mídia revista e sua capacidade de produzir, em diversas plataformas, conteúdo profissional, confiável e seguro – e alertar as pessoas sobre conteúdos falsos. Essa campanha é uma forma de ressaltar a importância das revistas impressas e a credibilidade que elas detêm na divulgação de informações.

E essa mesma associação – MPA – desenvolveu em 2015 uma pesquisa mostrando como a propaganda em revista impressa funciona. O estudo foi elaborado utilizando-se da neurociência, e foi concluído que nosso cérebro processa informações baseadas em papel de forma diferente da informação transmitida nas telas.

Uma varredura foi realizada em pesquisas publicadas nos últimos dez anos nas principais revistas, baseando-se nas ciências cognitivas – que compreendem a psicologia cognitiva, aprendizagem e desenvolvimento, linguística e antropologia, bem como o campo mais novo da neurociência – cujo foco no funcionamento interno do cérebro produziu insights importantes sobre o comportamento humano. Os resultados desta revisão de 150 artigos, livros e relatórios experimentais sugerem que:

- A leitura no papel é mais lenta e profunda (associada à análise, inferência e reflexão), enquanto a leitura na tela é mais rápida e dispersa.
- A leitura em papel se beneficia de uma atenção mais concentrada, menos distração e menos ansiedade relacionada à interrupção, multitarefa e carga cognitiva.
- A leitura em papel é amplamente associada a uma melhor transferência para a memória de longo prazo e compreensão mais clara.
- A memória e a compreensão da leitura em papel provavelmente são enriquecidas pela experiência multissensorial de segurar e manipular papel e o senso de posição efetuada pela fisicalidade da impressão.
- No caso de publicidade, a publicidade impressa ativa a atividade neural associada ao desejo e recompensa.
- Já com relação aos anúncios em revistas, a publicitária, empresária e professora Neve Góis destaca que eles criam um elo direto com um consumidor extremamente segmentado. - “Quando uma pessoa lê uma revista, sua atenção está totalmente focada, e hoje em dia atenção é o bem precioso de todos. A revista é um eco físico de espaço e tempo com o mundo e as pessoas, e por isso tem um valor físico e histórico, o que aumenta a credibilidade da empresa anunciante. Como é um veículo que mexe com a visão, com o olfato e o tato, o recall (memória) também é maior”, explica.

Uma pesquisa de 2015 da empresa de consultoria InfoTrends, especializada em mídia, mostra que as campanhas publicitárias que usam mídia impressa são as que dão melhores retornos:

- Somente aplicativos para dispositivos móveis – 6,6%

- Somente mídias sociais – 7,2%

- Somente impresso – 7,4%

- Aplicações impressas e móveis – 7,9%

- Somente e-mail – 7,9%

- Impresso e mídias sociais – 8,3%

- Impresso e e-mail – 8,8%

- Impresso, e-mail, mídias sociais e aplicações móveis – 9,5%


Mas não somente os anúncios, como também as reportagens e fotografias na revista impressa prendem a atenção dos leitores que se distraem enquanto buscam ficar bem informados. “Revistas são um deleite para os olhos, em suas páginas encontramos excelentes fotografias, soberbas ilustrações, tipografia sofisticada e uma criatividade gráfica sem nunca comprometer a eficácia da leitura, muito pelo contrário. As revistas são essencialmente visuais, a começar pela sua capa, geralmente um primor no domínio do design gráfico”, destaca a diretora-executiva da ANER, Maria Celia Furtado.

A força do impresso na era digital 

Apesar dos avanços na tecnologia e de muitas sondagens sobre o desaparecimento do impresso, estudos importantes ainda revelam a preferência pelo papel em vez da tela digital.

Segundo um relatório de 2017 da Wan-Iffra (Associação Mundial de Jornais), o tempo médio de leitura de jornais no meio digital é de 30 segundos, e o tempo de leitura na forma impressa é de 40 minutos.  Essa preferência, segundo o mesmo relatório, repete-se também entre os jovens que já nasceram na era digital, mas que ainda assim gastam 65% do seu tempo no impresso e apenas 35% no digital.

“Pesquisas recentes mostram que a mídia tradicional pode ser mais engajadora e que leitores tendem a registrar melhor a informação veiculada em revistas e jornais impressos do que a partir de conteúdo on-line e móvel. Essa declaração é de Martin Sorrell [fundador da WPP plc, o maior grupo de propaganda do mundo] e está sendo vista como uma guinada nos atuais rumos do mercado de mídia em todo o mundo, num momento em que a plataforma digital foi eleita como aposta para investimentos, projetos e publicidade. É muito importante que um dos maiores nomes da propaganda mundial faça esse reconhecimento da força da mídia impressa”, finaliza Maria Celia.

Mercado de revistas no mundo

Estados Unidos: o Magazine Media Factbook 2018-2019 da MPA relata que as 25 principais revistas impressas alcançam mais adultos e adolescentes do que os 25 principais programas de horário nobre. E, apesar das diferenças geracionais, o consumo de revistas é forte.

Reino Unido: a Publishers Audience Measurement Company (PAMCo), que foi lançada no início deste ano, mede 146 audiências da marca de mídia de revistas em todas as plataformas. Em 2017, 24,6 milhões de adultos liam diariamente notícias e 36 milhões liam mensalmente revistas.


Espanha:  entre junho de 2017 e junho de 2018, a audiência dos membros da mídia da revista ARI aumentou 19,8% em mídia impressa, digital, web, vídeo e social de acordo com o relatório ARI 360, de junho de 2018. Segundo o Relatório de Audiência de Marca da Revista de Mídia da MPA, o público total de todas as revistas aumentou 1,4% em relação ao ano passado, para 1,7 bilhão, provando que há uma enorme demanda dos consumidores por conteúdo de mídia.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Base de dados de projetos de jornalismo colaborativo está disponível em português e espanhol

Alessandra Monnerat | Knight Center

Jornalistas em países de língua espanhola e portuguesa agora podem acessar uma base de dados de jornalismo colaborativo em seus idiomas locais. O Center for Cooperative Media, da Montclair State University nos Estados Unidos, traduziu a plataforma que lista projetos de cooperação entre redações para que mais profissionais da América Latina possam se inspirar em seus exemplos.

A diretora do Center for Cooperative Media, Stefanie Murray, explica que, desde que a iniciativa foi criada, há dois anos, jornalistas de diversos países entraram em contato para pedir ajuda com seus próprios projetos de colaboração. A tradução é uma tentativa de oferecer recursos de apoio a pessoas fora dos Estados Unidos.

“A colaboração está se tornando comum fora dos EUA e, por isso, foi um passo natural traduzirmos nosso banco de dados para outros idiomas para ajudá-lo a crescer e se tornar útil para outros jornalistas”, disse Murray ao Centro Knight. “Dado o grande número de jornalistas de língua espanhola nos EUA e em todo o mundo, queríamos traduzir o banco de dados para o espanhol para começar”.

A base de dados reúne informações detalhadas sobre 176 projetos de jornalismo colaborativo. É possível ver exemplos das ferramentas e do financiamento utilizado em cada ocasião, além de entender o impacto gerado pelos trabalhos e conhecer os prêmios recebidos pelas colaborações.

A ideia é que o número de entradas aumente com a colaboração do público. Os formulários para adicionar novos projetos à base também foram traduzidos para o espanhol e para o português.

“Estamos confiantes de que ter esse recurso disponível em vários idiomas realmente nos ajudará a ampliar o banco de dados e fornecer suporte a projetos em todo o mundo”, disse Murray.

O trabalho de tradução ficou a cargo de Guilherme Amado, vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e repórter investigativo do jornal O Globo. Ele passou um ano pesquisando sobre colaborações como JSK Fellow, na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Lá, Amado percebeu que uma das principais barreiras para a cooperação entre redações é a cultural.


A base de dados de jornalismo colaborativo reúne informações sobre projetos entre redações, incluindo informação sobre financiamento e prêmios. (Screenshot) 

“Iniciativas como a da base de dados são essenciais, pois elas disseminam a cultura de colaboração no jornalismo com exemplos de colaborações bem sucedidas em diferentes escalas”, disse ele ao Centro Knight. “(Na América Latina) existe uma questão linguística. Existe um ‘Tratado de Tordesilhas’ que faz com que a colaboração (de países de língua espanhola) com o jornalismo brasileiro seja menos frequente”, acrescentou, em referência ao acordo que separava as Américas entre Espanha e Portugal.

Felizmente, o espírito colaborativo tem se tornado mais forte nas Américas, segundo Amado. Ele cita como exemplo as coalizões para combater desinformação, como o Projeto Comprova, do Brasil, e o Verificado2018, do México, além do mais recente trabalho transnacional do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), o Implant Files.

Para ele, esse movimento de maior colaboração foi incentivado por organizações como o Instituto Imprensa e Sociedade (IPYS, na sigla em espanhol). Amado acredita, no entanto, que a cooperação entre redações latino-americanas pode ir ainda mais longe, em escala local, nacional ou até continental. As vantagens, segundo o jornalista, são muitas: aumento na diversidade de vozes, melhora na qualidade e precisão da informação e redução de custos.

Há muitos temas na América Latina que podem ser base de colaborações transnacionais, como a Amazônia e até a música latina, diz Amado. “Essas histórias estão esperando jornalistas para contar”, disse. “Mas com a redução de verba dos grandes veículos, a chance de mandarem jornalistas brasileiros é muito menor. Mas a colaboração pode ser a resposta para contarmos bem as histórias que precisam de um ponto de vista internacional”.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

O 'Pirate Bay da ciência' continua a ser atacado pelo mundo


O Sci-Hub enfrenta mais uma onda de ataques — agora na Rússia.

Karl Bode | Vice

O Sci-Hub, um depósito de pesquisas pensado para dar acesso livre a dados científicos, teve seus domínios bloqueados na Rússia depois que um tribunal do país declarou que o site violava o direitos autorais de editores. Esse é o novo capítulo de uma guerra global.

Criado em 2011, o Sci-Hub é em grande parte ideia de uma mulher: a pesquisadora científica e hacker Alexandra Elbakyan. Apelidado de “Pirate Bay da ciência”, o repositório de pesquisas de Elbakyan é a solução dela para o problema desenfreado de paywalls e restrições de copyright que mantém pesquisas valiosas fora do domínio público. (Se você já tentou ler um estudo científico inteiro na internet, sabe do que estamos falando. É quase impossível achar um sem pagar.)

Quase como um tipo de rede de pesca online, o Sci-Hub atua com um script que baixa páginas em HTML e PDF da internet – incluindo dados bloqueados por paywall. Dar acesso grátis a mais de 48 milhões de artigos acadêmicos obviamente não agrada os editores tradicionais, que lucram mantendo acesso restrito ao seu conteúdo.

Em 2015, a editora holandesa Elsevier abriu um processo nos EUA contra Elbakyan por “ilegalmente acessar e distribuir documentos protegidos por direitos autorais”, resultando numa indenização de US$ 15 milhões. Editores também tiveram sucessos legais similar na Alemanha e Suécia, onde um provedor de internet sueco bloqueou o site da Elsevier, em protesto depois que tribunais ordenaram a censura de 20 domínios associados ao Sci-Hub.

Editores também tiveram sucesso na Rússia, onde tribunais recentemente ficaram do lado da editora acadêmica do Reino Unido Springer Nature Limited, que afirma que o Sci-Hub ter compartilhado três de seus trabalhos focados em saúde do coração e cérebro infringia leis de copyright.

Como resultado, o regulador russo Roskomnadzor ordenou que provedores de internet do país bloqueassem o acesso dos usuários a vários domínios do Sci-Hub e Library Genesis. Mas os usuários ainda podem achar alguns desvios e continuar acessando o material proibido, segundo especialistas em direitos autorais.

“O Sci-Hub sempre se mostrou melhor no jogo de gato e rato que os gigantes do monopólio editorial de ciência que ele mina”, disse o ativista e autor Cory Doctorow por e-mail para a Motherboard.

“Dito isso, a menos que sua ciência seja pública, isso não é ciência, é alquimia”, acrescentou Doctorow. “Com os grandes financiadores de ciência do mundo declarando guerra a editoras como a Springer, é bizarro que eles se foquem no Sci-Hub em vez de abordar o fato que o resto da comunidade científica acha que eles são parasitas inúteis e gananciosos.”

Enquanto Elbakyan diz que pode fazer domínios alternativos para contornar os bloqueios (até que os tribunais notem esses também), esses domínios também serão alvos para editores e tribunais.

“O domínio sci-hub.se funciona, mas por quanto tempo não tenho como saber. Portanto, para acessar o Sci-Hub, use ferramentas para contornar a censura da internet – que você pode procurar no Google ou usando o bot do Telegram: @scihubot”, Elbakyan disse nas redes sociais VK e Telegram.

Elbakyan argumenta que apenas oferece aos pesquisadores e ao público atalhos mais eficientes para ter acesso livre às pesquisas.

“O sistema precisa mudar para que sites como o Sci-Hub possam trabalhar sem problemas. O Sci-Hub tem um objetivo, mudar o sistema é um dos métodos para alcançá-lo”, Elbakyan escreveu num blog ano passado.

O problema dos ataques legais de editoras ao Sci-Hub é que eles só chamam mais atenção para a necessidade de acesso livre a esses dados (ou seja, o Efeito Streisand). Como resultado, vários conselhos de pesquisa europeus anunciaram recentemente uma esforço de publicação de acesso aberto visando abordar mais seriamente o problema.


Internet Archive, o sonho de criar uma biblioteca de Alexandria digital


A biblioteca de Alexandria foi um projeto enorme de 2.200 anos atrás proposto para concentrar todo o conhecimento da antiguidade, algo que agora no século XXI trata de replicar digitalmente a organização sem fins lucrativos Internet Archive fundada por um dos "pioneiros" da rede.

O Presidente e fundador do Archive, Brewster Kahle, que mergulhou no mundo virtual nos anos 80 e parte da Internet Hall of Fame, explicou que o compromisso que ele adquiriu nos primeiros anos desta tecnologia foi para construir uma biblioteca digital, na qual ele gerencia cerca de 150 pessoas entre funcionários e voluntários.

Em sua missão de ser um recipiente integral de conhecimento, o Archive é estruturado em seis seções diferentes: livros e textos digitais; gravações de áudio e música; vídeos; imagens; programas de software e páginas web. Para esta última seção, a organização desenvolveu uma tecnologia chamada "Wayback Machine" que periodicamente captura o conteúdo (aparência e interface) de páginas da Web em todo o mundo, armazena, organiza e as disponibiliza para todos. 

Atualmente, esta hemeroteca digital possui 330.000 milhões de sites armazenados em dezenas de servidores gigantescos. No Internet Archive, você também pode consultar ou até emprestar (como em uma biblioteca convencional, mas em formato digital) 20 milhões de livros e textos, muitos dos quais foram digitalizados pelos trabalhadores da organização. "Direitos autorais significam que muitos dos livros escritos durante o século 20 não são digitalizados ou estão disponíveis on-line", diz Brewster Kahle.

via Atlántico (Espanha)
Tradução livre

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Google cria aplicativo com todos os Vermeers do mundo

Tela 'Menina com brinco de pérola', de Vermeer Foto: MAURITSHUIS / NYT

As 36 obras conhecidas do pintor holandês estão disponíveis em realidade aumentada no celular

Nina Siegal / The New York Times
O Globo

Johannes Vermeer, artista que capturou a beleza tranquila da vida doméstica holandesa, não era um pintor prolífico: apenas 36 telas são reconhecidas como suas. Ainda assim, qualquer um que quisesse ver essas obras precisava fazer uma longa viagem passando por Nova York, Londres, Paris e além. Mas isso mudou.

O museu Mauritshuis, em Haia, que detém a obra mais conhecida de Vermeer, "Menina com brinco de pérola", fez uma parceria com o Google Arts & Culture para criar uma galeria virtual com todas as obras do artista.

Na abertura, aplicativo mostra museu virtual visto de cima Foto: MAURITSHUIS / NYT

Para o aplicativo, o Metropolitan Museum of Art contribuiu com imagens de todas as suas cinco obras-primas de Vermeer, enquanto a National Gallery of Art, em Washington, e o Rijksmuseum, em Amsterdã, oferceram quatro cada. Mais dois vieram do Louvre e três da Coleção Frick.

O Isabella Stewart Gardner Museum, em Boston, ofereceu uma imagem de "O Concerto", o Vermeer que havia desaparecido após ser roubado em 1990. Agora a tela poderá ser vista no Meet Vermeer, o museu digital. O aplicativo gratuito pode ser acessado por qualquer smartphone equipado com câmera.

— É um daqueles momentos em que a tecnologia faz algo impossível no mundo real, pois essas telas nunca poderiam ser reunidos — diz Emilie Gordenker, diretora do Mauritshuis.


Fotógrafo faz imagem de alta resolução de um quadro de Vermeer Foto: DRESDEN STATE ART MUSEUM / NYT

Ela explica que algumas das pinturas do século XVII eram muito frágeis para viajar, enquanto outras estavam em coleções particulares. E mesmo sob circunstâncias diferentes, seria improvável que todos os proprietários estivessem dispostos a compartilhar seus premiados Vermeers ao mesmo tempo.

As 18 coleções particulares e de museus que possuem as pinturas da Vermeer, no entanto, se mostraram dispostas a fornecer arquivos de imagem digital de alta resolução das telas para o projeto.

Vermeer, uma figura um tanto misteriosa que viveu e trabalhou em Delft, na Holanda, teria criado cerca de 45 pinturas durante uma carreira de quase duas décadas. Algumas teriam desaparecido.

Além das 36 obras que a maioria dos acadêmicos consideram autênticas, outras pinturas lhe foram atribuídas. Como o mundo da arte continua a debater a sua autoria, Gordenker disse que o museu virtual não as incluiria.

Quadro de Vermeer no Google Arts & Culture Foto: MAURITSHUIS / NYT

Embora muitas dessas imagens já estejam nos sites dos museus, Gordenker queria dar ao público a sensação do tamanho das pintutas entre si — algo difícil de transmitir em uma imagem plana na tela.

No aplicativo, a primeira sala é dedicada aos primeiros trabalhos de Vermeer. O resto do museu é organizado tematicamente. Laurent Gaveau, diretor do Laboratório de Artes e Cultura do Google, uma organização sem fins lucrativos desenvolvido para experimentar novas maneiras de fazer arte e cultura acessível ao público, diz que esse foi o primeiro museu virtual criador pela empresa, mas ele certamente imagina que outros virão.

— Podemos pensar vários tipos de museus que nunca existiram — disse em entrevista por telefone, deixando claro que não há nenhum outro projeto em andamento — Queremos ver como as pessoas vão reagir a esse e saber, do ponto de vista tecnológico e do ponto de vista do usuário, o que deu certo e o que pode ser melhorado.

As pinturas da Vermeer são reproduzidas em todos os tipos de formatos, desde cartazes até bolsas e guarda-chuvas. Mas conforme a tecnologia melhora e as pessoas passam a ter a possiblidade de uma experiência virtual de qualidade, Gordenker não se preocupa que os turistas se sintam menos motivados a buscar a experiência real? Não, ela responde.

— Quanto mais informações compartilhamos, incluindo imagens, mais as pessoas querem ter a experiência autêntica de ver a obra como uma presença física real. — opina. — Um dos motivos pelos quais os museus vem se tornado cada vez mais relevantes, com o público cada vez maior, são as tecnologias digitais. Elas quebram barreiras e tornam tudo muito mais acessível.