quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Vida ao redor: um site para explorar a fauna e flora brasileiras

André Cabetete Fábio | Nexo 

Instituído por meio de uma portaria de novembro de 2018, o SiBBr (Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira) é uma plataforma governamental que reúne informações sobre biodiversidade advindas de diversas instituições brasileiras, em especial instituições de pesquisa, como universidades.

O objetivo é organizar, armazenar e disponibilizar os dados sobre os ecossistemas brasileiros, e dar subsídios para a elaboração de políticas públicas. Além desse papel institucional, o SiBBr conta com um dispositivo de buscas em que é possível acessar informações sobre a fauna e a flora brasileiras.

Há opções por buscas de “espécies icônicas”, por exemplo. São aquelas espécies com relevância cultural. Clicando em cada nome, o site traz um mapa com a abrangência geográfica da espécie, sua classificação e os registros sobre as espécies em coleções. Entram nessa lista o gavião-real, encontrado principalmente na Amazônia, no Pantanal e em parte da mata atlântica, e a arara-canindé, encontrada na Amazônia, no cerrado e em parte da mata atlântica.

Também é possível realizar buscas por 202 coleções de acervos de instituições de pesquisa, como Embrapa, Fiocruz, universidades e museus. O buscador é dividido entre fauna, insetos, microorganismos e plantas.

Há ainda um buscador a partir do qual é possível explorar a biodiversidade por área. O usuário é convidado a digitar o próprio endereço e buscar informações sobre a fauna ao redor. Após realizar a busca, o site apresenta um mapa com um círculo sobre a região que exibe informações sobre a biodiversidade local.

A criação da plataforma foi coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, tem suporte técnico da Unep (sigla em inglês para ONU Meio Ambiente) e apoio financeiro do GEF (sigla em inglês para Fundo Global para o Meio Ambiente), criado em 1991 pelo Banco Mundial.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Relaxar e aprender


Leia em papel, pergaminho; ler é indispensável. Fundamental é sentir a vida pulsante das letras
        
Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo
Imagem: Internet

Gosto de indicar obras no final do ano. Muitos terão um momento de descanso e é uma boa ocasião para atualizar a lista de leituras.

Dos bons livros que li este ano, alguns sobem imediatamente à memória. Começo por Prólogo, Ato, Epílogo: Memórias (Cia das Letras), em que Fernanda Montenegro pensa décadas de televisão e teatro. Entretece lembranças pessoais com reflexões amplas. É uma mulher sábia e a narrativa é despojada e bela. A melhor propaganda para ler o texto é observar quem tem raiva da nossa maior atriz. Nenhum elogio poderia ser maior. Ver quem odeia um livro é bom para recomendá-lo. 

Ser brasileiro é conviver com o legado de séculos de tráfico humano e trabalho forçado. É obrigatório pensar na Escravidão (Globo Livros) de Laurentino Gomes. O tema da escravidão e seu legado são discutidos pelo autor em uma narrativa muito bem feita e respaldada em pesquisa sólida. Aguardo a continuação da trilogia. 

Também a vida do escritor de Gabriela, Cravo e Canela foi uma leitura cativante em 2019. Joselia Aguiar fez o texto que saiu pela Editora Todavia. É uma reconstrução da trajetória pessoal e profissional do nosso mais conhecido autor no exterior. 

Poesias são a língua viva em estado de experimentação. Ler, lentamente, a invenção poética faz um bem enorme à sensibilidade e ao intelecto. O latinista Guilherme Gontijo Flores foi indicado para o Jabuti por Carvão :: Capim (ed. 34). A mineira Mônica de Aquino já foi premiada pelo livro Fundo Falso (Relicário Edições) e também figura na lista do Jabuti. Se preferir uma pessoa forte do passado recente, leia a poesia de Florbela Espanca. Há bastante dela na internet e os dois volumes da L&PM dão acesso organizado a essa portuguesa genial. Poesia é essencial para sobreviver no mundo e pensar em lugares e não lugares que nos permitam suportar o desfile angustiante da realidade. 

O prêmio Camões trouxe um debate sobre Chico Buarque de Holanda como autor. As letras das músicas são brilhantes, com passagens líricas de força imensa. Se você gosta de Chico letrista, vai ampliar sua admiração com Budapeste, Estorvo, Leite Derramado e Benjamin, todos pela Companhia das Letras. O recente Essa Gente dialoga com nosso presente e garante momentos de alegria longe de opiniões da internet. 

Djamila Ribeiro lançou o Pequeno Manual Antirracista (Cia das Letras). Obra rápida, bem escrita e que toca em cada uma das nossas históricas e permanentes questões sobre preconceitos e população negra. Há livros importantes, há obras belas e há textos necessários: Djamila sintetiza os três tipos na obra. 

Até aqui, recomendei livros interessantes, estimulantes, que fazem pensar ou que, pelo menos, ocupam o tempo com muito prazer. Você pode lançar ao seu cérebro um desafio para 2020. Uma vez por bimestre ou semestre, ler uma obra clássica e definidora do pensamento ocidental. Exemplo: o que fazer diante da violência e da maldade das pessoas em sociedade? Como organizar o mundo, dado que temos tendências destrutivas fortes. Pode existir lei e Estado para uma espécie tão agressiva como a humana? Essas questões foram pensadas em um momento de grande violência, o século 17, por Thomas Hobbes: o Leviatã (com o subtítulo Matéria, Forma e Poder de um Estado Eclesiástico ou Civil). Recomendo a tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva (supervisão de Eunice Ostrensky) pela editora Martins Fontes. Ler um clássico é empreender uma jornada. Ele não é um livro de imediata assimilação; exige atenção e esforço. Ao final, creia-me, você emerge melhor e mais inteligente. Se o seu inglês permite, há versões variadas. 

Se você não se decidir por um livro com a complexidade de Hobbes ou de outros clássicos, seu paladar intelectual vai ficando afeito a manchetes, a sites rápidos e ideias superficiais. Ler uma obra que define parte da nossa política é algo que o alça a um degrau distinto, confere um olhar inovador e permite ser muito mais no campo do pensamento. Por isso, que tal um ano que você determine que três clássicos entrarão no reino do seu cérebro? Pode ser o texto já citado e mais O Contrato Social de Rousseau, terminando com a Rebelião das Massas, de Ortega y Gasset. Acredite-me: essa decisão mudará para sempre sua percepção das coisas, como se você tivesse acesso a uma sala diferente do mundo ou recebido uma luz distinta. A diferença entre pensar e não pensar começa (não termina) com o enfrentamento de textos fundamentais. Sem eles, impera o mundo das redes sociais e seus truísmos raivosos. Já sabemos aonde leva o rio de ódio que flui na internet. Quer descobrir um continente distinto e fascinante? Navegue em águas clássicas no ano que se abre a sua frente. Ler é um passo para ser mais, deixar entrar na mente uma companhia agradável e desafiadora: o livro. Leia em papel, leia em telas, leia em papiro ou em pergaminho: o suporte é irrelevante; ler é indispensável.

Concorde, discorde, ame ou negue as ideias; fundamental é sentir a vida pulsante das letras. É preciso ter esperança e alguma leitura.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

App MASP Áudios


O MASP Áudios é um aplicativo gratuito que funcionará como um audioguia, mas sem estabelecer ao visitante a necessidade de um roteiro pré-definido. O app tem patrocínio da Ericsson e está disponível para download na App Store e Google Play.

Por meio da realidade aumentada, o aplicativo expande a experiência dos visitantes proporcionando uma imersão no acervo. O funcionamento é simples: basta apontar o celular para a obra, a câmera fará o reconhecimento de imagem e o áudio começará automaticamente. Também é possível pesquisar pelo título da obra ou pelo nome do artista para ter acesso aos áudios em qualquer lugar. Ao final da navegação, o usuário terá registrado um roteiro com as obras pelas quais passou. E ele também poderá criar uma coleção própria com base no acervo do MASP, escolhendo seus trabalhos favoritos. 

Os áudios não são apenas explicações técnicas, conceituais, formais ou audiodescrições, e sim leituras abrangentes que contextualizam a obra, o artista e o período artístico ao qual pertencem. O aplicativo estreia com 170 áudios de historiadores, curadores (de dentro e fora do MASP), artistas, professores, pesquisadores e até algumas crianças. Neles, são exploradas principalmente as obras da coleção permanente do museu ---aquelas expostas nos cavaletes de cristal projetados por Lina Bo Bardi no segundo andar do prédio, no Acervo em Transformação. 

Os participantes e as obras prezam pela diversidade, inclusão e pluralidade, missão da instituição. A seleção de vozes inclui nomes da curadoria do MASP, como Amanda Carneiro e Lilia Schwarcz, profissionais que passaram pelos ciclos temáticos de “histórias”, como Hélio Menezes, artistas como Anna Maria Maiolino, Erika Verzutti, Leda Catunda e Thiago Honório, além de Aracy Amaral, historiadora da arte, Regina Teixeira de Barros, curadora e professora, Valeria Piccoli, curadora da Pinacoteca, Ivo Mesquita, curador independente, alunos entre 8 e 10 anos da Escola Municipal Desembargador Amorim Lima e Colégio São Domingos, entre outros. 

O MASP disponibiliza Wi-Fi para os visitantes.

Disponível em:
App Store
Google Play

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

‘The Feed’ (Amazon Prime) | Crítica


The Feed é mais uma nova série da Amazon Prime Video. Ficção científica, meio thriller, meio drama psicológico-tecnológico. Estamos em um futuro próximo, talvez muito mais próximo do que imaginamos, ou quem sabe já está acontecendo de alguma forma. O negócio é que, em um piscar de olhos, você agora está conectado com todo mundo. Não, não é pelo smartphone, é direto na sua cabeça, na sua face, no seu cérebro. O smartphone está dentro da sua cabeça, você cria mundos, vê o que quiser – inclusive o que outros estão vendo – vive nas redes sociais… piscando.

A narração da abertura da série é um grande texto publicitário com todas as maravilhas da tecnologia Feed. Realmente, dá vontade ter um. O British Museum pode virar o Japão, por exemplo, é só todo mundo olhar e se conectar pelo QR Code. O primeiro episódio começa deveras curioso: uma mistura de Reino Unido com Japão, com toda direção de arte puxando para o vermelho, denotando perigo. Algo está para acontecer. E, de repente, lá está Michelle Fairley, a Catelyn Stark de Game of Thrones, vivendo uma mulher forte, Meredith, CEO da companhia global que controla a tecnologia que nomeia a série. Impossível não sentir a referência ao casamento vermelho (3×09 de GoT). Aliás, ela vive uma personagem fria e calculista de forma convincente, se destacando sempre que aparece.


The Feed passa por temas atuais – e futuros (Foto: Amazon Prime Video / Divulgação)

REMO LUPIN DOMINADOR
Lawrence Hatfield é vivido por David Thewlis, o Remo Lupin de Harry Potter, o qual, sem dúvidas, traz um peso como ótimo ator que é, fazendo o homem que inventou a viciante tecnologia. Até que precisa da ajuda do filho vivido por Guy Burnet, um psicólogo de Feed. Em alguns momentos do início da temporada acaba lembrando a série Em Terapia, mas com um toque de tecnologia e investigação. Porque o Feed está começando a dar um probleminhas. O elenco é bom e cria certa curiosidade para assistir, mas alguns são muito irregulares.

The Feed é baseada em um livro escrito por Nick Clark Windo, todavia, a série é criação de Channing Powell e segue uma linha Black Mirror. Ainda tem como trama Nina Toussaint White como Kate e sua gravidez. O episódio de abertura presenteia com um final daqueles que fazem dar play no próximo sem pestanejar. Clare-Hope Ashitey apresenta elegância ao dar vida a Evelyn, uma personagem inteligente e de personalidade.

O ritmo parece que vai cair no segundo episódio, mas a trama paralela de Marcus começa a ficar interessante. O ator Shaquille Ali-Yebuah é carismático. Além disso, a segunda metade traz cenas fortes e o suspense segue num crescente a partir das novas descobertas dos protagonistas que vão investigando os estranhos acontecimentos. A família Hatfield é complicada e ficamos curiosos para saber mais sobre o que está por trás das falhas na tecnologia, a política e quais seus reais interesses. Sobretudo, em quem é possível confiar? Na família, talvez?


Foto: Amazon Prime Video / Divulgação

MINORITY REPORT + V DE VINGANÇA + BLACK MIRROR
O terceiro começa mostrando dois casais em caminhos paralelos, fica com cara de filme de fuga. Dirigido por Tinge Krishnan, pode-se perceber mais cenas utilizando a profundidade de campo, focando e desfocando o fundo, além de tomadas aéreas. Os cortes são bem utilizados como na saída do elevador seguido por abrir de cortinas de um novo e atemorizante cenário. Aliás, a cena final do segundo episódio faz com que o espectador fique ansioso pelo terceiro.

O seriado me fez lembrar Minority Report (2002), que se passa no ano de 2054, onde há um sistema que permite que crimes sejam previstos, também senti um ar de V de Vingança (2005), pois temos um grupo de rebeldes, hackers. Vemos uma luta por liberdade e desconexão tecnológica em um mundo extremamente interconectado, talvez seja esse o subtexto mais relevante. A partir do quarto episódio a questão LGBT começa a ser levantada, inclusive com alguns momentos singelos.

A direção de Jill Robertson no quinto episódio eleva a qualidade com closes bem utilizados, e começamos a encarar novas descobertas e outros mistérios. Aliás, o corte de uma lágrima para o cair de cinzas de um cigarro é poesia audiovisual. Aplicativos espiões que trazem problemas já são algo bem comum hoje em dia e tal tema também acaba sendo abordado. Ademais, as reviravoltas que acontecem nesse momento da temporada dão um novo ânimo. Seguindo para um sexto episódio com bastante suspense, e um final – quase – inesperado.

Em suma, The Feed é uma série que aborda vários temas relevantes, atuais – e futuros. Está no começo e vai plantando diversas sementes, conspirações, e, quando parece que vem um resposta, pula uma pergunta. Afinal, você quer estar conectado o tempo todo?

::: TRAILER



::: FICHA TÉCNICA

Título original: The Feed
Temporada: 1
Número de episódios: 10
Direção: Carl Tibbetts, Tinge Krishnan, Misha Manson-Smith, Jill Robertson, Colin Teague
Roteiro: Michael Clarkson, Rachel De-Lahay, Tom Moran, Channing Powell, Nick Clark Windo
Produtores:  Julie Clark, Rachelle Constant, Susan Hogg, Simon Lewis, Sara Murray, Stephen Lambert
Elenco: Guy Burnet, David Thewlis, Shaquille Ali-Yebuah, Michelle Fairley, Osy Ikhile, Simran Kaur, Jing Lusi, Jeremy Neumark, Chris Reilly, Nina Toussaint-White
Distribuição: Amazon Prime Video
Data de estreia: dom, 20/10/19
Gênero:  ação, drama
Ano de produção: 2019
Classificação: 18 anos

via Blah! Zinga

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Projeto digitaliza mais de 100 mil discos de vinil para disponibilizá-los online

O Internet Archive está trabalhando para oferecer acesso online a mais de 100 mil discos de vinil que, de outra forma, cairiam no esquecimento. A organização atua desde 1996 na busca de criar um acervo digital de conteúdos.

Bilhões de sites, livros, gravações de áudio, vídeos, imagens e softwares já fazem parte do acervo do Internet Archive e qualquer pessoa pode adicionar arquivos ao catálogo.

Foto: Reprodução Internet Archive

Os vinis são a mais recente adição da coleção. A iniciativa é levada a cabo através de uma parceria com a Biblioteca Pública de Boston, com o objetivo de digitalizar mais de 100 mil LPs.

Para o projeto, foram escolhidas obras do acervo da biblioteca que não estavam disponíveis comercialmente. Um total de 750 álbuns completos já estão liberados gratuitamente através da coleção “Unlocked Recordings“.

O processo começa com o catálogo de dados obtidos após imagens do disco e de sua capa serem escaneadas, conforme explica o blog do Internet Archive. Essas informações são então cruzadas com outras fontes externas para que, após catalogados, os álbuns sejam de fato digitalizados.

Foto: Reprodução Blog Internet Archives

Este procedimento é levado a cabo através de uma parceria com a Innodata Knowledge Services, em Cebu, nas Filipinas. Com uma tecnologia avançada, o serviço é capaz de catalogar cerca de 10 LPs por hora e, com isso, salvá-los do esquecimento.

via Hypeness

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Se cuida, Kindle: Xiaomi anuncia leitor de ebooks MiReader


A Amazon domina o mercado de livros digitais com o Kindle, mas a Xiaomi está de olho no segmento e anunciou recentemente seu próprio leitor de ebooks. Chamado de MiReader, o dispositivo segue os padrões da fabricante chinesa e ataca no custo-benefício: o aparelho foi anunciado por 599 Yuan, cerca de US$ 85 ou R$ 355 em conversão direta para a nossa moeda.

Por esse valor, o produto conta com uma tela e-Ink de resolução HD com densidade de 212 ppi (pixel por polegada) com LEDs embutidos para oferecer 24 tipos diferentes de iluminação. Em seu interior, o dispositivo também possui processador Allwinner B300 de quatro núcleos com frequência de 1,8 GHz, 1 GB de memória RAM e 16 GB de armazenamento interno. A bateria é de 1.800 mAh e pode ser carregada via porta USB Tipo-C.

O produto é baseado em Android 8.1 Oreo e traz suporte para leitura de livros digitais, conteúdos web e quadrinhos em alta definição, além de arquivos em formatos como EPUB, PDF, txt e também Word. Apesar de o MiReader rodar o sistema operacional da Google, ainda não está claro se o dispositivo contará com suporte para aplicativos da Play Store. Por outro lado, a Xiaomi confirmou que será possível exportar arquivos de smartphones ou baixá-los da nuvem para ler no novo aparelho.

De acordo com o NDTV, o Xiaomi MiReader pesará apenas 178 gramas e está sendo produzido pela Mijia, uma das principais submarcas da fabricante chinesa. O dispositivo ganhou vida após uma campanha de financiamento coletivo e mais detalhes serão revelados na quarta-feira (20), quando o leitor de livros digitais chega oficialmente ao mercado na China.

Como de costume, a Xiaomi ainda não confirmou se o produto será lançado no Brasil. Ainda assim, como os dispositivos Kindle mais baratos chegam a ser vendidos por valores na casa dos R$ 300 em promoções e com frete grátis, vai ser complicado para a empresa chinesa disputar com a Amazon nesse segmento.

via Techmundo

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Roda Viva com Yuval Harari

PHD pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, ele é autor de 'Sapiens, uma breve história da humanidade' e '21 lições para o século 21', que venderam mais de 20 milhões de exemplares em todo o mundo.

Em suas obras, nas palestras e entrevistas, Harari trata de questões atuais, como: a humanidade, como a conhecemos, vai desaparecer? O homem está tentando assumir o papel de Deus? Estamos ameaçados pelo surgimento de ditaduras digitais, que seguem as pessoas o tempo todo?



sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Lançamento do site Atlas dos viajantes no Brasil

Biblioteca Brasiliana lança no dia 13 de novembro a plataforma interativa Atlas dos viajantes no Brasil

No dia 13 de novembro de 2019, às 14h30 horas, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - USP (BBM) realizará o evento de lançamento da plataforma interativa Atlas dos viajantes no Brasil. No lançamento, a nova plataforma será apresentada pelo curador da biblioteca, João Cardoso, e pelo geógrafo que produziu os mapas do Atlas, Ian Rebelo Chaves. A partir da projeção do Atlas em grande escala no saguão da biblioteca, será apresentado o processo de pesquisa e produção da plataforma, suas funcionalidades e as próximas etapas do projeto. Em seguida, haverá uma roda de conversa sobre as possibilidades de uso da ferramenta em pesquisa e em sala de aula. Durante a conversa, o público será convidado a fazer as primeiras interações com a nova ferramenta de divulgação do acervo.

O Atlas dos viajantes no Brasil foi concebido para ser um instrumento inovador de divulgação de uma das coleções mais importantes da BBM - os relatos e imagens produzidos por viajantes, brasileiros e estrangeiros, que percorreram o país entre o século XVI e início do século XX. No site que abriga o Atlas, o usuário poderá acessar esses conteúdos de diversas maneiras - acompanhando a rota percorrida por um viajante específico, comparando informações sobre um local determinado produzidas por dois ou mais viajantes, filtrando as informações por assuntos e temas do seu interesse etc.

Os relatos e imagens que os viajantes produziram formam uma vasta enciclopédia sobre o Brasil, pois tratam de temas relacionados à natureza, sociedade, economia, cultura, vida cotidiana etc. O objetivo do Atlas dos viajantes no Brasil foi justamente recolher e organizar esses materiais para em seguida criar uma forma enriquecedora e estimulante de divulgá-los para estudantes, professores, pesquisadores e interessados em geral. Para o lançamento, foram criadas as rotas de sete viajantes de diversos perfis, nacionalidades e períodos. Depois de lançado, o Atlas continuará sendo alimentado com novos conteúdos e outras etapas do projeto serão implementadas.

Serviço

Lançamento do site: "Atlas dos viajantes no Brasil"
Quando: 13 de novembro de 2019, às 14h30
Onde: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) – Saguão – Rua da Biblioteca, 21, Cidade Universitária, Butantã, São Paulo – SP
Quanto: Gratuito
Mais Informações: (11) 2648 0316 ou viajantes@bbm.usp.br


via Biblioteca Brasiliana Mindlin

terça-feira, 5 de novembro de 2019

A biblioteca digital que aumenta a credibilidade da Wikipédia

Acervo do site The Internet Archive recupera fontes com páginas indisponíveis na internet e possibilita o acesso a livros digitalizados para a verificação de informações

Cesar Gaglioni  | Nexo

PLATAFORMA É CRITICADA POR PERMITIR QUE QUALQUER UM EDITE OS CONTEÚDOS DISPONIBILIZADOS 

Com uma média de 21 bilhões de acessos mensais, a Wikipédia é uma das páginas mais acessadas no mundo. 

A plataforma é uma enciclopédia digital com páginas que explicam os mais diversos temas, da Revolução Francesa à biografia do grupo de axé É o Tchan. Apesar de reunir essa amplitude de assuntos, a Wikipédia costuma ser criticada pelo fato de que qualquer um pode simplesmente editar a página da forma que quiser. 

A enciclopédia adotou mecanismos para que a desinformação se espalhe em suas páginas: as afirmações presentes na Wikipédia precisam citar uma fonte, listada no rodapé de cada verbete. 

Muitas vezes, as fontes de citação são livros antigos e raros, ou páginas da internet que saíram do ar, o que dificulta a verificação das informações apresentadas. Porém, um projeto online tem eliminado essas barreiras, e ajudando a aumentar a credibilidade da Wikipédia. 

O que é o Arquivo da Internet 

O The Internet Archive é uma iniciativa que surgiu em 1996, nos primeiros anos da própria internet, como uma forma de criar um acervo digital da web. 

Em treze anos, até novembro de 2019, o Internet Archive já arquivou 330 bilhões de páginas arquivadas, além de contar com uma biblioteca com 20 milhões de livros e textos digitalizados. Áudios, vídeos, imagens e programas de computador também estão presentes no acervo do projeto. 

A funcionalidade mais importante do projeto é a The Wayback Machine, seção que traz sites e páginas que já saíram do ar. 

No que diz respeito aos livros digitalizados, uma nova iniciativa do projeto facilitou ainda mais o acesso às fontes das citações na Wikipédia. Por meio dela, as notas bibliográficas de cada verbete oferecem links para o acervo do Internet Archive, nas páginas onde constam o trecho citado e parte dos capítulos onde se encontram, de modo a facilitar a contextualização. 

“A possibilidade de ler uma página ou duas do contexto de uma frase é crucial para editores [da Wikipédia] que querem proteger a integridade dos artigos, e para os leitores que precisam de um passo a mais na checagem das informações”, afirmou à revista Wired Mike Caufield, professor na área de educação da Universidade de Washington, nos EUA. 

Os idealizadores do Internet Archive também desenvolveram um mecanismo de inteligência artificial que acrescenta links para o acervo em citações que trazem páginas indisponíveis. O próximo passo é automatizar o processo de inserção de livros digitalizados, algo que, atualmente, foi feito de forma manual mais de 50 mil vezes.

“Se um livro tem um número ISBN [uma identificação numérica das publicações], e a citação está formatada corretamente, esse processo é bem fácil”, afirmou Mark Graham, diretor do setor responsável pela The Wayback Machine. O desafio está na formatação das citações na Wikipédia, muitas vezes imprecisa, e no fato de nem todos os livros terem um número ISBN. 

Segundo Graham, o The Internet Archive está digitalizando cerca de mil livros diariamente, e pretende aumentar o acervo exponencialmente. 

A Wikipédia em sala de aula 

Há um debate sobre o uso da Wikipédia na sala de aula, e não é raro ver professores, do ensino básico ao superior, que proíbam o uso da plataforma no desenvolvimento de trabalhos acadêmicos. 

A justificativa está na credibilidade da citação, já que a enciclopédia digital pode ser editada por qualquer pessoa. É por isso que a própria Wikipédia se posiciona como uma fonte não confiável, mesmo com os esforços para deixar o processo de verificação de fontes mais transparente e com mais credibilidade. 

Ao dar orientações sobre o uso do seu conteúdo em trabalhos acadêmicos, a Wikipédia diz que a plataforma deve ser encarada como um ponto de partida para a pesquisa, e não como uma base sólida dela. 

Porém, há quem defenda a presença da enciclopédia digital dentro do ambiente acadêmico. As sugestões são de usar as possibilidades da Wikipédia como forma de aprimorar os conhecimentos dos alunos em metodologia científica. 

O sociólogo russo Piotr Konieczny, professor de sociologia na Universidade de Hanyang, na Coreia do Sul, argumentou em um artigo publicado em 2014 que a Wikipédia pode ser uma ferramenta para democratizar a produção de conhecimento. No texto, Konieczny que professores deleguem aos seus alunos a tarefa de redigir artigos para a plataforma digital ou de complementar aqueles que já foram publicados anteriormente. 

Um outro artigo, publicado em 2011 por Mark T. Kissling, professor de educação na Universidade Penn State, e argumenta que a Wikipédia pode ser uma forma de educar os alunos na leitura crítica de fontes e no processo de familiarização com a metodologia científica. 

Na mesma linha, Cate Calhoun, professora de alfabetização midiática na Universidade de Auburn, também nos EUA, publicou um artigo em 2014, argumentando que a Wikipédia pode ser uma ferramenta para desenvolver nos alunos a capacidade de pesquisa, de análise crítica de fontes e da capacidade de identificação de referências bibliográficas confiáveis.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Cientistas criam portal com conteúdo voltado à pessoa com deficiência

O D+ Informação é uma iniciativa de pesquisadores do Núcleo de Pesquisa e Atenção em Reabilitação Neuropsicomotora (Neurorehab) da USP

Por Joice Soares | Jornal da USP


Um portal para disseminar informações de confiança, com clareza e baseadas em evidências científicas. O D+ Informação é um espaço de apoio a pessoas com deficiência. É possível encontrar materiais educativos, reunião de textos sobre leis e direitos, relatos de experiência, artigos de pesquisas, notícias de interesse da comunidade, entre outros. Mais do que informação, o portal oferece acolhimento.

Ele foi criado por pesquisadores do Núcleo de Pesquisa e Atenção em Reabilitação Neuropsicomotora (Neurorehab), da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP. “Temos como objetivo promover a autonomia, o empoderamento e participação das pessoas com deficiência na sociedade”, conta Michel Marcossi Cintra, mestrando da EERP e um dos autores do projeto.

Em meio a tantos conteúdos duvidosos expostos na rede, o diferencial do D+ informação é a veracidade das informações compartilhadas, baseadas em evidências científicas, mas em uma linguagem acessível a todos.

Desde 2014, o Neurorehab desenvolve ferramentas virtuais para troca de experiências e apoio a pessoas com deficiência. Uma deles é uma rede social virtual, chamada de D+ Eficiência, em parceria com outras universidades (UFPA, UFOPA, UFMG e TU Dortmund).

“Nesse sentido, os pesquisadores da USP se mobilizam para a implementação de tecnologias, por meio de ações educativas nas mídias sociais digitais, para informar e empoderar a sociedade para ter autonomia, fazer escolhas coerentes e seguras relacionadas à sua saúde”, explica a professora Fabiana Faleiros, coordenadora do projeto.

 “O uso da internet para buscar informações em saúde é crescente, nós, pesquisadores, nos preocupamos com a clareza e qualidade das informações disponíveis para a sociedade”, conta Letícia Corbo, mestranda da EERP e também uma das autoras do projeto.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

50 anos esta noite

Espírito livre, aberto e de colaboração: são características da internet, cuja origem começa na Arpanet, que começou a funcionar há exatos 50 anos

Demi Getschko | O Estado de S. Paulo

O professor Leonard Kleinrock, da UCLA

Gostamos de poder associar um evento marcante a uma data. A internet que conhecemos é a evolução do projeto de rede Arpanet, iniciado nos Estados Unidos em 1966, e que deu o primeiro sinal de vida em 29 de outubro de 1969, às 22:30, quando dois computadores diferentes e distantes entre si trocaram a primeira mensagem. Esse momento está gravado em placa na sala 3420 do prédio Boelter, da engenharia da UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles). Ainda hoje, a sala é ocupada pelo pesquisador e pioneiro de redes Leonard Kleinrock.

A Arpanet foi desenvolvida dentro da Agência de Projetos Avançados de Pesquisa (ARPA, na sigla em inglês) com recursos do Departamento de Defesa norte-americano, que em 1966 alocou US$ 1 milhão para um projeto de rede que conectasse computadores de fabricantes diversos usando “comutação de pacotes”, tecnologia então desenvolvida por Paul Baran e Leonard Kleinrock. 

A rede resultante deveria resistir a quedas de linhas e de nós. Uma rede como a telefonia tradicional baseia a troca de dados entre dois pontos num caminho definido e único (“comutação de circuitos”). Uma ruptura nesse caminho porá a conexão a perder. Por outro lado, a “comutação de pacotes” utiliza uma malha de caminhos, com a mensagem dividida em pequenos pacotes de dados. Uma queda de linha ou nó resultará, no máximo, na perda de alguns pacotes, mas a comunicação continuará possível. É a base da resistência a falhas que a internet apresenta.

Se nos anos seguintes surgiu uma pletora de redes de computadores a Arpanet prevaleceu a todas. Por ser independente de fabricante, por ter padrões abertos a disponíveis, por ser simples, por não ter um centro de controle, por ter mecanismos de recuperação de erros na transmissão, e por se basear em cooperação. Essas características ficaram definitivamente marcadas quando migrou definitivamente, em 1 de janeiro de 1983, de seu protocolo inicial NCP, escrito por Steve Crocker, para o TCP/IP. 

O projeto do TCP/IP fora iniciado em 1972 por Robert Kahn e Vinton Cerf. Com o sucesso do IP (Internet Protocol, ou “protocolo entre redes”), que funcionou como “cola” entre todos os componentes da rede global, o nome “internet” foi adotado para a rede. O IP permite que redes autônomas unam-se voluntariamente à internet, sem ter que abrir mão de suas políticas administrativas.

Falando em espírito livre, aberto e de colaboração, características da internet, é curioso notar que, há também 50 anos, ocorreu outro evento distintivo: o festival de música de Woodstock reuniu 200 mil jovens participantes e sinalizou a tendência libertária.

A Arpanet nasceu com financiamento militar, mas rapidamente redes acadêmicas passaram a integrá-la. A partir de 1980, com a implantação do TCP/IP, mais e mais redes passaram a constituir o tecido global. Ficou claro que a rede se tornara muito mais abrangente que seu objetivo inicial e chegara a hora de sua despedida. O bastão estava sendo passado à sua pujante filha, a internet.

Assim, em 28 de fevereiro de 1990 a Arpanet foi considerada definitivamente desligada. Vint Cerf escreveu um tocante “Réquiem para a Arpanet”, que traduzo livremente: 

“Foi a primeira e, sendo assim, também a melhor,/mas vai agora descansar para sempre/Detenha-se comigo e derrame algumas lágrimas./Em seu canto de cisne, por amor, por anos e anos/de serviço bem feito e fiel, eu choro./Deite seu último pacote agora, amiga, e durma”.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Google muda algoritmo para entender contexto em buscas

O Google definiu o uso de nova técnica de rede neural como um dos maiores saltos da história de seu buscador

Por Victor Hugo Silva | Tecnoblog

O Google anunciou nesta sexta-feira (25) uma mudança no algoritmo de seu buscador. A partir de agora, ele passará a entender melhor o contexto dos termos inseridos nas pesquisas para apresentar resultados mais relevantes.
Para isso, o Google adotou o BERT (Representações de Codificador Bidirecional para Transformadores, em tradução livre), uma técnica de rede neural que analisa o que vem antes e depois de palavras-chave e busca entender melhor o objetivo da pesquisa.

Ela deverá ser útil em pesquisas com muitas palavras e que se aproximam de perguntas. O Google afirma que as buscas poderão contar com uma linguagem mais natural, pois o algoritmo será capaz de entender o contexto das palavras.

Em sua demonstração, a empresa usou como exemplo uma busca que pergunta se brasileiros precisam de visto ao viajar para os Estados Unidos. Até então, o algoritmo daria pouca importância à preposição “para” e indicaria resultados sobre viagens dos EUA ao Brasil.

Outro exemplo indica uma pesquisa de quem tem dúvidas sobre a possibilidade de retirar medicamentos vendidos sob prescrição médica para alguém. Sem o BERT, o algoritmo não se concentraria no “alguém” e mostraria resultados gerais sobre receitas médicas.

Ao anunciar a novidade, o Google a considerou “o maior salto nos últimos cinco anos” e um dos maiores saltos na história do buscador. A empresa afirmou que a mudança na forma de interpretar as pesquisas representará um avanço para as bilhões de buscas feitas diariamente.

O BERT começou a ser usado para buscas em inglês, mas será levado para outros idiomas no futuro. De acordo com o Google, nas buscas em português, ele já está sendo usado para melhorar os snippets, os quadros com informações relevantes que aparecem em algumas pesquisas.

Com informações: Google, Engadget.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Prazeres instantâneos


Ao preencherem a necessidade dos jovens da era digital por fotos palpáveis e duráveis, as velhas  polaroides foram resgatadas para virar fetiche e itens de celebração coletiva 

Amanda Capuano | Veja

O CASAMENTO dos atores Thaila  Ayala e Renato Góes foi uma festança  como se espera das bodas de celebridades. Realizado há três semanas em  Olinda, o evento reuniu 400 convidados que vararam a madrugada se refestelando em torno de uma mesa que aludia à Última Ceia. Mas era o bolo que  captava o “espírito instagramável” reinante: em vez dos bonecos na forma  dos noivos, a iguaria era decorada com  duas fotos de polaroide do casal, capturadas na cerimônia. Os convidados  também podiam posar para polaroides  ó e levá-las para casa. Atualmente em alta em casórios e afins, esse tipo de celebração atesta um novo fenômeno da  era millennial: a volta apoteótica das  velhas fotografias instantâneas.  

Surgida nos Estados Unidos na década de 40, a máquina que produz registros instantâneos ou seja, impressos na hora no clássico filme com bordas brancas ó se tornaria um fetiche  nos anos 1970 e 1980. Na virada do  século, a praticidade oferecida pelas  máquinas digitais (e pelas câmeras  dos smartphones) levou a fotografia  analógica a um cenário insustentável. 

De queridinha por gerações, a Polaroid caiu no ostracismo. A empresa ó cujo  nome virou sinônimo de seu produto ó  faliu duas vezes e teve três donos entre  2001 e 2009. O caminho do ocaso parecia ser o destino inevitável também  de sua rival, a japonesa Fujifilm. Até  que uma notável mudança geracional  veio resgatar os instantâneos do limbo.  

Nos últimos quatro anos, as câmeras Instax, linha instantânea da Fujifilm, registraram aumento de 160%  nas vendas globais. Só em 2019 já foram comercializados 10 milhões de  unidades. O número é espantoso para  um mercado que quase deixou de existir ó e cujo ponto de virada se deu em  2009, quando a última fábrica da Polaroid, na Holanda, foi comprada por  um fã disposto a resgatar seu glamour,  o empresário austríaco Florian Kaps.  

À maneira da ressurreição do vinil,  o retorno da Polaroid tem a ver com a  nostalgia ilimitada dos jovens millennials  que sentem saudade de coisas  que nem viveram de fato. Esse apelo  vintage explica o burburinho em torno  de obras como Linda McCartney: The  Polaroid Diaries, volume recém-lançado de fotos familiares registradas  por três décadas pela ex-mulher do  beatle Paul McCartney, morta em  1998. A adesão de celebridades, de Madonna a Bruna Marquezine, turbinou a  tendência. Taylor Swift elaborou a  identidade visual de seu álbum 1989,  lançado em 2014, com polaroides. O resultado foi tão positivo que Taylor foi  creditada como salvadora da marca pelo então CEO da empresa. A concorrência não titubeou: a Fujifilm criou uma  versão da Instax assinada pela cantora.  

O retorno da fotografia instantânea  espelha a necessidade que a juventude  de hoje sente de preencher certa lacuna  deixada pela revolução digital. Com  sua mania de clicar tudo o tempo inteiro para publicar no Instagram, ela viu a  fotografia perder seu caráter único para se tornar um ato trivial. Com sede de  diferenciação, os jovens acharam na  velharia uma maneira de dar identidade a seus registros ó tornando-os não  só únicos, mas duráveis e palpáveis em  meio à cacofonia de imagens virtuais.  “As câmeras digitais democratizaram  o simples, a foto perfeita. Mas as fotos  instantâneas proporcionam ao fotógrafo o desafio, o significado especial”,  disse a VEJA Oskar Smolokowski, CEO  mundial da Polaroid. A opinião do executivo vai ao encontro do que diz Livia Camargos, estudante de 20 anos e fã  típica: “A gente acaba tirando fotos à  toa, sem perceber que fotografia é uma  arte. A câmera instantânea ajuda a  lembrar que precisamos pensar antes  de apertar o botão”.  

Como nem os millennials são de ferro, as marcas têm investido em inovações para fundir o apelo das polaroides  às facilidades das câmeras digitais.  A Instax lançou uma linha de impressoras de fotos instantâneas. Já a Polaroid tem um dispositivo que transforma fotos de smartphone em fotografias  físicas ó faz espécies de fotos analógicas das fotos digitais. “Todo mundo  gosta de polaroide porque é como se  você aplicasse um filtro do Instagram à  foto mas não soubesse como vai ficar”,  diz o fotógrafo Antonio Barros, que já  fez instantâneos de celebridades como  Rihanna e Karl Lagerfeld. Nada mais  eterno que um prazer instantâneo.


sábado, 12 de outubro de 2019

O poder das notícias falsas na era digital



Fábio Jesuíno | Startup Blog - Portugal

O mundo digital revolucionou a forma como comunicamos, permitiu dar voz a qualquer indivíduo, mas ao mesmo tempo, deu voz a campanhas de desinformação através das “Fake news”.

O termo “fake news”, ou notícias falsas ficou popular em 2016, durante as eleições dos EUA, devido as polemicas que foram criadas nas redes sociais envolvendo vários políticos e até governos externos. Foi um momento que ficou marcado pela confusão que gerou na sociedade norte-americana e influencia que teve nos resultados nas eleições, que ainda está a ser investigado.

As notícias falsas são graves ameaças às democracias e muitas vezes utilizadas como meios de interferência nos processos eleitorais, que se veio a verificar depois nas eleições presidenciais brasileiras de 2018, onde recentemente a plataforma WhatsApp confirmou o envio de propaganda e informação falsa na sua rede.

A importância do jornalismo e os meios de comunicação social independentes ganham atualmente, maior relevância na nossa sociedade, mesmo passando por dificuldades, são uma plataforma de confiança e de liberdade, principalmente neste mundo cada vez mais digital. Uma confiança que deve ser preservada e ampliada pelos governos como mecanismos de ajudas adaptados às novas realidades.

Atualmente é muito importante ter uma sociedade que saiba identificar notícias falsas, situação que ainda não acontece na maioria da população dos países da união europeia, onde só 48% portugueses admitiu, num estudo realizado recentemente pela Comissão Europeia, conseguir identificar notícias falsas, um valor que está abaixo da média da União Europeia.

Uma das maiores convicções do pensamento contemporâneo é que a internet, que deu origem às plataformas digitais, como o Facebook, YouTube e Twitter, está a transferir o poder dos governos para a sociedade civil. Fazendo com que alguns países ataquem a liberdade da internet, como acontece na Russia, China, Cuba e Turquia, que censuram claramente informações críticas.

As “fake news” são uma ameaça, mas também uma oportunidade para melhorar a educação digital de uma sociedade cada vez mais conectada.

Cálculo da inflação incluirá apps de transporte e streaming em 2020

Mudança no cálculo do IPCA faz grupo dos Transportes superar, pela primeira vez, o peso do grupo Alimentação

Exame


Uber: IPCA passa a captar o transporte por aplicativo, que não constava na lista e estreia com peso de 0,21% na nova ponderação (Germano Lüders/EXAME)

Avanços tecnológicos, envelhecimento populacional e até a opção por alimentos prontos influenciaram as mudanças na destinação do orçamento das famílias brasileiras nos últimos anos, alterando assim a cesta de produtos pesquisados na inflação oficial do País.

A partir de janeiro de 2020, saem do cálculo o aparelho de DVD, assinatura de jornal e máquina fotográfica. Ao mesmo tempo, entram bacalhau, vinho e picanha, além de aplicativos de transporte, como Uber, e serviços de streaming.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira, 11, a nova ponderação que servirá como base para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no ano que vem. A primeira divulgação sob a nova ponderação será em fevereiro de 2020, referente a janeiro.

As mudanças levam em consideração os pesos referentes à Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2008/2009, mais especificamente do mês de janeiro de 2009, com as contribuições atualizadas para a ponderação referente a janeiro de 2018, tendo como base as despesas monetárias das famílias captadas pela POF de 2017/2018.

A inflação passa a investigar 377 subitens, ante uma lista atual de 383. No total, o IPCA terá 56 novos subitens. Ou seja, 62 itens foram substituídos ou retirados da lista.

“Assinatura de jornal perdeu relevância no orçamento, mas não é que tenha diminuído o número de assinaturas, elas podem ter sido substituídas por pacotes de assinaturas digitais, que são mais baratas”, exemplificou Pedro Kislanov, analista do Sistema de Índices de Preços do IBGE.

O IPCA também passa a trazer macarrão instantâneo (com peso de 0,03%), polpa de fruta congelada (0,01%), papinha infantil em conserva, além de conserto de bicicleta e medicamentos neurológicos e antidiabético. No caso de transporte por aplicativo, que passa a integrar a lista, conta tanto o serviço de veículos particulares, como Uber, quanto o de táxis, como o 99 Táxi.

O cálculo desses serviços não existia e estreia com peso de 0,21% na nova ponderação. A integração transporte público estreia com 0,07%.

“O conserto de bicicleta é uma coisa que a gente não tinha antes indica que as pessoas estão usando cada vez mais a bicicleta, talvez como lazer”, notou Kislanov. “Com o envelhecimento populacional e a tendência de aumento de doenças crônicas, (o IPCA) manteve todos os farmacêuticos anteriores e ainda entraram esses aí”, completou.

O pesquisador lembra que, entre os novos subitens pesquisados, alguns já integravam subgrupos, mas ganharam importância, motivando a desagregação. É o caso do vinho consumido dentro de casa e fora de casa, que passam a ser medidos de forma separada de outras bebidas alcoólicas. Ou então passaram a integrar a lista, como a picanha, que não figurava entre as carnes investigadas.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

A falta de Steve Jobs



Do computador pessoal ao smartphone, da internet comercial à música e vídeo digital, do mouse à tela de toque, há o dedo de Steve Jobs em praticamente todas as fases da revolução digital

por Pedro Doria | O Estado de S. Paulo

No último sábado, dia 5, fez oito anos que Steve Jobs morreu. E, oito anos depois, ele segue insubstituível. Nenhum líder no Vale do Silício chegou sequer próximo. E é curioso, pois como cresceu sua Apple, desde então. Era impensável, naquele 2011, que uma das maiores empresas do mundo — eram bancos e petroleiras — alcançasse o valor de mercado de US$ 1 trilhão. Mas a Apple está nessa faixa, e não sozinha. Caminham junto, e a ordem varia de acordo com o tempo em Wall Street, Microsoft, Google, Amazon e Facebook. Pois é. Mas, apesar deste sucesso posterior, ninguém chega próximo de Jobs.

Tecnologia é uma coisa tão óbvia, hoje em dia, tão parte dos nossos cotidianos. E porque tem tanta gente por aí com iPhones, iPads ou iMacs, o nome de Jobs se tornou um daqueles tão célebres que, não importa em qual canto do mundo, todos ouviram dele.

Mas, no Vale, sua mística é antiquíssima. Nos anos 1980, ali por Cupertino, Mountain View ou Palo Alto, havia Apple IIs por toda parte. Nas escolas, nos escritórios. Histórias de Steve Jobs eram contadas com admiração. Nenhum outro líder da indústria era visto como ele. Sim: temperamental. Sim, um chefe difícil para muitos, dado o tipo de bronca que passava. Mas todos sabiam que Jobs era extraordinário.

Quando no Vale dos anos 1970 um grupo de seus amigos montava computadores por diversão nas garagens, ele percebeu que um destes, bem-acabado, seria um produto com enorme potencial de mercado. Imagine só: um computador pessoal.

Quando percebeu a tecnologia que a Xerox havia desenvolvido, incluindo ícones e janelas, uma lata de lixo na tela, e tudo guiado por este apetrecho que ninguém conhecia — o mouse —, Jobs pagou um dinheiro para poder copiar. A Xerox não ligava, então foi ele, com o Mac, que pôs nas ruas o primeiro computador fácil de aprender a usar.

Expulso da Apple por ser temperamental, montou uma empresa que produzia os computadores mais bonitos jamais feitos. E bons de matemática: os NeXT. A World Wide Web foi inventada num destes. E o sistema da NeXT era tão bom que uma Apple próxima da falência comprou a empresa para tentar salvar o Mac. Levou de brinde Steve Jobs. Que em meses virou CEO.

De volta à empresa que fundara, pôs nas ruas o iMac, um computador já pronto para entrar na internet — era só ligar ao fio do telefone. (Funcionava assim naquele tempo.) Um computador cheio de curvas e num azul translúcido que permitia ver o interior. Eram todos beges e quadrados, os computadores.

Aí pôs na rua o iPod e, de repente, podíamos nós circularmos por aí com todos os discos da coleção gravados para ouvirmos.

Então reinventou o telefone celular. E veio o iPad. Neste meio tempo, reinventou o negócio da indústria da música, criando pelo iPod e depois o iTunes, a primeira loja digital de música. Para depois vender online também filmes e séries.

Do computador pessoal ao smartphone, da internet comercial à música e vídeo digital, do mouse à tela de toque, há o dedo de Steve Jobs em praticamente todas as fases da revolução digital. Nenhum executivo, nem Bill Gates, chega perto desta marca.

Os seus eram dois talentos. O primeiro era a visão. Tecnologia é coisa que se inventa, se cria do nada. Jobs intuía como aqueles chips e telas poderiam atender a usos que consumidores sequer imaginavam, mas pelos quais se encantariam. E tocava esta sua visão com rigor estético que herdou de sua religião, o Zen. O segundo talento era o da venda. Ela sabia explicar a visão que tinha de forma que parecesse óbvio.

Porque era óbvio depois que ele mostrava. Ninguém chega perto.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

TikTok, o aplicativo chinês que é febre entre os jovens

Dona do app de vídeos rápidos, a ByteDance abriu escritório na Vila Olímpia, Zona Sul de São Paulo, para administrar os negócios por aqui

Por Matheus Prado | Veja São Paulo

Criador: Carvente se destaca em vídeos de efeitos especiais (Rogerio Pallatta/Veja SP)

O aplicativo mais baixado do mundo em agosto deste ano possui vídeos de cerca de quinze segundos, edições simples e dinâmicas, filtros e músicas variados, alto potencial de viralização e “conteúdo infinito”. Ingredientes isoladamente presentes em todas as redes sociais, mas que juntos alcançaram outro patamar no TikTok. A plataforma chinesa, lançada em 2017, é febre entre os jovens, e tem crescido de maneira galopante a sua base de usuários.

A consultoria Sensor Tower, que mapeia dados de downloads da Apple Store e do Google Play, reporta que a ferramenta já foi baixada mais de 1 bilhão de vezes. Trazido para o Brasil em agosto de 2018, o TikTok figura entre os dez apps mais baixados para telefones Android localmente.

O sucesso é tanto que a startup chinesa ByteDance, dona da rede social, abriu escritório na Vila Olímpia, Zona Sul de São Paulo, para administrar os negócios por aqui. Apesar do sucesso, a firma se mantém discreta. Números de downloads, receitas e funcionários e até a localização da sede paulistana não são divulgados. A empresa chegou a ser acusada de esconder suas políticas de uso e promover censura a vídeos de temática política na China. À época, respondeu que inicialmente agia de forma dura contra conteúdos sensíveis para “evitar conflitos”, mas que hoje a moderação é internacionalizada e feita de maneira independente em cada país.

Afinal, por que o TikTok está fazendo tanto barulho? A companhia afirma que o diferencial está não apenas nos recursos especiais de captação e edição, mas também em pilares como “autenticidade, vídeos reais e pessoas reais”, o que coloca os criadores de conteúdo no centro das atenções. O paulistano Bruno Carvente (@iBugou), de 29 anos, foi um dos que assumiram esse protagonismo.

Ele possui 2,4 milhões de seguidores e utiliza seus conhecimentos em animação e computação gráfica para vídeos de efeitos especiais. Carvente explica que, apesar de o conteúdo segmentado ser o carro-chefe, com clipes cômicos, musicais ou de maquiagem, o algoritmo trabalha com tendências. A plataforma lança desafios, hashtags e músicas e faz curadoria de conteúdos, destacando os mais criativos. Os produtores têm de ficar atentos ao que ocorre dentro da rede para tentar viralizar.

Além disso, a inteligência artificial do app identifica o tipo de conteúdo preferido do usuário e o direciona para ele. “Dizem que o TikTok é uma fábrica de memes”, brinca Carvente, ao explicar o motivo de esses vídeos serem tão compartilhados nas demais redes sociais. Ele afirma que a monetização ali é feita por meio de doações de usuários nas transmissões ao vivo. Outra fonte são os vídeos pagos por marcas — podem chegar a 5 000 reais por postagem, a depender do número de seguidores.

Talita Akemy (@talita_akkemyy), 18, e Letícia Gomes (@leticiafgomes), 25, “vivem” do TikTok. Com quase 2 milhões de seguidores cada uma, elas têm foco nos vídeos de make. “O mercado de cosméticos está muito grande, então a gente recebe convites para divulgar as marcas”, diz Talita. Já Letícia, que se transforma em personagens e personalidades através das pinturas, explica que tem sido procurada para difundir lançamentos de filmes e músicas.

Thatty Ferreira (@thattyferreira), 22, aponta a consistência como um dos segredos para o sucesso. Também na casa dos 2 milhões de seguidores, ela se programa para postar pelo menos um conteúdo por dia, além de agendar cerca de três lives semanais. Quando viu que estava atraindo muito público estrangeiro, ela decidiu ir além. Criou um segundo perfil só para o público brasileiro. “Todos os dias eu posto de um a três vídeos e vou variando o conteúdo, seguindo as tendências do momento. Além disso, faço conteúdos exclusivos para o público brasileiro no segundo canal”, explica.

Os criadores acreditam ainda que o aplicativo caiu nas graças dos jovens por causa da sua simplicidade. Tudo é filmado e editado no celular, o que dá velocidade e um ar amador (proposital) à produção. “A nossa geração consome as coisas muito rapidamente, então precisamos entregar vídeos de quinze segundos com início, meio e fim”, diz Gustavo Martho (@marthow), 23, que está começando na plataforma. Com quase 90 000 seguidores, o publicitário e fotógrafo se mudou do Paraná para São Paulo a fim de investir na vida de influenciador.

Simone Cesar, 40, fez o caminho inverso. Dentista especializada em crianças há dezenove anos, ela encontrou no aplicativo, que conheceu através do filho, uma ferramenta para se conectar com seus jovens clientes. Hoje conhecida como @dentistamusical (370 000 seguidores), Simone conta que sua clientela aumentou após seu ingresso no TikTok. “Tive a sacada de usar o app dentro da clínica, interagindo com os pacientes. A ideia era fazer com que as crianças tivessem mais vontade de vir ao dentista. Agora, os pais curtem muito e, se não posto, mandam mensagem perguntando o que aconteceu.”

Mas apesar do público originalmente infantil, o TikTok acredita que tem penetrado cada vez mais as gerações mais velhas. Esdras Saturnino (@esdrassaturnino), que tem cerca de 550 000 seguidores e faz conteúdos de humor no app, conta que suas métricas apontam para um público de até 30 anos. “Alguns vídeos da plataforma podem parecer meio sem sentido às vezes, mas a minha ideia é sempre levar experiências de vida para o público”, diz. Além dos vídeos de comédia, o jovem aposta em números musicais. Ele está se licenciando em música (quer cursar letras posteriormente), dá aulas de canto popular e sonha em poder lançar canções e disponibilizá-las na rede social para que seus seguidores “dublem e recriem em cima da sua criação”. 

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Kindle Kids Edition: Amazon lança e-reader exclusivo para crianças

A Amazon revelou nesta segunda-feira (7) o seu primeiro Kindle exclusivo para crianças, fazendo companhia ao também recém-lançado tablet Fire HD 10 Kids.

O Kindle Kids Edition conta com quatro cases coloridos, dois anos de garantia que permitem a substituição do dispositivo, e mais um ano de acesso cortesia para o FreeTime Unlimited, que oferece conteúdo ilimitado para crianças, com mais de 20 mil vídeos, livros e aplicativos.

Para manter os leitores infantis, o Kindle acompanha dicionário nativo, um recurso chamado Word Wise, que define automaticamente palavras difíceis, além de badges de conquistas, papéis de parede personalizados e luz frontal ajustável.

O Kindle Kids Edition já está disponível em pré-venda nos Estados Unidos por US$ 109,99, com envio para o dia 30 de outubro. Ainda não há informações sobre a chegada do produto no Brasil.

via Canaltech | Yahoo Finanças

Sycamore: o supercomputador secreto da Google

Documento vazado pela Nasa revela que gigante da tecnologia criou uma máquina que realiza, em 3 minutos, cálculos que levariam 10.000 anos para ser feitos

Por Filipe Vilicic, Sabrina Brito | Veja

“Máquinas similares às hoje existentes serão construídas a custos mais baixos, mas com velocidades mais rápidas de processamento.” Assim, em um artigo de 1965, o empreendedor americano Gordon Moore, cofundador da Intel e hoje com 90 anos de idade, apresentou sua célebre ideia. Pela “Lei de Moore”, a cada cerca de dois anos o desempenho dos chips de computador dobra, sem que aumentem os custos de fabricação. A máxima, irretocável, à exceção de pequenos detalhes de percurso, funcionou tal qual intuíra Moore — e as máquinas evoluíram no ritmo imaginado por ele. É uma regra que pode estar com os dias contados. Vive-se, hoje, uma revolução tecnológica afeita a deixar no passado o raciocínio da duplicação de capacidade de cálculos à base de silício: é a computação quântica. Ela poderá nos levar a distâncias inimagináveis: tarefas que o computador mais poderoso do planeta demoraria 10 000 anos para completar seriam feitas em pouco mais de três minutos (veja o quadro).

A computação quântica era uma construção que, até o início desta década, não passava de teoria impressa em estudos universitários. Nos últimos anos, começou a ser testada na prática, com sucesso apenas parcial, até conseguir tração que, finalmente, parece se encaminhar para uma nova história. Um documento da Google, vazado recentemente, mostra que a empresa, que nasceu como um motor de buscas para depois invadir outras searas, pode estar muito próximo de romper de vez com o paradigma imposto pela Lei de Moore ao criar o primeiro computador quântico funcional da história.

A revelação foi resultado de uma distração. Algum funcionário da Nasa, também envolvido com o projeto, acidentalmente publicou, em 20 de setembro, no site da agência espacial americana, um estudo que mostra o feito da Google, realizado por meio de uma máquina, ainda sob sigilo, nomeada como Sycamore. O arquivo, programado para ser divulgado oficialmente neste mês, permaneceu poucos segundos no ar — mas foi o bastante para ser flagrado pelo jornal inglês Finan­cial Times. O supercomputador cumpriu um feito inédito: estabilizou os chamados qubits (versões quânticas dos tradicionais bits) por tempo suficiente para que fossem realizadas operações pela inteligência artificial.

A inovação do gigante americano da internet pode dar fim ao paradigma da Lei de Moore, que estabelecia um progresso sempre constante para os chips

Exige-se, aqui, uma breve pausa para explicar a computação quântica. Em um PC regular, os chips operam por meio de bits, unidades binárias responsáveis por formar a linguagem dos soft­wa­res. Esses bits regem os cálculos sempre como se desempenhassem um de dois papéis, dentro da ideia da língua das máquinas: ou são “zero” ou são “1”. No caso do qubit dá-se um comportamento simultâneo, com o “zero” e o “1” ao mesmo tempo. Grosso modo, seria como se um ser humano pudesse, ao mesmíssimo tempo, de modo correto e com perfeita dicção, falar duas palavras. Na prática, representa a possibilidade de um salto gigantesco na velocidade dos computadores.

O computador secreto da Google foi pioneiro ao efetivar essa ambição. O avanço ainda se restringe a âmbitos estritamente técnicos, sem utilidade cotidiana. Já é, porém, apelidado de “o Santo Graal da computação”. Isso porque o feito, se comprovado, atingiu o que se conhece como “supremacia quântica”. A nomenclatura indica aquele momento da civilização em que os computadores seriam tão (ou mais) competentes quanto os seres humanos. O cientista da computação americano Scott Aaronson, professor da disciplina de informação quântica na Universidade do Texas em Austin (EUA), diz, em entrevista a VEJA: “Isso não causará mudança imediata na vida das pessoas. Mas só por enquanto, pois se trata do início de um caminho que levará a transformações radicais em diversas áreas, culminando certamente no desenvolvimento de inovações que devem abranger de novos remédios à criação de materiais artificiais com atributos que hoje se restringem à imaginação”. Vale lembrar que o computador que usamos hoje também começou com um passo singelo, em 1843, quando a matemática inglesa Ada Lovelace (1815-1852) publicou um diagrama numérico que veio a ser considerado o primeiro algoritmo computacional. Foi esse trabalho, então estritamente técnico, que permitiu, quase dois séculos depois, a existência de notebooks, smartphones, tablets, robôs etc.