terça-feira, 21 de maio de 2019

Este acervo reúne documentos da Revolução Francesa

Parceria entre a Universidade de Stanford e a Biblioteca Nacional da França, The French Revolution Digital Archive compila panfletos literários, registros legais e 14 mil imagens de época

Juliana Sayuri | Nexo

FOTO: FRENCH REVOLUTION DIGITAL ARCHIVE

ILUSTRAÇÃO DA QUEDA DA BASTILHA, MARCO DA REVOLUÇÃO FRANCESA   

No ar desde 2013, o projeto The French Revolution Digital Archive, uma parceria entre a Universidade de Stanford, na Califórnia, nos Estados Unidos, e a Biblioteca Nacional da França, reúne o maior acervo documental sobre a Revolução Francesa (1789-1799). 

O projeto contou com a participação de historiadores, designers e bibliotecários americanos e franceses. A proposta, segundo os organizadores, é disponibilizar documentos com acesso fácil, flexível (e gratuito) a estudiosos que pesquisam o movimento revolucionário que levou ao fim da monarquia na França no século 18.

“A própria Revolução Francesa produziu diversos documentos de participantes, espectadores e críticos. Esses materiais incluem textos de todo tipo - documentos legais, panfletos literários, ‘belles lettres’, composições musicais e um rico acervo de imagens. Dispersos em bibliotecas e arquivos, escondidos em séries documentais e pequenos livros individuais, essa herança documental diversa pode ser agora acessada por pesquisadores no formato digital”, diz a nota de apresentação do projeto. 

Idealizado em 2006 pelo historiador Dan Edelstein, autor de “On the spirit of rights” (“No espírito dos direitos”, ed. da Universidade de Chicago, 2018) e professor de história francesa do século 18 na Universidade de Stanford, o acervo está estruturado em duas partes principais: arquivos parlamentares e registros imagéticos. 

FOTO: FRENCH REVOLUTION DIGITAL ARCHIVE

DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO, DE 1789 

Organizados em ordem cronológica, os arquivos parlamentares incluem cartas, discursos, relatórios e outros registros intelectuais e políticos, datados de 1787 a 1794. Originalmente reunidos por arquivistas do governo francês, em 1862, os documentos foram incorporados a um projeto acadêmico dirigido por historiadores da Universidade de Paris 1, em 1962. Atualmente, totalizam 101 volumes. 

Os registros imagéticos, por sua vez, somam 14.000 itens, entre ilustrações, medalhas e moedas, principalmente do período de 1787 a 1799.

Disponibilizadas em alta resolução, as imagens foram selecionadas de coleções do Departamento de Impressões e Fotografia da Biblioteca Nacional da França, inclusive fontes do antiquário francês Michel Hennin (1777–1863) e do diplomata belga Carl de Vinck (1859-1931). 

Entre os registros históricos estão diferentes impressões da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, proclamada em 1789, que firmou os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade na república francesa - e posteriormente inspirou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pelos Estados-membros das Nações Unidas, em 1948.

Mais de 120 mapas antigos permitem ver o passado de diferentes partes do mundo no Google Maps e Earth

Mais de 120 mapas antigos da David Rumsey Map Collection foram inseridos no Google Maps e Google Earth, permitindo conhecer como eram no passado diferentes partes do globo. As cartografias podem ser vistas acionando a camada "Rumsey Historical Maps" no Earth ou através desta versão do Maps desenvolvida para o projeto.


Os mapas abrangem o período entre 1680 e 1930 e, além dos desenhos cartográficos, contêm informações sobre a história do local. Cada mapa foi georreferenciado, assim, é possível navegar pelo globo e ver as antigas cartografias sobrepostas e ajustadas às imagens de satélite.

De modo geral, os mapas mais recentes se encaixam quase que perfeitamente na geografia real que pretendem representar, no entanto, as cartografias mais antigas muitas vezes mostram interpretações equivocadas dos contornos geográficos e, por este motivo, sofreram maiores distorções para se adequarem ao Earth e ao Maps.


A comparação entre as imagens do Google e os mapas antigos, facilitada por um cursor que permite alterar o nível de transparência das cartografias, revelam informações interessantes sobre a evolução das representações da geografia do planeta, que com o passar do tempo ganharam precisão e definição antes inimagináveis. Mas além disso, revelam dados preciosos sobre a urbanização no mundo - regiões outrora rurais se transformaram em cidades, ao passo que centros urbanos mais antigos mostraram, a partir do século XIX, grande crescimento populacional e expansão territorial.

O processo de inserção dos mapas antigos no Maps e Earth é relativamente simples. Primeiramente, os desenhos históricos originais são digitalizados com câmeras de alta resolução. Estas imagens digitais passam, então, por um processo de georreferenciamento com softwares específicos que demarcam pontos nos mapas antigos (até 200 deles, dependendo da dimensão do mapa) que devem se conectar com os mesmos pontos nos mapas modernos feitos por imagens de satélite. Para se sobrepôr corretamente às imagens recentes, as antigas cartografias geralmente resultam curvadas e levemente distorcidas, informa a David Rumsey Map Collection.


Para navegar pelos mapas antigos no Earth, é preciso baixar o programa, já que a coleção de Rumsey não está disponível na versão online do programa. Para navegar no Maps, clique aqui.

Fonte: Archdaily / David Rumsey Map Collection.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Conheça o acervo digital que reúne as principais inovações dos 100 anos da Citroën


Com ‘cheiro de graxa’, plataforma interativa disponibiliza informações, detalhes, fotos e até o som do motor dos veículos produzidos pela Citroën nos últimos 100 anos.

Imagine se você pudesse ter em uma garagem todos os carros produzidos pela Citroën ao longo dos seus 100 anos de história. No espaço, você teria acesso a todas as especificações dos veículos, história, curiosidades e, é claro, poderia dar partida e ouvir o motor de cada um. Com o objetivo de oferecer a experiência descrita acima, a Citroën disponibiliza o espaço Citroën Origins.

Maior acervo digital da montadora, a plataforma é um verdadeiro presente para os fãs do automobilismo. Além de oferecer um catálogo completo de todos os produtos fabricados pela Marca entre 1919 e 2019, a espaço apresenta todas as especificações dos produtos, uma galeria exclusiva de cada modelo, vídeos, curiosidades, além de publicações históricas da época de produção.

Além disso, também é possível ter acesso à árvore genealógica de cada modelo, entendendo em quais tecnologias passadas deram origens às atuais e entender a filosofia de inovação da Citroën, inspirada nos seus clientes. Para oferecer uma experiência ainda mais imersiva, também é possível “dar partida” em cada um dos carros da Marca e ouvir o barulho do motor de cada um. Um prato cheio para qualquer amante do automobilismo!

Além do acervo, o Citroën Origins também oferece um mapa interativo, onde cada dono de um veículo da Marca pode dar “check-in” em seu país. Para ter acesso ao espaço histórico, basta entrar no link.

via PlanetCarsZ

domingo, 19 de maio de 2019

Portal reúne acervo da congada



O MDCSP – Memória Digital do Congado de São Paulo é um portal que abriga diversos títulos de produtos culturais sobre a Congada e suas variações, que foram publicados, redigidos, produzidos ou realizados a partir de sua ocorrência no Estado de São Paulo. Idealizado pelo músico e produtor cultural Déo Miranda, a sua finalidade é tornar acessível a qualquer tipo de público materiais que foram lançados somente em formato físico, entre discos, documentários e livros, bem como pesquisas, registros raros de acervo familiar, imprensa, entre outros formatos, cujo acesso é muito limitado, uma vez que produtos e materiais dessa natureza não tem grande circulação ou comercialização e nem estão disponíveis em lojas.

sábado, 18 de maio de 2019

A era digital é o fim da TV?


         
Vanessa Souza | O Estado de S. Paulo
Imagem: Internet

Sempre que novas ondas tecnológicas surgem, especula-se quais hábitos de consumo e equipamentos serão postos em obsolescência. Foi assim quando o rádio e a TV surgiram, no século 20. Ambos, acreditava-se, iriam soterrar os jornais de papel e o cinema. As décadas passaram e, na essência, nenhuma destas mídias acabou, apesar de a seleção natural do mercado ter imposto adaptações ao longo do tempo.

A era da internet e da revolução da informação faz com que as dúvidas recaiam sobre a TV aberta. As novas plataformas lastreadas na web, como o streaming, fizeram com que os telespectadores deixassem de ser meros receptores, dando-lhes o poder de dar feedbacks imediatos e, mais importante, escolher quando, onde e como consumirão seus filmes e programas.

A virada de mesa no modelo de comunicação – antes restrito ao engessado polinômio emissor-canal-receptor-feedback – leva à pergunta sobre qual é a principal marca da sociedade contemporânea frente à nova oferta de consumo de produtos de mídia.

Primeiramente, relatarei uma experiência diária, como residente no Vale do Silício, a mais famosa capital “tech” do planeta. Ao chegar em casa, ou mesmo ao receber muitos amigos que são CEOs em grandes empresas de tecnologia, a primeira coisa que fazemos é ligar o aparelho televisor e deixá-lo num tradicional programa de notícias. Note-se que, mesmo num ambiente imerso na inovação, mantém-se um hábito arraigado de tempos “ancestrais”.

A discussão sobre o entrechoque entre novos e velhos hábitos é vista sob dois prismas nas universidades americanas nos estudos de mídias digitais e entertainment law. Por um destes primas, há fortes indícios de que os novos hábitos da era digital, apesar de assustarem os canais de televisão tradicionais, não são suficientes para decretar seu fim. Pesquisa realizada pela BBC, de Londres, nos Estados Unidos e Reino Unido aponta que ingleses e americanos se mantêm dentro da tradição de assistir TV passivamente, sintonizando os canais tradicionais sem qualquer programação prévia ou posterior.

O outro prisma vê a era digital como um fenômeno incontrolável que terá um poder de, ao longo do tempo, erodir os antigos hábitos de consumo, o que colocaria em maus lençóis os modelos de negócios das TVs tradicionais. O temor se dá principalmente por causa dos mais jovens, que conseguem acesso aos programas em streaming a partir de celulares e tablets, em trens e fora de casa, sem depender dos imóveis e “pesados” televisores. Aqui, o receptor escolhe quando quer fazer sua imersão.

Em recente pesquisa realizada pela Universidade de São Francisco, nos Estados Unidos, descobriu-se que jovens com menos de 35 anos gastam muito mais tempo no Youtube e outros serviços de vídeo sob demanda, como o Netflix. No entanto, se há esta tendência, ela ainda não chegou a níveis profundos de danos às TVs – na Inglaterra, o tempo das televisões tradicionais teve uma redução média de audiência de somente quatro minutos diários nos últimos dez anos.

Trocando em miúdos, o que vem se destacando nas conferências do Vale do Silício sobre Media and Entertainment Law é que o negócio de televisão tradicional, que se acreditava em perigo, é bastante resiliente. Ao mesmo tempo, muitos de canais digitais passaram a sentir o perigo de estar construindo um negócio em castelos em areia.

Cabe frisar que os canais tradicionais norte-americanos, outrora vistos como dinossauros após o “cataclisma” digital, estão se adaptando à seleção natural. Passaram a buscar rentabilidade com a diversificação, seja com assinaturas ou vendas de conteúdos a outros países. Passaram, elas mesmas, a contar com serviços complementares de streaming. De repente, várias empresas digitais bem financiadas, que eram vistas pelos executivos da TV tradicional como algo completamente diferente, não estão mais sozinhas.

O futuro dirá qual será o desenrolar do processo. Sabe-se, de antemão, no entanto, que sobreviverá quem tiver maior capacidade de adaptação. E claro, quem conseguir entregar o melhor conteúdo, porque, por mais que as plataformas mudem, os consumidores ainda procuram boas histórias ou programas de notícias realizados com excelência. Quem atender a este requisito, permanecerá.

Vanessa Souza, advogada no Vale do Silício, nos Estados Unidos, e no Reino Unido. É especialista em Leis de Tecnologia, privacidade de dados, crimes na internet, patentes e inovações tecnológicas, financiamento para startups, fintechs de blockchain e tecnologia aplicada no poder público

domingo, 5 de maio de 2019

Como se faz uma ditadura digital


Um dos primeiros sinais de que um regime é uma ditadura é o controle pleno da informação. Não é uma arma pequena. Ajuda, e muito, a quem não pretende deixar o poder

Por Pedro Doria - O Estado de S.Paulo

Em inglês há uma grande expressão: take for granted. É algo como ‘dar por certo’, sequer cogitar que algo possa não existir. Estamos lidando, no Brasil, com um novo governo de corte particularmente autoritário, que parece agir como se tivesse o direito de perseguir quem não compartilha de suas ideias. É, em sua ação, ímpar, único na Nova República. Mas não custa olhar para o norte do mapa, encarar de frente a Venezuela, para lembrar como é uma ditadura. Como é censura. Por aqui, a gente take for granted certas coisas – como internet e redes sociais, por exemplo. Nos queixamos de como operam. Cá esta coluna, um quê ranzinza, certamente o faz com frequência. Pois é. Como estão fazendo falta, as redes sociais, para nossos vizinhos.

É impossível saber o quanto o bloqueio à internet interferiu na quantidade de pessoas que foram às ruas apoiar o levante promovido pelo presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Juan Guaidó. Mas, como é o único meio de comunicação com o qual a oposição conta, o impacto certamente foi severo. Não é difícil, para o regime liderado por Nicolás Maduro, controlar a internet. E alguns números explicam o porquê.

A fonte é a BuddeComm, uma consultoria especializada no ramo de telecomunicações que pesquisa uso e tamanho das redes pelo mundo. O principal provedor de banda larga da Venezuela é a CANTV, uma estatal que ainda conta com uma infraestrutura baseada em par trançado de cobre. Algumas das companhias de televisão a cabo também oferecem acesso, mas são muito menores. A velocidade média da banda larga no país dos bolivarianos é de 1,61 Mbits/s. No Brasil, como margem de comparação, a velocidade média é de 24,62 Mb/s. A Netflix, por exemplo, para garantir qualidade SD – abaixo de HD – exige uma conexão de pelo menos 5 Mb/s.

Na telefonia celular o cenário não é diferente. O número de pessoas com smartphone, que chegou a passar de 100% da população por conta de muitos terem mais de um aparelho, vem caindo. Cada vez mais gente não tem como pagar as contas. É o líder regional em troca de mensagens de texto – o bom e velho SMS. Não à toa: a velocidade à qual muitos estão submetidos dificulta uso da internet. Uma boa parte dos usuários sequer têm conexões 3G.

Por controlar boa parte da infraestrutura de telecomunicações, não é difícil para o governo controlar quem pode acessar o quê. E o regime não hesita em adotar censura pontual, sempre que considera necessária. Imediatamente após Juan Guaidó divulgar no Twitter um vídeo afirmando ter as Forças Armadas ao seu lado, na manhã de 30 de abril, a internet começou a oscilar.

Segundo análise da NetBlocks, uma ong europeia que estuda censura das redes, estão fora do ar, desde a terça-feira, Twitter, Facebook, Instagram, YouTube, Bing, os serviços de mensagem do Google e o Periscope, usado para vídeos ao vivo. O Telegram foi bloqueado na web, mas tem recursos para furar censura via app. WhatsApp permaneceu instável o dia todo.

A NetBlocks entende do riscado – seu diretor, Alp Toker, vem da Turquia, um país no qual o governo Erdogan usa deste tipo de artifício a toda hora. 

Um dos indícios de que o governo tinha controle da rede é que, 20 minutos antes de Maduro falar à população, naquela noite, a rede voltou a funcionar normalmente. Terminado o pronunciamento, foi a vez de Guaidó se manifestar – a intermitência retornou.

Um dos primeiros sinais de que um regime é uma ditadura é justamente este: controle pleno da informação. Não é uma arma pequena. Ajuda, e muito, a quem não pretende deixar o poder.

Como é bom viver numa democracia. Até para reclamar das redes. E do governo.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Algoritmos confundem e sobrecarregam nossas vidas

Apesar dos laivos de esnobismo intelectual, o filme francês 'Vidas Duplas' discute, com charme, a vida imaterial e digitalizada

Por Léa Maria Aarão Reis  | Carta Maior


O principal cartão de visitas do francês Olivier Assayas apresenta o cineasta como autor de "um dos melhores filmes do século 21 – até agora", título que lhe foi agraciado pelo New York Times pelo filme que dirigiu, em 2008, Horas de Verão. Premiado habitual dos festivais de cinema de Veneza e de Cannes, Assayas, um dos favoritos da crítica européia, atualmente filma em Cuba um projeto especial que nos interessa de perto. 

Com Wagner Moura, Penelope Cruz, Gael Garcial Bernal e Edgar Ramirez no elenco, o seu novo longa é Wasp Network, baseado no livro do jornalista Fernando Morais, editor do site Nocaute, Os Últimos Soldados da Guerra Fria. O tema - não se trata de ficção -, é fascinante: a ação da Rede Vespa, um grupo de agentes secretos cubanos de elite que se infiltraram em organizações anti castristas em Miami, no começo dos anos 90 quando Cuba começou a sua bem sucedida investida no turismo internacional. 

Mas esta semana – a segunda – o artista plástico, ex-editor do Cahiers du Cinéma e reconhecido cinéfilo está em cartaz numa boa rede de cinemas das principais cidades brasileiras com o seu mais recente filme, Vidas Duplas, do ano passado, que por sua vez sucede a outro filme seu já exibido aqui: Personal Shopper, de 2017.

Tanto no anterior como neste de agora, Assayas se concentra e matuta sobre a existência dos duplos, do palco e dos bastidores, das vidas duplas, das dúvidas, reticências, das personalidades rachadas e mais ainda inconclusas diante das imensas mudanças atuais na vida humana real cada vez mais desmaterializada pelas invenções digitais.

Doubles vies acompanha Alain (Guillaume Canet) um editor de livros com sérias dúvidas se deve adaptar-se – ou conformar-se?-no seu trabalho, à era digital. Suas dúvidas vão da permanência e do êxito consumado dos e-books (como alimento cultural e também como fonte de lucros; como um bom negócio) à sua efêmera existência de uma moda como outra qualquer. 


Paralelamente a essa discussão, o editor recusa publicar o segundo livro de um autor seu, de sucesso comercial, Léonard (Vincent Macaigne), ao contrário do que pensa sua mulher, uma atriz de teatro ocasionalmente estrela de uma série policial de TV, Selena (Juliette Binoche), que acredita no projeto. 

Como pano de fundo, as relações duplas das duplas de amantes eventuais que se formam no coração do grupo de casais e mais uma jovem participante avulsa ocasional do clã. 

Atriz, editor, escritor, político, jornalista, especialista em marqueting digital (é claro) são os protagonistas que, na cama, acabam preferindo discutir algoritmos e a nossa vida digital a usufruir prazer, tesão, repouso e paixão. 

Assuntos na cama: os livros acessados em celulares, a mais recente novidade em investimento com grande perspectiva de lucros. O gênero literário da autoficção. O desapontamento da inversão nos e-books.



Angústias das bolhas de intelectuais burgueses.

Mas Juliette Binoche continua cativante, o modo de viver parisiense segue sedutor (o modelo de Assayas filmá-lo se inspira na espontaneidade milimetricamente estudada e no aconchego dos filmes do cinema oriental) e o negócio é acompanhar as mudanças mesmo que (como se diz ao final do filme, diante de um mar nublado singrado por pequeno barco) mulheres e homens continuem sendo, desde a sua minúscula origem "como uma ervilha" dentro da barriga da mãe, ou um canalha ou alguém íntegro.

"Vidas duplas não tenta analisar o funcionamento dessa nova economia, mas sim observar como essas questões nos abalam, pessoal, emocional e às vezes humoristicamente", propõe Olivier Assayas sobre esta sua comédia de costumes.

"A digitalização do nosso mundo e sua reconfiguração em algoritmos é o vetor moderno de uma mudança que nos confunde e sobrecarrega". Tem razão.

"A economia digital infringe regras e, muitas vezes, leis. Além disso, questiona o que parecia sólido na sociedade". É o mantra da insustentável leveza do ser, de Kundera.

Para além dos traços esnobes de Doubles vies vale a pena dar uma olhada neste filme que, no mínimo, confunde. 

sábado, 27 de abril de 2019

Google assistente agora lê livros



Por enquanto, o recurso está disponível apenas em inglês – e em alguns países, como Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e Índia. A partir dele, o Google Assistente substitui os pais na tarefa de ler livros em voz alta para as crianças. Aliás, as próprias crianças podem acionar o recurso, simplesmente pedindo para o Google Assistente fazer a leitura dos livros. O único detalhe é que ele só consegue ler os livros que já tenham sido comprados e façam parte da biblioteca virtual da família. O novo recurso vai ser disponibilizado no próximo domingo. A data foi escolhida porque, nos Estados Unidos, é o dia nacional da leitura de livros – um evento criado, entre outras coisas, para incentivar a leitura para crianças. O que talvez quem criou a data nunca tivesse imaginado é que as histórias poderiam um dia ser lidas por uma inteligência artificial, sem nenhuma participação humana.

via Olhar Digital

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Um Twitter muito diferente

Se é nas redes sociais que se dá o debate político, é preciso que ele estimule o avanço das ideias

Pedro Doria | O Estado de S. Paulo

Fundador e presidente da rede social, Jack Dorsey é o homem por trás das mudanças do Twitter

Na tarde da terça-feira, o presidente executivo do Twitter, Jack Dorsey, entrou no Salão Oval para uma conversa com o presidente americano, Donald Trump. Foi Trump quem o convidou. Dorsey, que quando em público costuma se vestir muito informal, usa uma barba espessa e tem uma pegada hipster, estava de terno e gravata. Muito pouco foi divulgado a respeito da conversa. Mas o Washington Post ouviu de uma fonte que, por um longo tempo, Trump se queixou da perda de seguidores. Ele parecia acreditar que há uma política não declarada da plataforma de diminuir seu tamanho online. Dorsey, por outro lado, gostaria de ter falado mais sobre a qualidade das conversas.

É bem menor do que o Facebook, o Twitter. Segundo estimativa, fechou o primeiro trimestre com 330 milhões de usuários ativos por mês contra 2,37 bilhões da rede de Mark Zuckerberg. Mas é a plataforma favorita de Trump por lá, de Bolsonaro aqui, é quase uma unanimidade entre jornalistas, inúmeros cientistas políticos, assim como economistas. É a rede onde fervilham conversas de interesse público como nenhuma outra, é onde batalhas políticas são travadas. Pode ser menor que o Facebook, mas é profundamente influente.

No início do mês, Dorsey se sentou no palco do TED em Vancouver, no Canadá, para ser entrevistado durante 25 minutos pelo curador do evento, Chris Anderson. Assim como o Facebook, sua empresa está sob pressão, tendo de encarar questões ligadas a abuso e agressividade, informação falsa, e a toxicidade geral do debate político. Diferentemente de Zuckerberg, porém, Dorsey está desenhando em público um conjunto claro de metas sobre como mudar. Caso realmente execute o que promete, em alguns anos o Twitter será um bicho muito diferente do que é.

Redes sociais podem não parecer, mas são programas de computador. O tipo de interação que ocorre nelas é resultado dos incentivos que os arquitetos nelas puseram. Assim, destaque para o número de seguidores, de retuítes, de likes, dá a medida do que buscam seus usuários. É um jogo de números. E muito rápido todos aprendem que quanto mais indignação provoca um tuíte, quanto mais rábicos os debates, quanto mais emoções intensas são postas nas conversas — mais seguidores, retuítes e likes. Mudar quer dizer criar números muito distintos para acompanhar.

O Twitter já sabe quais serão estes novos medidores. Em conjunto com o MIT, chegou a quatro indicadores que se concentram em conversas acontecendo na rede. O primeiro é atenção compartilhada. O quanto do diálogo trata do mesmo assunto. Depois, realidade compartilhada. Ou seja: quanto das pessoas conversando partem dos mesmos fatos — mesmo que discordem das conclusões. Daí receptividade. Se o bate papo é educado, se avança com civilidade. E o quarto é variedade de opiniões a respeito do tema, desestimulando a formação de bolhas.

Agora, os engenheiros estudam como calcular cada um destes indicadores. Não é simples. Na sequência, antes de implementar, passarão um tempo avaliando como os quatro números se relacionam entre si. Afinal, por vezes quanto maior a variedade de opiniões, por exemplo, menor a concordância a respeito dos fatos essenciais do tema. É a partir deste aprendizado que Jack Dorsey pretende reinventar o Twitter.

Sua preocupação é a de todo mundo: se é nas redes sociais que o debate político se dá, é preciso que este debate realmente estimule o avanço das ideias. Mais encontros, menos separações. Mais trocas, menos carnificina. Talvez, quem sabe, daí outros tipos de políticos chamarão mais atenção.

Primeiro museu totalmente digital do mundo fica em Tóquio

Há alguns anos seria impossível imaginar um museu de arte totalmente digital. Hoje, com o avanço da tecnologia, a facilidade e a mobilidade que os meios digitais nos trazem em diversas áreas de nossas vidas, o crescimento – e o investimento – desse mercado na arte é exponencial.

Prova disso é o Mori Building Digital Art Museum, o primeiro no mundo todo que é completamente digital. O local foi inaugurado em 2018 e fica na ilha Odaiba, em Tóquio, no Japão.

No museu, os trabalhos são projetados em salas variadas em grande escala. Para o público, isso se assemelha a “entrar” e caminhar pelas obras, em uma área de mais de 10 mil metros quadrados. Trata-se de uma experiência nova e única no contato com as intervenções artísticas.

A exposição colaborativa Borderless (sem fronteiras, na tradução para o português) conta com instalações únicas para cada estação do ano, projetadas por um coletivo de arte formado por artistas, arquitetos, engenheiros e programadores.

Crianças podem brincar em cama elástica galáctica – Foto: teamLab/Reprodução


via São Queiroz

quarta-feira, 24 de abril de 2019

A fabulosa biblioteca virtual de manuscritos da Abadia do Monte Saint-Michel



A digitalização de 199 manuscritos da Abadia do Mont-Saint-Michel foi concluída. Essas obras preciosas, escritas entre os séculos VIII e XVII, estão agora disponíveis on-line na biblioteca virtual do Mont Saint Michel, hospedada no site da Universidade de Caen.


Informação versus fake news


O jornalismo precisa recuperar a vibração da vida, o cara a cara, o coração e a alma

Carlos Alberto Di Franco | O Estado de S.Paulo
Imagem: Internet

Proliferam notícias falsas nas redes sociais. Todos os dias. São compartilhadas acriticamente com a compulsão de um clique. Fazem muito estrago. Confundem. Enganam. Desinformam. A mentira, por óbvio, precisa ser enfrentada. O antídoto não é o Estado. É a poderosa força persuasiva do conteúdo qualificado. O valor da informação e o futuro do jornalismo estão intimamente relacionados. É preciso apostar na qualidade da informação.

As rápidas e crescentes mudanças no setor da comunicação puseram em xeque os antigos modelos de negócios. A dificuldade de encontrar um caminho seguro para a monetização dos conteúdos multimídia e as novas rotinas criadas a partir das plataformas digitais produzem um complexo cenário de incertezas. Vivemos um grande desafio e, ao mesmo tempo, uma baita oportunidade.

É preciso pensar, refletir duramente sobre a mudança de paradigmas, uma vez que a criatividade e a capacidade de inovação –rápida e de baixo custo – serão fundamentais para a sobrevivência das organizações tradicionais e para o sucesso financeiro das nativas digitais.

Mas é preciso, previamente, fazer uma autocrítica corajosa sobre o modo como nós, jornalistas e formadores de opinião, vemos o mundo e a maneira como dialogamos com ele. 

Antes da era digital, em quase todas as famílias existia um álbum de fotos. Lembram disso? Lá estavam as nossas lembranças, os nossos registros afetivos, a nossa saudade. Muitas vezes abríamos o álbum e a imaginação voava. Era bem legal.

Agora fotografamos tudo e arquivamos compulsivamente. Nosso antigo álbum foi substituído pelas galerias de fotos de nossos dispositivos móveis. Temos overdose de fotos, mas falta o mais importante: a memória afetiva, a curtição daqueles momentos. Fica para depois. E continuamos fotografando e arquivando. Pensamos, equivocadamente, que o registro do momento reforça sua lembrança, mas não é assim. Milhares de fotos são incapazes de superar a vivência de um instante. É importante guardar imagens.

Mas é muito mais importante viver cada momento com intensidade. As relações afetivas estão sucumbindo à coletiva solidão digital.

Algo análogo, muito parecido mesmo, se dá com o consumo da informação. Navegamos freneticamente no espaço virtual. Uma enxurrada de estímulos dispersa a inteligência. Ficamos reféns da superficialidade. Perdemos contexto e sensibilidade crítica. A fragmentação dos conteúdos pode transmitir certa sensação de liberdade. Não dependemos, aparentemente, de ninguém. Somos os editores do nosso diário personalizado. 

Será? Não creio, sinceramente. Penso que há uma crescente nostalgia de conteúdos editados com rigor, critério e qualidade técnica e ética. Há uma demanda reprimida de reportagem. É preciso reinventar o jornalismo e recuperar, num contexto muito mais transparente e interativo, as competências e a magia do jornalismo de sempre. 

Jornalismo sem alma e sem rigor é o diagnóstico de uma perigosa doença que contamina redações, afasta consumidores e escancara as portas para os traficantes da mentira. O leitor não sente o pulsar da vida. As reportagens não têm cheiro do asfalto. Sobra jornalismo declaratório e falta apuração objetiva dos fatos.

É preciso contar boas histórias. Com transparência e sem filtros ideológicos. O bom jornalista ilumina a cena, o repórter manipulador constrói a história. Na verdade, a batalha da isenção enfrenta a sabotagem da manipulação deliberada, da preguiça profissional e da incompetência arrogante. Todos os manuais de redação consagram a necessidade de ouvir os dois lados de um mesmo assunto. Mas alguns procedimentos, próprios de opções ideológicas invencíveis, transformam um princípio irretocável num jogo de aparência.

A apuração de mentira representa uma das mais graves agressões à ética e à qualidade informativa. Matérias previamente decididas em guetos sectários buscam a cumplicidade da imparcialidade aparente. A decisão de ouvir o outro lado não é honesta, não se apoia na busca da verdade, mas num artifício que transmite um simulacro de isenção, uma ficção de imparcialidade. O assalto à verdade culmina com uma estratégia exemplar: repercussão seletiva. O pluralismo de fachada, hermético e dogmático, convoca pretensos especialistas para declararem o que o repórter quer ouvir. Mata-se a notícia. Cria-se a versão.

Sucumbe-se, frequentemente, ao politicamente correto. Certas matérias, algemadas por chavões inconsistentes que há muito deveriam ter sido banidos das redações, mostram o flagrante descompasso entre essas interpretações e a força eloquente dos números e dos fatos. Resultado: a credibilidade, verdadeiro capital de um veículo, se esvai pelo ralo dos preconceitos.

Politização da informação, distanciamento da realidade e falta de reportagem. Eis o tripé que corrói a credibilidade dos veículos. A informação não pode ser processada em um laboratório sem vida. Falta olhar nos olhos das pessoas, captar suas demandas legítimas. Gostemos ou não delas. A velha e boa reportagem não pode ser substituída por torcida. 

A crise do jornalismo – e a proliferação de fake news – está intimamente relacionada com a pobreza e o vazio das nossas pautas, com a perda de qualidade do conteúdo, com o perigoso abandono da nossa vocação pública e com a equivocada transformação de jornais em produto mais próprio para consumo privado. É preciso recuperar o entusiasmo do “velho ofício”. É urgente investir fortemente na formação e qualificação dos profissionais. O jornalismo não é máquina, embora a tecnologia ofereça um suporte importantíssimo. O valor dele se chama informação de alta qualidade, talento, critério, ética.

O jornalismo precisa recuperar a vibração da vida, o cara a cara, o coração e a alma. O consumidor precisa sentir que o jornal é um parceiro relevante na sua aventura cotidiana. Fake news se combatem com informação.

terça-feira, 23 de abril de 2019

A boa leitura de forma gratuita na Internet


Neste 23 de abril, Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, o RBJ traz dicas de sites onde você pode baixar diversas obras, de forma gratuita e legal.

via RBJ

Há um bom tempo, a Internet é conhecida como um importante instrumento tanto nas relações humanas, através das redes sociais, como no mundo dos negócios, nas transações comerciais, na divulgação de notícias, e muitas e muitas outras funcionalidades, com as quais convivemos diariamente.

A difusão de conhecimento e cultura também ganha um espaço considerável na Web. Seja através de filmes, música, obras de arte, cursos, vídeo-aulas, é possível conhecer praticamente a produção artística, cultural e científica de todo o mundo em apenas um “click”.

Os amantes da literatura, podem usufruir de uma ampla variedade de opções, seja para adquirir livros com preços mais baixos, ou até mesmo obter exemplares de forma gratuita, através dos livros digitais, ou e-books, que têm ganho muitos adeptos, uma vez que apresentam algumas vantagens comparado ao bom e velho modelo de papel – menor peso, portabilidade, entre outras.

Entretanto, ao buscar livros na Internet é importante que o leitor tome cuidado para não infringir os direitos autorais. Por isso, o RBJ traz abaixo alguns sites para baixar livros de forma gratuita e legal:

Portal Domínio Público – É uma biblioteca digital mantida pelo Ministério da Educação. O acervo é constituído por obras de domínio público ou devidamente cedidas pelos titulares dos direitos autorais. Lançado em 2004, o portal oferece acesso gratuito a obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação autorizada. Destaque para a obra completa de Machado de Assis e a Divina Comédia traduzida.

Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin – Criada em janeiro de 2005 para abrigar e integrar a coleção brasiliana reunida ao longo de mais de oitenta anos pelo bibliófilo José Mindlin e sua esposa Guita. Atualmente, cerca de 3.000 títulos estão disponíveis para livre acesso. São diferentes tipos de materiais que abordam temas variados da história do Brasil.

Biblioteca Digital de Obras Raras – Mantida pela USP (Universidade de São Paulo), traz centenas de livros raros de várias partes do mundo, além de uma série de jornais de diferentes épocas.

Biblioteca Digital Unesp – Criada pela Universidade Estadual Paulista em parceria com a Biblioteca Nacional, com o Arquivo Público do Estado de São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade, pretende dar acesso irrestrito a matérias de referentes à História de São Paulo, livros, mapas do Estado de São Paulo e Música.

Biblioteca Digital Unicamp –  Tem como objetivo principal disponibilizar a produção científica gerada na Universidade de Campinas, com foco principal em teses e dissertações.

Biblioteca Digital Paulo Freire – Disponibiliza livros (de Paulo Freire e outros autores), artigos, resumos, fotos, vídeos, áudios e textos, como forma de difundir “pressupostos filosóficos, sociológicos e pedagógicos do pensamento freireano, para suportar ações educativas coletivas facilitadoras da inclusão dos sujeitos educacionais na sociedade da informação”.

Cultura Acadêmica – É um selo da Editora Unesp, pertencente à Universidade Estadual Paulista. O catálogo do site é composto por livros acadêmicos de várias áreas do conhecimento, muitos deles disponíveis para download gratuito em PDF.

Universia Livros – É promovido pela Universia, rede de cooperação universitária da América Latina. Atualmente, tem vários livros de domínio público disponíveis, incorporando também livros de autores que desejem distribui-los gratuitamente.

Livraria do Senado Federal – Editora pública, que oferece livros, principalmente nas áreas de Legislação, História e Meio Ambiente, à preço de custo industrial, mas também disponibiliza quase 200 obras para download gratuito.

Livraria da Câmara Federal – Atua da mesma forma que a Livraria do Senado, com diversas opções gratuitas.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Editora lança primeiro livro escrito por inteligência artificial



A iniciativa foi realizada com a ajuda de pesquisadoras da Universidade de Frankfurt, que utilizaram um algoritmo batizado como Beta Writer

Isabella Carvalho | StartSe

A editora inglesa Springer Nature lançou o primeiro livro do mundo escrito por inteligência artificial. Intitulado Lithium-Ion Batteries: um resumo da pesquisa atual, o livro fornece uma visão geral das pesquisas mais recentes sobre baterias de íons de lítio. A iniciativa foi realizada com ajuda de pesquisadores da Universidade de Frankfurt e um algoritmo chamado Beta Writer.

Com base nos artigos e pesquisas já publicadas, o Beta Writer organiza os documentos, cria resumos de cada um deles e conecta todo o conteúdo. O livro, que está disponível digitalmente, possui índice e referências criadas automaticamente pelo Beta. Cada citação é referenciada com um hiperlink para que os leitores explorem o documento original.

“Olhando para uma longa tradição e expertise na publicação de livros acadêmicos, a Springer Nature tem como objetivo moldar o futuro da publicação e leitura de livros. Novas tecnologias em torno de Processamento de Linguagem Natural e Inteligência Artificial oferecem oportunidades promissoras para explorarmos conteúdos científicos”, disse Niels Peter Thomas, diretor executivo da Springer Nature, em um comunicado.

Segundo Henning Schoenenberger, diretor de dados da editora, mais de 53 mil trabalhos de pesquisas sobre as baterias já foram publicados nos últimos três anos. Assim, o livro tem o potencial de iniciar uma nova era na publicação científica. “Esse método permite que os leitores acelerem o processo de digestão da literatura de um determinado campo de pesquisa, em vez de ler centenas de artigos publicados”, escreveu o executivo na introdução do livro.

Com download gratuito, o ebook possui 247 páginas separadas por capítulos. A editora afirma que planeja expandir esse projeto, aprimorando a tecnologia e desenvolvendo livros para outras áreas. Os interessados em ler o ebook podem acessar esse link.  

segunda-feira, 8 de abril de 2019

90 mil mapas antigos em alta resolução para download


Os amantes de história e geografia ficarão impressionados com os incríveis mapas históricos do banco de dados David Rumsey Map Collection. A página conta com mais de 90 mil mapas e imagens que abrangem um período que vai do século XVI ao XXI e ilustram a América, Europa, Ásia, África, o Pacífico, o globo como um todo e também os corpos celestes.

O conteúdo do banco de dados pode servir de base para estudos nos campos da história, arte e cartografia e pode ser procurado por data, local, tema, autor e outras categorias. A resolução dos mapas e imagens da coleção é altíssima, oferecendo a quem acessa detalhes que são raramente encontrados nesse tipo de cartografia.





Explore a coleção de mapas e viagem no tempo com as cartografias antigas da David Rumsey Map Collection.



quarta-feira, 3 de abril de 2019

Loja de ebooks da Microsoft vai fechar e livros comprados serão deletados


Leonardo Muller / Tecmundo

A Microsoft Store anunciou por meio de uma postagem em suas páginas de suporte que a seção de ebooks da loja será encerrada. Com isso, todos os livros comprados pelos clientes serão deletados e não estarão mais disponíveis para leitura a partir de junho deste ano. Por enquanto, não há uma data mais precisa. Títulos alugados ficarão disponíveis para leitura até o fim do período de aluguel.

Depois que todos os títulos forem deletados, a Microsoft pretende reembolsar os compradores diretamente em seus métodos de pagamento originais. No caso de livros com marcações e anotações, a empresa pretende dar um bônus extra de US$ 25 em crédito para compra de outros produtos na Microsoft Store. Esse benefício, contudo, só valerá para títulos marcados até hoje (02).

Comprado não é "comprado"
A finalização desse serviço digital mais uma vez ressalta as diferenças entre a aquisição de uma licença digital e a compra de um produto físico. No digital, você não tem posse real sobre o produto de forma indeterminada. As provedoras do conteúdo podem, a qualquer momento, encerrar os serviços que fornecem esse material e excluir a biblioteca dos usuários.

A Apple já fez isso com alguns filmes que saíram do catálogo do iTunes, tendo reembolsado os usuários afetados com a possibilidade de aluguel de outros títulos. A Microsoft, por outro lado, vai devolver integralmente o dinheiro gasto pelos usuários.

A empresa de Bill Gates não revelou qual seria o impacto financeiro de toda a devolução em suas contas, mas considerando que pouca gente sequer sabia que a Microsoft Store vendia livros, o baque não deve ser tão grande.

terça-feira, 2 de abril de 2019

Imprima-se!

Com a Internet, passamos a ter acesso a tudo e saímos da posição de passivos leitores

Por Demi Getschko - O Estado de S.Paulo


A prensa de Gutemberg abriu uma era de difusão de informações e conhecimento como o mundo não experimentara até então. Os raros manuscritos, guardados em conventos e igrejas, podiam ser imprimidos em quantidade e distribuídos a um número muito maior de leitores. 

Como também ocorre hoje, essa inovação trouxe a possibilidade de negócio, de se venderem muitas cópias, e a correspondente pressão para que os recursos fossem direcionais ao que mais interessaria ao público. Não demorou muito para que textos eventualmente “não canônicos” passassem a circular livremente. 

Menos de 100 anos depois, já havia resultados inesperados da popularização de textos. Lutero, por exemplo, certamente valeu-se da imprensa para difundir sua tradução alemã da bíblia, antes disponível em latim e grego e, portanto, apenas acessível aos que soubessem essas línguas.

À Igreja Católica não passaram despercebidos os riscos nascentes. Foi instituído um “crivo” para que uma obra obtivesse licença de impressão. Um bispo ou seu auxiliar deveria ler o texto, julgar se lá havia alguma falsidade ou impropriedade, e emitir um juízo: “nada obsta” (nihil obstat, em latim). Assim, finalmente, a obra obtinha o imprimatur – “imprima-se”.

Mais alguns séculos se passaram até que o princípio de livre acesso a todo o conhecimento e livre divulgação de ideias ganhasse momento. Enciclopedistas propunham coligir de forma racional o que se sabia para colocar à disposição. Podemos dizer que o pêndulo social oscilava em direção às liberdades individuais.

A Internet trouxe uma nova instabilidade no pêndulo. Potencializando imensamente o que houve há 600 anos, todos passamos a ter acesso a tudo e, mais ainda, saímos da posição de passivos leitores para a de ativos e ardentes defensores de pontos de vista, mesmo nos temas que nem dominamos tanto assim... Afinal, há um microfone amplificado disponível!

De novo, entretanto, surge reação. Pelos mais variados motivos, desde proteção contra falsidades ou defesa de direitos genéricos, passando por ideais moralizantes, reaparecem defensores de um “crivo”. 

Acaba de ser aprovada uma lei europeia que, entre outros pontos, arroga-se a proteger “direitos de autor” – note-se que esse direito inexistia à época de Gutemberg. Não é à toa que ela cria um incômodo em parcelas importantes do público: pode gerar consequências bem diversas das pretendidas. 

A par de ser totalmente lícito e correto punir os que transgridem as leis vigentes, causa-me arrepios que a ação proposta o seja de forma apriorística, ante factum. E, pior ainda, que seja uma tarefa encomendada ao segmento que conta com quem já tem bastante poder. Arriscamos a tornar inviáveis os que não dispuserem de ferramental para o crivo, e os que já gozam dele, terão ainda mais poder! O fosso aumentará.

Um grego, há 2500 anos, postulou que “leis são como teias de aranha: apanham insetos pequenos, mas os pássaros as rompem e fogem”...

O pêndulo está oscilando novamente, agora em direção a controle e tutela crescentes. 

Lembrou-me os primeiros versos da Carmina Burana: “Ó Destino, cresces e mínguas qual a lua mutante; a detestável vida escureces e depois clareias, brincando com nossa mente; dissolves como gelo a miséria e o poder”... Nihil obstat!

Imagem: Internet

domingo, 31 de março de 2019

Print out


Luis Fernando Verissimo, O Estado de S. Paulo
Imagem: Internet

Desconfio que o que vai salvar o livro não será o que o tornará supérfluo, mas o que nele perdurará. Não terá nada a ver com conteúdo ou conveniência. Até que lancem computadores com cheiro de papel e tinta nas suas duas categorias inimitáveis, livro novo e livro velho, nenhuma coleção de gravações ornamentará uma sala com o calor e a dignidade de uma estante de livros. A tudo que falta ao admirável mundo da informática, da cibernética, do virtual e do instantâneo acrescente-se isso: falta lombada. No fim, o livro deverá sua sobrevida à decoração de interiores.

sábado, 30 de março de 2019

A biblioteca que trocou os bibliotecários por um robô

A BIBLIOTECA NÃO TROCOU BIBLIOTECÁRIOS POR ROBÔS. ESSE TIPO DE TÍTULO IMPRECISO DE MATÉRIA É UM EXEMPLO SIMPLES DOS TIPOS DE FAKE NEWS PRODUZIDOS PELOS QUE DIZEM COMBATER TAL PRÁTICA. APESAR DISSO NÃO DEIXA DE SER UMA IMPORTANTE INFORMAÇÃO.

Sistema automatizado instalado em universidade americana leva livros a usuários em questão de minutos

Camilo Rocha | Nexo Jornal


CADA VÃO ENTRE AS PRATELEIRAS É OCUPADO POR UM ROBÔ QUE BUSCA OU DEVOLVE LIVROS   

Em questão de minutos, um livro pode ser escolhido no catálogo online da biblioteca James B. Hunt Jr., nos Estados Unidos, e entregue nas mãos do solicitante. É o que garante o site da instituição, ligada à Universidade da Carolina do Norte, em Raleigh. O segredo é que as mãos que buscam o livro no acervo não são humanas. 

O bookBot, ou robô de livro, em tradução livre, é um sistema automatizado de gerenciamento e armazenamento de livros. Construído especialmente para a biblioteca, ele tem capacidade de guardar até dois milhões de títulos em um ambiente climatizado. 

As obras são guardadas de modo otimizado e compacto, em cinco andares de gavetões metálicos, divididos por inúmeros vãos. Cada vão é ocupado por um robô que busca os livros por meio de dados fornecidos. O equipamento vai no lugar correto a partir das informações. Depois, o livro segue para um dos vários pontos onde os usuários podem solicitar os títulos. 

O sistema foi adaptado de estruturas equivalentes usadas nos setores automotivo e têxtil. Ele ocupa um nono do espaço que seria necessário em uma biblioteca convencional 

A economia de espaço possibilitada teve impacto no projeto do prédio da biblioteca, concluído em 2013. Realizado por uma empresa norueguesa de arquitetura, o projeto conta com materiais sustentáveis e incorporação da tecnologia em vários aspectos. O custo do prédio foi de US$ 150 milhões. 

O edifício de cinco andares tem mais de 21 mil metros quadrados e capacidade para atender até 1.700 estudantes. Segundo a instituição, o projeto teve de ser readequado financeiramente depois de um corte de orçamento de US$ 11 milhões, consequência da crise financeira de 2008. O obstáculo motivou a administração a perseguir eficiência no uso de materiais e uma área construída menor. 

A biblioteca mantém uma equipe de profissionais humanos, mas que não precisam mais procurar livros em estantes e podem se dedicar a tarefas como auxiliar estudantes em seus projetos de pesquisa e estudos. 

Robôs em bibliotecas 

Outras bibliotecas nos Estados Unidos já contam com sistemas robóticos para buscar e repor livros de suas coleções. Entre elas, está a biblioteca Mansueto, da Universidade de Chicago, e a biblioteca da Universidade de Santa Clara, na Califórnia. 

Em Cingapura, pesquisadores da agência científica estatal desenvolveram um robô que pode passear pelas prateleiras de uma biblioteca à noite e identificar livros que estejam fora do lugar certo. Quando encontra uma obra na posição errada, ela avisa o bibliotecário humano para que este a devolva para o local correto. Cada livro do acervo deve ter afixado um chip para que o robô possa identificá-lo.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Aplicativo resume livros e promete leitura em 15 minutos


Aplicativo resume livros e promete leitura em 15 minutos

Maria Fernanda Rodrigues |  O Estado de S. Paulo

Com investimento suíço, um novo aplicativo que apresenta livros de não ficção em resumos chega ao País. O Esens tem, segundo a empresa, 100 ‘livros’ em catálogo – entre eles, Homo Deus – Uma Breve História do Amanhã, de Yuval Noah Harari, que pode ser ouvido em 26 minutos (o livro tem 448 páginas). A média de tempo é 15 minutos e os resumos, garante a russo-suíça Elizaveta Uvarova, CEO e idealizadora, são artesanais e não ultrapassam 10% da obra, afastando problemas com direitos autorais. A monetização é com assinatura e com comissão de venda – quem quiser ler o livro todo é direcionado para a Amazon. “Provocamos a vontade de ler mais e funcionamos como uma pré-venda para os autores”, diz Elizaveta. “Mas o que queremos é que as pessoas leiam um livro por dia, que aprendam uma coisa nova por dia”, completa.